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Cinema
"Todas as cores do amor" a nova com�dia rom�ntica irlandesa
E os peixinhos dourados...
Por N�dia Bee
Uma amiga minha de Floripa mant�m, ha meses, um peixinho dourado em cativeiro. Eu sempre condenei essa crueldade. Por diversas vezes tentei convenc�-la a solt�-lo ou pelo menos coloc�-lo em um aqu�rio maior do que o min�sculo cub�culo de 10X10 cm em que ele vive. Sempre em v�o. Ela vive dizendo que ele � feliz assim, que nunca reclamou e portanto continua mantendo o pobre do mesmo jeito. Nunca me conformei com as explica��es, mas ao assistir o filme irland�s, "Todas as cores do amor" comecei a compreender.

Voc� sabe porque os peixinhos dourados s�o seres de fato super felizes? A resposta � simples, s�o felizes porque a mem�ria deles dura apenas tr�s segundos. Depois de ouvir essa frase, usada como isca de novas conquistas pelo protagonista e de confirmar sua autenticidade, perdoei a minha amiga pela crueldade e at� comecei a sentir uma ponta de inveja do pobre peixinho.

Imagine se pud�ssemos simplesmente esquecer tudo, ou pelo menos as coisas ruins? Ter�amos segundas, terceiras, d�cimas, mil�simas chances de acertar. Viver�amos repetidas vezes incr�veis emo��es com sabor de novidade. A vida seria perfeita. Dar�amos infinitos primeiros beijos, cada lugar seria eternamente novo e o cora��o bateria mais forte e mais vezes.

Tom, personagem principal do filme � um professor universit�rio quarent�o que tem dificuldades em amadurecer e vive buscando esse  princ�pio. Gosta de conquistar as garotas comparando a capacidade de amar dos humanos com a mente dos peixinhos: a cada novo namorado(a) vive-se o amor como da primeira vez, diz ele. Tudo � novo e excitante.

Com esta teoria, Tom conquista muita mulheres. E � por isto que sua namorada, Clara, o encontra beijando Isolde. Clara vai afogar suas m�goas com Angie. E quando esta aventura acaba, � Angie quem vai se consolar com Red, seu melhor amigo. Red, por sua vez, prefere David, descartando uma namorada - que vai se apaixonar perdidamente por um dos amigos de Tom. E assim, numa ciranda, todos estes jovens habitantes de Dublin se apaixonam, se decepcionam - e depois tudo de novo.

"Todas as cores do amor" da diretora, Liz Gill � isso. Uma ciranda de amores e paix�es. Tudo ao som de bossa nova... Est� anciosa? Pois fique mesmo porque o filme � bacana tem humor leve, romance da melhor e da pior qualidade.  O filme esta em cartaz e � um �timo exerc�cio de reflex�o para n�s, humanas que felizmente ou infelizmente n�o somos peixinhos dourados.
SOBRE A TRILHA SONORA

Desafinado, de Tom Jobim e Lamento no Morro de Tom e Vin�cius s�o duas m�sicas do filme cantadas num portugu�s cheio de sotaque por Damien Rice e Richie Buckley - m�sicos irlandeses de sucesso. Vers�es para o ingl�s de `Aguas de Mar�o e Amor em Paz - tamb�m de Tom - embalam outras cenas de romance. A turma do filme, que acha que a �nica sa�da para uma dor de cotovelo � um novo amor, � totalmente Bossa Nova! Que o digam ae o respons�vel pela trilha sonora, o saxofonista e compositor Richie Buckley. "As m�sicas de Tom s�o comoventes, po�ticas e com um toque agridoce, justo o estilo que quer�amos para o filme. Durante os dois anos de produ��o ouvimos Tom Jobim incessantemente". Segundo Buckley, Tom � o seu compositor favorito "de todos os tempos".

Para a sorte de ambos, que passaram dois anos sonhando em conseguir os direitos das m�sicas de Tom, ap�s uma carta sincera para Ana Jobim, dizendo que eles n�o tinham dinheiro para adquiri-las, Ana permitiu que eles reproduzissem o que quisessem do repert�rio do marido. "N�s vibramos!", lembra Liz.
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