DENISE DE SOUZA SEVERGNINI

 

SOM DE FUNDO:

Coisas do Brasil

Leila Pinheiro

 

LISARB

L ixo exalado das entranhas do planalto

I nstiga a mente do povo, um assalto

S em levantar a sujeito sob o tapete

A nula-se a palavra que compromete

R espostas, não tenho, em nada encaixo

B rasil, hoje, só de cabeça para baixo

 

Denise Severgnini

Novo Hamburgo,RS

06/07/2005

OS BICHOS E O BICHO - HOMEM

Um tucano

Entrou pelo cano

 

Um tuiuiú

É comida de urubu

 

Uma ararinha azul

Sumiu da América do Sul

 

Um mico-leão-dourado

Foi quase dizimado

 

Um jacaré-do-papo-amarelo

Quase virou farelo

 

Uma baleia jubarte

Sobreviveu por sorte

 

Uma tartaruga de pente

Virou enfeite de gente

 

Um veado campeiro

Levou tiro certeiro

 

Uma onça pintada

É literalmente apagada

 

Um lobo guará

Não tem onde morar

 

Um ser humano

Não é deste plano

Não tem coração

Dos animais

Faz a extinção

 

Que país é este

Que não respeita

Sua natureza

Que não protege sua beleza

ESTE É O MEU BRASIL.

 

Denise Severgnini

Novo Hamburgo/RS

181 ANOS DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ NO RS

Deixo os fatos históricos

Para os historiadores

Quero falar com a alma do poeta

O azul de meu olhar

É parte de uma herança alemã

Há 181 anos,

Desembarcaram na Feitoria

Famílias vindas d’além mar

Para ocuparem estas terras

Matas virgens, sem conforto...

Esta gente aventureira

Deu seu sangue, foi guerreira...

E construiu este vale

Que prospera a olhos vistos

Por isto, nesta data especial,

Quero deixar meus cumprimentos

A todos os descendentes da primeira alemoada

Que aqui chegou e foi valente.

 

Denise Severgnini

25.07.05

VINTE DE SETEMBRO

 

Nesta data festiva

O povo gaúcho

Comemora com luxo

A revolução farroupilha

 

Que maravilha!

A garra gaudéria

Conquistando o Brasil

 

É um orgulho ser gaúcha

Ter nas veias este sangue viril

Viva Bento Gonçalves

Viva General Neto

Vivam sempre em nossos corações

Para que possamos

Construir

Com força e emoção

Cada vez mais

Um pedacinho desta nação!

 

Dedicado a todos os gaúchos

Espalhados por este baita mundo, tchê!

 

Denise Severgnini

 

LOMBA GRANDE

Paraíso cravado em meio a parques industriais,

Conserva até hoje bucólica paisagem reconfortante

que nas grandes cidades não se encontra mais

É Lomba Grande que nos toca de modo envolvente.

 

Aqui, entre campos e prédios antigos, coloniais

Sentimos a hospitalidade deste povo cativante.

São pessoas fortes, mas sem que jamais

deixam de fazer o forasteiro sentir-se importante.

 

Os que aqui nasceram até hoje estão

arraigados a este solo de belezas mil

Mesmo os que partiram, conservam Lomba Grande no coração.

 

Quem chega nesta terra abençoada

sob o sol quente e o céu de anil

não há mais de partir, faz de Lomba Grande

sua morada.

Denise Severgnini

Igreja Luterana de Lomba Grande

PORTO ALEGRE

Foi minha primeira morada

Em tempos de outrora

É ponto de passada

No hoje, tempo de agora

 

Cidade do meu sorriso

Antigo - Porto dos casais

Onde volto, quando preciso

Amainar os meus tristes ais

 

Fundada por casais açorianos

Às margens do Lago Guaíba

Origina filhos, tal qual os cavalarianos

Jamais deixam de ir à arriba

 

 

“cidade dos meus amores”

das antigas recordações

sempre coberta de flores

rica de gentes com buenos corações

 

“Cidade dos meus encantos”

dos bairros Glória, Partenon, Santana

às vezes, infunde-me prantos

ao rememorar de Mário Quintana

 

cidade de recuerdos antigos

Redenção, Bonfim, universidades

Onde deixei família...amigos

De onde levei saudade!

 

Denise Severgnini

 

Obs: os versos entre aspas são do poema “O Mapa” de Mário Quintana

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