Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Março 2007
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17/03/07
• Valeu a pena - artigo de Christina Fontenelle sobre Franklin Martins
----- Original Message -----
From: M
Sent: Saturday, March 17, 2007 10:36 AM
Subject: VALEU A PENA - artigo
Diante de fatos como abaixo - meramente pontuais dentro do quadro atual em
que ex-sequestradores, assassinos, ladrões de banco, terroristas, se
adonaram do poder estatal e a partir daí, estrangulam a democracia,
tripudiam sobre as leis, cevam a criminalidade e destroem a alma da nação
- vale a pergunta:
- terá nossa ditamole de '64 falhado ao não imitar o genocídio de
opositores com que comunistas usam celebrar sua consolidação no poder?
M
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VALEU
A PENA
Eu não conheço pessoalmente o jornalista Franklin Martins. Tudo que sei sobre
ele é o que sai na mídia e o que na mesma o vejo fazer, dizer e escrever. E é
com base no que leio e vejo que, pelo menos para mim, ele está muito mais para
militante partidário do que para jornalista – o que, em minha opinião, são
ocupações antagônicas, por motivos éticos óbvios. Diga-se de passagem e
faça-se justiça, Franklin não é o único. Não que uma pessoa com formação
jornalística não possa ser um militante de carteirinha. Pode e, se achar que
deve, deve mesmo. O problema é deixar isso bem claro. Como? Há mil e uma
maneiras, mas, um bom começo, é não exercer o cargo de comentarista político
em mídias que dizem estar fazendo jornalismo e não militância. Fazer parte da
assessoria de imprensa de um partido pode, por exemplo. Mas, isso não é nem
revolucionário nem gramsciniano, é?
O pai de FM, Mario Martins, foi jornalista e político – vereador, deputado
federal e senador cassado pelo AI-5. Foi justamente depois do AI-5 que
Franklin, segundo suas próprias palavras, chegou "à conclusão de que não havia
outro caminho senão o de enfrentar a ditadura de armas na mão ". E foi
exatamente o que ele fez. Entre outras coisas, em setembro de 1969, participou
do grupo que seqüestrou o embaixador americano Charles B. Elbrick para forçar
o governo a libertar 15 presos políticos. Foi o próprio Franklin quem redigiu
o manifesto dos seqüestradores , do qual destaco as seguintes partes: 1) "Este
ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários
já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a
revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus
empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e
munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando
se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de
prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e
torturadores "; e 2) "A vida e a morte do Sr. embaixador estão nas mãos da
ditadura. Se ela atender a duas exigências, o Sr. Burke Elbrick será
libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça
revolucionária ".
Como se pode constatar o que os revolucionários queriam era mesmo a revolução
comunista e não a democracia pela qual, falsamente, hoje, dizem ter lutado.
Ditadores, para eles, eram os que combatiam os comunistas. O detalhe é que a
"ditadura" só se instalou porque, antes dela, havia comunistas querendo tomar
o país. Até hoje tem gente que acredita no contrário. Mas, isso não vem ao
caso, agora.
Voltando ao nosso personagem, FM foi para Cuba, para fazer curso de guerrilha
rural. De lá, foi para o Chile de Salvador Allende. Voltou para o Brasil e
trabalhou para o movimento revolucionário na clandestinidade. Em 1974, auto
exilou-se na França (sabem quanto custa isso em dólares? Haja trabalho
clandestino, hein?) onde se diplomou na École des Hautes Études en Sciences
Sociales, da Universidade de Paris. Voltou para o Brasil em 1977 e passou mais
dois anos na clandestinidade até "aparecer" em 1979, quando foi anistiado. Foi
durante esse período de dois anos que conheceu a militante Ivanisa Teitelroit,
uma psicóloga com quem se casou e com quem, posteriormente, teve dois filhos.
De 1979 para cá, trabalhou no jornal Hora do Povo, candidatou-se a deputado
(não foi eleito), foi repórter do "Indicador Rural", redator do Globo e do
Jornal do Brasil. Em 1987, mudou-se para Brasília, onde foi repórter e depois
coordenador político da sucursal do JB. Foi correspondente do JB, em Londres.
Trabalhou também no no SBT e no Estado de São Paulo. De volta ao Globo, foi
repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da
sucursal de Brasília. Escreveu colunas para o Jornal de Brasília e para as
revistas "República" e "Época". Durante oito anos e meio esteve na TV Globo,
na Globonews e na CBN, como comentarista político. Atualmente, Franklin
Martins é comentarista da TV e da Rádio Bandeirantes e assina uma coluna
diária no portal iG.
Ainda na TV Globo, como comentarista político, não conseguiu disfarçar a raiva
e o medo de ter "morrido na praia" (ele e o PT) quando estouraram os
escândalos do mensalão e de todos os outros crimes cometidos pela turma do PT
e pelos vendidos ao partidão. Defendeu até o fim a tese de que "Lula não
sabia", não só do tal mensalão mas também de todo o resto. Não que tenha feito
isso aberta e claramente, mas sempre bateu na tecla de que não havia provas
concretas. Realmente, para quem acha que prova concreta limita-se à confissão
assinada e sacramentada, não havia nenhuma mesmo, apesar da exuberância
esclarecedora dos fatos – contra os quais não havia argumentos antes dos
marxistas tomarem conta de tudo nesse país. Em entrevista à revista Carta
Maior , em 14/06/06, Franklin disse o seguinte sobre essa estórida de se Lula
sabia ou não sabia: "Olha, nesse caso, eu uso o exemplo do pai que pergunta
para a mãe sobre a filha. A mãe responde: "Ela está com o namorado, trancada
no quarto, há horas, e não quer sair". O pai sabe exatamente o que se passa lá
dentro? Não, mas pode supor. Com Lula aconteceu parecido ..."
Na verdade, até bem pouco tempo atrás, FM nunca fez muita questão de disfarçar
a sua, digamos, "simpatia" pelo PT. Depois dos escândalos, teve de se
controlar. Mas, com a consagração da vitória dos revolucionários gramscinianos
sobre a realidade, sobre a justiça e sobre a razão, aos poucos, de emprego
novo e aliviado, o sorriso e a postura de "comentarista" bem relacionado foram
voltando ao corpo de Franklin.
O comentarista trocou as Organizações Roberto Marinho pela Rede Bandeirantes
depois que a Globo não renovou seu contrato. Não passou nenhum dia
desempregado. A Band é proprietária da Rede 21, que passou a se chamar PlayTV
depois que Fábio Luiz da Silva — o Lulinha - filho de Lula — assumiu o
controle de quase toda a programação. Muitos dizem que Franklin deixou a Globo
por causa de um "duelo público" entre o jornalista global e o colega de
profissão Diogo Mainardi, colunista da revista Veja. Mainardi deu notoriedade
ao irmão e à irmã de Franklin, Victor e Maria Paula Martins, ambos,
respectivamente, designados pelo atual governo para a Agência Nacional do
Petróleo e para a diretoria da estatal capixaba que regula o setor do gás, a
Aspe. A mulher de FM, funcionária pública há mais de 20 anos, foi secretária
parlamentar do líder petista Aloizio Mercadante e, depois, passou a trabalhar
numa subsecretaria do Ministério do Planejamento. De acordo com Mainardi, o
sobrenome Martins pesou nas nomeações. De acordo com Franklin, não pesou.
Mas, o pior mesmo, foi a divulgação de uma estorinha que circulava entre
jornalistas. Mainardi diz que possui muitas fontes e que pelo menos 15 delas
poderiam confirmar a estória de que Franklin Martins teria avisado ao
ex-ministro Antônio Palocci de que o caseiro Francenildo teria recebido
dinheiro para fazer a denúncia sobre a presença constante do ministro na "casa
da maracutaia", em Brasília. Quem poderia saber que o caseiro havia recebido
dinheiro senão quem tivesse tido acesso aos dados de sua conta-corrente na
CEF. O fato é que deve ser difícil ser um jornalista imparcial com tantos
parentes trabalhando no governo. Ou não?
Martins chamou Mainardi de golpista por pedir o impeachment de Lula. Num outro
trecho da entrevista que concedeu à revista Carta Maior, disse o seguinte
sobre a comparação entre a situação em que se pediu o impeachment do
ex-presidente Fernando Collor de Melo: " Não existia no governo uma espécie de
comitê central da corrupção, como havia no governo Collor. Cada um foi fazer
sua jogada particular. As divisões internas ao governo impediram que vários
negócios desse tipo prosperassem. Havia sim uma quadrilha, mas não o mensalão,
entendido como pagamento regular a determinados parlamentares. Houve compra de
apoio político de chefes partidários, através de doações clandestinas a gente
como Valdemar da Costa Neto e José Janene, que ficaram com o dinheiro. Para
onde foram esses recursos, eu não sei ". Vejam como são as coisas... Para mim,
é justamente o contrário. Mas, eu não sou "uma conceituada comentarista
política".
O surrealisticamente reeleito presidente Lula está formando seu ministério
para o novo mandato. Vai criar o Ministério da Comunicação Social e, aos
moldes do que já fez o companheiro Hugo Chavez, na Venezuela, vai criar a
super TV Estatal digital. Franklin Martins, pelo que tem sido divulgado, vai
assumir a pasta da Comunicação Social. Se aceitar o cargo, Martins deixa a
BAND para chefiar um ministério com super-poderes e verbas publicitárias que
chegam a 1,5 bilhão de reais por ano. Sob o novo ministério ficarão a
Radiobrás (e a futura rede estatal de televisão (*)); a Secom; a secretaria de
Imprensa da presidência da República e as verbas publicitárias do governo. A
propósito, nosso futuro ministro não poderá colocar os pés nos EUA – por causa
de sua participação no seqüestro do embaixador americano em 1969.
Tem gente que nega. Nega veementemente, peremptoriamente, como gostam de dizer
os petistas. Mas, a imprensa e a mídia de um modo geral (e, é claro, os
profissionais que nela trabalham) ficam numa posição um tanto quanto
desconfortável diante dos mais variados tipo de perseguição que podem sofrer,
não somente os veículos de comunicação mas também quem neles anuncie. Há uma
lista infindável de exemplos na história recente do país. Vou citar o último
deles. Diogo Mainardi está sendo processado por se referir ao nordeste como
"bandas de lá" e por dizer não querer pisar em Cuiabá. Manifestar gosto e
vontade está ficando perigoso e cada vez mais caro – o que quer que se diga
poderá ser interpretado como manifestação preconceituosa passível de punição.
Mas, como sempre, e como não poderia deixar de ser, Reinaldo Azevedo descreve
e analisa muito bem o fato . Eu fecho com seus comentários sobre o assunto.
Franklin Martins finalmente chega ao governo e ao poder, de fato. Tentou fazer
isso através da revolução comunista armada. Não conseguiu. Tentou eleger-se
deputado. Não conseguiu. Agora, a recompensa. Num país onde a realidade e a
verdade vêm sendo sistematicamente ignoradas e subjugadas pela mentira
meticulosa e insistentemente construída a partir de uma revolução gramsciniana
que se desenvolve há mais de 20 anos, não só tem valido a pena esperar como
também pagar o preço. Para quem os fins justificam os meios, aliás, não há o
quê nem pelo quê não se possa pagar. Preço maior tem pago mesmo é a democracia
brasileira, para a qual coisas como essa significam a consumação da derrota.
Christina Fontenelle
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(*) A Rede Nacional de Televisão Estatal deve consumir R$250 milhões de
recursos orçamentários nos próximos quatro anos. O projeto, destinado a
divulgar ações governamentais, entra em choque com propostas em discussão no
Congresso que sugerem a restrição dos gastos com propaganda. "Temo que o
destino dessa rede seja se tornar uma TV Lula. É um despropósito"... "Pela
proposta colocada, o governo quer uma TV de louvação e não de informação",
critica o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) que integra a oposição ao governo e
promete resistir à proposta. "Nem o Congresso nem a sociedade têm instrumentos
para fiscalizar a programação de uma super-rede como essa que o governo
planeja", acrescenta o vice-líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA).