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(Márcio Del Cístia)

Junho 2008               Índice Geral


27/06/08

A Metamorfose Ambulante - de Carlos I.S.Azambuja

----- Original Message -----
From: M
Sent: Friday, June 27, 2008 2:15 PM
Subject: A Metamorfose Ambulante - de Carlos I.S.Azambuja

O auto-intitulado 'Metamorfose', tentou com o termo passar imagem de mente aberta, alguém capaz de rever sua visão-de-mundo, re-adequando comportamentos conforme se acessam novos aspectos da Verdade, na sadia dinâmica de crescimento e maturação comum às pessoas normais.
Mas, ampliação mental traduz-se imediatamente em mudança de comportamento, o que não ocorreu no caso do Inácio.
Subjaz na intenção do desdedado a crença na estupidez do ouvinte, usual neste tipo de camelô de porta de fábrica: "Se estes tontos estão afim de acreditar, dê-lhes qualquer pretexto. Eles engolem."
Considerando o tipo de cuca e de caráter de seus fãs, ele está certo - funciona. Tanto que elegeu-se e re-elegeu-se.
E pode portanto manter o interminável processo de mentir, mentir, mentir... selo sine qua non do demagogo e do comunista, características conhecidas do gajo.
Para nós, cidadãos, resta o espanto:
Como - a um tipo de quem não compraríamos um carro usado, a quem queremos longe de nós e de nossa família - entregamos a presidência da república!?

Percival Puggina - http://www.puggina.org  - oferece resposta:

"Suponham um círculo que passe por três pontos:
Ponto 1 – valores morais
Ponto 2 – realidade sócio-econômica
Ponto 3 – instituições políticas

Aí estão nossos três problemas essenciais – valores em decadência, realidade social e econômica terceiro-mundista, instituições inadequadas às necessidades do país. Elas agem num círculo de causação cumulativa: quanto pior a ética, pior a realidade social; quanto pior a realidade social, pior as instituições (o espelho de representação, a legislação, os códigos, etc.); quanto pior as instituições, pior a ética e assim sucessivamente. Nós estamos nos movendo cada vez mais ao fundo nesse círculo.

É preciso inverter o sentido do movimento, de tal forma que, passando pelos mesmos pontos, tenhamos maior adesão a valores superiores, melhor realidade social e econômica e instituições melhores, num círculo virtuoso de causação cumulativa.

Não se consegue isso “com alguém”, buscando (e nem mesmo achando a pessoa certa), o príncipe valente. Tampouco se sai disso apenas com pregação ideológica. A Europa esteve infestada de ideologias esquerdistas, tanto quanto a América Latina e elas foram derrotadas dentro do jogo democrático, num modelo que não favorece a demagogia, simplesmente porque as políticas realistas, conservadoras e o capitalismo se revelaram mais eficientes na prática das nações. É verdade que, num momento crucial, a Europa teve três nomes excepcionais (Adenauer, De Gasperi e Schuman), mas nenhum deles, individualmente, nem os três juntos, teriam conseguido o que conseguiram produzir no continente sem outras condições indispensáveis. Condições, aliás, tão importantes que, sem eles, passado meio século, continuam produzindo bons resultados.

Quais são essas condições? Voltemos ao nosso círculo e a seus três pontos de passagem. Se quisermos inverter o sinal, transformando-o num círculo virtuoso, o que devemos fazer? Note-se que não importa, aqui, nos indagarmos qual dos três é mais importante (a realidade social e econômica? a ética? as instituições?). A resposta é tão pouco aproveitável quanto a pergunta. O que importa é nos indagarmos sobre qual o ponto possível de ingresso na estrutura do círculo.

Para mudarmos o Brasil precisamos, primeiro, mudar a ética? Sabem vocês quando conseguiremos isso? Ou vamos, primeiro, mudar a realidade social? Haja gerações com tanta paciência. Ou vamos, mudar, primeiro, as instituições?

Eu vou por aí, por essa última. Com as instituições que temos qualquer governo, pela direita, pela esquerda ou pelo centro, precisará comprar o Congresso, distribuir recursos do Erário para costurar apoios, cooptar certa mídia a peso de ouro, agigantar a máquina estatal para transformar a administração direta e indireta em moeda de troca no balcão dos acordos partidários. Com as instituições que temos, ou os coronéis compram votos com dinheiro tomado do governo ou o governo compra votos com dinheiro que toma da sociedade. Com as instituições que temos, a União centraliza poder político, econômico e financeiro, em detrimento da Federação (Estados e municípios, dos quais provém e nos quais é gerada a riqueza do país). Com as instituições que temos, Lula e Dilma faturam politicamente com um tal PAC, que dispõe sobre obras, nos Estados e municípios, que seriam muito mais bem selecionadas e administradas se houvesse respeito à autonomia de uns e outros. Com as instituições que temos jamais vamos eleger um estadista porque elas beneficiam os demagogos, os mentirosos, os corruptos. Como emergirá uma leadership num modelo eleitoral que começa com uma pesquisa de opinião para saber o que os liderados querem ouvir?

Note-se: não estou fazendo a crítica da Política! Como democrata eu acredito na política. Estou fazendo a crítica da política que temos, resultante das instituições que temos. Estou fazendo, portanto, a crítica das nossas instituições. As instituições que temos me dão vontade de pôr o dedo na garganta. A correção das instituições é o único ponto possível de ingresso no círculo maldito onde nos afundamos e onde continuaremos nos afundando se não as mudarmos.

Ninguém consegue ser mais demagogo do que um esquerdista demagogo. Há dois anos estou apontando para o que vai acontecer no Paraguai. Agora já se sabe: o Lugo venceu.

Quando vamos entender que com esse modelo a AL está condenada? Quando vamos entender que com um modelo parecido os EUA vão de mal a pior? Onde andam os estadistas norte-americanos? Os Estados Unidos estão sendo salvos por seu federalismo, porque se dependessem, como nós, do poder central, a esquerda já tinha tomado conta.

Meus caros, eleição direta para presidente, numa sociedade de urbana, de massa, é bananeira que não dá cacho. Eleição proporcional de deputados, numa sociedade historicamente corporativa é amarração de cachorro com lingüiça.
Puggina"


Cristalino, não é?
E se impõe uma pergunta
- como refazer a estrutura das instituições e higienizar a Carta Mgna nas atuais condições de absoluta hegemonia esquerdista? Nas quais, mesmo que o comuno-petismo não se eternize no poder, será substituido temporariamente por seu equivalente light, um aquecedor de assento de igual estofo?

Educando "as massas"?
Com que meios?
Em quantas décadas?
Antes ou depois da ditadura comunista prestes a se fechar?

M.


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Fonte: www.MidiaSemMascara.org 
A Metamorfose Ambulante por Carlos I.S. Azambuja

Carlos I. S. Azambuja é historiador.

27/06 - Lula, a “Metamorfose Ambulante”, colocou o Exército a serviço do marketing eleitoral do senador Marcelo Crivella, aliado do governo e pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Foi dele quem partiu a ordem para a Operação Cimento Social, e não pode dizer que não foi avisado das possíveis conseqüências, através de documento do comandante militar do Leste.

Segundo noticiou a imprensa dia 24 de junho de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma reunião de quase uma hora, na véspera, no Palácio Guanabara, com cinco familiares dos rapazes mortos pelo tráfico do Morro da Mineira, após serem entregues a gangues inimigas por militares que tomavam conta das obras do Exército no Morro da Providência. Lula chegou a desabafar que considera “injustificável” a presença de homens do Exército em “uma obra terceirizada”.

Lula, no Palácio Guanabara, assessorado por Paulo Vanuchi, ministro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e por Benedita da Silva, Secretária Estadual de Ação Social, defendeu que o julgamento dos 11 envolvidos na morte dos jovens seja feito pela Justiça Civil, e não na Justiça Militar. O ministro Nelson Jobim endossa a mesma tese, contrária ao entendimento dos militares.

Mas, apesar do discurso contrário à atuação das Forças Armadas no Morro da Providência, o presidente Lula, uma “Metamorfose Ambulante”, concordou com o fato de o Ministério da Defesa ter pedido à Advocacia-Geral da União (AGU) para entrar com recurso na Justiça a fim de garantir que os militares permaneçam na favela, dando proteção ao pessoal que trabalha na obra e ao material (O Estado de São Paulo de 24 de junho de 2008).

As obras no Morro da Providência fazem parte do Projeto Cimento Social, fruto de acordo entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Defesa, para atender ao senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que seria o candidato preferido de Lula à prefeitura do Rio. Ontem, pela primeira vez após o crime, o senador compareceu a uma solenidade de lançamento de apoio à candidatura do Rio para sede das Olimpíadas de 2016. Lula e Crivella saíram juntos da cerimônia.

O presidente Lula gostou muito do projeto Cimento Social dando a ordem para que fosse executado, segundo declaração, há cerca de três meses, do vice-presidente José Alencar, do mesmo partido do senador Crivela.

Ainda segundo José Alencar, o projeto só saiu porque Lula mandou o Ministério das Cidades liberar o dinheiro e mandou o Comando Militar tocar as obras na favela. Isso em dezembro de 2007, antes do convênio firmado entre o Ministério da Defesa e o Ministério das Cidades, o que só ocorreu em 31 de janeiro de 2008, um ano eleitoral.

O cadastro dos moradores cujas casas seriam reformadas foi feito por integrantes da Igreja Universal, do bispo Crivella. O Ministério das Cidades liberou o dinheiro (16,6 milhões de reais) em dezembro de 2007, antes mesmo que o projeto sobre a matéria fosse aprovado. As obras foram usadas como material de propaganda do bispo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, embora o Comando Militar do Leste tenha emitido um parecer contrário ao projeto. (“No parecer, o general Luiz Cesário da Silveira Filho expressa aos superiores todos os perigos da missão. A possível contaminação dos soldados pela convivência com traficantes de drogas, a possibilidade de morte de civis devido a confrontos entre traficantes e militares, e a falta de amparo legal...”). Diz-se que um documento de Inteligência do CML acusou dois assessores do bispo Crivella – chamados de Eduardo de Tal e Gilmar de Tal – de negociar uma trégua com os traficantes do Comando Vermelho, que dominavam o morro. Foi desse projeto que o presidente Lula - que classificou a si próprio de “Metamorfose Ambulante” (jornal O Estado de São Paulo de 5 de dezembro de 2007) - gostou muito, “dando a ordem para que fosse executado”.

Dia 23 de junho, uma segunda-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, decidiu que, no mesmo dia, a tropa do Exército fosse retirada do morro da Providência. Ele disse ter sido surpreendido pelo embargo das obras, naquele mesmo dia, pela manhã, do projeto Cimento Social por parte do Tribunal Regional Eleitoral. Segundo ele, assim que as obras forem retomadas, os militares voltarão a ocupar a favela para garantir a segurança dos serviços.

Finalmente, a verdade nua e crua é que Lula e o ministro Jobim desconheceram o parecer do CML e mandaram que a obra fosse tocada pelos militares. No dia 12 de dezembro de 2007, soldados do Exército ocuparam a Favela do Morro da Providência para iniciar as obras do projeto, fruto de acordo de cooperação entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Defesa.

Assim, Lula, a “Metamorfose Ambulante”, colocou o Exército a serviço do marketing eleitoral do senador Marcelo Crivella, aliado federal e pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Foi dele quem partiu a ordem para a Operação Cimento Social, e não pode dizer que não foi avisado das possíveis conseqüências, através de documento do comandante militar do Leste.

 

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