A
POESIA DE
TEIXEIRA
DE PASCOAES
Estudo
Prefacial, Selecção e Notas
De
Jorge
de Sena

JORGE DE SENA nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919, onde viveu
exercendo a profissão de engenheiro civil em que se formara na Faculdade de
Engenharia do Porto. Esteve então em África, no Brasil, nas ilhas do Atlântico
e em alguns países da Europa. Ensaísta, dramaturgo, contista, crítico e
historiador da cultura, etc., tem várias obras publicadas em volume e larga
colaboração dispersa por jornais e revistas, sendo de destacar: Seara
Nova, onde exerceu a crítica teatral, O
Comércio do Porto, Portucale, Mundo Literário, O Primeiro de Janeiro, Árvore,
etc. Um dos fiéis colaboradores de Unicórnio
e números subsequentes, foi o animador e co-director das 2ª e 3ª séries de Cadernos
de Poesia, em cuja 1ª série já colaborara. Dedicou-se largamente a traduções
de poesia e do romance. Tendo partido em 1959 para o Brasil, onde foi catedrático
de Teoria de Literatura e de Literatura Portuguesa,
e se doutorou em letras, vive desde 1965 nos Estados Unidos da América, onde
foi catedrático de Literatura Portuguesa e de Literatura Brasileira, e também
de Literatura Comparada, na Universidade de Wisconsin, e o é actualmente na
Universidade da Califórnia. Segundo declarou uma vez numa entrevista a sua
poesia «representa: um desejo de independência partidária da poesia social;
um desejo de comprometimento humano da poesia pura; um desejo de expressão
lapidar, clássica, da libertação surrealista; um desejo de destruir pelo
tumulto insólito das imagens qualquer disciplina ultrapassada (e assim: a lógica
hegeliana deve sobrepor-se à aristotélica; uma moral sociologicamente
esclarecida à moral das proibições legalistas); e sobretudo um desejo de
exprimir o que entende ser a dignidade humana — uma fidelidade integral à
responsabilidade de estarmos no mundo».
A poesia de Teixeira de Pascoaes, quanto à extensão dos poemas,
reparte-se em três grupos: os poemas extensíssimos, como Marános e Regresso ao Paraíso,
em milhares de versos, de que é possível, pela vasta e complexa dimensão,
extrair passagens; as colectâneas de composições mais ou menos longas, de que
é possível seleccionar amostras, e os poemas longos, mas não tanto como as «epopeias»,
e que possuem uma profunda unidade. Destes últimos, sem quebrar-lhes o nexo, não
é possível, em fragmentos, dar ideia da estruturada beleza deles, que são
talvez o melhor de Pascoaes. Por isso, nos decidimos pela Elegia
da Solidão, a Elegia do Amor, e a
Senhora da Noite, dadas na íntegra por menos extensas, e não incluímos
fragmentos de Jesus e Pã e O
Doido e a Morte e sendo que S. da N., com
os seus c. de 700 versos, é um dos mais esplêndidos poemas da língua
portuguesa. Os poemas vão pela ordem dos livros a que pertencem, segundo a
cronologia dos títulos dos volumes. Mas, devido às alterações que o poeta
introduzia nos textos e na organização dos livros (um poema refundido era,
para ele, um poema novo que podia aparecer, como tal, numa colectânea
seguinte), vai sempre indicada a edição de que os textos
foram extraídos. A
ortografia foi
actualizada, onde
e quando a actualização não colidia com o ritmo dos versos; mas a
pontuação do poeta, conforme a edição usada, foi rigorosamente respeitada,
porque é, muitas vezes, uma pontuação retórica, mais clara que qualquer
pontuação artificialmente gramatical, como sempre sucede com os grandes
poetas. No final, depois da selecção de Últimos Versos, acrescentamos uma selecção dos Dispersos recolhidos à ed. Prado Coelho referida na Biblioteca do
Autor. A nossa selecção, cobrindo os anos 1909-50 na produção do autor,
coroa bem a antologia, mostrando a unidade da obra e, também, a evolução
dentro de uma obra tão igual a si mesma e ao génio que a produziu.
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