Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Abril 2008
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14/04/08
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TV e lavagem cerebral - Ipojuca Pontes.
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Sent: Monday, April 14, 2008 1:30 PM
Subject: TV e lavagem cerebral - Ipojuca Pontes.
Sem comentários já que o texto é mais que o
suficiente, mas... prepare o estômago.M.
M
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Segunda-feira, 14 de abril de 2008
TV e lavagem cerebral por Ipojuca Pontes
Resumo: Todo o processo de informar comunista consiste em inverter os fatos
em função do interesse ideológico. Se o fato contraria o interesse e a visão
do partido, pior para o fato: ele será caçado a pauladas e enterrado em cova
profunda.
© 2008 MidiaSemMascara.org
“Não podíamos falar em dossiê”
Luiz Lobo, editor-chefe do “Repórter Brasil”
Um dos meus temas prediletos é o de como os comunistas manipulam a
informação. Ou melhor, de como eles, controlando a mídia, desinformam ou
laboram na indústria da contra-informação. Todo o processo de informar
comunista consiste em inverter os fatos em função do interesse ideológico.
Se o fato contraria o interesse e a visão do partido, pior para o fato: ele
será caçado a pauladas e enterrado em cova profunda. Querem um exemplo de
como a coisa funciona? Pois vejam. Para divulgar as mentiras sistemáticas da
revolução russa, uma verdadeira peça de ficção, os dirigentes bolchevistas
(Trotsky e Lênin, entre eles) inventaram um jornal e a ele deram o nome de “Pravda”,
que traduzido do russo significa “A Verdade”.
(Mesmo depois da derrocada soviética, o “Pravda”, agora sob o cabresto de
Putin, continua mentindo adoidado. Recentemente, numa edição online, o
jornal publicou matéria ilustrada com a foto de um “Buick” estacionado numa
viela de Havana, com a seguinte manchete: “Cuba: terra da liberdade”).
Em artigo que escrevi sobre a bilionária TV Pública do governo, conhecida
como TV Brasil ou ainda “TV de Lula”, ponderei o seguinte: “Estatal ou não,
a principal ameaça da TV Pública reside no fato de que, nela, a informação
transforme-se em mais um instrumento ideológico – subliminar ou não – a
serviço do pensamento único. Não se discute hoje que os objetivos do PT são
de caráter hegemônico, o que vale dizer numa linguagem crítica, totalitário.
Esperar dentro das hostes engajadas do PT uma postura jornalística isenta de
propósitos revolucionários, no manuseio de um veículo de massa como a
televisão, é como esperar que o sol nasça quadrado”.
Em outra oportunidade, anotei: “Mais preocupante do que os ostensivos gastos
do governo com a TV Brasil é a sua utilização como instrumento político
comprometido com as ‘transformações revolucionárias’ preconizadas pelo Foro
de São Paulo, do qual Lula é um dos fundadores ao lado de Fidel Castro. Com
efeito, segundo as atas do Encontro Paralelo de Comunicação organizado pelo
Foro em Porto Alegre, em 1997, ficou definida, como meta dos seus
integrantes, a ‘constituição do controle público dos meios de comunicação e
telecomunicações, uma vez que a questão tem sentido estratégico no
enfrentamento ao neoliberalismo’”.
E, então, finalizava: “Examinada com o mínimo de isenção a programação da TV
Brasil, não será despropositado concluir que ali se cultua o mais notório
terceiro-mundismo, com toda a sua carga de torções, distorções e
preconceitos. E no que tange à prevalência do pluralismo das opiniões, o
direito ao contraditório político-ideológico está mais para peça de ficção,
visto que a representação do pensamento liberal ou conservador nos programas
da emissora inexiste”.
Não deu outra: uma semana depois do que escrevi – de resto, sem contestação
-, o jornalista Luiz Lobo, editor-chefe do “Repórter Brasil”, telejornal da
TV de Lula, foi demitido sumariamente pela censura imposta no Planalto: “Não
podíamos falar em dossiê, mas só em ‘levantamento sobre o uso dos cartões’”,
afirmou Lobo. “A pressão aumentou quando a crise dos cartões corporativos
atingiu a ministra Dilma Roussef” (suspeita, segundo a oposição, de deixar
vazar informações sobre os gastos do ex-presidente FHC e sua mulher, Ruth).
Segundo Luiz Lobo, “Há (na TV Brasil) um cuidado que vai além do
jornalístico” . E avança: “Todo texto sobre Planalto, Presidência, política
e economia tem de passar pelas mãos de Jaqueline Paiva (mulher do também
jornalista Nelson Breve, assessor de imprensa da Presidência da República).
É ela quem edita, faz as cabeças. Existe um poder dentro daquela redação. Eu
era editor-chefe, mas perdi a autonomia até para fazer a escalada
(manchetes). A Jaqueline muda os textos dos repórteres frequentemente. Há
insatisfação entre os jornalistas”.
Para o ex-editor-chefe do “Repórter Brasil”, o espaço dado à oposição na TV
Brasil é um disfarce. Sobre as agruras do seu trabalho em busca da
informação correta, Luiz Lobo diz que travava embates diários na redação de
Brasília. “Nunca gravei uma nota que Jaqueline não revisasse. Não vou dizer
que fui um editor-chefe de faz-de-conta porque lutei muito”.
Tudo isso ocorre no exato momento em que outro dissidente do jornalismo
oficial, Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás – órgão do qual fazia
parte a TVE (hoje, TV Brasil) -, lança em São Paulo “Em Brasília, 19 horas”,
livro sobre a ação do governo na manipulação da mídia oficial. Para Bucci,
um “espírito acadêmico” desencantado com a informação partidarizada, o PT
“troca a política pelo marketing e a comunicação pela propaganda”.
Ao se insubordinar contra a mentalidade ditatorial petista, Bucci, talvez um
ex-petista, denuncia na obra os sete pecados capitais do discurso
“revolucionário” de esquerda, no tocante à informação. São eles: 1) Sonegar
a história e ocultar os fatos que não convêm; 2) Dizer “nós” para impor
obediência e intimidar a divergência; 3) Semear a intriga para fulminar os
que pensam diferente; 4) Promover o uso dos meios de comunicação públicos
para fins do grupo que governa; 5) Banir a reportagem (contra) e demonizar o
jornalismo (livre); 6) Desdenhar do adverso para desqualificá-lo; 7) Acusar
pelas costas, sem provas e sem tolerar o direito de defesa.
Desde a fundação do “Pravda” e muito antes da tomada do poder pelos
comunistas, sabe-se que a informação, para eles, é apenas um instrumento de
lavagem cerebral que tem por objetivo obscurecer a percepção da realidade e
fincar na cabeça das massas a “verdade revolucionária”: editores, redatores,
repórteres, ilustradores, etc., que rezarem piamente pela cartilha, serão
exaltados e promovidos. Os insurgentes serão banidos das redações, cairão em
desgraça ou serão fuzilados. Como ocorreu com Carlos Franqui, editor do
jornal “Revolución”, na Cuba dos Castro.
O autor é cineasta, jornalista, escritor e ex-Secretário Nacional da
Cultura.