Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Junho 2008
Índice Geral
27/06/08
• A Metamorfose Ambulante - de Carlos I.S.Azambuja
Percival Puggina -
http://www.puggina.org - oferece
resposta:
"Suponham um círculo que passe por três pontos:
Ponto 1 – valores morais
Ponto 2 – realidade sócio-econômica
Ponto 3 – instituições políticas
Aí estão nossos três problemas essenciais – valores em decadência, realidade
social e econômica terceiro-mundista, instituições inadequadas às necessidades
do país. Elas agem num círculo de causação cumulativa: quanto pior a ética,
pior a realidade social; quanto pior a realidade social, pior as instituições
(o espelho de representação, a legislação, os códigos, etc.); quanto pior as
instituições, pior a ética e assim sucessivamente. Nós estamos nos movendo
cada vez mais ao fundo nesse círculo.
É preciso inverter o sentido do movimento, de tal forma que, passando pelos
mesmos pontos, tenhamos maior adesão a valores superiores, melhor realidade
social e econômica e instituições melhores, num círculo virtuoso de causação
cumulativa.
Não se consegue isso “com alguém”, buscando (e nem mesmo achando a pessoa
certa), o príncipe valente. Tampouco se sai disso apenas com pregação
ideológica. A Europa esteve infestada de ideologias esquerdistas, tanto quanto
a América Latina e elas foram derrotadas dentro do jogo democrático, num
modelo que não favorece a demagogia, simplesmente porque as políticas
realistas, conservadoras e o capitalismo se revelaram mais eficientes na
prática das nações. É verdade que, num momento crucial, a Europa teve três
nomes excepcionais (Adenauer, De Gasperi e Schuman), mas nenhum deles,
individualmente, nem os três juntos, teriam conseguido o que conseguiram
produzir no continente sem outras condições indispensáveis. Condições, aliás,
tão importantes que, sem eles, passado meio século, continuam produzindo bons
resultados.
Quais são essas condições? Voltemos ao nosso círculo e a seus três pontos de
passagem. Se quisermos inverter o sinal, transformando-o num círculo virtuoso,
o que devemos fazer? Note-se que não importa, aqui, nos indagarmos qual dos
três é mais importante (a realidade social e econômica? a ética? as
instituições?). A resposta é tão pouco aproveitável quanto a pergunta. O que
importa é nos indagarmos sobre qual o ponto possível de ingresso na estrutura
do círculo.
Para mudarmos o Brasil precisamos, primeiro, mudar a ética? Sabem vocês quando
conseguiremos isso? Ou vamos, primeiro, mudar a realidade social? Haja
gerações com tanta paciência. Ou vamos, mudar, primeiro, as instituições?
Eu vou por aí, por essa última. Com as instituições que temos qualquer
governo, pela direita, pela esquerda ou pelo centro, precisará comprar o
Congresso, distribuir recursos do Erário para costurar apoios, cooptar certa
mídia a peso de ouro, agigantar a máquina estatal para transformar a
administração direta e indireta em moeda de troca no balcão dos acordos
partidários. Com as instituições que temos, ou os coronéis compram votos com
dinheiro tomado do governo ou o governo compra votos com dinheiro que toma da
sociedade. Com as instituições que temos, a União centraliza poder político,
econômico e financeiro, em detrimento da Federação (Estados e municípios, dos
quais provém e nos quais é gerada a riqueza do país). Com as instituições que
temos, Lula e Dilma faturam politicamente com um tal PAC, que dispõe sobre
obras, nos Estados e municípios, que seriam muito mais bem selecionadas e
administradas se houvesse respeito à autonomia de uns e outros. Com as
instituições que temos jamais vamos eleger um estadista porque elas beneficiam
os demagogos, os mentirosos, os corruptos. Como emergirá uma leadership num
modelo eleitoral que começa com uma pesquisa de opinião para saber o que os
liderados querem ouvir?
Note-se: não estou fazendo a crítica da Política! Como democrata eu acredito
na política. Estou fazendo a crítica da política que temos, resultante das
instituições que temos. Estou fazendo, portanto, a crítica das nossas
instituições. As instituições que temos me dão vontade de pôr o dedo na
garganta. A correção das instituições é o único ponto possível de ingresso no
círculo maldito onde nos afundamos e onde continuaremos nos afundando se não
as mudarmos.
Ninguém consegue ser mais demagogo do que um esquerdista demagogo. Há dois
anos estou apontando para o que vai acontecer no Paraguai. Agora já se sabe: o
Lugo venceu.
Quando vamos entender que com esse modelo a AL está condenada? Quando vamos
entender que com um modelo parecido os EUA vão de mal a pior? Onde andam os
estadistas norte-americanos? Os Estados Unidos estão sendo salvos por seu
federalismo, porque se dependessem, como nós, do poder central, a esquerda já
tinha tomado conta.
Meus caros, eleição direta para presidente, numa sociedade de urbana, de
massa, é bananeira que não dá cacho. Eleição proporcional de deputados, numa
sociedade historicamente corporativa é amarração de cachorro com lingüiça.
Puggina"
Cristalino, não é?
E se impõe uma pergunta
- como refazer a estrutura das instituições e higienizar a Carta Mgna nas
atuais condições de absoluta hegemonia esquerdista? Nas quais, mesmo que o
comuno-petismo não se eternize no poder, será substituido temporariamente por
seu equivalente light, um aquecedor de assento de igual estofo?
Educando "as massas"?
Com que meios?
Em quantas décadas?
Antes ou depois da ditadura comunista prestes a se fechar?
M.
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Fonte:
www.MidiaSemMascara.org
A Metamorfose Ambulante por Carlos I.S. Azambuja
Carlos I. S. Azambuja é historiador.
27/06 - Lula, a “Metamorfose Ambulante”, colocou o
Exército a serviço do marketing eleitoral do senador Marcelo Crivella, aliado
do governo e pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Foi dele quem partiu
a ordem para a Operação Cimento Social, e não pode dizer que não foi avisado
das possíveis conseqüências, através de documento do comandante militar do
Leste.
Segundo noticiou a imprensa dia 24 de junho de 2008, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva participou de uma reunião de quase uma hora, na véspera, no
Palácio Guanabara, com cinco familiares dos rapazes mortos pelo tráfico do
Morro da Mineira, após serem entregues a gangues inimigas por militares que
tomavam conta das obras do Exército no Morro da Providência. Lula chegou a
desabafar que considera “injustificável” a presença de homens do Exército em
“uma obra terceirizada”.
Lula, no Palácio Guanabara, assessorado por Paulo Vanuchi, ministro da
Secretaria Nacional de Direitos Humanos e por Benedita da Silva, Secretária
Estadual de Ação Social, defendeu que o julgamento dos 11 envolvidos na morte
dos jovens seja feito pela Justiça Civil, e não na Justiça Militar. O ministro
Nelson Jobim endossa a mesma tese, contrária ao entendimento dos militares.
Mas, apesar do discurso contrário à atuação das Forças Armadas no Morro da
Providência, o presidente Lula, uma “Metamorfose Ambulante”, concordou com o
fato de o Ministério da Defesa ter pedido à Advocacia-Geral da União (AGU)
para entrar com recurso na Justiça a fim de garantir que os militares
permaneçam na favela, dando proteção ao pessoal que trabalha na obra e ao
material (O Estado de São Paulo de 24 de junho de 2008).
As obras no Morro da Providência fazem parte do Projeto Cimento Social, fruto
de acordo entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Defesa, para
atender ao senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que seria o candidato preferido
de Lula à prefeitura do Rio. Ontem, pela primeira vez após o crime, o senador
compareceu a uma solenidade de lançamento de apoio à candidatura do Rio para
sede das Olimpíadas de 2016. Lula e Crivella saíram juntos da cerimônia.
O presidente Lula gostou muito do projeto Cimento Social dando a ordem para
que fosse executado, segundo declaração, há cerca de três meses, do
vice-presidente José Alencar, do mesmo partido do senador Crivela.
Ainda segundo José Alencar, o projeto só saiu porque Lula mandou o Ministério
das Cidades liberar o dinheiro e mandou o Comando Militar tocar as obras na
favela. Isso em dezembro de 2007, antes do convênio firmado entre o Ministério
da Defesa e o Ministério das Cidades, o que só ocorreu em 31 de janeiro de
2008, um ano eleitoral.
O cadastro dos moradores cujas casas seriam reformadas foi feito por
integrantes da Igreja Universal, do bispo Crivella. O Ministério das Cidades
liberou o dinheiro (16,6 milhões de reais) em dezembro de 2007, antes mesmo
que o projeto sobre a matéria fosse aprovado. As obras foram usadas como
material de propaganda do bispo Crivella, candidato à prefeitura do Rio de
Janeiro, embora o Comando Militar do Leste tenha emitido um parecer contrário
ao projeto. (“No parecer, o general Luiz Cesário da Silveira Filho expressa
aos superiores todos os perigos da missão. A possível contaminação dos
soldados pela convivência com traficantes de drogas, a possibilidade de morte
de civis devido a confrontos entre traficantes e militares, e a falta de
amparo legal...”). Diz-se que um documento de Inteligência do CML acusou dois
assessores do bispo Crivella – chamados de Eduardo de Tal e Gilmar de Tal – de
negociar uma trégua com os traficantes do Comando Vermelho, que dominavam o
morro. Foi desse projeto que o presidente Lula - que classificou a si próprio
de “Metamorfose Ambulante” (jornal O Estado de São Paulo de 5 de dezembro de
2007) - gostou muito, “dando a ordem para que fosse executado”.
Dia 23 de junho, uma segunda-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim,
decidiu que, no mesmo dia, a tropa do Exército fosse retirada do morro da
Providência. Ele disse ter sido surpreendido pelo embargo das obras, naquele
mesmo dia, pela manhã, do projeto Cimento Social por parte do Tribunal
Regional Eleitoral. Segundo ele, assim que as obras forem retomadas, os
militares voltarão a ocupar a favela para garantir a segurança dos serviços.
Finalmente, a verdade nua e crua é que Lula e o ministro Jobim desconheceram o
parecer do CML e mandaram que a obra fosse tocada pelos militares. No dia 12
de dezembro de 2007, soldados do Exército ocuparam a Favela do Morro da
Providência para iniciar as obras do projeto, fruto de acordo de cooperação
entre o Ministério das Cidades e o Ministério da Defesa.
Assim, Lula, a “Metamorfose Ambulante”, colocou o Exército a serviço do
marketing eleitoral do senador Marcelo Crivella, aliado federal e
pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Foi dele quem partiu a ordem para
a Operação Cimento Social, e não pode dizer que não foi avisado das possíveis
conseqüências, através de documento do comandante militar do Leste.