Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Março 2007
Índice Geral
18/03/07
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"A arapuca"; "Individualismo,
coletivismo e egoísmo"; "A grande mentira continental"
----- Original Message -----
From: M
Sent: Sunday, March 18, 2007 1:39 PM
Subject: Fw: SITE WWW.PUGGINA.ORG : "A arapuca"; "Individualismo,
coletivismo e egoísmo"; "A grande mentira continental"
Amigo/a,
conheci pessoalmente Puggina, em maio/06, como palestrante no I Seminário
sobre Democracia Liberal, aqui na Av.Paulista. Liberal-conservador
inteligente e combativo, comprovou, ao vivo, os valores pessoais imanentes
em seus inúmeros artigos. Culto, conhecedor, experiente em lides
políticas, é ainda um debatedor formidável - para dolorida tristeza de
comuno-petistas como Olívio Dutra, que até hoje lambe as feridas do último
encontro. ( Madre de Dios! que surra! )
No texto que segue, este gaúcho de Santana do Livramento expõe uma das
táticas mais comuns - e também, das mais desonestas - de cooptação de
militantes pela esquerdopatia: o abuso da ignorância de ingênuos.
Geralmente muito jovens, ainda na fase de revolta adolescente, são ideais
para composição de massa de manobra, grupos de tontinhos, usados pelos
canalhas que os aliciam, como mãos-do-gato para trabalhos sujos ou
perigosos.
Leia.
E se vc tem filhos adolescentes, arquive. Irá precisar.
Provecho.
Abs
M.
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A ARAPUCA
Percival Puggina
Zero Hora, 18 de março de 2007
O debate político costuma se concentrar nas questões ideológicas. É em
torno delas que se dividem as opiniões e se constroem os discursos.
Vocábulos como conservador, reacionário, liberal, comunista, socialista e
suas variações são empregados, simultânea e reciprocamente, para atacar ou
defender pontos de vista. No fundo, porém, seja na mesa do bar, nas salas
de aula, ou nos parlamentos, tudo se resume em esquerda e direita. O que
pretendo aqui é alertar para uma armadilha retórica que a esquerda usa
como pedacinhos de pão para atrair inocentes e incautas pombinhas à sua
gaiola.
Se há um talento nessas facções ele está em sua capacidade de extrair dos
males do mundo o combustível necessário à sedução e mobilização de
ativistas. Nesse sentido, a canhota ideológica funciona como uma refinaria
projetada para transformar insatisfações sociais em energia pura.
Enviaram-me, esses dias, informação sobre um novo livro de Nick Cohen,
lançado em Londres no mês de fevereiro. Na obra, pelo resumo recebido, o
jornalista demonstra que a esquerda, no mundo todo, está se aliando a
movimentos e governos totalitários e fascistas. Encomendei o volume, que
ainda não chegou, mas antecipo que essa específica constatação não
representa novidade alguma desde os tempos de Stalin. Comunismo, nazismo e
fascismo são trigêmeos univitelinos. Quando Porto Alegre acolhia a fogosa
militância dos Fóruns Sociais Mundiais, a cidade era adornada com pixações
que davam vivas a Saddam e ao terrorista Arafat. Alegorias de mão louvando
os ícones dos totalitarismos do século passado dominavam a paisagem nas
ruidosas passeatas que promoviam. E não há silêncio maior do que o da
esquerda em relação aos crimes de Fidel e as pretensões totalitárias de
Chávez. Nada que ambos façam lhe extrai sequer um murmúrio de protesto.
O que leva jovens idealistas a entrarem numa canoa com tantos furos no
casco? A arapuca. Ela consiste em: lº) apontar os problemas que se podem
observar nas sociedades de livre iniciativa, de economia de empresa, de
capitalismo, enfim; e 2º) apresentar como resposta a esses problemas, os
mais consensuais e nobres anseios da humanidade; e 3º) chamar isso de
socialismo ou comunismo. É a ternura sem endurecimento. Nessa retórica,
passa sem qualquer menção o fato de que, após um século de terríveis
experiências, os seus modelos, mesmo acumulando cem milhões de cadáveres e
tendo mantido sob servidão totalitária bilhões de pessoas em sucessivas
gerações, não conseguiram produzir uma democracia, uma economia que se
sustentasse e um só estadista. É o endurecimento sem ternura.
A arapuca, portanto, consiste em comparar coisas desiguais, ou seja, a
experiência real e muito mais bem sucedida das sociedades livres, nas
quais obviamente persistem problemas, com a fantasia do Eldorado descrito
no falatório esquerdista. Via de regra, quem arma essa arapuca é um
manipulador que confia na ingenuidade alheia. No entanto, só se pode
comparar coisas de fato confrontáveis, ou seja, cada doutrina com sua
prática, ou doutrina com doutrina e resultado com resultado. E aí não tem
nem graça.
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O tema deste artigo é a discussão do egocentrismo e
alocentrismo como valores prioritários a pautar um regime político.
Liberais-conservadores pontificam ser o individualismo a base efetiva de
sociedades saudáveis. Esquerdopatas - em minha experiência de
psicoterapeuta, os mais doentios egoístas auto-centrados que já conheci -
postulam que a ênfase deve recair sobre o social, que o estado
todo-poderoso deve intervir coercitivamente para construir um 'novo
homem', que acima de si mesmo valorize o bem grupal.
Em termos de tamanho e natureza, esta é uma das mais gigantescas asneiras
cultivadas - sempre em benefício próprio - pelos esquerdóticos do mundo.
Enquanto espécie, o Homem nasce como ser social no qual o egocentrismo é
fator básico de sobrevivência. Ambas as dimensões - egótica e social - são
inerentes à sua natureza, sendo a interação com o Outro, fator crucial
para a construção de um 'eu' sadio. As possibilidades de desenvolvimento
de postura inicialmente auto-centrada da criança para o alocentrismo dos
sábios e dos santos, dependerão SEMPRE da livre opção individual, como
frutos da ampliação e aprofundamento da consciência de ser-no-mundo,
resultante da experiência metabolizada pela Razão ativa, essencialmente
ética. Não há, e tanto quanto sabemos, jamais haverá força no universo
conhecido que obrigue ao crescimento a partir do exterior. A coerção
inevitavelmente leva ao esmagamento da possibilidade de crescimento, ao
amesquinhamento da individualidade, intelecto e coração. Em outros termos,
produz escravos - o que, aliás, é tudo que interessa aos sociopatas
canhotos, obcecados por poder pessoal.
O alocentrismo tem sua máxima efetividade nos santos, seres excepcionais
que se construiram - a si próprios, enquando indivíduos - consciências tão
amplas que frutificam em amor incondicional por todas as universais
manifestações da Vida. Entretanto, isto resulta de trabalho pessoal,
livremente assumido, sobre o próprio eu. E este trabalho é um esforço tão
imenso, tão exclusivamente focado, que apenas uma uma vontade férrea,
íntima, livremente exercida e auto-centrada, poderia realizar.
Por conhecimento oriundo de própria experiência, o santo sabe disto.
Exatamente por isto, jamais coage ou constrange - como fazem os
esquerdopatas através do totalitarismo autoritário. Didaticamente, ele se
oferece como exemplo e expõe sua Luz, jamais impõe.
A coação impositiva, ao contrário, ao longo da História tem sido
característica de suas antíteses, seres nos quais o predomínio massivo do
egoísmo animalesco, vicioso e doentio, os distingue como corporificações
do Mal Absoluto: Stálin, Lênin, Castro, Hitler, Mao, Pol Pot... E logo,
logo, seus êmulos: Chávez, Lula, Evo...
Acredito ser além de dúvidas que nós, homens comuns, entre a criança e o
santo, necessitamos das balizas comportamentais dadas pelas leis que
garantam os direitos básicos do indivíduo: à vida, à liberdade e à
propriedade. Estas nos propiciam a ambiência segura onde exercer
livremente o arbítrio entre opções de valores e maduramente nos
responsabilizar-nos pelas conseqüências das escolhas, crescendo pelo
acréscimo de experiências. Devagar, toda a espécie vem aprendendo que,
livre e voluntariamente, plantar o Bem nas interações com o Outro resulta
em maior colheita de bem-estar individual. Em outros termos e com muito
mais brilho, tudo isto está implícito no texto de Puggina.
M.
INDIVIDUALISMO, COLETIVISMO E EGOÍSMO
Percival Puggina
Para o individualismo, uma de suas virtudes consiste em extrair do egoísmo
os impulsos do interesse próprio para estimular as atividades econômicas.
Entendem seus pensadores que as necessidades humanas são mais plenamente
atendidas quando todos buscam suas conveniências afanosa e
irrestritamente. Note-se que a experiência o confirma: as pessoas tendem a
se dedicar com muito maior afinco ao que pessoalmente lhes convém.
Para o coletivismo, ao contrário, o interesse próprio precisa ser
eliminado como condição indispensável a que o interesse coletivo
prevaleça. A busca egoística das conveniências individuais, afirmam os
coletivistas, estabelece a prevalência dos mais fortes sobre os mais
débeis com graves danos à justiça e à harmonia social. Também a
experiência mostra ser verdadeiro: na ausência de limites e controles há
um claro prejuízo dos mais fracos.
Como admitir-se que duas noções antagônicas possam estar corretas? Onde
está, afinal, a razão? Ela não está em qualquer das duas (como revelam as
práticas individualistas e coletivistas). O fato de uma e outra fazerem
afirmações pontuais corretas não significa que dêem origem a doutrinas que
também o sejam. Para encontrar-se a verdade é preciso reconhecer que a
pessoa humana é um ser ao mesmo tempo individual e social e que o bem de
uma sociedade e de seus membros não pode ser atendido por uma ordem que
desconheça essa dupla condição. Assim, o Estado não existe para garantir
os espaços do egoísmo nem para extinguir o interesse individual. Nem,
menos ainda, para nos submeter a um coletivo dominante e paralisante
porque os seres humanos não somos abelhas, formigas ou cupins. Temos
razão, vontade e liberdade.
Cabe ao Estado, portanto, atuar no sentido de que o interesse de cada um
sirva ao bem comum, promovendo relações sociais solidárias. Produzir isso
é uma das elevadas funções da atividade política. Retrucava-me alguém,
dias atrás: o ser humano é naturalmente egoísta. E eu complementei: e é,
também, naturalmente comodista, naturalmente hedonista, naturalmente uma
porção de coisas de que não convêm, o que não significa que no confronto
natural entre os vícios e as virtudes se deva deixar dominar por aqueles
em detrimento destas.
É bom saber, por fim, que assim como o individualismo estimula o egoísmo
de cada um, o coletivismo - como a história, amplamente, demonstrou -
organiza esse mesmo egoísmo em modelos políticos totalitários. Noutras
palavras, embora individualismo e coletivismo sejam dois equívocos, o
último resulta infinitamente mais danoso do que o primeiro porque no
conjunto de uma sociedade, as forças resultantes do egoísmo individual, em
muitos casos, por serem opostas, se anulam. Já no coletivismo, elas se
fazem convergentes originando as opressões e o totalitarismo impostos pelo
coletivo dominante.
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Para dar base experiencial às considerações abaixo,
Puggina esteve pessoalmente em Cuba, desvelando em pessoa e in loco a
mendacidade da propaganda castrista. Desta visita resultou um de seus
livros, Cuba - a Tragédia da Utopia, altamente recomendado a quem ainda
tenha dúvidas
M.
A GRANDE MENTIRA CONTINENTAL
Percival Puggina
Revista Voto, edição fevereiro de 2007
Muito se fala sobre os resultados sociais que teriam sido alcançados pelo
regime comunista em Cuba, onde essa específica propaganda é a inteira alma
do negócio. No entanto, quando submetemos a realidade local a qualquer
modalidade de diagnóstico, as evidências apontam em sentido contrário.
Quem for à Ilha, mesmo se desatento à opressora realidade política,
identificará uma face social deprimente. Se ouvir a população, escutará
narrativas constrangedoras sobre seu cotidiano. Por fim, se analisar os
indicadores sociais informados, verá que as coisas não são bem assim. E
note-se: tais indicadores são relatados à ONU pelas próprias autoridades
dos países membros, sendo de escassa confiabilidade os números fornecidos
por regimes que exercem total controle sobre a comunicação e vivem da
propaganda, seja para efeitos internos quanto externos. Esse é, de alto a
baixo, o caso cubano, como era o da extinta União Soviética. Todos a
lembrarão, por certo: enaltecida como potência mundial, elogiada em prosa
e verso, no mundo inteiro, por uma legião de “intelectuais” a serviço da
agitprop comunista, desabou de pobre e podre, levando junto sua tirania.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o indicador aceito para aferir
as condições sociais de um país. Ele foi desenvolvido por um economista
paquistanês e utiliza para sua composição, entre outros, os níveis
alcançados em educação, saúde, esperança de vida e natalidade. Esse índice
foi adotado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que
passou a listar os vários países, periodicamente, segundo a ordem
decrescente dos respectivos IDHs.
Pois bem. Como estão as coisas no relatório de 2006? No topo a Noruega,
com IDH 0,965. Em seqüência, Islândia, Austrália, Irlanda, Suécia e
Canadá, todos acima de 0,950. A relação completa conta 171 países. Cuba,
com IDH 0,826, ocupa a 50ª posição. Isso é bom? Ora, na nossa América do
Sul de tantos problemas sociais, a Argentina, o neoliberal Chile e o
Uruguai estão em posição superior. Na América Central e no Caribe,
Barbados e Costa Rica, também antecedem Cuba na lista de 2006. E o Brasil?
Nosso país, cuja realidade bem conhecemos, está em posição 69ª, a apenas
34 milésimos dos números que o regime de Fidel declara sobre si próprio.
Suponhamos, apenas para argumentar, que os dados cubanos sejam
verdadeiros, embora a observação os contradiga. A comparação com o Brasil
é mais do que suficiente para evidenciar que as tais “admiráveis
conquistas da revolução” são, na verdade, indigentes. E mais indigentes se
tornam se os situarmos num país cujos cidadãos convivem com o sacrifício
de todas as liberdades, submetidos ao tacão de um governo que se apropria
da quase totalidade da renda nacional para distribuir migalhas ao povo. Se
ninguém, em sã consciência, pode enaltecer o desenvolvimento social
brasileiro, quem se pode vangloriar de um IDH apenas 34 milésimos melhor
do que o nosso?
De outra parte, toda essa grande mentira se desmonta pelo simples fato de
não haver pessoa, em todo este populoso planeta, que sonhe com ir viver
como cubano em Cuba, ao passo que todo cubano sonha com fugir de lá.
Por que escrevo sobre isso? Porque uma avalanche de seguidores de Fidel
Castro vem chegando ao poder na América Latina, através do voto, com um
discurso apoiado na propaganda que a esquerda faz das tais “conquistas”.
Será preciso meio século de ditadura para atingir tão pífios resultados?
Há países na região que evidenciam o contrário. “Socialismo o muerte!”
sempre significou tirania e miséria. Os novos governantes de esquerda
eleitos no continente, que se acotovelam em sorridentes fotos, têm em
comum o desejo de estatização da economia, centralização do poder,
controle dos meios de comunicação, subordinação dos parlamentos e do
Judiciário e construção de uma férrea hegemonia política. Todos enchem
suas velas com os ventos da grande mentira que vem do Caribe.