ERODE LINO LEITE

SOM DE FUNDO:

TREM DO PANTANAL 

Almir Sater (Simões/Roca)

 

Estado de Mato Grosso do Sul: Um Lugar Em Lugar Nenhum


 

Há certas questões, seja qual for sua natureza, afirmo até que todas, que somente percebemos a sua real dimensão, intensidade, natureza e complexidade, no ato em que nos posicionamos para analisá-lo, senti-lo, vivenciá-lo, externamente. Havendo, por motivos profissionais, alternado meu domicílio para o vizinho estado de São Paulo, onde apresentei-me aos novos colegas e concidadãos, à medida que ia alargando e estabelecendo o meu círculo de relacionamento, com todo o meu orgulho e honra de ser “um sul-mato-grossense”.
            Foram nesses momentos que descobri ser um habitante de Utopia, um lugar em lugar nenhum, quando menos, ultraje maior ainda, nominavam-me de “mato-grossense”.
Olhando do exterior, nosso rico Mato Grosso do Sul, não consta do mapa do Brasil, continuamos a ser unicamente “Mato Grosso”; não reconhecem nossa autonomia, não reconhecem a identidade sul-mato-gressense, somos um estado não reconhecido, conhecido sim, como alguém que ainda não alcançou a maioridade, vivendo à sombra daquele do qual originou-se. A associação é intrínseca ao nome, por isso transparece uma única identidade.             A identidade é revelada, reconhecida, quando condensada em um termo. Mato Grosso do Sul traz em si, toda a carga de valores que identificam o povo de Mato Grosso, não havendo dissociação entre este e o termo “Do Sul” que fica sempre relegado ao esquecimento, como mero apêndice.

Urgente se faz construirmos nossa plena capacidade, decretando o fim da infância, podendo ter e assinarmos o nosso próprio nome, que revele de fato nossa identidade, nossa cultura nossa História, nossa geografia, nossas riquezas, estabelecendo nossa autonomia e nossa existência enquanto estado brasileiro.

Há de ser um termo que tenha essa força de agregar em si todos esses elementos que compõem a identidade de um povo, que transmita por si a visão personalizada a evocar o nosso chão, o nosso povo, nossa arte e cultura, sem incorrer no lapso de ser confundido ou fundido a outro.

Teremos de alcançar a maturidade necessária para reconhecermos essa questão e tomarmos essa importante decisão que nos fará sair do anonimato e situar nosso estado em uma existência real perante a consciência nacional.

[1] Poeta. Cronista. Ensaísta. Publicou: SONHOS E POESIAS, Campo Grande: NEOPRESS, 2004. Atualmente, revisa os originais de RASTROS DA VIDA, para publicação. Autor muito observador, perspicaz, faz a transfiguração da matéria da vida com uma apreciável competência. Sonhador confesso, administra os seus vôos. Originalmente inspirado, começa, agora, a transpirar sobre o seu texto. Participou da 3ª Oficina de criação poética “POESIA & MODERNIDADADE = AMOR & INCLUSÃO SOCIAL/2004”, “POESIA COMO INSTRUMENTO DE JUSTIÇA SOCIAL/2005” ministrada pelo poeta gaúcho Joaquim Moncks, em Campo Grande, MS, onde reside. Endereçamento eletrônico: [email protected]  (JM)

 

 

 

 

 

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