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Entre os seus fundadores estavam os
jovens Lafaiete Pacheco, Antônio Bessa, Celso Coelho e Alexandre
Nobre. O primeiro, procurou junto aos companheiros um aumento nas
mensalidades, mas a idéia não foi aceita pela maioria. Desse mal
entendido, nasceu o CLUBE DE REGATAS BRASIL.
E foi Lafaiete Pacheco quem procurou Antônio Vianna e explicou sua
idéia de criar um clube de regatas na Pajuçara. Aceita a idéia,
foram convidados outros sete rapazes para fundar um novo clube em
Alagoas. Na Rua Jasmim, na Pajuçara, no dia 20 de Setembro de 1912,
foi fundado o CLUBE DE REGATAS BRASIL. Além de Lafaite Pacheco e
Antônio Vianna, assinaram a ata de fundação os seguintes
desportistas: João Luiz Albuquerque, Waldomiro, Pedro Cláudio
Duarte, Tenente Julião, Agostinho Monteiro, Francisco Azevedo Bahia
e João Viana de Souza. Os primeiros passos do clube foram dados na
regata. Assim, através de Lafaiete Pacheco o CRB comprou, em Santos,
sua primeira yole. Duzentos mil réis foi o valor da yole. Os sócios
contribuíram com 100 mil réis e os outros 100 foram tomados
emprestados. O dinheiro foi remetido através do Banco de Pernambuco
e a yole chegou no navio Itapetinga. A primeira garagem foi no
quintal da casa de Antônio Vianna, um dos fundadores.
A chegada da yole foi uma festa. Era um barco bonito, moderno, um
oito remos com patrão. Os treinos começaram e como existiam somente
oito remadores, Lafaiete Pacheco solicitou do Tenente Julião um
marinheiro para completar a tripulação da yole. Os treinamentos
foram realizados no trajeto marítimo da Ponta Verde para Pajuçara. A
compra do oito com patrão sensibilizou os desportistas maceioenses e
logo conseguiram novos associados como Domingos Souza, Francisco
Quintela, Pedro Lima, Homero Viegas, Eduardo Silveira e mais alguns,
que aos poucos, foram formando a grandeza do clube. Os dirigentes do
Clube de Regatas Brasil tinham mais um problema: conseguir um local
para a construção de uma garagem. O terreno foi logo encontrado. O
mesmo onde hoje se situa a sede social do clube. O dono do terreno
era Domingos Melo, que a princípio se negava a cedê-los ao clube.
Várias tentativas para tentar convencer Domingos Melo foram feitas
sem nenhum resultado prático. Até que Lafaiete Pacheco, com sua
habilidade, conseguiu convencer o proprietário do terreno, assinando
um contrato no qual o Clube de Regatas Brasil seria obrigado a
liberar o terreno caso Domingos Melo assim desejasse vendê-lo. O
terreno era aberto e foi necessário que novamente os fundadores do
clube conseguissem dinheiro para comprar tábuas, cujo gasto foi de 3
mil réis. Assim, o terreno estava fechado e guardava a yole oito
remos com patrão, que mais tarde se juntaria a outros barcos.
Estádio da Pajuçara
O Estádio da Pajuçara surgiu na história do Clube de Regatas Brasil
de maneira interessante. Quando os irmãos Godim mais Lauro Bahia,
José Leite, Abelardo Duarte e outros ingressaram no clube da
pajuçara, começou a aparecer o futebol. E tudo iniciou com os
"rachas" no meio das ruas da Pajuçara. Como muitas vidraças foram
quebradas, a turma sentiu a necessidade de se encontrar um local
onde o Clube de Regatas Brasil pudesse jogar futebol, um esporte que
começava a mexer com os rapazes alvirrubros. O local escolhido é o
mesmo onde hoje se encontra o Estádio Severiano Gomes Filho, o
Estádio da Pajuçara. O terreno pertencia à Dona Maria Torres, que
arrendou o terreno para o clube por 300 mil réis. Foi preciso muito
trabalho para se nivelar o terreno que era cheio de altos e baixos.
Mas, todos estavam entusiasmados com o futebol e, aos domingos e
feriados, dirigentes junto aos seus atletas, familiares e mais
simpatizantes trabalhavam forte para preparar o local para um campo
de futebol. Isso aconteceu em 1916. Um ano depois, na gestão de
Pedro Lima, começaram as obras para a construção de um Estádio
verdadeiro. Antes era somente o campo de futebol.
Na época, havia chegado da Inglaterra, Haroldo Zagalo, pai do famoso
Mário Jorge Lobo Zagalo ex-jogador e técnico da seleção brasileira.
Ele era considerado um "cobra" e, entusiasmado com o trabalho dos
rapazes do Clube de Regatas Brasil, começou a passar seus
conhecimentos para os atletas alvirrubros. Também estava em Maceió
um alemão chamado Peter, que tinha muita habilidade com a bola e,
juntando-se à turma melhorou consideravelmente o futebol no clube da
Pajuçara. Estava plantada a semente que mais tarde daria bons
frutos.
O primeiro jogo interestadual aconteceu no dia 02 de maio de 1920. O
CRB trouxe a Maceió a equipe do Flamengo de Recife. Na época, o
rubro-negro pernambucano era uma das melhores equipes daquele
estado. Somente no dia 21 de fevereiro de 1921 é que foi lavrada a
escritura de aforamento do terreno que até aquela data continuava
arrendado. Enquanto isso, os trabalhadores no estádio continuavam.
Para alegria de todos, no dia 09 de setembro de 1921, foi inaugurado
o primeiro lance de arquibancadas num jogo festivo contra o Centro
Sportivo de Peres também de Recife. Na época, as arquibancadas eram
de madeira. As grandes arquibancadas de cimento armado somente
iniciaram sua construção em 1954. São as mesmas que ainda hoje se
encontram no estádio.
Vitórias trazem alegrias, abraços e prêmios. Derrotas trazem
dissabores, apenas isso. A maioria dos torcedores e dos críticos são
volúveis e ingratos. Hoje, sucesso e aplausos. Amanhã, apuros e
esquecimento. Todos os dramas, os sucessos, as vitórias, as
derrotas, os títulos, enfim, tudo que o futebol continua nos
oferecendo, o velho e simpático estádio da pajuçara sentiu através
dos anos. Quantos jogos sensacionais foram ali realizados? Quantas
decisões foram disputadas? Quantas emoções foram vividas?
Durante o decorrer dos anos, a torcida ficou acostumada aos
desconfortos, aos apertos, às dificuldades para se observar um lance
de sensação. É nesse momento que todos se levantam e a visão fica
prejudicada para muitos. Mas era gostoso torcer na pajuçara. Era bom
sentir seus ídolos de perto, conversar com eles. Quarenta ou
Cinqüenta anos atrás, nos intervalos dos jogos, os atletas podiam ir
às arquibancadas conversar com seus amigos e namoradas. O jogador
sentia o calor do torcedor mais de perto. Para xingar, reclamar,
aplaudir e incentivar, a galera ficava junto ao alambrado e os
jogadores ouviam os palavrões ou o incentivo mais claramente.
Na Pajuçara os muros eram baixos, havia facilidade para se pular.
Muitos, entretanto, preferiam ficar em cima do muro, ou mesmo nos
galhos das árvores que ficar perto do campo. E lá, num tremendo
esforço para não cair, torciam por seus clubes com o mesmo
entusiasmo daqueles que estavam nas arquibancadas. Para conseguir um
lugar no muro ou nos galhos das árvores era preciso muita malícia e
agilidade.
Um dos dias que o Estádio da Pajuçara mais recebeu público foi
quando o Santos de Pelé nos visitou pela primeira vez, em 1965. Já
pelas dez da manhã, o estádio começara a receber torcedores. Ninguém
queria deixar de ver o Rei do Futebol. Mesmo assim, muita gente
ficou de fora. Mas o estádio ficou colorido, cheio de vida, de
vibração, de entusiasmo. E todos tinham suas atenções voltadas para
o campo de jogo, onde os jogadores corriam para alcançar a bola,
giravam no balanço do drible, saltavam para cabecear e os goleiros
voavam como pássaros nas bolas altas. Até parecia que todos dançavam
ao ritmo dos gritos dos torcedores.
O Clube de Regatas Brasil comemorou intensamente as conquistas dos
títulos de 1964 e 1969 em seu estádio, logo contra seu velho e
tradicional rival, o Centro Sportivo Alagoano. Foram conquistas
memoráveis com vitórias inesquecíveis. Depois, em 1970, surgiu o
colosso do Trapichão. Grande, confortável, cheio de vida. O
transporte melhorou, os caronas os mesmos, as emoções e os
espetáculos, nada mudou. Apenas o conforto levou novos torcedores
para o Trapichão. E o Estádio da Pajuçara foi abandonado. Atualmente
ele vem sendo reformado, ganhou a mesma grama do Trapichão, está
melhorando suas arquibancadas. Tudo para que não se apague da
história do futebol alagoano, um dos seus mais importantes cenários
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