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(Márcio Del Cístia)

Dezembro 2008               Índice Geral


16/12/08

• "Um deprimente espetáculo" (Gen.Azevedo) & "Cabe uma explicação" (Cel.Flávio)

De: M
Data:
12/16/08
Assunto: "Um deprimente espetáculo" (Gen.Azevedo) & "Cabe uma explicação" (Cel.Flávio)

Abaixo, dois textos por homens de brios, ambos já na reserva, mas ainda - e sempre - Soldados. Leia-os.
Enquanto não militar, agrego meus comentários.

Educar, formar adequadamente o caráter, demanda primeiramente formação pessoal, e mais lucidez, esforço, paciência e sobretudo tempo - como sabem professores e pais inteligentes.

Re-educar, re-alinhar aquilo que cresceu torto, é muito - muito mais - custoso e não raro, inviável.

No caso em pauta, as cenas que nos constrangem e envergonham não se compunham apenas de imberbes elementos fardados. Da mesma forma, civis - adultos - locupletaram-se cinicamente.

Não obstante se faça necessário vincar duramente a responsabilidade individual - 'responder por' tais atos - há aspectos ainda muitíssimo mais graves, lembrados pelo cel. Flávio, no segundo texto abaixo: os resultados já visíveis de ítem da guerra psicológica que os esquerdistas, há décadas e desde as escolas, redações das mídias, por meio de novelas televisivas, infindáveis pronunciamentos de autoridades, sociólogos, cientistas políticos, pseudo-psicólogos e atualmente partindo de todas as instâncias governamentais, deflagam contra nosso ingênuo e desarmado povo.

Especificamente: a insidiosa, deliberada, planejada e sistemática destruição dos valores morais da tradição judáico-cristã que estruturam o éthos em nossa cultura. Para, sobre as ruínas, construírem "um mundo melhor" habitado pelo "novo homem socialista".

Em toda sociedade os valores tendem a se difundir e embeber caracteres sempre por dinâmica decantatória, de cima para baixo. Daí a crucial importância da sanidade ética das elites.

No caso do Brasil, como de inúmeros países latino-americanos, falhas estruturais da organização política - deliberadamente acentuadas por esquerdistas em nossa última Carta Magna - fazem-se vias largas facilitando preferencialmente a ascensão do lixo sub-humano, ou tout court, dos canalhas. Quanto menos escrúpulos, tanto mais rápida a subida.

Disto, os exemplos mais desavergonhados, são os comuno-petistas no Poder, o estofo caracterológico massivamente presente no Congresso e algumas - constrangedoras, degradantes, vergonhosas - participações no STJ.

Curtinho: nossas atuais "elites" - que Deus me perdoe o termo, mesmo entre aspas - são podres.

Ainda pior, ativamente empenhadas - por compulsão ideológica irrefreável - em infectar toda a Nação com sua podridão.

Entendo aí uma sócio-patologia em fase aguda, muito além do alcance sanificador dos fármacos disponíveis nos "democráticos estatutos da lei e da ordem".

O estágio putrefatório é tão generalizado e fundo que se impõe uma cirurgia ablativa: extirpar as primárias causas infectantes, o virótico núcleo comuno-petista.

Entendo bom que ao tratar do caso, as autoridades militares tenham em mente estes fatores prioritários. Aqueles meninos têm que responder pelo que fizeram - mas não apenas eles, vitimizados desde o nascimento por uma ordem causal muito acima de seu entendimento e controle.

Penso que povo consciente, mais Forças Armadas - bem unidos! - poderão compor um excelente bisturi.

M.


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Fonte: Ternuma
UM DEPRIMENTE ESPETÁCULO

Gen Bda R1 Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Ontem, ao assistir à execrável cena protagonizada por militares do Exército que partilhavam entre si as doações enviadas para os flagelados de Santa Catarina, ficamos desolados.

Se nós, militares da Reserva, ainda usássemos a boina, seria o caso de enfiá–la até o queixo e aproveitar a cordinha de ajuste da cabeça para amarrá–la em volta do pescoço. Tal foi a nossa vergonha.

Vexaminosa atitude que denegriu os mais comezinhos princípios. Pelo ralo, foram – se, em minutos, os Valores, e enterrados na falta de Ética, o Pundonor e a Probidade Militar.

Mais do que ao homem – militar, não interessando se Oficial, Sargento, Cabo ou Soldado, deslustrou – se a Instituição.

O dantesco e deplorável ato de um grupo de soldados presenciado pela Nação calou fundo, como uma nódoa de mau - exemplo que maculou a nossa Instituição.

Aparentemente, sem chefia e o mínimo e elementar controle, fiscalização e acompanhamentos exigidos em missões desta natureza, os marginais fardados, que tinham por missão cooperar com as medidas de auxílio para os flagelados pelas enchentes, se aproveitaram do infausto para usufruir vantagens.

Mas qual seria o cerne da Questão? Chefia e Liderança? Talvez. O descaso com os atributos da área afetiva? Quem sabe.

Após minuciosas pesquisas em muitas obras sobre o tema “Chefia e Liderança”, e em várias nuances de suas múltiplas facetas, desde sua Doutrina, Estrutura, Tipo e uma infinidade de outros títulos, de uma forma geral, fixaram – se em nossa mente, que aquelas obras não foram dedicadas aos chefes ou líderes em geral, aos indivíduos de menor expressão, aos militares de menor posto ou graduação, aos meros comandantes de pequenas frações, que na sua ambiência, por menor que seja, devem possuir as qualificações que aureolam a figura do chefe ou do líder.

Aquelas obras, em sua maioria, ressaltam a magnitude e as qualidades de militares de proa do cenário mundial, de gênios militares, como se eles fossem onipresentes e transparentes, e seus comandados, e as tropas, pudessem à sua simples visão ver ou adivinhá-los detentores de uma gama de atributos quase divinos. Na verdade, é provável que sua influência fosse exercida sobre os seus subordinados mais diretos, aos quais caberia repassar, para os demais, as ordens e planos do comandante - geral. Como primeira e derradeira constatação, devemos admitir que apenas a partir de uma sucessiva cadeia vertical de chefes e líderes, encadeando homens capazes de repassar aqueles planos, até o último soldado, poderá, realmente, fazer funcionar com êxito aqueles exércitos.

Assim, o presente foco refere – se em especial ao militar comum, àquele a quem caberá normal ou esporadicamente, o exercício do comando de qualquer fração, por menor que ela venha a ser, uma situação corriqueira no ambiente da caserna, e não ao chefe ou líder maior de uma instituição militar, de um exército ou de uma substancial fração.

Por isso, interessa – nos, abordar, não as qualidades de competência que devam ornar o “líder” ou a “autoridade” em virtude do exercício da chefia, mas os atributos da “Área Afetiva” que devem compor a sua imagem. No caso do militar, constituir o arcabouço pessoal para o desenvolvimento de atributos que pavimentam a aquisição ou o atendimento dos Valores Militares é fundamental.

Todavia, sem aprofundarmos – nos sobre o tema, cabe breve escorço sobre o que foi aventado, considerando o tipo normal de atividade gregária desencadeada pelos militares, comumente envolvendo o esforço conjunto de um grupo de indivíduos, o que naturalmente determinará como imprescindível para o êxito da missão, a formação do binômio “comandante – comandado” ou “chefe – subordinado”, e esta, não é uma percepção unicamente militarista, é consabido pela sociedade, que apesar de todas as teorias igualitárias, os homens sentem a necessidade de se apoiarem em alguém que os oriente.

Sabemos que o grupo, sem alguém que o conduza, constituir - se - á em fonte de anarquia, de desunião e dificilmente chegará a qualquer lugar ou concluirá com êxito qualquer trabalho. Sem chefe, o grupo é corpo sem cabeça, que independentemente da boa vontade de cada integrante, cujo esforço, eventualmente, poderá ser oposto ao de outrem, exaure energias sem necessidade, esforço que poderia ser empregado em benefício do conjunto, bastando que alguém do grupo adotasse a iniciativa de coordenar o empenho comum na direção desejada – atitude que se espera seja adotada pelo chefe militar.

O exercício da chefia é uma prerrogativa de um cargo, desempenhado muitas vezes independentemente da capacidade de seu detentor, dado que o direito de comandar é mandato recebido legalmente. Todavia, é claro que um chefe não cumprirá bem o seu papel, a não ser que desenvolva em si próprio, as qualidades que o transformarão num indivíduo digno do seu título.

No presente caso, em se tratando de influenciar atitudes, de preencher lacunas na formação, de atuar sobre o caráter do subordinado para que ele aceite e professe os referenciais da Instituição, é necessário compreender que, independente da obrigação do chefe ou superior hierárquico de assumir o comando de uma fração para cumprir uma determinada tarefa, para o superior militar, em qualquer contexto, um de seus deveres permanentes é o de repassar para os demais, em especial para os seus subordinados, instruendos e similares, por atos e por ação educativa, as bases para o atendimento dos Valores Militares.

Pelo exposto, podemos concluir que cabe à Instituição analisar com profundidade onde rompeu - se ou deixou de existir o decantado Exercício da Chefia e da Liderança. Das autoridades, Comandante, Oficiais, Sargentos e Cabos? Ou da formação dos soldados, que falha, impediu que um deles, qualquer um, reverberasse e impedisse sua vergonhosa ação? Ou de ambas?

Brasília, DF, 16 de dezembro de 2008
Gen Bda R1 Valmir Fonseca Azevedo Pereira

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Mensagem de Flavio Figueiredo Jorge de Souza - Cel Ex Art Refo

Data: 12/16/08
Para: .....
Assunto: Cabe uma explicação !!!!

Amigos,as,

Também fiquei estarrecido e com o sono perturbado com as cenas de furto do material doado para as vítimas das enchentes de Santa Catarina, principalmente daqueles míseros soldados do Exército apanhados em flagrante.

Hoje pela manhã, ainda tentando compreender aqueles cenas tristes, cheguei à conclusão de que há uma explicação para aquele desvio de conduta.

Peço que acompanhem o meu raciocínio.

Aquela família composta de gente adulta, composta de marido, esposa e filhas, que se dedicavam ao furto das doações, é o retrato da realidade social e cultural do nosso tempo.

A sociedade está em decomposição moral há bastante tempo, a partir dos homens do governo e seus asseclas políticos no Congresso Nacional, todos ligados e sócios de falcatruas, mensalões, desvios de dinheiro. A ramificação da corrupção e decadência moral se estende para as Prefeituras, que usam falsas licitações para desviarem verbas públicas para seus sócios e amigos.

As escolas públicas e particulares são entregues a professores despreparados, o que já representa uma decadência moral.

Bandidos se misturam com as polícias organizando uma sociedade de lucros.

A Justiça, antes a última esperança do povo, está cheia de bandidos, desembargadores ladrões, vendas de sentenças, proteção aos amigos, emprego dos parentes despreparados.

O Presidente da República, analfabeto e mentiroso contumaz, privilegia a bandidagem política, substituindo os Heróis da Pátria pelos terroristas derrotados no campo da batalha.

Os costumes sociais estão sendo, há bastante tempo, destruídos sistematicamente, pelas novelas da TV, principalmente as da Globo, onde se pregam a violência doméstica, a dissolução da família, a hipocrisia.

A sociedade como um todo está em fase de transformação e na direção do "salve-se quem puder".

Mas, e aqueles soldados do Exército ?

Há uma explicação que deve ser, de imediato, difundida para o povo que tomou conhecimento daqueles tristes fatos.

Esses rapazes, pela idade que aparentavam, são soldados que prestam serviço militar obrigatório e foram criados e educados nessas famílias em dissolução e nas escolas em decadência.

São jovens que estão fardados por apenas alguns meses, tempo insuficiente para a assimilação de novos hábitos sociais, novos padrões de conduta, nova moral.

Pelo pouco tempo que têm de farda ( não mais que alguns meses ), compreende-se que ainda, em seus íntimos, trava-se um conflito psicológico entre os valores da educação doméstica em que foram criados e os valores do uniforme que vestem.

Sempre entendi coisas importantes nos 36 anos de vida militar que vivi.

Entre essas,´aparece aquele princípio implantado na nossa formação cultural desde a AMAN. A disciplina que não for consciente não é disciplina.

Isto quer dizer que as regras da caserna devem ser observadas mesmo quando não fiscalizadas.

Mas a natureza humana é muito complexa. E então, por experiência própria advinda das funções de mando que exerci, entendi que:

"" ORDENS DADAS E NÃO FISCALIZADAS SÃO ORDENS NÃO CUMPRIDAS OU MAL CUMPRIDAS ! ".

Quando as autoridades superiores procederem à sindicância sobre aqueles furtos dos soldados, devem obrigatoriamente procurar encontrar o responsável pela fiscalização do trabalho deles.

E PUNÍ-LO EXEMPLARMENTE !!!

Esse erro tem que ser assumido pela estrutura hierárquica !!!!

Flavio Figueiredo Jorge de Souza
Cel Ex Art Refo
[email protected]
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