HATA YOGA

ou filosofia yogue do bem-estar físico

Por Yogue Ramacháraca

 

            A Ciência Yogue divide-se em vários ramos. As divisões principais e mais conhecidas são: (1) Hata Yoga; (2) Raja Yoga; (3) Karma Yoga; (4) Jñana Yoga. Este livro é dedicado unicamente ao primeiro ramo citado e não tentaremos, por agora, descrever outros, se bem que teremos alguma coisa a dizer da Yoga, em futuros escritos.

            A Hata Yoga é o ramo da Filosofia Yogue que trata do corpo físico, seu cuidado, bem estar, saúde, força e tudo quanto tenda a manter o seu estado físico natural e normal. Ela ensina o modo natural de viver e proclama o que já foi aceite por muitos homens do mundo ocidental: «Voltarmos à Natureza», com a única diferença de que os yogues não têm que «voltar», porque estiveram sempre com a natureza, intimamente vinculados a ela e às suas leis, e não foram deslumbrados nem ofuscados pela louca carreira em direcção às exterioridades, o que deu lugar a que as raças civilizadas modernas esquecessem até que existe uma tal coisa, a «natureza». Os hábitos modernos e as ambições sociais não chegaram à consciência do yogue; ele sorri dessas coisas e considera-as como jogos infantis, pois não se afastou dos braços da natureza, mas, pelo contrário continua carinhosamente reclinado sobre o seio da sua boa mãe, a qual sempre lhe deu nutrição, calor e protecção. A Hata Yoga, é, primeiro, Natureza; e, finalmente, NATUREZA.

            Quando nos acharmos ante uma série de métodos, planos, teorias, etc., apliquemos-lhes a pedra de toque: «Qual é o método natural?», e escolhamos sempre aquele que esteja mais de acordo e mais próximo à natureza. Será bom que nossos estudantes sigam este plano, quando a sua atenção for chamada para as minhas teorias, ensaios, métodos, planos e ideias a respeito da saúde, de que está inundado o mundo ocidental. Por exemplo: pedem-vos que acrediteis que estais em perigo de perder o vosso «magnetismo», se vos pondes em contacto com a terra e vos aconselham a usar solas e saltos de borracha no fundo do calçado, a dormir em camas «isoladas» com pés de vidro, para impedir à natureza (a terra mãe) que absorva e extraia de vós o magnetismo que, exactamente, foi ela quem vos deu – que o estudante se faça esta pergunta: «Que é que diz a Natureza a este respeito?» Então para saber o que a Natureza diz, que veja se os planos da Natureza teriam projectado a construção e uso de solas de borracha e pés de vidro para as camas. Que veja se os homens de muitas forças magnéticas, cheios de vitalidade, fazem essas coisas; se as raças mais vigorosas do mundo as fizeram, que veja se alguém sente debilidade no caso de deitar-se sobre um canteiro de erva ou se o impulso natural do homem não é reclinar-se sobre o seio da sua boa mãe, a terra, e deitar-se sobre os canteiros de relva; se o impulso natural da criança não é correr descalça; se não refresca os seus pés tirando o calçado (solas de borracha e tudo), e corre descalça de um para outro lado; se as botas de borracha são particularmente boas condutoras do «magnetismo» e da vitalidade, e assim sucessivamente.

            Damos isto simplesmente como uma apresentação e não porque desejamos perder tempo a discutir os métodos e os deméritos das solas de borracha e dos pés de vidro para as camas, como um preservativo do magnetismo. Um pouco de observação ensinará ao homem que todas as respostas da natureza lhe demonstram que grande parte do seu magnetismo ele o adquire da terra, e que a terra é uma bateria dele carregada e que está sempre desejosa e ansiosa de transmitir a sua força ao homem, em vez de despojá-lo dela e ser temida, como se estivesse desejosa e fosse de seu gosto «tirar» o magnetismo do homem, seu filho. Alguns destes modernos profetas ensinarão, em breve, que o ar extrai Prana das pessoas, em vez de lho dar.

            De modo que, numa palavra, aplicai o juízo natural a todas as teorias desta classe,  incluindo também as nossas e, se não se ajustam à Natureza, repudiai-as, pois esta regra é segura. A Natureza conhece o que vos é conveniente, pois é vossa amiga, não vossa inimiga...

            ...Neste livro não vos dizemos como adoptar setenta e quatro classes de posturas, nem como fazer passar trapos pelos intestinos, com o propósito de limpá-los (em oposição aos métodos naturais), ou como deter o pulsar do coração, ou como executar habilidades com vossos órgãos internos. Nada de tais ensinamentos encontrareis aqui. Não vos diremos como ordenar a um órgão rebelde que funcione outra vez com propriedade e várias outras coisas acerca da função sobre a parte involuntária que se declarou em greve. Se mencionamos estas coisas é unicamente com o fim de fazer do homem um ser são e não um «operador de proezas»...

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