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Até o início do século XVI, a Igreja
conseguiu manter-se unida, utilizando seu enorme poder econômico
e político para vencer os líderes religiosos que tentavam
reformá-la.
Contudo, em 1517, um monge chamado Martinho
Lutero ousou discordar profundamente da doutrina católica e,
em vez de ser queimado vivo como John Huss e outros,
conseguiu provocar a maior ruptura já ocorrida no interior
da Igreja. Este movimento iniciado por Lutero ficou conhecido
como Reforma Protestante.
Um dos motivos da Reforma foi a necessidade
de uma nova moral religiosa que atendesse aos interesses econômicos
da burguesia em ascensão, já que a Igreja Católica
condenava a usura (empréstimo de dinheiro a juros), a
avareza e a cobiça e os banqueiros multiplicavam seu
capital. Além de condenar a usura, a moral religiosa pregada
pela Igreja Católica defendia a doutrina do "justo preço",
o que contrariava o ideal burguês de obtenção do maior
lucro possível.
Ao contrário da moral católica, a ética
protestante, como veremos adiante, irá valorizar a
competividade e a busca do lucro, ajustando-se, portanto, aos
ideais burgueses daquele momento histórico em que se
desenvolvia o capitalismo. Outro fator da Reforma foi a formação
das monarquias nacionais. Durante esse processo, os
reis entenderam que o enorme poder exercido pela Igreja e
pelo papa em seus territórios era um obstáculo ao
fortalecimento do governo. Assim, o crescimento do poder
nacional (rei) esbarrou na força do poder universal (papa).
È preciso frisar, ainda, que a Igreja vivia principalmente
da cobrança dos impostos que arrecadava nos diversos países
e enviava para Roma, fato que os reis passaram a considerar
como um prejuízo muito grande para os seus reinos. As razões
de ordem religiosa também foram fundamentais para a Reforma.
No início do século XVI, a Igreja atravessava uma de suas
piores crises, principalmente por causa da corrupção, da
falta de instrução e da libertinagem em que o clero estava
mergulhado. O clero era formado, em sua maioria, por indivíduos
ricos (que compravam cargos, como os de bispo ou arcebispo)
ou por padres quase sem nenhuma instrução, que abraçavam o
ofício apenas para escapar dos impostos cobrados da população.
O alto clero, a começar pelo papa, explorava a crendice
popular praticando a simonia, ou seja, o comércio de artigos
religiosos. Entre os produtos comercializados encontravam-se
tíbias do jumento montado por Jesus quando entrou em Jerusalém,
pedaços do manto da Virgem Maria, frascos contendo ar da
gruta de Belém e uma série de outras relíquias
falsificadas.
É preciso considerar, que grande parte
desse clero corrupto levava uma vida de luxo e ostentação,
desconhecia os fundamentos da doutrina cristã e não tinha
instrução nem preparo suficientes para orientar os fiéis.
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