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Avaí |
Estamos em 1923. Um ano depois do centenário da lndependência, o
Brasil é um país cheio de problemas. Vive uma crise política sem
precedentes. O presidente Arthur Bernardes governa com mão-de-ferro
e um estado de sítio. Os ministros tentam renegociar com banqueiros
americanos e europeus a rolagem da dívida e um novo empréstimo. A
imprensa luta por uma "amnistia". Nos finais de semana, os jovens
aristocratas praticam o remo e um novo esporte inglês de nome
complicado: foot-ball.
Florianópolis é uma ilha como todas as cidades pequenas. A vida
passa calmamente e poucos percebem a eterna mudança do tempo. A
ponte preta metálica vai mudando a paisagem e a vida das pessoas. O
dia termina nas conversas ao redor da bela figueira. Nas ruas
iluminadas pelos lampiões de gás, os cavalheiros – nas suas fatiotas
de linho ou casemira – tiravam os chapéus e cumprimentavam as damas
nos longos vestidos. O lazer era o Remo e os saraus. Em
23, o Brasil vive uma grave crise política e financeira. Porém, nas
esquinas surge uma paixão nacional: o foot-ball.
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Até a
década de 20, o futebol era um privilégio de aristocratas e
descendentes de europeus. Mas, logo todos perceberam que a bola se
adaptava mais aos pés hábeis, as cinturas ágeis e ao talento dos
jovens operários. E, em cada esquina surgia um "team". O futebol já
era paixão nacional. Na rua Frei Caneca, no bairro Pedra Grande, um
bando de garotos enfrentava os campos improvisados e fazia uma festa
aos domingos e feriados. No entanto, eles sonhavam em jogar com os
"ternos" (uni- formes), como os times do Rio e São Paulo. Um dia, o
comerciante Amadeu Horn realizou o sonho da gurizada. Dentro de uma
caixa, saíram as camisetas listradas azuis e brancas, calções e
meias azuis, chuteiras e uma bola nova. O uniforme era igual ao do
seu querido Riachuelo. Era a hora de estrear o jogo de “terno”. O
adversário seria o temível Humaitá. Uma equipe forte e valente. E,
num domingo, o campo do Baú ficou lotado. Lá, o goleiro não via a
outra trave e nem o ponteiro direito enxergava o ponta-esquerda.
Aliás, estes “pequenos” detalhes não interessavam. O que importava
era a bola correndo. Os garotos de Amadeu Horn venceram.
Infelizmente, os artilheiros se perderam pelo tempo. Jamais se
saberá quem marcou o prImeiro gol do time azul e branco. O talento
dos meninos entusiasmou Amadeu. Para comemorar o feito, ele deu uma
festa. Duas vitórias sobre o Humaitá. E alguém tem uma idéia
genial: "Vamos fundar um clube!" Era o início da história do Avaí.
"Sorte". Esta foi a desculpa do humilhado Humaitá. E, foi marcada
uma revanche. Nunca o campo do Baú viu tanta gente. Os “guris” de
Amadeu Horn mos traram a garra e o talento da partida anterior. Uma
nova vitória e uma outra festa. As meninas brindavam os heróis com
doces, licores e cervejas. No peito, como se fosse um troféu, um
laço de fita azul e branco. Na euforia, alguém sugeriu: “Por que não
fundamos um clube de verdade?” A idéia foi aceita. 1º de
setembro de 1923. Um sábado de tempo bom e vento norte. Um dia
aparentemente normal. A cidade estava, como de costume, calma. Nas
sombras da árvore frondosa, as pessoas conversavam. Entretanto, na
residência de Amadeu Hom estava tudo preparado. Quem chegava
assinava o livro de atas. Um só assunto foi discutido: o time de
futebol. O nome escolhido foi Independência e Amadeu Hom eleito
presidente. Quando todos já começavam a traçar os planos do novo
clube, chega atrasado, pois precisara trabalhar após o expediente,
Arnaldo Pinto de Oliveira. Contaram- lhe as novas. Ele não concordou
com o nome escolhido. “Independência é muito grande. Fica difícil
incentivar o team. Quando a torcida estiver gritando, depois
de um goal, Independência, o adversário empata o jogo. É
preciso um nome menor. Além disso, as cores não combinam. Ou será
que vocês querem mudar as cores?”, conta o historiador Osni Meira.
“E que nome você sugere?”, perguntaram-lhe. Arnaldo estava lendo um
livro de história do Brasil e gostara do episódio a Batalha do Avahy.
“Vocês já pensaram na nossa torcida gritando Avahy?” A resposta veio
em coro: "Avahy! Avahy!". Era o começo de uma história de glórias e
lutas de um clube que nasceu sob o signo da vitória. Fonte:
Revista "Avai - 64 anos de história" - 1987 (Mauro Antonio Pandolfi,
Paulo Henrique Martins e Paulo Scarduelli). |
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