Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Julho 2008
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06/07/08
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A crise silenciosa - (Divulgue quanto possa!)
----- Original Message
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From: M
To:
Sent: Sunday, July 06, 2008
8:56 PM
Subject: A crise silenciosa - (Divulgue quanto possa!)
(Devido ao repetitivo fato de que emails enviados ou a receber estão
seguidamente 'desaparecendo' em algum misterioso limbo cibernético, ou
devolvidos com a desculpa de 'domínio inexistente' ; em razão ainda de que tal
fenômeno vem ocorrendo com crescente freqüência em outros grupos atuantes na
resistência à dominância esquerdopata, minhas remessas passam a solicitar
confirmação de recebimento. Sugiro que também vc fique atento a tais
ocorrências. M.)
Amigos
Para conhecimento... e ampliação da consciência de que, em absoluto contrário
à esta sub-humanidade canalha que hoje manda e desmanda em nosso país, Carlos
Lacerda foi um autêntico estadista e democrata.
Possa sua lucidez, coragem incomum e aguerrido espírito de luta pelas
liberdades humanas, inspirar nossos esforços para não só frustrar o atual
desmantelamento comunista da nação, como - com a ajuda do Deus da Justiça -
varrer para o lixo da História a pseudo-ideologia demoníaca e seus agentes
que, lenta e fatalmente, vampirizam e envenenam a alma da gente brasileira.
Para isso há de contribuir a crescente percepção em nosso povo de que as
instituições políticas já foram tomadas pelo inimigo, que mídia e empresariado
a ele aderiram - por comunhão ideológica ou conveniência interessada, que as
igrejas foram infiltradas e corrompidas, e que, portanto, na absoluta ausência
de qualquer outra força viva de oposição,
nossas Forças Armadas são a única e última
esperança.
M.
"Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam
nada."
"Ninguém comete erro maior do que nada fazer porque só pode fazer um pouco."
Edmund Burke
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Fonte: Estadão
[11/06/08]
A crise silenciosa por Sandra Cavalcanti
Há 35 anos, o professor americano Stuart Udall lançava um livro exatamente com
este título: A Crise Silenciosa.Tive o privilégio de recebê-lo, de presente,
trazido por Carlos Lacerda, que após vitorioso esforço retornava de Washington
com o financiamento necessário para executar o gigantesco e histórico projeto
do Sistema Guandu. No ano passado, um júri de especialistas mundiais em
engenharia elegeu esse projeto como o mais importante entre todos os
executados no século passado! Passou tudo em misterioso silêncio...
O livro, que Carlos Lacerda já lera, era realmente fascinante! E pioneiro!
Naqueles dias, aqui, em nosso país, eram poucos os que revelavam preocupações
com o meio ambiente. A palavra ecologia ainda estava ausente de quase todos os
vocabulários. Quando muito, havia quem desse notícia das lutas
conservacionistas que, começadas nos EUA no século 18, ainda estavam em plena
batalha. No livro, Stuart Udall fazia um narrativa emocionante da luta
conservacionista nos EUA desde os primórdios de 1800, mas alertava para os
males maiores que ainda estavam à espreita no mundo. O prefácio vinha assinado
pelo presidente Kennedy.
Em sua curta administração, terminada de forma tão trágica, deixou ele, para
os americanos, a mais bem articulada e factível legislação sobre o uso da
água, a defesa dos mananciais, a recuperação dos que já estavam sendo
deteriorados, a distribuição correta e a qualidade da água a ser fornecida.
Era essa a sua visão de ambientalista.
Não por acaso, no prefácio ele formulava a seguinte pergunta: "Pode-se
considerar bem-sucedida uma sociedade que cria condições prejudiciais aos seus
espíritos mais esclarecidos e converte em deserto as suas mais belas
paisagens?" E concluía sustentando a tese de que nós, "em termos políticos,
devemos ampliar o conceito de conservação, para atender aos problemas
imperiosos dos novos tempos."
Entusiasmado com o livro e achando que já era hora de começar a acordar a
sociedade para a importância do meio ambiente e sua defesa, Carlos Lacerda
convenceu o amigo David Nasser a fazer a tradução. O resultado foi um
primoroso trabalho, ao qual ele acrescentou dados e informações sobre a
situação do problema ambiental em nosso país.
Passados todos estes anos, a dramática indagação feita por Udall ainda
continua viva: "De que serve a abundância material, se criamos um ambiente em
que os atributos mais altos e específicos do ser humano não podem ser
exercidos? Cada geração tem um encontro marcado com a terra, pois, apesar de
nossos títulos hereditários e reivindicações de posse, somos todos
arrendatários transitórios deste planeta." Em vários países, respostas
consistentes foram dadas. Várias nações obtiveram expressivas vitórias.
Conseguiram refazer e conservar as matas. Estão revitalizando rios e lagos.
E aqui, no Brasil, como estamos? Já estamos em 2008! Entre o governo de Carlos
Lacerda e os dias de hoje, mais de meio século! Ele subiu de burrico até o
topo da Pedra Branca. Tomou providências enérgicas para que a devastação da
mata atlântica não continuasse.
Ao deslocar os moradores favelados do Morro do Pasmado, reflorestou toda a
colina e impediu um projeto federal de erguer ali um hotel da rede Hilton.
Transformou o Aterro do Flamengo, destinado a ser uma grande negociata
imobiliária, no maior parque urbano do mundo, maior que o Central Park ou o de
Palermo. E mais: impediu que o Parque Lage fosse ocupado por muitos edifícios
e um cemitério, ganhando com isso a implacável oposição de todo o grupo do
jornal O Globo. Deu aos cariocas, de volta, as areias da Praia de Botafogo.
Usou um processo inovador para formar a Praia de Ramos. Deslocou mais de oito
favelas para condomínios de casas populares, a fim de despoluir a Baía de
Guanabara. Implantou um interceptor oceânico para receber as redes de esgotos
e galerias pluviais da orla marítima. E, de forma fantástica, devolveu ao povo
do Rio a condição civilizada de ter fornecimento normal de água, após meio
século sofrimentos.
Carlos Lacerda foi o maior ambientalista de seu tempo. Ele amava a natureza e
tinha diante dela a atitude de um verdadeiro ecologista. A reportagem que fez
nos anos 50 sobre a tragédia do Rio São Francisco aí está, como um brado de
alerta. Era um caprichoso cultivador de rosas. Gostava de pássaros e animais.
Encontrou meios modernos para ajudar os pescadores das várias cooperativas de
nossa Guanabara. E até mesmo quando ficamos encarregados de acolher centenas
de garotos de rua que vagavam por aí, destinou-lhes, como escola e lar, a
Fazenda Modelo, em Guaratiba. Em matéria de defesa da natureza, conservação do
meio ambiente, recuperação de áreas contaminadas, redes de água, galerias
pluviais e esgotos, ninguém o superou.
Quando vejo todo este auê por conta do meio ambiente e leio as asneiras que as
autoridades de plantão e os pseudo-ecologistas, orientados pelas ONGs e pelo
Greenpeace, dizem sobre a Amazônia; quando identifico programas populistas e
eleitoreiros por trás de supostas obras; quando vejo os centros urbanos
capturados pelos poderes clandestinos, totalmente favelizados; quando percebo
que o objetivo de governar foi substituído pelo show business; quando tudo
isso acontece, tenho certeza que dias difíceis estão por vir!
O pior é que não temos em quem confiar. Já não se fazem figuras públicas de
verdade. Fazem-se figuras populares. Estamos em plena era do pão e circo.
Não vivemos tão-somente a devastação da mata atlântica ou da floresta
amazônica. A devastação devastadora, em nossos dias, é a de ordem moral. São
os sonhos, os ideais que estão por aí reduzidos a cinzas. Eles não oxigenam
mais a nossa vida.
Essa é a crise silenciosa, a chuva ácida da desesperança que desce dos céus,
provocada por este crematório de valores em que estamos sendo, também,
consumidos. Que falta faz uma figura de estadista! Por isso me lembrei de
Carlos Lacerda.
Sandra Cavalcanti, professora, jornalista, foi deputada federal constituinte e
secretária de Serviços Sociais no governo Carlos Lacerda
E-mail: [email protected]
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