Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Julho 2008
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19/07/08
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Todos fomos Colômbia
----- Original Message
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From: M
Sent: Saturday, July 19, 2008
11:33 AM
Subject: Todos fomos Colômbia
Conheci Lacalle aqui na Av.Paulista, em maio de 06, no Seminário pela
Democracia Representativa, evento que reuniu por alguns dias o melhor dos
melhores democratas latino-americanos.
Diferentemente da imensa massa de políticos, Lacalle tem, tal Uribe, a
visão lúcida, o empenho incansável, a disposição ao sacrifício em prol do Bem
Comum, peculiar ao perfil do estadista. Algo que se pode perceber neste seu
texto.
Uma nova era pode resultar da 'terra arrasada', como delira a demência
marxista - mas terá o selo da monstruosidade totalitária se forem os
comunistas os novos construtores, como na Rússia, Camboja, Cuba...
Entretanto, uma 'nova e mais humana era' pode e deve resultar da reação dos
democratas, crescendo em valor e conhecimento pela luta contra o Mal manifesto
nas intenções desta demoníaca sub-humanidade vermelha.
E isto, amigos, é trabalho para Homens.
Convite aberto àqueles que ainda têm brio.
M.
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Fonte:
www.faroldademocracia.org
Todos fomos Colômbia por Luis Alberto Lacalle Herrera
Advogado, Jornalista, Ex-Presidente e Ex-Senador da República Oriental do
Uruguai pelo Partido Nacional (Blanco)
Tal qual o raio, estalando, parte as trevas em duas e ilumina a paisagem em um
momento incomparável, a operação militar das Forças Armadas da Colômbia lançou
luz sobre a escuro panorama da tremenda guerra que esse país vive. Trata-se
todavia de algo mais que um alarde de profissionalismo, de perseverança, de
planejamento sério e de lucidez do comando político e militar; muito mais.
A América contemporânea, através da nefasta influência de Fidel Castro, de
suas teorias, de suas escolas de subversão e sabotagem, de sua intervenção nos
assuntos internos dos demais países da América, representou nos últimos
cinqüenta anos a teoria e a praxis da destruição do sistema democrático. Um
êxito, e talvez não o menor desta força negativa, foi conseguir que a respeito
dela se estabelecessem critérios duplos e diferentes critérios de ética. O que
em um extremo do espectro político se condenava – e com razão – nas ditaduras
militares, no outro se justificava e justifica até o dia de hoje apesar dos
atropelos aos direitos humanos, da negação do sistema democrático e da
opressão dos direitos cidadãos. Tanto na Europa como na América esta maneira
parcial e enviesada de ver as coisas possibilitou que se construíssem teorias
e se organizassem grupos políticos para os quais não havia um sistema de
medida semelhante para as violações ao direito, às constituições, e às
garantias mínimas dos cidadãos. Conhecemos esta hemiplegia política porque
esteve presente entre nós por longo tempo. Assim foi que não só se aplaudiu a
ação das guerrilhas senão que, como tristemente o sabemos, procurou-se
implantá-las e transplantar à nossa vida práticas similares. Tudo isso sob um
manto de compreensão e justificativas que, embora não resista à mais leve
análise, converteu-se em uma espécie de evangelho das teorias que levadas à
prática, semearam a morte e o terror na Espanha, na Alemanha e em toda a
América Central e do Sul.
Sabemos que em sua origem mais distante a ação das FARC teve uma base de
diferenças políticas internas dentro de um país que, como a Colômbia, chegou a
chamar a um período de sua história “a violência”. Porém, o desvio de rumo
destas sinistras forças para o campo claramente delitivo já durou demasiados
anos para que o tênue disfarce com o que se pretendeu dissimular sua essência
resulte penosamente escasso para ocultar a crua realidade de uma organização
baseada no seqüestro e no comércio de droga.
É assim que a nação do norte do nosso sub-continente vem suportando não
somente atentados contra seus governantes, seus militares e a própria e
sofrida população, senão que representa a instalação do medo em todos os
âmbitos da vida cotidiana e ainda a ocupação mediante a força de importantes
porções daquele território. Ante essa crua realidade houve os que chegaram a
assinalar que estas forças armadas revolucionárias da Colômbia em seu âmbito
de violência e de destruição estavam formando o “homem novo”. Típica afirmação
de cunho marxista que pretende a tábula rasa, a destruição de todo o anterior,
na crença jacobina de que somente mediante o arrasamento de uma civilização e
de uma cultura se pode iniciar um novo tempo.
Foram muitos os governos colombianos que tiveram que enfrentar essa força
multiplicada em seus efeitos nefastos, pelo fato de atuar fora de toda norma e
de todo parâmetro ético. O sofrido povo colombiano não só pagou com medo e
morte senão que viu enormes recursos que tanto melhor teriam estado no
desenvolvimento social, ser aplicados no gasto militar da guerra não
convencional. Ação bélica para a qual não existem manuais e que fornece a
tremenda sensação de que as cidades e o campo viviam sob o império da
ilegalidade sempre escondida para golpear, para roubar, para seqüestrar, para
matar.
O episódio da quarta-feira passada (02.07), quando passar o tempo suficiente,
será visto corretamente como um marco nesta longa e dolorosa etapa de
enfrentamento. Com um profissionalismo do mais alto nível e com a fortaleza de
caráter de um Presidente que tem demonstrado que é capaz de assumir o drama da
chefatura do Estado em circunstâncias extremas, se leva a cabo a operação que
comentamos. Vai mais além desse êxito bélico indubitável e que representou uma
luz em meio às trevas. É um ponto de inflexão no combate concreto que se
oferece naquelas terras, porém também a reafirmação de que as convicções
acompanhadas da perseverança e da vontade podem transformar a realidade e
trocar um ambiente de resignação e de permanente concessão, na reassunção do
poder democrático em toda sua plenitude.
É, sem sombra de dúvidas, uma mostra de que dentro da lei e com o pulso sereno
e a mão firme, não há crise que não seja reversível, não há circunstância de
desesperança que não possa se transformar em força de sinal diferente.
Por um instante, porém seguramente que com conseqüências importantes de
futuro, produziu-se este fato que deixou uma mensagem positiva em todo o mundo
e resultou em um acontecimento fortalecedor dos valores às vezes diminuídos,
do que é a força do sistema democrático quando por trás da lei e da razão há
perfis de coragem.
Na quarta-feira passada, todos fomos Colômbia.
Tradução: Graça Salgueiro
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