«TRILHO
DO INFORTÚNIO»
Por
Manuel Oliveira
Manuel
Oliveira, «homem culto e dado às letras» - como o qualifica no seu Prefácio
0 Poeta Aurélio Fernando -, nasceu na cidade de Guimarães e reside há longos
anos na Vila de Riba de Ave. Com colaboração dispersa em diversos órgãos de
comunicação social, estreia-se como romancista com «Trilho do infortúnio-
romance de amor com episódios da vida das mulheres de alterne». Com esta história
de uma aldeã que aos dezassete nos de idade, movida por um grande amor filial,
trocou a sua terra pela cidade, onde, por ter sido induzida em erro, foi parar a
uma casa de alterne», o Autor pretende «transmitir uma mensagem à juventude,
alertando-a para os perigos dessas casas ».
Verdadeira história de amor (da Maria do Céu com o Pedro), este romance é também o relato fiel do trilho do infortúnio que muitas mulheres da vida de alterne têm de percorrer.
De sua graça Maria do Céu, a figura central deste romance é uma aldeã que aos dezassete anos de idade, movida por um grande amor filial, trocou a sua terra pela cidade, onde, por ter sido induzida em erro, foi trabalhar para uma casa de alterne.
Fê-lo
contrariando os seus desejos, mas, como lhe asseguravam um ordenado compensador,
entendeu que só aí conseguiria o seu almejado fim: adquirir a quantia de
dinheiro necessária para salvar a vida da mãe, que fora acometida de doença
grave.
Viviam
muito pobres. A Segurança Social de então era precária, e como a doente
sempre exercera trabalhos rurais, as dificuldades eram acrescidas. Assim
funcionavam as coisas naquela época: o direito à saúde não passava de uma
miragem.
Ao
longo da sua permanência na tal casa de diversão nocturna, a Maria do Céu
travou conhecimento com várias raparigas aí empregadas, as quais a iniciaram
nos meandros da vida de alterne e lhe contaram as suas histórias. Das mesmas
vai o leitor tomar conhecimento ao longo deste livro.
Há
uns tempos atrás, estes centros de delinquência existiam em número reduzido e
situavam-se apenas nas grandes cidades, mas agora os seus malefícios
estenderam-se a todo o país.
Está
bem presente nas nossas memórias o horroroso massacre ocorrido em 16 de Abril
de 1997, na boite «Meia Culpa», em Amarante, onde pereceram treze pessoas,
entre as quais, oito empregadas daquele antro de vício.
A
proliferação deste tipo de casas é devida a vários factores, entre os quais,
problemas sócio-económicos com que a sociedade se debate, e a que não é
estranha a dificuldade que a juventude encontra no acesso ao mercado de
trabalho.
As
raparigas que exercem a sua actividade em boites são quase sempre atraídas por
anúncios enganosos, e abalam das suas aldeias com as cabeças prenhes de sonhos
coloridos... Contudo, quase sempre também acabam confrontadas com uma realidade
que lhes frustra as expectativas criadas. E, depois de iniciadas na vida da
noite, é-lhes extremamente difícil arrepiarem caminho.
Como
a sua proveniência radica nos estratos sociais economicamente mais débeis, é
neles que bandos de criminosos, conhecidos por «redes de proxenetas», recrutam
vítimas para «exportarem» como se tratasse de vulgar mercadoria e de seguida
as conduzirem à prática de lenocínio.
Além
de presas fáceis desses seres abjectos, estas jovens têm outros inimigos que
as exploram, locupletando-se com o produto do seu trabalho e infligindo-lhe maus
tratos. São os «chulos», escumalha que abunda nestes meios, vive «à grande
e à francesa» e transforma as suas vítimas em autênticas escravas.
Para
completar este cenário asqueroso, temos presentemente o tráfico de
estupefacientes, muito próspero na vida da noite, uma vez que o ambiente que
rodeia as mulheres de alterne é propício ao seu envolvimento na toxicodependência.
Consciente
de que esta sequência de crimes e vícios concorre para a degradação social
que alastra pelo mundo, com a publicação deste livro pretendemos transmitir
uma mensagem à juventude, particularmente à feminina, alertando-a para os
graves perigos das casas de alterne. (de:
Introdução)