Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Maio 2008
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03/05/08
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O país dos absurdos e da hipocrisia
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From: M
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Sent: Thursday, May 03, 2008 7:44 AM
Subject: O país dos absurdos e da hipocrisiaJá
institucionalizados e na 'ordem do dia' - o absurdo, o grotesco, a inversão de
valores...
Tudo às escâncaras, espalhado pelos ventiladores da mídia que, obediente e
acumpliciadamente, instila homeopaticamente o hábito da aceitação passiva.
70% da população, segundo a Sensus, aprova; 50,4% aprova e quer mais.
Realmente assustador que ainda haja dúvidas quanto à necessidade de um
tratamento de choque.
E ao pé do texto de Mauad, logo após sua última frase
(retificando, à revelia do autor):
onde se lê "...a mentira tem pernas curtas e a realidade..." leia-se "...a
mentira tem pernas curtas, barba, língua presa e um dedo a menos, e a
realidade...".
M.
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Resumo: A lógica do governo é impressionante.: o
maior prejudicado pelos crimes que comete, claro, é o criminoso. Desde que,
evidentemente, não logre êxito e seja apanhado.
© 2008 MidiaSemMascara.org
CAMISINHABRÁS
Leio no jornal que acaba de entrar em operação, nos confins de Xapuri – AC,
uma fábrica de preservativos estatal, gerenciada pelo governo do estado e
financiada pelo governo federal. Criada com o objetivo de absorver a produção
de látex natural da região, a fábrica terá um só cliente, o Ministério da
Saúde. Certamente, Pindorama deve ser o único país dito capitalista do mundo a
ter uma indústria de camisinhas (um produto altamente estratégico) estatal.
Isso só pode ser fruto da inveja atávica dos
comunas ao lucro capitalista. Não há outra explicação.
SOFISMAS, SOFISMAS, SOFISMAS
Dia desses, tanto Lula quanto Dilma diziam, em
alto e bom som, que não fazia sentido acusar o governo pelo tal dossiê,
apelidado pela oposição infame de “Aloprados II – O Retorno” – afinal, o maior
prejudicado por ele seria o próprio governo. Não é ótimo? Alguém precisava
dizer a essa gente que o maior prejudicado por um crime de roubo é o próprio
ladrão; o maior prejudicado por um crime de extorsão é o próprio extorcionário;
o maior prejudicado por um crime de chantagem é o próprio chantagista. Desde
que, evidentemente, não logrem êxito e sejam apanhados.
Mas, como no Brasil as coisas óbvias não
costumam ser ditas, mais uma vez ficará o dito pelo não dito.
BOLSA-DITADURA
Em solenidade ocorrida nos salões da Associação Brasileira de Imprensa (ABI),
o Estado brasileiro acaba de produzir, com o dinheiro dos contribuintes, mais
uma “fornada” de indenizações a “perseguidos políticos da ditadura”. Desta
vez, foram agraciados com pensões médias de R$ 4.300, mais indenizações médias
de R$ 1 milhão, uma penca de jornalistas – muitos dos quais fizeram fortuna
maldizendo a ditadura, como os próceres do finado Pasquim, Jaguar e Ziraldo.
Este último, por sinal, teve a pachorra de
enviar carta ao jornal O Globo, onde “explica” que não pleiteou nada; que tudo
foi feito pelos advogados da ABI e que só aceitaria a bufunfa porque a
considera uma complementação de sua pobre aposentadoria do INSS.
E, por falar em Bolsa-Ditadura, vale destacar
uma nota do colunista Elio Gaspari sobre a indigitada, que demonstra o
verdadeiro roubo em que se transformou a coisa:
“Em 1952, a Alemanha negociou um acordo com o
governo de Israel e se comprometeu a pagar 3 bilhões de marcos (US$ 5,8
bilhões em dinheiro de hoje) como reparação pelo que o nazismo fez aos judeus.
O Bolsa-Ditadura já custou à Viúva US$ 1,5 bilhão”.
Ora, o número de mortos do nazismo está estimado
em 6 milhões, enquanto o da ditadura brasileira é de aproximadamente 400
indivíduos. A desproporção é tão gritante que chega às raias do escárnio.
Eu só queria saber onde está, nestas horas, o
diligente Ministério Público.
HIPOCRISIA NACIONALISTA
Recentemente, o país festejou a boa notícia de que a empresa de aviação
norte-americana Jet Blue está pretendendo instalar-se por aqui. O incremento
da concorrência, num setor extremamente concentrado, é uma notícia realmente
alvissareira.
O que pouca gente sabe – ou se deu conta – é de
um pequenino detalhe, que fez toda a diferença neste caso. Explico: como o
transporte aéreo doméstico é uma “concessão de serviço público”, o setor está
sujeito aos ditames de uma legislação tão nacionalista quanto retrógrada, que
proíbe, dentre outras coisas, a operação de empresas aéreas com capital
estrangeiro superior a 30%.
No caso da Jet Blue, o investimento só será
possível porque o dono da empresa, por um detalhe do destino, nasceu em solo
brasileiro, mais precisamente no Rio de Janeiro.
Não há exemplo mais claro de como é hipócrita e
imbecil o nacionalismo econômico. O sujeito é filho de americanos, morou a
vida toda nos Estados Unidos, lá estudou, trabalhou, constituiu família e
construiu fortuna. Não fosse um mero detalhe, que lhe permitiu gozar de uma
oportuna dupla nacionalidade, nada disso seria possível.
Sabem como é, o dinheiro do sujeito só é
bem-vindo porque ele nasceu dentro das fronteiras tupiniquins. Torna-se,
assim, um homem confiável, que não irá atentar contra a soberania ou a
segurança nacionais. É mole, ou quer mais?
AUTO-SUFICIÊNCIA?
Mais uma queda no famigerado superávit comercial e as donzelas
desenvolvimentistas já começam mais um festival das carpideiras, como se o
mundo estivesse prestes a explodir, vítima de um cometa desgovernado. Mas não
é disso que quero falar.
Lembram-se da pantomima da auto-suficiência?
Aquela, montada pelos áulicos petistas, com direito a presidente com as mãos
sujas de óleo e discursos de enaltecimento à rainha das estatais? Pois é! Leio
no jornal “Valor Econômico” que nada menos que 20% do aumento verificado nas
importações, este ano, veio da conta petróleo. Ano passado, aquela conta
fechou com um déficit de US$ 6 bilhões e, em 2008, o mesmo já está próximo dos
US$ 3 bilhões.
Como aqueles que me acompanham há mais tempo
podem atestar, a mentira tem pernas curtas e a realidade acabou dando razão a
este humilde escriba.
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