BHAKTI YOGA

A Ciência do Amor

Por Swami Mudra

 

 

 

            O Bhakti-Yoga é uma técnica de libertação baseada no pleno desenvolvimento do nosso amor a Deus.

            Não será necessário explanarmo-nos demasiado sobre esta forma do Yoga, ainda que ela seja importante, porque em realidade a conhecemos já no Ocidente. Quem queira estudar Bhakti-Yoga sem recorrer ao Oriente, nada mais tem a fazer do que se familiarizar com a vida dos nossos grandes místicos e encontrará nelas um exemplo vivente do que é o Bhakti-Yoga. A Índia não nos proporciona neste terreno qualquer novidade, pois, ao fim e ao cabo, a trajectória da alma até Deus é e será sempre em toda a parte a mesma: uma abertura total para o Ser Supremo. Se nos oferece nomes novos, classificações e manifestações externas distintas dos ocidentais, deve-se ao facto da experiência devocional se produzir no Oriente de acordo com uma formação cultural e uma tradição totalmente diferentes das nossas. No entanto, no que se refere propriamente  à experiência religiosa, independentemente desses acidentes, é no fundo a mesma dimensão.

.            Recordo a esse propósito que, durante a minha estadia na Yoga-Vedãnta Academy, o Swami Siddhawarananda que era um admirador do ocidente, se espantava de que houvesse tantos ocidentais que fossem procurar ensinamentos no yoga e conhecer a vida de Ramanakrishna, ou de qualquer outra personagem importante da mística hindu, e não conhecessem a vida nem as obras de São João da Cruz ou de Santa Teresa de Jesus. Como é possível? perguntava: por que procuram em idioma sânscrito o que têm na sua própria linguagem?
            Todos nós, mais ou menos, recebemos uma formação religiosa nos anos da nossa infânciarefiro-me, ao falar assim, aos que foram educados na religião católica e principalmente aos latinos. Porém nesta formação, misturaram-se elementos heterogéneos: ao lado de vivências autenticamente religiosas, figuram problemas de inferioridade, de culpabilidade, confusão do temor a Deus com o temor à autoridade paterna, etc. Os pais e educadores utilizam muitas vezes a religião como o meio de obrigar a obedecer e servem-se da sua autoridade despótica para impor o cumprimento de certos deveres religiosos. Naturalmente, chegará o momento em que, depois de uma fase de surda oposição, surgirá abertamente o protesto, não só frente ao tipo de educação religiosa recebida, mas, mesmo, a todo o conceito de religião.
            Resulta evidente que o mal e é isso que deve ser sublinhado , não é a religião em si mesma, bem ensinada, bem entendida e vivida. 0 mal está no que já indicámos, no carácter absoluto e negativo com que quase sempre nos formularam as obrigações e as ameaçasque pesaram no nosso interior. Por isso, conforme vamos crescendo e formos afirmando a nossa, personalidade e a sensação de liberdade, somos levados a combater tudo aquilo que acreditamos como limitação dessa personalidade e liberdade, experimentando uma forte inclinação para prescindir em bloco do ensino religioso recebido, ao mesmo tempo que sentimos a necessidade de reagir, em conjunto, ao código das obrigações familiares e de certas obrigações sociais. 0 desejo de auto-afirmação pessoal inclina a nossa mente a pensar e afirmar ou negar as coisas na medida em que significam uma emancipação do que exerce pressão sobre nós. ...,... (de Capítulo I)

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