JÑANA
YOGA
Yoga
da Sabedoria
(Meditação
e Concentração)
Por Yogue Ramacháraca
Neste livro tratar-se-á, sob a forma de lições, de um ramo da filosofia Yogue que se denomina JÑANA YOGA, também conhecido por Yoga da Concentração e Meditação.
Embora o Jñana Yoga seja uma etapa de outra forma de yoga – o Raja
Yoga – é assunto tão vasto e complexo que pode chegar a conduzir-nos a
profundas transformações que mais facilmente se compreenderão se o
dividirmos, como agora se faz, convertendo-o num yoga independente. É assim que
em muitas Escolas da Índia, China e Japão é ensinada esta forma do saber
científico e intelectual relativo às grandes questões concernentes à Vida e
a tudo quanto a ela se liga e correlaciona: os enigmas do Universo.
Para compreender esta questão, basta olharmos ao redor de nós e observarmos o mundo visível. Vemos grandes massas de algo que a ciência chamou «matéria». Vemos em operação um maravilhoso fluido chamado «força» ou «energia», nas suas inumeráveis formas de manifestação. Vemos coisas que chamamos «formas de vida», variando de manifestações, desde a pequenina mancha lodosa a que se dá o nome de monera, até à forma denominada homem.
Estudando este mundo das manifestações por meio da ciência e investigação
-e tal estudo é de um valor enorme- havemos de chegar a um ponto do: qual não poderemos passar adiante. A matéria envolve-se em mistério
-a força resolve-se em alguma coisa diferente -o segredo das formas vivas escapa-se-nos
subtilmente- e vemos que a mente não é mais do que a, manifestação de uma coisa ainda mais subtil. Perdendo, porém, de vista essas coisas que pertencem ao mundo do visível e da manifestação, encontramo-nos face a face com um Algo Mais, que há-de ser a base de todas essas variadas formas e manifestações. E a este Algo Mais chamamos a Realidade, porque é Real, Permanente, Duradouro. E embora os homens difiram, disputem, alterquem e contendam a respeito desta Realidade, há, todavia, um ponto sobre o qual hão-de concordar, e esse ponto é que essa
Realidade é Uma só; que atrás de todas as formas e manifestações há-de haver
Uma única Realidade, de que todas as coisas emanam. E esta investigação da Realidade
Única é, com efeito, a «Questão das Questões» do Universo.
A mais elevada razão humana assim como a mais profunda intuição, reconheceram sempre que essa Realidade ou esse Ser básico há-de ser só
Um, e que toda a Natureza se representa como os vários graus da sua manifestação, emanação ou expressão. Todos reconhecem que a Vida é uma corrente que flui de Uma grande Fonte, cuja natureza e nome nos são desconhecidos alguns diriam: incognoscíveis. Por mais diferentes que sejam as teorias que os homens enunciam a respeito da natureza deste Uno, todos estão de acordo que não pode ser senão Um só. Somente quando começam a dar-lhe nome e a analisá-lo, é que mergulham na confusão.
Vejamos o que foi pensado e dito a respeito deste Uno; isso poderá ajudar a compreendermos a natureza do problema.
0 materialista afirma que este Uno é aquilo a que chama Matéria; que é existente por si mesmo, eterno, infinito, contendo em si toda a potencialidade de Matéria, Energia e Mente.
Outra escola, muito próxima da dos materialistas, afirma que esse Uno é algo a que se chama Energia, da qual a Matéria e a Mente são
apenas modos de movimento. Os idealistas dizem que esse Uno é algo a que se dá o nome de Mente e que a Matéria e a
Energia são apenas ideias nessa Mente Una. Os teólogos afirmam que esse Uno é algo a que se chama um Deus pessoal, ao qual atribuem certas qualidades, características,
etc., que variam conforme os seus credos e dogmas. A escola naturista diz que esse Uno é algo a que se chama Natureza e que se manifesta constantemente em inumeráveis formas. Os ocultistas, nas suas diferentes escolas, orientais ou ocidentais, ensinam que esse Uno é um Ser cuja vida constitui a vida de todas as formas
vivas. (de: I Lição, A Vida e o Amor)