FREUD E O PROBLEMA SEXUAL

Por J. Gomez Nereya

 

 

            Creio que é de indiscutível urgência divulgar a doutrina de Freud. A maioria das pessoas fala do professor austríaco sem conhecimento de causa por não o ter lido. É conhecido de outiva. Mais ainda, boa parte dos poucos que o lêem não o entendem. O mestre, entretanto, não escreve em linguagem difícil. Pelo contrário, é bastante claro; faz muito poucas incursões na filosofia; tende a falar com a maior naturalidade possível. Homem de ciência apresenta-se preocupado em não abusar de uma linguagem estritamente científica. A dificuldade talvez provenha da extensão da sua obra, que está espalhada por mais de trinta volumes, de modo que a relação das suas investigações pode escapar ao leitor neófito, como pequena moeda na imensidade do mar.

            O mérito desta obra será este: proporcionar ao leitor interessado na doutrina de freud uma síntese realizada com toda a simplicidade. Estou certo de assim cumprir um propósito de cultura. Sei que as dificuldades são muito grandes, devido justamente à grandeza de Sigmund Freud, de quem se pode afirmar que transformou os conceitos da humanidade, em todas as matérias abordadas pela inteligência.

 

            Antes de Freud já haviam sido feitos estudos, mas muito superficiais, das diferentes aberrações do sexo. De qualquer forma, os que as tinham estudado andaram pela rama. Pareciam atemorizados por uma espécie de preconceito religioso; tinham horror às palavras talvez mais que ao assunto, porém a palavra rege a acção social e os homens, descuidavam o próprio assunto, ou melhor, evitavam-no. Freud teve, portanto, a coragem de falar claro antes de ninguém. Ele chama as coisas pelo seu nome, e devido a essa atitude é que hoje o mundo se acostumou a não considerar «tabu» os temas como os deste livro.  ...,...

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