Sexta-feira, Abril 15, 2005

Estudante acha lixo de 13 países na Ilha do Mel

CURITIBA - A estudante de Biologia da Pontifícia Universidade Católica de Curitiba Andressa Rutz Debiazio teve uma surpresa na primeira coleta de lixo realizada na Ilha do Mel, no litoral paranaense, como parte da monografia que prepara para conclusão de curso. "Achamos lixo de 13 países", registrou. "Mas não significa que necessariamente foram pessoas desses países que os jogaram."

O local de maior incidência dos resíduos é o voltado para o Canal da Galheta, acesso obrigatório aos Portos de Paranaguá e Antonina. "Como na região há grande tráfego de navios, há indícios de que os resíduos têm relação com eles."

A primeira coleta foi feita em 28 de agosto, com calouros da PUC. Numa extensão de 5 quilômetros na ilha foram retirados 77 sacos cheios de quase uma tonelada de lixo. Os rótulos em língua estrangeira chamaram a atenção.

Um mês depois, ela retornou com estudantes de um colégio de Curitiba.
Percorreu 3 quilômetros no trecho anterior. Saiu de lá com 20 sacos de lixo e rótulos de 6 países.

"É pouco provável que alguma garrafa tenha parado lá só pelas correntes marítimas", disse. "Encontramos lixo de diferentes datas, incluindo garrafas com fabricação de menos de dois meses atrás, o que caracteriza ser lixo jogado ali." Uma quantidade mínima de resíduos foi encontrada na área perto do forte, que é mar aberto, e outro tanto no local de embarque, em Pontal do Sul. As coletas realizadas no continente mostram que a maioria do lixo é proveniente das comunidades da região.

O "lixo internacional" é apenas uma parte do projeto Que Lixo é Esse!? O objetivo é determinar a origem de todos os resíduos achados no litoral do Paraná. Até julho, quando Andressa apresentará a monografia, a área da estação ecológica da Ilha do Mel, onde vivem poucas pessoas, e o município de Pontal do Paraná, de grande densidade populacional, serão os alvos do estudo. Após essa data, ela pretende levá-lo para todo o litoral.

Os resíduos estão sendo tipificados conforme o material e a origem. Segundo Andressa, que tem a ONG Praia Local, Lixo Global como parceira, cerca de 60% do lixo coletado é plástico, especialmente garrafas, mas há também potes de margarina, embalagens de produtos tóxicos, óleo, derivados de petróleo e inseticidas, entre outros.

Seguindo as normas estabelecidas para o trabalho, Andressa pretende lançar ao mar, de vários locais, no início do próximo ano, 500 das garrafas já recolhidas, levando uma mensagem, em várias línguas, para quem achá-las entrar em contato com os telefones impressos. Ela traçará um trajeto provável das garrafas, que serão numeradas. "Poderá nos ajudar a determinar a origem dos resíduos", acredita. Para isso, procura patrocínio ao projeto, que custará, na primeira fase, R$ 7 mil.

EVANDRO FADEL


2 Comentários:

  • É lamentável ver que turistas estrangeiros não tenham consciência (e nem vergonha na cara)de poluir nossas praias .
    Por isso temos de dar o bom exemplo, o que infelizmente é difícil, pois em um rápido passeio nas praias paranaenses podemos perceber a quantidade de lixo deixada na areia.
    FORA FAROFEIROS !!!!!!!!!

    By Moacir C., at Terça-feira, Abril 19, 2005 2:02:29 PM  

  • Obrigada por colocarem a matéria no site.
    Nesta 4f estarei apresentando minha monografia na PUCPR, caso queriam assistir entrem em contato pelo fone 9183-6346. Para adiantar foram encontrados lixo de 42 países e não foram jogados por turistas!

    um abraço

    By Andressa Rutz Debiazio, at Segunda-feira, Junho 20, 2005 12:13:23 AM  

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