
KARMA YOGA
(Educação da vontade)
Por Swami Vivekananda
A palavra Karma deriva do sânscrito kri,
fazer; toda a acção é karma. Tecnicamente, esta palavra quer dizer: o efeito
das acções. Metafisicamente é usada com o seguinte significado: é o efeito
provocado pelas nossas acções interiores. Porém em Karma-Yoga só tratamos da
palavra karma como equivalente de acção. A meta da humanidade é o
conhecimento; este é o ideal principal da filosofia oriental.
Em certas ocasiões a desgraça é melhor mestra do que a felicidade. Se estudássemos os grandes
carácteres, chegaríamos a crer que na maioria dos casos a desgraça lhes ensinou mais
do que a felicidade; que a pobreza lhes ensinou mais do que a riqueza, e que foram os revezes mais
do que os elogios o que lhes despertou o fogo interior.
Sabemos, porém, que, este conhecimento é inato; nada nos vem do exterior; tudo está no interior.
Quando dizemos que um homem «conhece», deveríamos dizer que ele «desconhece»; o que um homem «aprende» é
na realidade apenas aquilo que ele descobre ao tirar as envolturas da sua alma, que é um depósito
inesgotável de conhecimentos.
Dizemos que Newton descobriu a
gravitação. Estaria ela, por acaso, oculta em algum lugar à sua espera? Não!
Estava na sua própria mente; chegou o momento determinado e ela descobriu-se. 0 conhecimento, que o mundo possui como um tesouro,
provém da mente; a grandiosa biblioteca do universo está oculta na vossa própria mente. A queda de uma maçã chamou a atenção
de Newton, e então ele estudou a sua própria mente; pôs em ordem os seus pensamentos e descobriu um novo, ao qual denominou «lei de gravitação». Isto não
estava na maçã nem em lugar nenhum. Portanto, todo o conhecimento mental ou espiritual está na mente. Em muitos casos permanece
oculto até que a sua cobertura se vai retirando pouco a pouco e então dizemos que «estamos a aprender».
0 progresso no
conhecimento é o resultado do processo de descobrir. 0 homem em que se vai
levantando este véu, é o que mais conhece; naquele em que o véu se mantém caído, é ignorante; e quem conseguiu erguê-lo de todo, chegou à omnisciência. Sempre existiram
homens omniscientes e espero que há-de haver milhares deles nos séculos futuros.
0 conhecimento está
na mente como o fogo está na pedra. É a fricção que o faz brotar. 0 mesmo acontece com os nossos sentimentos e acções: sorrisos e lágrimas, alegrias e tristezas, gargalhadas e gemidos, maldições e
bênçãos, elogios ou censuras. Se nos estudássemos com imparcialidade, veríamos que cada um deles surgiu do nosso interior, por um impulso provocado por
golpes exteriores. 0 resultado é aquilo que somos. A reunião de todos estes
golpes é o que chamamos karma, ou acção. Cada impulso mental ou físico dado à alma
— através do qual
é provocada a chispa, e que se apresenta como poder e conhecimento, — é
karma; usando a palavra no seu sentido mais amplo, estamos sempre acumulando karma. Quando falo, é
karma; os que me escutam, é karma; respiramos, karma; andamos, karma. Tudo quanto fazemos física ou
mentalmente e deixa as suas marcas em cada um de nós, é karma.