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(Márcio Del Cístia)

Fevereiro 2008               Índice Geral


08/02/08

Perigosa demagogia - Parte I - T.Sowell

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From: M
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Sent: Friday, February 08, 2008 2:13 PM
Subject: Perigosa demagogia - Parte I - T.Sowell

Nota: Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover Institute. 

 Os textos de Thomas Sowell têm - sempre - uma característica marcante: a lucidez cristalina embasada em sólido bom-senso. Sua linguagem, exemplos e comentários fazem deles peças didáticas a-prova-de-burros - não deixam sombras, ambiguidades, nem dúvidas. 
Aqui fala sobre demagogia.

Houaiss alinha algumas acepções para esta palavra:
1. - ação que se utiliza do apoio popular para conquista ambiciosa ou corrupta de poder; o discurso usado para esta finalidade;
2. - ação ou discurso que simula virtude com objetivos escusos.

É aquilo que hoje conhecemos também por 'politicamente correto' e que nossos pais chamavam de língua de cobra. Um tipo de discurso usado para enganar, ao tempo que passa uma impressão de honesta sinceridade.

Nossa mídia, massivamente comuno-petista, vem fazendo uso disto há décadas.
Marcel Solimeo, em O Carnaval e as invasões de terra, aborda o tema no MSM de hoje:
"Assim, invasão de propriedade, passa a ser chamada de "ocupação", invasores, de "sem terra", grupos de foras-da-lei de "movimento social", crime contra a propriedade passa a ser "manifestação de excluídos", e assim por diante."

E, como lembra Solimeo, a mídia vai mais fundo no processo de desinformar pelo uso diferenciado da ênfase visual: - enquanto o carnaval ocupa manchetes em primeira página, aqueles crimes - gravíssimos porque sua implícita e apoiadora aceitação pelos governos esquerdistas, mídia e povo em geral, destrói o estado de direito - são relegados a rodapés.
Uma pá de gente sabe bem destas coisas, mas raramente cuida do outro lado da moeda: as vítimas, nós, zé povão.
Afinal, porque entramos de tontos com tanta facilidade?

Moderno ditcho diz que 'Meninas sensatas não vão sem calcinhas a bailes de tarados',  fazendo contraponto sintomático com outro: 'Ninguém perde apostando na estupidez humana'.

O quê em nós torna tão eficaz a canalhice discursiva do Inácio da Silva, de tantos edires macedos ou da lábia venenosa das muitas serpentes de Eva?

A resposta que encontrei em estudo de casos, meu inclusive: nossa recusa infantilóide a assumir autonomia, em aceitar plena responsabilidade sobre nossas vidas.

Revivendo Dom Acácio - a vida não é, nunca foi, fácil. O medo - pai de todos nossos defeitos e vícios - é-nos uma constante, mais ou menos enfatizado, mas sempre presente. Contingências rotineiras, fácil, fácil, o incrementam em ansiedade. E, quer manifesta, quer difusa e pré-consciente, esta é -  literalmente - insuportável. Estados de ansiedade levam à morte - literal, novamente - seres neurologicamente mais suscetíveis, como crianças e animais. Ansiedade é sempre, não apenas algo muito sério, mas uma sensação medonha e de difícil lida.

O medo pode gerar duas respostas. A mais freqüente é fuga - fisicamente, correndo para longe ou sensorialmente, anestesiando-se ao enviá-lo para instâncias abaixo da percepção: aquilo que não vejo/sinto, não existe. Mas, em realidade, aquilo de que fugimos cresce exponencialmente alimentado-se das energias da fuga e enfraquecendo-nos no processo,  persegue-nos por toda a vida... até que optemos pela segunda resposta - e única solução construtiva - enfrentando-o cara a cara.
Tal como a criança amedrontada corre para os braços protetores da mamãe, nós, povão medroso, abraçamo-nos deliciados à lábia confortadora de um canalha, político ou 'religioso' que nos diz que nunca antes neste país as coisas correram tão bem; ou pague o dízimo e EU lhe garanto felicidade na Terra e uma vaguinha no Céu. A mensagem entorpecente que subjaz é 'Não se canse pensando, conhecendo, agindo; deixe que eu faço isso por você.'

O culto de personalidade, a cuidadosa construção do Grande Irmão, convenientemente sábio, bondoso e onipotente, é o placebo tático da guerra psicológica para nosso medo.
Para nosso medo.
Para o êxito do canalha, este medo é sine qua non, condicionante absoluto. Nosso medo propicia águas turvas - emocional e intelectualmente - onde o canalha demagogo faz a ceva de otários - nós.

Portanto, criá-lo onde não existe, aumentá-lo quando já ocorre, são imperativos categóricos.

Leis lenientes para os criminosos acompanhadas de desaparelhamento e criminalização apriorística da polícia, leis injustas contra o cidadão honesto - impostos abusivos resultando em demissões obrigatórias para a sobrevivência das empresas, a monstruosidade ética da Injustiça Trabalhista , aposentadorias premiadoras para criminais do MST - impunidade segura para acólitos governistas e comuno-petistas, etc, etc, etc... eventos que destroem a confiança no império da lei, gerando insegurança, medo e ansiedade.

Gera-se medo também aumentando o estado confusional do cidadão pela várias táticas de desinformação sistemática. Pinçando um exemplo, entre os milhões disponíveis:
1. - "Nunca antes neste país o sistema de saúde esteve tão bem; hoje, a Saúde se aproxima da perfeição."
2. - Realidade constatada diariamente - médicos do serviço público omissos, desmotivados, levados à ineficiência por baixos salários, carência de meios e excesso de atendimentos, hospitais sucateados, desaparelhados, carentes de medicamentos básicos, meses de espera para uma consulta, pacientes morrendo nas filas do SUS...

Entre 1 e 2, qual é mais confortador, mais gostoso de acreditar? E o que nos causa a traição a nosso senso de realidade?
"Lula nunca foi esquerdista" afirma em multiplicadas manchetes uma cavalgadura empresarial, sobre o fundador e presidente honorário do Foro de São Paulo. Cavalgadura, diga-se, cuidadosamente cevada em pingues lucros.
Se o medo é pai dos vícios, a ignorância é deles a avó, por gerar o pai. Mas conhecimento custa tempo, dinheiro, trabalho e esforço - daí o sucesso do 'deixe que eu pense por vc.'
Entendo que o predador, em geral, tem sempre facilitada sua caça por características auxiliadoras da própria presa. Acho que em nosso caso, em relação à armadilha totalitária comuno-petista prestes a se fechar, estes traços suicidas são ignorância e covardia, ambas aceitas por acomodação.

Começo a temer que isto também se aplique às nossas FFAA, redutos de nossas derradeiras esperanças.
Desde já agradeço comentários com sugestões de solução.
M. 
 
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Perigosa demagogia: Parte I por Thomas Sowell em 08 de fevereiro de 2008
 
Resumo: O mundo de John Edwards, como o mundo de Barack Obama, é um mundo de vítimas, de quem alegam ser os salvadores, comprovando que já é tempo de os eleitores exigirem programas políticos sérios, em vez de retórica emocional que coloca a lógica de lado.
 
© 2008 MidiaSemMascara.org  

A maioria das pessoas tem senso comum e senso de decência suficientes para não apoiar horrores, a menos que alguém encontre uma forma de “desligar” seu pensamento e “ligar” suas emoções.
 
Jim Jones fez isso levando centenas de pessoas à morte em Jonestown. Numa escala muito maior, foi assim que Lênin criou um regime assassino na Rússia, foi assim que Hitler fez a mesma coisa na Alemanha e Mao na China. 

Com tudo isso, devemos estar ainda mais conscientes da necessidade de nos mantermos em guarda contra a demagogia, em pleno século XXI, que aqueles que miravam Hitler, boquiabertos de emoção, nos anos 1930, ou miravam outros demagogos, grandes ou pequenos, por todo o mundo durante o turbulento século XX. 

Muitos acham eletrizante que o mantra “mudança” esteja ressoando por todo o país durante este ano eleitoral. Mas façamos o que os políticos esperam que nunca vamos fazer – paremos e pensemos. 

É duvidoso que haja um só homem neste país que esteja 100 por cento satisfeito com tudo que está acontecendo. Em outras palavras, todos apóiam mudanças.
 
A diferença real entre esquerdistas e conservadores está nas coisas específicas que eles desejam mudar, e em que direção deverá ser a mudança.
 
Milton Friedman foi uma liderança do pensamento conservador enquanto viveu, mas ele queria mudar radicalmente o FED (Banco Central Americano), o sistema educacional, o sistema fiscal, dentre outras coisas.
 
Todos apoiamos mudanças. Diferimos nas especificidades. Unir as pessoas em torno do inconseqüente mantra “mudança” significa pedir um cheque em branco em troca de retórica. Esse negócio foi feito várias vezes em muitos lugares – e milhões de pessoas viveram o bastante para se arrependerem amargamente.
 
É muito pedir aos políticos para formularem programas específicos, ao invés de desfilarem entre nós “desligando” nossas mentes e “ligando” nossas emoções por meio de uma retórica inflamada.
 
Os otimistas até esperam por alguma consistência lógica e por fatos concretos.
 
Barack Obama diz que quer “curar os EUA e reparar o mundo”. Fica-se imaginando o que ele proporá para um segundo mandato e se ele descansará no sétimo dia.
 
Que tenham tantas pessoas que são levadas por tal retórica é um enorme perigo, pois isso significa que o destino desta grande nação fica em risco toda vez que aparecer um demagogo competente.
 
Barack Obama diz que quer “curar” o país e, ao mesmo tempo, vende a idéia de que todo tipo de pessoa é uma vítima por quem ele lutará.
 
Promover a divisão enquanto se proclama a unidade é algo que só se poder fazer no mundo da retórica.
 
Contudo, o senador Obama não tem o monopólio da demagogia. O ex-senador John Edwards tem jogado o mesmo jogo por mais tempo, mesmo que não seja com a mesma eficiência.
 
John Edwards construiu sua fortuna nos tribunais, retratando bebês com defeitos congênitos como vítimas dos ginecologistas. O custo de tal demagogia excede, em muito, as dezenas de milhões de dólares que Edwards embolsou para si próprio enganando jurados ingênuos. 
 
Tais processos, baseados em arremedo de ciência (junk science), têm feito subir os custos do sistema de saúde, não somente diretamente, mas mesmo indiretamente, levando a um aumento dos nascimentos por cesariana e outros caros processos de “medicina defensiva” que protege os médicos em vez de proteger os pacientes.
 
O mundo de John Edwards, como o mundo de Barack Obama, é um mundo de vítimas, de quem ele alega ser o salvador.
 
O que é assustador é o pequeno interesse que o público e a mídia têm na história passada dos políticos salvadores e do clamor por uma genérica “mudança”.
 
Os EUA não são a Rússia czarista ou o Irã sob o governo do xá, de forma que as pessoas podem pensar que qualquer mudança seja para melhor. Mas, mesmo em tais países despóticos, as mudanças – para o comunismo e para o regime dos aiatolás – foram para pior.
 
Já é tempo de os eleitores exigirem programas políticos específicos em vez de retórica que “liga” as emoções e “desliga” o pensamento.
 
Publicado por Townhall.com
Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

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