Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Fevereiro 2008
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23/02/08
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Réquiem para um assassino
----- Original Message -----
From: M
To: undisclosed-recipients
Sent: Saturday, February 23, 2008 3:05 PM
Subject: Réquiem para um assassino
É um prazer especial apresentar Graça Salgueiro
àqueles que ainda não tiveram a ventura de conhece-la, mesmo via seus
artigos.
Graça é uma mignonne bem-humorada que reage impertigando-se, mui séria e
digna, ao nosso vocativo de bassotta:
- Argh! baixinha, não! Só um tanto curta verticalmente... Oras!
Em verdade, seu caráter e talento fazem enormes cada um de seus - vastos! -
cento e quarenta e oito centimentros: uma gigante pequena.
Inteligente, com integridade de aço e coração de leão, tem em comum com a
plêiade de amigos que sustentam o Farol da Democracia, o Mídia Sem Máscara
ou o Inconfidência, alguns traços, hoje tristemente raros - lucidez,
coragem, madura responsabilidade.
A acuidade alerta a/os livrou das armadilhas venenosas do 'politicamente
correto', da insídia sorna de sofismas comunistas e táticas gramscianas. E o
senso de responsabilidade os motiva a peitar a esquerdopatia todo-poderosa
com a coragem característica.
Que se saiba que Graça, ou qualquer destes bravos, recebem nada pelo
trabalho que fazem. Frequentemente, sequer reconhecimento.
Nenhum deles nada em dinheiro; antes, o usual é sobreviverem da-mão-pra-boca
com a angustiante rotina de mais e mais mês ao fim dos magros centavos.
Em particular, Graça é uma expert em política latino-americana, como se vê
em seu
www.notalatina.blogspot.com.
Dados, informes, textos, artigos, reportagens, livros, lhe chovem partindo
de muitos correspondentes e amigos - jornalistas, escritores, analistas,
políticos liberal-conservadores, alguns em posições sensíveis - naturais de
vários países do sub-continente.
Somando à atualizada cultura bibliográfica - é leitora voraz - esta
enormidade de informações, processada por aguda capacidade analítica, a
tornaram a melhor articulista nacional em temas políticos da América Latina,
em relação a qualquer de nossas mídias.
A importância para nosso futuro enquanto nação, da crescente interação entre
nossos países, forçadamente unificados pela estratégia de dominação
comunista criada e difundida pelo Foro de São Paulo, precisa ser conhecida e
valorizada pelos brasileiros.
Igualmente, há que conhecer a realidade pútrida, criminosamente imposta aos
povos dominados por tiranos comunistas, como antídoto à desinformação
calhorda usual às mídias nacionais.
É nisto que Graça trabalha.
E, como pode atestar pelo texto abaixo, com brilho - apaixonado e
apaixonante.
Provecho.
M.
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Sábado, 23 de fevereiro de 2008
Requiem para um assassino
por Graça Salgueiro em 23 de fevereiro de 2008
Resumo: Depois de tomar conhecimento de todas as barbaridades e crimes
cometidos pelo novo regime cubano, é possível acreditar na tal “transição
política” de Raúl Castro tão propalada mundo afora, só porque Fidel
reconheceu sua decrepitude e saiu de cena sem deixar o poder?
© 2008 MidiaSemMascara.org
O anúncio do ditador Fidel Castro de que estaria se afastando do poder da
ilha-cárcere, provocou enorme comoção dentre aqueles que defendem com unhas,
dentes, lágrimas nos olhos e voz embargada a maior miséria humana do século
XX, embora não se tenha notícia de que nenhum desses defensores do genocídio
castrista tenha fugido do seu país para viver no “paraíso caribenho”. Que o
digam os comunas que vivem como “burgueses”, Chico Buarque em Paris e o
caquético Niemayer numa cobertura em Copacabana.
Tão repugnante quanto as entrevistas destes defensores do genocídio cubano,
nostálgicos e sentimentais como se descrevessem uma passagem de filme
romântico, foi ler os títulos das matérias, dentre os quais destaco este do
Portal Terra: “
América Latina elogia transferência do poder em Cuba”. Engloba-se a
opinião de meia dúzia de palpiteiros esquerdopatas - como se fosse o
pensamento de toda a América Latina - que acham natural um infeliz tomar um
governo de assalto, permanecer lá por malditos 49 anos e quando não tem mais
condições físicas de empunhar o chicote e a baioneta, designa seu irmão para
continuar o criminoso ofício. Estabelece-se assim uma ditadura hereditária e
esses mesmos palpiteiros que não economizam palavras na hora de execrar a
ditadura militar – com alternância de presidentes - que fomos obrigados a
enfrentar, para o bem do Brasil, referendam e acham absolutamente
normal e elogioso o gesto que, aliás, nem consideram como “ditadura”.
Ao lado disso, outros tantos desandam a falar numa “transição com abertura
política”, como se a dinâmica utilizada por Raúl Castro – o ditador herdeiro
- fosse muito diferente daquela do pai da revolução cubana. Como se Raúl
fosse mais flexível e humano que Fidel, como se Raúl fosse mais “liberal”
(no sentido de respeitar as liberdades individuais) do que seu irmão mais
velho, e como se o velho abutre estivesse saindo de cena definitivamente.
Lamentavelmente, não está!
É o próprio Fidel quem dá o recado quando diz
no final de sua mensagem enviada dia 19: “Não me despeço de vocês.
Desejo só combater como um soldado das idéias. Seguirei escrevendo sob o
título ‘Reflexões do companheiro Fidel’. Será uma arma a mais do arsenal com
a qual se poderá contar. Talvez se escute minha voz. Serei cuidadoso”, o que
significa que só vai largar o osso quando o puserem no caixão. Até lá, quem
continua mandando é ele, mesmo que como eminência parda.
No domingo 24 de fevereiro haverá eleições (ou simulacro disto) para a
Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento) e Raúl será ratificado nos
cargos de presidente do Conselho de Estado (que já ocupa interinamente) e de
Comandante-em-Chefe das Forças Armadas que o converterá oficialmente em
Chefe de Estado ou ditador vitalício hereditário. Além desses dois cargos,
Fidel ocupava ainda os de presidente do Conselho de Ministros e Primeiro
Secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC), dos quais não se afastou
oficialmente. Para a presidência do Conselho de Ministros três candidatos da
maior confiança do clã Castro podem vir a ocupar o cargo: Ricardo Alarcón de
Quesada, presidente do Parlamento, diplomata de carreira que é na prática o
primeiro-ministro de Fidel e considerado o cubano com os maiores contatos no
mundo; Carlos Lage, vice-presidente do Conselho de Estado e de Ministros e
Felipe Pérez Roque, atual ministro das Relações Exteriores.
Não por acaso, neste mesmo dia 24 de fevereiro de 1996, a ditadura cubana
abateu dois aviões dos “Hermanos al Rescate”, assassinando 4 de seus
pilotos: Armando Alejandro Jr. de 45 anos, cubano-americano; Pablo Morales
de 29 anos, cubano residente legalmente nos Estados Unidos; Carlos Costa de
29 anos, americano de origem cubana e Mario de la Peña, de 24 anos,
americano de origem cubana. O “Hermanos al Rescate” é um grupo de abnegados
voluntários que buscam compatriotas cubanos que se aventuram no Mar do
Caribe, expostos a todo tipo de riscos, inclusive naufrágio ou ataques de
tubarão e os resgata, levando-os à terra firme nos Estados Unidos.
Naquele 24 de fevereiro de 1996, esses quatro rapazes faziam um vôo em águas
internacionais em busca de alguma embarcação, quando foram atingidos por
disparos de mísseis cubanos. A ordem veio de Raúl Castro, este que os
palpiteiros acreditam ser mais “flexível” e “bonzinho” que seu irmão Fidel.
Em
entrevista a Dan Rather da CBS News, Fidel Castro admite cinicamente a
responsabilidade por mais este crime, pois mesmo a ordem tendo sido dada por
Raúl, que é o comandante das Forças Armadas, a última palavra era – e
continuará sendo – de Fidel. No site
www.rescatecubano.com, sob o título “A quien pueda interesar”,
pode-se assistir um vídeo com a gravação feita na hora do ataque aos aviões.
Lá pode-se ouvir todo o horror e sadismo dos criminosos que festejaram com
gritos de “Pátria ou morte!”, o sucesso da investida contra civis desarmados
e que não atentavam contra nenhuma “soberania”, como alegaram os irmãos
Castro. Este crime foi denunciado e condenado pelo Conselho de Segurança da
ONU em julho de 1996, mas os criminosos irmãos Castro continuam impunes, até
hoje.
Durante esses quase dois anos em que Raúl comandou a ditadura, a repressão e
a perseguição aos dissidentes recrudesceu enormemente mas estas coisas nunca
são divulgadas pelos meios de comunicação dos países livres porque seria
“trair os ideais” desta revolução que os psicopatas comunistas adoram
endeusar, desde que os confortos do mundo capitalista lhes sejam garantidos.
Em 10 de dezembro do ano passado, Dia Internacional dos Direitos Humanos,
por exemplo, uma pequena manifestação foi barbaramente reprimida e sete dos
manifestantes acabaram presos porque vestiam camisas com a palavra “Cambio”.
Em 29 de novembro de 2007, dois jovens líderes estudantis foram presos na
unidade de polícia nacional de “Zanja y Dragones” por pedir a autonomia
universitária em Cuba; disseram-lhes que seriam processados e condenados sob
a acusação de “periculosidade”. Em 28 de janeiro deste ano, opositores ao
regime foram presos e golpeados por terem tido a “ousadia” de querer
depositar flores no túmulo de José Martí! A quantidade de denúncias que
recebo diariamente sobre abuso de poder, repressão autoritária, prisões
arbitrárias e infundadas, além de torturas físicas e psicológicas aos que
apenas desejam liberdade e respeito aos direitos mais comezinhos do ser
humano, ocorridas neste curto período do comando de Raúl Castro, são
incontáveis. Destaquei algumas para que se tenha idéia de como Raúl é
generoso e respeitador dos direitos humanos:
Condenado
em julgamento sumário e oculto; sete são detidos pela
atividade
considerada criminosa conhecida como “o Rosário”, onde familiares de
presos políticos se reúnem para rezar em prol da libertação de todos os
presos; esposa de preso político, grávida, fica presa por cinco dias em
calabouço por “desacato a autoridade” e
é ameaçada
de agressão física pela mulher do chefe da Polícia. Num só dia foram
presos mais de 30 dissidentes por motivos tolos, como se reunir para rezar
ou portar uma Bílbia na bolsa, todos considerados como crimes de
“periculosidade pré-delitiva” que não se sabe exatamente o que quer
significar.
A mais notável de todas as farsas e desrespeito ao ser humano, entretanto,
ocorreu no início do mês de fevereiro após uma audiência promovida pela
Universidade de Ciências Informáticas (UCI) com o presidente da Assembléia
Nacional do Poder Popular, Ricardo Alarcón. O estudante Eliécer Ávila
Cicilia fazia perguntas sobre direitos que lhes são negados, tão óbvios, que
chega a ser estarrecedor ver alguém que não cometeu nenhum crime mendigar
pela liberdade de ir e vir, como se isto fosse um favor enorme concedido por
seu “dono”.
Com perplexidade, Eliécer perguntava: por que o comércio da ilha utilizava
os pesos convertíveis em dólar e os trabalhadores – classe não pertencente à
Nomenklatura – recebiam seus miseráveis salários em peso cubano, que tem 25
vezes menos poder aquisitivo? Por que os cubanos não podem freqüentar hotéis
ou viajar para outros lugares do mundo? Por que é censurado o uso de
internet, sobretudo proibido acessar o site Yahoo? Com um cinismo nauseante
Alarcón respondeu que, “Se no mundo todo, os 6 bilhões de habitantes
pudessem viajar para onde quisessem a confusão que haveria nos céus do
planeta seria enorme; os que viajam realmente são uma minoria”, fazendo de
conta que não sabe a diferença abissal entre ser livre para fazer
escolhas próprias e depender da autorização de um tirano para tudo na vida.
Assistam aqui o pseudo debate, num vídeo que foi feito clandestinamente
e repassado à BBC.
No dia 9 de fevereiro, dias depois deste espetáculo montado para dar a
impressão de que o novo ditador quer promover uma abertura política, este
jovem foi levado de sua casa às 8 horas da manhã para a capital por agentes
da Segurança e do Conselho do Estado. Os pais de Eliécer fizeram a denúncia
a dissidentes do regime alegando que tinham muito medo, pois foram
advertidos de que não podiam falar e que estavam sob vigilância. Eles
estavam em pânico, temendo pela vida do filho, não sem razão, pois sua casa
passou a ser vigiada constantemente por duas mulheres do Comité de Defensa
de la Revolución (CDR) que interrogavam todas as pessoas que iam visitá-los.
No dia da detenção, um dos funcionários que identificou-se como sendo filho
de Carlos Lage, disse para a família não se preocupar pois logo veriam
Eliécer no programa “Mesa Redonda” informativo da televisão estatal.
Conforme temiam seus pais, devem ter feito lavagem cerebral no jovem que
ousou desafiar o todo-poderoso Alarcón para que diante da televisão se
retratasse para todo o país. No dia 11 ocorre um novo debate entre alguns
dos estudantes que estiveram presentes ao episódio com Alarcón e uma
repórter de “Cuba Debate”, cujo slogan é “contra o terrorismo midiático”. Os
estudantes negaram que foram reprimidos, presos e pior ainda, afirmaram que
foram “vítimas de manipulação” de uma campanha difamente contra Cuba. Vejam
neste vídeo como Eliécer se retrata e neste aqui os depoimentos dos outros
estudantes. É de chorar de tristeza ver a lavagem cerebral que sofrem estes
jovens...
Depois de tomar conhecimento de todas estas barbaridades e crimes, é
possível acreditar nesta tal “transição política” de Raúl Castro tão
propalada mundo afora, só porque Fidel reconheceu sua decrepitude e saiu de
cena sem deixar o poder? Como se pôde constatar, ambos são criminosos sem
escrúpulos, mentes pervertidas e más até as entranhas que não desejam o bem
do seu povo mas escravizá-lo sempre e cada vez mais para compensar seus
sentimentos de inferioridade: Fidel, por ser filho bastardo só reconhecido
aos 17 anos e Raúl, por ser uma figura inexpressiva, mal amada e
desrespeitada até mesmo dentro das Forças Armadas, invejoso do poder do
irmão e cansado de ser durante toda a vida apenas uma sombra e uma escada
para que Fidel brilhasse e aparecesse perante o mundo como o “Grande Líder”.
O povo cubano está farto de ser objeto na mãos desta sub-raça e os que
acreditam nesta fanfarronice de folhetim barato são os colaboracionistas do
regime, os que sonham com o mesmo poder que hoje lhes esmaga o crâneo e as
vísceras. Esses aceitam o “borrão e conta nova” porque, em sua maioria não
sofreram na carne nenhuma perseguição, tampouco tiveram parentes fuzilados
pelo simples crime de serem cristãos ou discordar do regime comunista
imposto na marra. Não há motivo para celebração nem sonho de dias melhores
enquanto a máfia castrista estiver no poder, controlando a vida e a morte de
cada um dos filhos daquela ilha.
O povo cubano digno não quer esmolas nem migalhas; não quer ser considerado
cidadão de segunda classe dentro do seu próprio país nem quer a
interferência de nenhum outro povo senão do seu próprio, cubano, residente
na ilha ou em outros países, livre para decidir o que melhor lhe convém,
livre para expressar-se sem medo dos calabouços ou “paredons”, livre para ir
e vir, livre para ser dono de sua casa, do seu comércio, da sua vida.
Enquanto esta maldita máfia castro-comunista não for deposta, julgada e
condenada por seus milhares de crimes, tudo o que se fizer será apenas um
arranjo mal feito, um faz-de-conta para inglês ver, e a esquerda mundial
continuará tecendo loas nostálgicas ao “grande mito” Fidel e visitando
Cuba, para dela desfrutar de tudo aquilo que seus legítimos donos há 49 anos
não têm direito mas que ela, a maligna esquerda, aplaude e ajuda a manter.
Graça Salgueiro é jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e
do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina,
especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista do Mídia
Sem Máscara, onde também colabora como tradutora e revisora, correspondente
brasileira do site La Historia Paralela da Argentina, articulista do jornal
"Inconfidência" de Belo Horizonte e proprietária do blog Notalatina.