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SOM DE FUNDO: TRENZINHO CAIPIRA HEITOR VILLA LOBOS
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Sete de setembro, dia da independência, é o dia conhecido pela parada nacional, parada do crescimento e da decência, parada do nível de emprego, nada legal. Não podemos esquecer a parada nefasta, do crescimento da renda e da riqueza, parada das oportunidades, dizemos basta , à miséria, à fome, à exclusão, à pobreza. Em vez de colocar o exército nas avenidas, com tanques, cavalarias, e as esquadrias, da fumaça em manobras descabidas, deveriam desfilar também os bóias frias. Poderíamos organizar uma parada especial, na frente desfilariam senadores e deputados, fazendo o povo marchar, em ritmo de carnaval, com malas e sacolas de mensalões arrecadados. Em seguida num grupo compacto e imenso, viriam os excluídos, numa marcha lenta, pesada, de ombros caídos, num sofrimento intenso, de mãos estendidas, uma multidão triste e calada. Na fila seguinte, viriam os desempregados, pés no chão, cansados de tanta procura, juntos com mulher e filhos, olhos arregalados, na marcha do desalento, da tristeza que tortura. Num grupo silencioso, sem perder a dignidade, viriam os empresários, todos endividados, duros, uns desanimados, outros falidos, na velocidade acelerada, seguindo o comportamento dos juros. Sem poder acompanhar as passadas do financeiro, de chapéu na mão, numa marcha desorganizada, com passadas trôpegas, tortas, sem roteiro, viriam os mendigos, os pedintes, numa fome danada. Numa algazarra tremenda, armados de foice e facão, ameaçadores, revoltados, viria o grupo dos sem terra, exigindo a reforma agrária e um pedaço de chão, dizendo para o palanque, Presidente você nos ferra. Aproveitando o embalo viriam as donas de casa, marchando na balada das panelas, gesticulando, avacalhando com os preços, esse é o bloco da brasa, a confusão está armada com o público aclamando. O grupo mais lento e sofrido, com as sirenes abertas, na marcha do desespero, do abandono, da morte. seria formado pelos doentes, enfermeiras alertas, viriam os carentes da saúde, sem rumo, sem norte. Finalmente, encerrando a participação popular, viriam os analfabetos, os sem escolas, sem direitos, a participarem do mercado, suplicando para trabalhar, e os políticos de olho nos votos, para serem eleitos. No palanque, indiferentes estão todos os dirigentes, Presidente, Ministros, Assessores, muitos bajuladores, vendo o Brasil passar cheio de sofridos e de carentes. sem independência, sem bravura, carregando dissabores.
Bernardino Matos Fortaleza. 07 de setembro de 2005.
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