ATLAS DA VIDA SEXUAL

Pelo Dr. Gunther hunold

(C/300 fotografias coloridas)

 

 

            É fácil escrever um livro que seja difícil de perceber, mas é difícil escrever um que seja fácil de compreender. Quanto mais tentei transformar alguma coisa «correcta» numa coisa «compreensível», mais verifiquei a que ponto a própria linguagem impede que factos distorcidos por um tabu social se exprimam de uma maneira clara e imparcial.

            Tentei manter-me neutral, como sempre fiz nos muitos outros livros que escrevi. Deve ser quase impossível achar a solução para o problema de como escrever, numa base científica, um manual de sexo que todos possam facilmente compreender. No entanto, fiz todos os possíveis para levar a tarefa a bom termo.

            Prestou-se especial atenção ao capítulo sobre modos de comportamento não usuais. Ainda que o aspecto médico e biológico da sexualidade seja tratado, no conjunto, dum modo neutral e imparcial, os poucos estudos sobre as usualmente chamadas «perversões» estão cheios de clichés. Ninguém tem olhado para o problema das chamadas «minorias sexuais» — de facto maiorias — à luz conveniente nem o seu comportamento tem sido considerado em relação ao comportamento geral da sociedade.

            Este livro fundamenta-se no princípio de que o esclarecimento sexual e o conhecimento do sexo são necessários. Não nos passa pela cabeça poder convencer pessoas com preconceitos sobre a necessidade de esclarecimento. A presente obra não se destina nem a um grupo especial de pessoas nem a um particular grupo de idades. Quem quer que esteja interessado no assunto da sexualidade encontrará aqui a resposta adequada a todas as questões importantes.

            Evitei «grandes» palavras. «Amor», «Casamento» e «Fidelidade», para mencionar apenas algumas, estão tão gastas e são termos tão ambíguos que tinham de ser dispensados, ainda que o seu emprego pudesse tornar muitas explicações bastante mais fáceis. Na selecção de material, deliberadamente, não me ocupei com quaisquer desordens físicas, enfermidades, deformações ou anormalidades. Tais casos não têm lugar num estudo sobre sexualidade, mas sim nos livros científicos apropriados. Por esta razão, não se incluíram descrições de ciclos anormais de menstruação, nem de nascimentos anormais ou coitos complicados. Qualquer leitor interessado por estes assuntos pode facilmente encontrá-los na literatura adicional apropriada.

            Um aspecto básico desta obra é o pressuposto de voluntariedade. Qualquer coisa que ocorre voluntariamente entre duas pessoas, que acrescenta o seu prazer e aumenta o seu mútuo afecto é justificável. Brutalidade, coacção, rapto, crueldade, violação de crianças, não têm lugar aqui, mesmo que os seus motivos possam ser atribuídos às fraquezas do nosso ambiente social.

            No entanto deve-se traçar um limite à tolerância quando uma certa forma de comportamento é prejudicial à saúde.

            Por exemplo, os estimulantes sexuais (afrodisíacos); ou são inofensivos, e nesse caso quase não vale a pena mencioná-los, ou perigosos, caso em que devem ser claramente denunciados; não por causa da moral, mas por razões médicas.  ...,...

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