A maioria das pessoas tem senso comum e senso de decência suficientes para não
apoiar horrores, a menos que alguém encontre uma forma de “desligar” seu
pensamento e “ligar” suas emoções.
Jim Jones fez isso levando centenas de pessoas à morte em Jonestown. Numa
escala muito maior, foi assim que Lênin criou um regime assassino na Rússia,
foi assim que Hitler fez a mesma coisa na Alemanha e Mao na China.
Com tudo isso, devemos estar ainda mais conscientes da necessidade de nos
mantermos em guarda contra a demagogia, em pleno século XXI, que aqueles que
miravam Hitler, boquiabertos de emoção, nos anos 1930, ou miravam outros
demagogos, grandes ou pequenos, por todo o mundo durante o turbulento século
XX.
Muitos acham eletrizante que o mantra “mudança” esteja ressoando por todo o
país durante este ano eleitoral. Mas façamos o que os políticos esperam que
nunca vamos fazer – paremos e pensemos.
É duvidoso que haja um só homem neste país que esteja 100 por cento satisfeito
com tudo que está acontecendo. Em outras palavras, todos apóiam mudanças.
A diferença real entre esquerdistas e conservadores está nas coisas
específicas que eles desejam mudar, e em que direção deverá ser a mudança.
Milton Friedman foi uma liderança do pensamento conservador enquanto viveu,
mas ele queria mudar radicalmente o FED (Banco Central Americano), o sistema
educacional, o sistema fiscal, dentre outras coisas.
Todos apoiamos mudanças. Diferimos nas especificidades. Unir as pessoas em
torno do inconseqüente mantra “mudança” significa pedir um cheque em branco em
troca de retórica. Esse negócio foi feito várias vezes em muitos lugares – e
milhões de pessoas viveram o bastante para se arrependerem amargamente.
É muito pedir aos políticos para formularem programas específicos, ao invés de
desfilarem entre nós “desligando” nossas mentes e “ligando” nossas emoções por
meio de uma retórica inflamada.
Os otimistas até esperam por alguma consistência lógica e por fatos concretos.
Barack Obama diz que quer “curar os EUA e reparar o mundo”. Fica-se imaginando
o que ele proporá para um segundo mandato e se ele descansará no sétimo dia.
Que tenham tantas pessoas que são levadas por tal retórica é um enorme perigo,
pois isso significa que o destino desta grande nação fica em risco toda vez
que aparecer um demagogo competente.
Barack Obama diz que quer “curar” o país e, ao mesmo tempo, vende a idéia de
que todo tipo de pessoa é uma vítima por quem ele lutará.
Promover a divisão enquanto se proclama a unidade é algo que só se poder fazer
no mundo da retórica.
Contudo, o senador Obama não tem o monopólio da demagogia. O ex-senador John
Edwards tem jogado o mesmo jogo por mais tempo, mesmo que não seja com a mesma
eficiência.
John Edwards construiu sua fortuna nos tribunais, retratando bebês com
defeitos congênitos como vítimas dos ginecologistas. O custo de tal demagogia
excede, em muito, as dezenas de milhões de dólares que Edwards embolsou para
si próprio enganando jurados ingênuos.
Tais processos, baseados em arremedo de ciência (junk science), têm feito
subir os custos do sistema de saúde, não somente diretamente, mas mesmo
indiretamente, levando a um aumento dos nascimentos por cesariana e outros
caros processos de “medicina defensiva” que protege os médicos em vez de
proteger os pacientes.
O mundo de John Edwards, como o mundo de Barack Obama, é um mundo de vítimas,
de quem ele alega ser o salvador.
O que é assustador é o pequeno interesse que o público e a mídia têm na
história passada dos políticos salvadores e do clamor por uma genérica
“mudança”.
Os EUA não são a Rússia czarista ou o Irã sob o governo do xá, de forma que as
pessoas podem pensar que qualquer mudança seja para melhor. Mas, mesmo em tais
países despóticos, as mudanças – para o comunismo e para o regime dos aiatolás
– foram para pior.
Já é tempo de os eleitores exigirem programas políticos específicos em vez de
retórica que “liga” as emoções e “desliga” o pensamento.
Publicado por Townhall.com
Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo