Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Março 2008
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11/03/08
• Nunca namorei Fidel!
----- Original Message -----
From: M
Sent: Tuesday, March 11, 2008 7:14 AM
Subject: : Nunca namorei Fidel!
Gente,
De Paola strikes again.
Aos desavisados:
a. - sua contundência não visa machucar ninguém. É o chacoalhão fraternal com
que se acorda o sonâmbulo caminhando pr'um abismo;
b. - não é expressão de 'preconceito'. Exatamente o contrário, expressa a
acuidade perceptiva do psicanalista vivido que experimentou a partir de dentro a
realidade brutal daquilo que denuncia;
c. - Heitor - ai dele! - não é agente da CIA. Fosse, não teria que trabalhar
como um camelo magro desde as sete da manhã, seis dias por semana, para garantir
o alimento da semana vindoura. E sequer ganha um mísero tostão por despender seu
tempo de descanso na produção de artigos com que tenta alertar ingênuos.
d. - em verdade, atua a contrapelo do 'governo imperialista americano' que
considera Inácio da Silva "...elemento contrapontual equilibrador para o
extremismo ideológico de Chávez na América Latina." Sim, são uns gênios...!
Aproveite o texto - tá a mó delícia.
M.
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Fonte:Mídia sem Máscara
Nunca namorei Fidel! por Heitor De Paola
O autor é escritor e
comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e
ex-Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, Membro do
Board of Directors da Drug Watch International, e Diretor Cultural do Farol da
Democracia Representativa (www.faroldademocracia.org
) . Possui trabalhos nas áreas de psicanálise e comentários políticos publicados
no Brasil e exterior. E é ex-militante da organização comunista clandestina,
Ação Popular (AP).
Perguntem a Fidel ou a Raúl o que eles fariam se o Gerald Thomas mostrasse suas
impudicas nágedas ao público num teatro em Havana.
© 2008 MidiaSemMascara.org
O tratamento dado pela imprensa brasileira, com raríssimas e honrosas exceções,
à aposentadoria do maior genocida da história da América Latina é no mínimo
asqueroso! Bajulação pura travestida, aqui e ali, de críticas ao ditador, mas
escorregando logo – por ato falho ou não – a tratá-lo por Presidente, como se
Cuba vivesse desde 1959 num sistema de política constitucional normal. Não havia
me ocorrido fazer nenhum comentário sobre o assunto – pois nada, a rigor, mudou
por lá, nem na mídia chapa branca brasileira - quando na edição de 26 de
fevereiro de O Globo, me deparo com um artigo de Arnaldo Jabor no Segundo
Caderno, com o suspeito título de “Meu caso de amor com Fidel Castro”. Há muito
tempo deixei de ler este sujeito que tem tentado passar por ex-comunista, no que
muita gente acredita, mas o título me chamou a atenção e, ao ler o artigo, vi a
que ponto de baixeza pode chegar um indivíduo. Muito além da hipocrisia
generalizada da mídia, Jabor escreve um texto abjeto, cínico, hipócrita, metido
a besta, no qual subliminarmente, por trás de uma aparente crítica, entoa loas
ao carniceiro, elevando-o às alturas de um totem.
Jabor faz parte daquela corriola metida a adeptos da Escola de Frankfurt cujo
ponto de partida foi uma tentativa esdrúxula de juntar psicanálise e marxismo
numa lamentável mixórdia teórica. Mas, como sou psicanalista e já fui marxista –
e hoje entendo mais de marxismo do que naqueles tempos – posso perceber que ele
não tem a mínima idéia do que seja nem um, nem outro. Como sabe que tem leitores
cativos que adoram a vulgarização dos dois numa xaropada enjoativa, costuma usar
artifícios pseudo-psicanalíticos bobocas como fingir que está falando da sua
homossexualidade – ou “coisa de bicha”, como chama, fugindo ao politicamente
correto. Certamente muita gente deve estar dizendo: que maravilha, ele até
admite ter “uma parte” homossexual, ou “um lado” feminino, em idioma psicanalês
de botequim. Outro adepto desta prática ridícula é o “competentíssimo”
“psicanalista” Gerald Thomas que descobriu que falar mal de Fidel e de Cuba
comunista é resultado de “problemas com a sexualidade”, como se referiu
ofensivamente a Reinaldo Azevedo que ousou romper a unanimidade da mídia
puxa-saco.
Por que nunca namorei Fidel, se fui comunista nos anos 60? Pela simples razão
que nem eu, nem ninguém que esteve realmente envolvido no movimento comunista –
e não quer apenas posar de bom moço, porque é bonito e dá ibope – jamais
acreditou que Fidel fosse outra coisa além do que realmente era: um brutal
ditador, assassino de dezenas de milhares de cubanos, latino-americanos em
geral, angolanos e quem mais se atravessasse em sua frente e tentasse obstruir
seu caminho para o poder total. Assim como Fidel, Lenin, Stalin, Mao, Pol Tot e
outros menos votados. Nunca encontrei um revolucionário comunista autêntico –
nem quando eu era um, nem depois – que acreditasse por um segundo sequer na tal
“utopia” que eles usam – nós usávamos – para enganar os trouxas e imbecis e
convertê-los no que já nos primórdios Lenin chamava de idiotas úteis. Lembro-me
de como ridicularizávamos estes babacas que serviam de excelente massa de
manobra! Nunca houve esta tal de utopia, ou idealismo utópico - só como
estratégia de doutrinação.
Tomei conhecimento de Fidel já em 1959, por incrível que possa parecer
atualmente, através da revista LIFE, que meu pai assinava. A crônica inocência,
burrice, ou sei lá o quê, dos americanos, fez com eles mesmos iniciassem o tal
mito dos heróis aventureiros de Sierra Maestra. Lembro que aquela reportagem – a
capa mostrava Fidel e outros guerrilheiros, armados até os dentes, em plena
selva – desmanchava-se em elogios aos bravos jovens que desafiavam o abominável
ditador Fulgencio Batista.
Passados alguns anos, sendo um destes idiotas úteis, comecei a perceber a farsa
mas gostei de fazer parte dela. Foi então que me convidaram para entrar no
círculo mais restrito – e já secreto, estávamos em 1963 e a reação “burguesa” já
era antevista - de militante da Ação Popular. A “promoção” de companheiro de
viagem ou, como se dizia na AP, ampliação – neologismo derivado da prática de
“ampliação de quadros” - a militante só é merecida por quem atingiu um grau de
cinismo e hipocrisia suficiente para calar todas as suas restrições éticas e
morais e torcê-las de modo a que sejam escravizadas aos objetivos do Partido.
Entenda-se que companheiro de viagem é um estágio superior a idiota útil, é um
cara que já começou a perceber o espírito da coisa mas ainda não está maduro
para relegar todos seus escrúpulos à lixeira, e entender que seus objetivos
pessoais estão em harmonia com os do Partido. Isto é, entender que o comunismo,
ao invés de ser uma ideologia altruísta e coletivista, é o supra-sumo do egoísmo
e do individualismo. A propalada atitude altruísta serve para esconder que todo
militante pensa somente em seus interesses individuais de poder e de viver à
custa do Estado. Ou seja, a maravilhosa e sublime revolução não passa de uma
roubo-lução!
É por isto que “um mundo melhor é possível”: para os eleitos. O resto da
população, em nome de quem é feita a roubo-lução servirá para participar do
processo produtivo “coletivo” escravo. O lucro pessoal não pode ser permitido,
pois a chamada “mais valia” passará a ser apropriada pela nova classe ou
Nomenklatura. Enquanto se prepara o assalto final, existem melhores companheiros
de viagem do que aqueles que detêm provisoriamente o poder de divulgação da
“utopia”: artistas, escritores, diretores de teatro, o “beautiful people”, os
jornalistas, os profissionais de marketing e os bacharéis em psicanálise (a
diferenciar dos genuínos)?
É aqui que entram Jabor e Thomas. Momentaneamente estes companheiros fazem parte
da nova classe de privilegiados, pois enquanto se constrói o “estado social”
eles recebem todas as atenções dos militantes, aqueles que realmente herdarão as
benesses. Existe alguém mais ávido por dinheiro público do que a classe
artística? Basta ver as vergonhosas caravanas ao Congresso – como a do último
dia 27 – para mamar um pouquinho mais do dinheiro produzido pelo suor dos que
trabalham sem privilégios. Ipojuca Pontes já contou muitas histórias aqui e
muito mais terá a contar da sua passagem pela Secretaria Nacional de Cultura.
Situação emblemática viveu o Rio de Janeiro, quando se descobriu que enquanto a
população é dizimada pela dengue e os mata-mosquitos sumiram; enquanto as ruas
vão a cada dia se transformando mais em caminhos carroçáveis; enquanto os
hospitais fazem neurocirurgias com furadeiras de parede para trepanação e outras
atividades médicas se tornam impossíveis, e as escolas definham, o Prefeito
maluco-beleza gasta o equivalente a quatro hospitais novos ou sessenta
quilômetros de vias expressas com seis a oito pistas e pode-se imaginar quantas
escolas, para construir sua obra prima: a Cidade da Música! Considerando-se
legítimo sucessor do César original, mas não tendo tropas para invadir o Egito,
resolveu combater o Ædes ægypti a golpes de fanfarras! A gritaria foi geral – ou
quase –; adivinhem quem assinou o manifesto a favor da importantíssima obra?
Ora, artistas, músicos, promotores de shows, etc. Esta gente é tão
desavergonhada na sua mamação que chega a ser ridícula!
Além dos raros militantes (suponho que Chico Buarque seja um deles) os
companheiros de viagem e principalmente os idiotas úteis como a Letícia
Sabatella, o futuro que lhes está reservado no final da opereta é negro!
Perguntem a Fidel ou a Raúl o que eles fariam se o Gerald Thomas mostrasse suas
impudicas nágedas ao público num teatro em Havana.