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(Márcio Del Cístia)

Março 2007               Índice Geral


01/03/07

N O J O! - Editorial do Jornal Inconfidência de Fev/2007

----- Original Message -----
From: M
Sent: Thursday, March 01, 2007 8:22 AM
Subject: N O J O! - Editorial do Jornal Inconfidência de Fev/2007

Quem - entre os que enxergam - não se sente assim?
Repugnância, aturdimento, revolta, fúria.
E impotência.
Os que podem, se escondem, fogem. Ou aderem.
A caravana putrefata e putrefaciente cresce apodrecendo mais e mais todas as instâncias da vida nacional.
E nós? Que podemos fazer?
M.

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NOJO!

Em momento de dimensão histórica recente, certa figura da política brasileira disse ostensivamente que tinha “ódio e nojo à ditadura”, numa referência aos mandatos presidenciais exercidos anteriormente por militares, militares aos quais nem os mais ferrenhos opositores tiveram com que atingir-lhes a probidade, o caráter, a honradez e a dignidade cívica.

A figura política aqui lembrada, de triste memória, e lamentável final de vida, chegou a garantir que a Constituição que se promulgava, ensejaria um verdadeiro “porre de democracia" aos brasileiros, batizando-a arrogantemente de Constituição Cidadã.

Quisera o destino, vivo fosse quem proclamou tal nojo e tais ilusões, para vivenciar, aqui e agora — 19 anos depois — a realidade sórdida e obscena que impregna o dia-a-dia dos brasileiros!

Veria como a democracia por ele alardeada, vem sendo estuprada sem pudor pelas esquerdas, entranhando o ódio na alma do brasileiro. Veria como a desfaçatez e o atrevimento zombeteiro dos políticos freqüentam hoje as páginas dos jornais e as telas das TVs, seguros da impunidade e da abulia generalizada que introjetaram na alma do brasileiro. Veria que há uma sensação de “porre” sim, mas não de democracia, mas de nojo, tais a tristeza e a repugnância que estão evidentes em todas as áreas da vida social do país.

Nojo! Da obsessão com que o governo privilegia a busca do prestígio internacional, em detrimento do desenvolvimento nacional e da preservação da nossa unidade, soberania e integridade do nosso território.

Nojo! Da orientação ideológica que está sendo imposta à política externa brasileira, desprezando anos de diplomacia competente, séria e independente.

Nojo! Do silêncio e da complacência dos governantes diante das ameaças externas e das intromissões ousadas e intoleráveis praticadas por presidentes de nações vizinhas.

Nojo! Do deprimente balcão de negócios em que se transformou a política partidária e os métodos despudorados utilizados para a conquista dos objetivos pretendidos.

Nojo! Da voracidade com que o Executivo articula e promove o “Assalto ao Parlamento”, cooptando-o e transformando-o no seu antepasto, haja vista a última eleição para as presidências da Câmara e do Senado.

Nojo! Da aversão do governo à aplicação do “Princípio da Autoridade” e suas conseqüências desastrosas sobre a Segurança Pública em nosso país.

Nojo! Da frouxidão com que o atual governo trata aqueles que agridem acintosamente as leis, os valores democráticos e até o Congresso Nacional.

Nojo! Da simulação cínica da existência de uma vida democrática em nosso país. Na verdade a mais odiosa autocracia de uma classe.

Nojo! Dos enfadonhos programas presidenciais, panacéias que buscam cativar e encabrestar os carentes e necessitados, para deles fazer vassalos.

Nojo! Das eternas e espertas “vítimas” dos governos militares, insaciáveis na sua volúpia pelos dinheiros da nação, em busca das polpudas e vergonhosas indenizações.

Nojo! Dos intelectuais que o apóiam, plantando árvores que não dão frutos, contentes, tão somente, com a pouca e efêmera sombra que possa lhes favorecer.

Nojo! Da passividade bovina das lideranças de oposição, incapazes de identificar metas e aspirações e de mobilizar a nação para seu destino maior.

Nojo! Da prevalência dos critérios ideológicos, sobre aqueles já consagrados pelo Direito, nos julgamentos de questões que interessam à coletividade.

Nojo! Do devotamento ao petismo que domina a categoria dos jornalistas (TVs e grandes jornais), com a conseqüente perda da isenção e da capacidade crítica de análise e de opinião.

Nojo! Do adesismo vergonhoso dos proprietários dos principais veículos de comunicação, hoje passiva e financeiramente cooptados pelo poder central.

Nojo! Da idiotização a que está sendo submetido o povo brasileiro, haja vista o baixo padrão predominante nos programas e novelas das TVs.

Nojo! Do ressentimento doentio que as esquerdas devotam às FFAA, hoje consideradas e tratadas como “meros apêndices", isoladas do seu passado, impedidas de exercerem seu intransferível papel de mantenedoras das tradições e dos valores cívicos nacionais.

Nojo! Da ausência do atributo CORAGEM CÍVICA que está contaminando o modo de pensar, de ser e de agir dos brasileiros.

Nojo! Dos que deveriam permanecer ligados ao mesmo compromisso de honra e institucional, e que abandonaram seus camaradas de outras jornadas à sanha de vinganças revanchistas, esquecidos, por conveniência ou pusilanimidade, da sagrada missão a que foram chamados a cumprir. Os abandonados, ontem heróis, hoje, réus sem defesa!

Nojo! De todos os que, tendo alguma possibilidade de reação ao caos vigente, que impregna o inconsciente nacional, se mostram paralisados, emasculados e covardemente acomodados ao status quo. A espera do que? De quem?

Brasileiros, a pátria está minguando! ACORDEM!


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