Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Maio 2007
Índice Geral
14/05/07
• Foro de São Paulo
----- Original Message -----
From: Márcio
Sent: Monday, May 14, 2007 9:54 AM
Subject: Foro de São Paulo
Amigo/a,
abaixo um texto de Heitor De Paola de há 2 anos, mas atualíssimo.
Dados históricos são analisados com a lucidez de um brilhante psicoterapeuta
que experimentou a realidade anímica dos comunas a partir de dentro da ação.
Considero este um texto basilar. Fôssemos uma nação e não uma horda de
pré-escravos já manietados, e estaria em livros didáticos, afixado em murais
de igrejas e empresas, distribuído para recrutas em quartéis e seria leitura
de cabeceira de oficiais de nossas três armas.
A exposição é clara, a análise feita com a acuidade usual do autor e suas
conclusões eivadas do sólido bom-senso de quem trabalha diariamente com a
realidade sem máscaras.
De Paola não é apenas mais um intelectual, estudioso com ampla formação
histórica, fundos e anchos conhecimentos geopolíticos - mas ainda e
principalmente, um experimentado psicanalista. E isto lhe faculta a rara -
inestimável - capacidade de desenvolver suas análises sócio-políticas por
sobre um subjacente campo de sólido conhecimento da natureza humana.
Tampouco é mais um jornalista. E ainda menos um político à caça de votos. Nada
ganha para escrever-nos. Seus artigos se originam do senso de responsabilidade
maior do indivíduo que se construiu sobre princípios éticos, de um fundo e
desesperado amor a este povo e país que vê serem engolfados numa monstruosa
armadilha criptocomunista. Seus artigos são convites à consciência lúcida, à
responsabilidade cidadã em cada um de nós. Em suma, gritam:
Conheça! Erga-se e lute.
Leia e divulgue quanto possa.
Nossa gente precisa saber.
Abs
M.
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Embora não seja uma organização secreta, a documentação
acerca do FSP jamais teve ampla divulgação, tendo sido inicialmente publicado
apenas na edição doméstica do GRANMA, órgão oficial do Partido Comunista
Cubano. Na edição internacional nada transpirou. Mais tarde, passou a ter
algum tipo de noticiário restrito em poucos jornais de alguns países e, até
numa revista, quase de circulação interna, chamada “América Libre”, dirigida
por Frei Betto, editada na Argentina. Na homepage deste site pode ser
encontrada (www.midiasemmascara.org)
O Foro nasceu em julho de 90, mas foi concebido em janeiro de 89, em reunião
de cúpula do PC de Cuba e PT do Brasil, onde ficou estabelecido que, se Lula
não ganhasse as eleições em novembro de 89, deveria ser formada uma
organização para coordenar toda a esquerda continental, cabendo a Lula a
liderança do processo. O projeto principal era “conquistar,
na AL, uma espécie de contrapartida, do que já se antevia, nessa reunião, ou
seja, o que a URSS iria perder o leste europeu”. Com a vitória de
Collor, foi organizada a primeira reunião da esquerda continental no Hotel
Danúbio em SP. Sua criação, entretanto, foi precedida de algumas visitas
estratégicas a Itaici, sede dos encontros da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB), articuladas por Frei Betto, levando a cúpula do Partido
Comunista Cubano, que viera à fundação do Foro, a uma reunião com o Cardeal
Evaristo Arns, da qual veio a ser enviada carta de simpatia ao ditador Fidel
Castro. Compareceram representantes de 48 partidos comunistas e grupos
terroristas convidados por Marco Aurélio Garcia, a mando de Fidel. Estava
fundado o Foro de São Paulo organização que desde então
coordena toda a esquerda na região. Os co-Presidentes são Fidel Castro e Lula,
e Garcia é o Secretário Executivo e ocupa um dos principais gabinetes vizinhos
a Lula no Palácio do Planalto, de onde controla e coordena todos os grupos
guerrilheiros e terroristas desde o Rio Grande até a Patagônia.
Desde então, o Foro se reúne anualmente. Uma das reuniões mais importantes foi
em 1993 em Havana, onde foram tomas três decisões fundamentais.
Primeiro, decisão incondicional de todas as forças ali reunidas, no sentido de
dar todo o apoio a Cuba, durante o período especial, decorrente da cessação do
auxílio soviético e do Leste Europeu, inclusive com a compra de remédios e
estímulo ao turismo. Segundo, concentração de esforços de todas as
forças do Foro para eleger Lula, tendo em vista a necessidade de uma
base territorial e de um governo de expressão, para dar suporte ao que viria a
ser uma espécie de União ou Federação (nome dado por Chávez), das Repúblicas
Socialistas da AL (URSAL no lugar da URSS) facilitada pela quase unidade
lingüística. O terceiro objetivo seria impedir o desenvolvimento da Nafta,
tratado de livre comércio de iniciativa americana, que iria entrar em vigor no
dia primeiro de janeiro de 94, no México, com provável expansão para outros
países, colocando-se a luta dentro do tema do combate ao “neoliberalismo”, por
todas as formas possíveis.
É dentro desta estratégia que se deve enquadrar o governo petista, finalmente
eleito em 2002. Não como um governo nacional simplesmente mas sim, como
engrenagem de um mecanismo maior com uma estratégia definida de conquista
continental para instalação de uma união de repúblicas socialistas. Como
nenhum governo comunista desde 1917 foi um governo nacional normal mas apenas
parte de um todo orgânico avassalador. A própria política econômica de
submissão ao capital internacional, levada a efeito por um Ministro, Antonio
Palocci - que quando Prefeito de Ribeirão Preto autorizou a instalação do
primeiro escritório de representação das Fuerzas Armadas Revolucionarias de
Colombia (FARC), integrante do Foro – não surpreende nem é indício de guinada
à direita do regime, já que é apenas uma fachada de gradualismo que está
inserida numa estratégia mais ampla, como foi definida pelo ditador
venezuelano Hugo Chávez ao sair em defesa de Lula, vaiado no último Fórum
Social Mundial em 2004 (organização assessória do Foro), explicando com todo
cuidado que, nas atuais circunstâncias, o gradualismo é uma estratégia
necessária dos governantes esquerdistas “para se fazerem aceitar aos
poucos, sem causar rechaço na população”; e que erros de excessiva
velocidade podem ser fatais para o processo revolucionário.
"Na Venezuela, em especial nos primeiros dois anos de governo, as pessoas
cobravam mudanças, queriam mais rápido, mais radical. Considero que não era o
momento, porque há fases nos processos, há ritmos que não têm a ver só com a
situação interna do país, mas com a situação internacional”.
[2]
Esta estratégia precisa ser mantida em segredo e para isto conta com uma mídia
em sua maioria obediente porque ideologicamente cooptada e o restante
manietado por dívidas a órgão oficiais. Chama a atenção que
os grandes meios de comunicação brasileiros, que enviaram dezenas de
jornalistas à última reunião em São Paulo de 1 a 4 de julho p.p., não tenham
publicado informações e comentários sobre esses importantes temas ideológicos
abordados no FSP, que são os mais importantes e fundamentais, havendo
limitado-se a cobrir o relacionado com as denúncias de corrupção. Pois nesta
reunião, Marco Aurélio Garcia [3] destacou a irrupção dos chamados “movimentos
sociais” enquanto “novos atores” do cenário político. Elogiou a
“efervescência” dos mesmos e reconheceu que via como “positivas” as “grandes
desestabilizações” provocadas por esses “novos atores” nos últimos anos, em
países como Bolívia, Equador, Argentina, Uruguai, etc. Declarou com todas as
palavras que “o Estado de Direito não pode transformar-se em uma camisa de
força da democracia” e que, por isso, via as referidas
“desestabilizações” como uma “expansão da democracia”, assim como um
instrumento para “quebrar as hegemonias”. Portanto, se o marco institucional
que dizem respeitar lhes causa problemas ou lhes põe limitações, então os
“movimentos sociais”, que eles mesmos teleguiam, se encarregariam de
ampliá-lo, por bem ou por mal.
Garcia chegou a elogiar movimentos guerrilheiros marxistas da América Central,
dizendo que tinha que “tirar o chapéu” ante os casos da Guatemala, de El
Salvador e da Nicarágua, países nos quais atualmente existiria a democracia
como “resultado de grandes lutas, inclusive armadas”. Como se a meta desses
movimentos guerrilheiros tivesse sido a democracia e não o comunismo e a
primeira tendo surgido como resultado da derrubada do último – como na
Nicarágua – ou do esmagamento das forças rebeldes comunistas – como em El
Salvador e Guatemala.
E também foi sonegada a declaração "Valorizamos a materialização e a
perspectiva da Alternativa Bolivariana para a América que já se pode apreciar
em primeiro lugar nos Convênios entre a Venezuela e Cuba; porém podem também
identificar-se no Convênio Integral de Cooperação entre Argentina e Venezuela,
na aliança estratégica Brasil-Venezuela (...), nos acordos de criação da
TeleSul, PetroSul e o mais recente ainda, firmado pela Venezuela e os países
do Caribe: PetroCaribe (...)".
Esta estratégia global se interpenetra com outra, que será abordada a seguir.
CONEXÕES INTERNACIONAIS
O DIÁLOGO INTERAMERICANO [4]
Em 1982 duas ocorrências levaram pânico aos países ricos: a Guerra das
Malvinas e a crise da dívida externa que apresentava sérios riscos de
default. Aproveitando o caos político e institucional na América Latina
interesses internacionais moveram-se rapidamente buscando manter seu domínio
político e econômico na região. Desse esforço surgiu o que se convencionou
chamar Diálogo Interamericano, sob os auspícios do Centro Woodrow
Wilson, uma espécie de banco de cérebros, com sede em Washington e criado
em 1968 pelo Congresso dos EUA, como “um centro privado de investigação e
documentação política”. O Diálogo Interamericano propunha estabelecer
estruturas supranacionais para atuar no continente, vigiando as atividades
militares e promovendo ações intervencionistas "sempre que necessário". Dez
anos depois, o Diálogo Interamericano anunciou um plano para eliminar, em
curto prazo, a soberania dos estados da América Latina, substituindo suas
funções por uma rede de instituições supranacionais subordinadas aos
interesses de uma Nova Ordem Mundial.
Esse projeto baseava-se no argumento de que "a soberania dos estados
nacionais não poderia constituir-se num escudo atrás do qual governos ou
grupos armados poderiam se esconder". Um dos meios destinados a
fragmentar as nações latino-americanas é o chamado “Movimento pelos
Direitos Indígenas”, grupos que operam em quase todos os países do
continente. Onde não há indígenas nativos, missionários e antropólogos
estrangeiros os constituem ou reconstituem. Esse movimento é financiado,
dirigido e promovido desde o exterior, como uma força dirigida explicitamente
contra os Estados Nacionais.
Foi também questionada a missão dos militares, infensos a aceitar a
transformação de nosso território numa imensa fazenda exportadora de
matérias-primas e de produtos semi-manufaturados e sub-valorizados. Foi
sugerido então que se construísse uma “rede democrática” com poderes
suficientes para opor-se “aos comunistas e aos militares”, colocados,
assim, em pé de igualdade. Daí nasceu a Resolução da OEA sobre o monitoramento
das democracias no continente defendendo a substituição das Forças Armadas da
região por uma Força Interamericana de Defesa, segundo as normas
fixadas pela “Nova Ordem Mundial”: cortes orçamentários, redução de
efetivos, abandono da missão histórica de defender o Estado Nacional,
participação em forças multinacionais, etc. Planejou-se o
desmoronamento dos soldos militares e do seu prestígio, através de uma
sistemática campanha para ligá-los à tortura – processos contra Pinochet,
abolição do pacto de entendimento na Argentina, vultuosas indenizações a
terroristas, assaltantes de banco e guerrilheiros no Brasil e em breve pode-se
esperar algo semelhante no Uruguai sob o novo governo esquerdista.
Este sucateamento e desmoralização das forças armadas, algo tido como
recomendável em países que não possuem inimigos externos, onde para se
alcançar os objetivos revolucionários, mais importante do que possuir um
aparato militar significativo, é controlar um comando de polícia política,
compromissada com os ideais revolucionários e livres de qualquer inibição
moral ou hierárquica. Não será surpreendente se as FFAA forem desmanteladas e
reestruturadas à imagem e semelhança do partido revolucionário, para que a
estrutura corrupta de poder que sempre se forma na pós-revolução possa ser
mantida a custo de extrema violência política [5].
E é exatamente este o ponto de interseção entre os interesses dos
revolucionários comunistas e dos países hegemônicos. Em fevereiro de
1993, reuniram-se na Universidade de Princeton, EUA, Fernando Henrique
Cardoso, vice-presidente e principal representante da entidade na América
Latina e Lula, onde então foi firmado o Pacto que leva o nome da Universidade.
Atualmente FHC é co-presidente do Diálogo, juntamente com Peter Hankim. O
Pacto de Princeton é abrangente mas, para a esquerda orientada por Fidel, era
uma mera forma de obter apoios adicionais, sem afetar a estratégia básica do
Foro, embora este se utilizasse do Pacto com o Diálogo, em tudo quanto lhe era
favorável e cumprisse os diversos pontos, enquanto eram do seu interesse ou da
estratégia estabelecida pelo Foro de São Paulo que poderiam influenciar o
Diálogo, dando-lhe a impressão de uma efetiva disposição de cumprimento da
estratégia comum. O acerto final ocorreu na última semana de julho do mesmo
ano numa reunião de Lula com Fidel Castro em Havana, onde foi firmado um Pacto
de Ação Continental.
Portanto, é pura tolice e um exercício sobre o nada, fazer avaliações
políticas do governo Lula – de resto dos dois governos do PSDB também - como
se fosse um governo nacional normal e não apenas uma peça das mais importantes
de uma estratégia global rumo a uma Nova Ordem Mundial comandada pela ONU e
suas agências, que engloba e supera as outras duas citadas aqui. Mas este já é
outro artigo.
A VERDADEIRA META COMUNISTA: A NOVA CLASSE
Como já ficou claro, ao definir a passagem do Estado Socialista para o futuro
Estado Comunista, Marx ressaltou que a diferença fundamental seria passar de
um Estado em que imperasse a cada um de acordo com seu trabalho, para
outro mais desejável no qual imperaria a cada um segundo suas
necessidades. Enquanto o primeiro inclui necessariamente algum esforço, o
segundo acena com um estado de coisas paradisíaco ou nirvânico no qual todos
terão suas necessidades atendidas.
O que parece uma loucura não é. Este estado já foi atingido pelos próprios
líderes comunistas: nenhum exerceu qualquer trabalho sistemático por muito
tempo. Marx viveu às custas de sua mulher aristocrática e depois, de Engels.
Este nunca precisou trabalhar. Lenin formou-se em Direito mas teve uma única
causa que abandonou para viver às custas da irmã, depois dos exilados, do
Império Alemão e finalmente do Estado. Mao exerceu por pouco tempo o
magistério, Chou Enlai era descendente de riquíssimos mandarins. Fidel só
defendeu a si mesmo e desde então vive às custas do Partido, do roubo e do
Estado. Prestes nunca mais trabalhou desde que desertou de forma desonrosa.
Lula trabalhou muito pouco, passando a viver em casa emprestada, às custas do
Sindicato, do Partido e sabe-se mais de quem (para mais detalhes ver [6]).
A lista é infinita e serve para mostrar que, para os mais iguais entre os
‘iguais’ (apud Orwell) a teoria deu certo! Conseguiram recriar o
estado aristocrático de parasitas tão indolentes quanto inúteis! Constituem o
verdadeiro fim a que se propõe a ideologia e a práxis comunista: a
constituição de uma Nova Classe. Como bem o disse
Milovan Djilas [7]: “Em contraste com as antigas revoluções, a comunista,
feita em nome da extinção das classes, resultou na mais completa autoridade de
uma nova e única classe”. Alegando construir, “um mundo melhor possível”,
uma sociedade nova, ideal, mais justa, “construíram-na para si mesmos do
melhor modo que puderam”. A Nova Classe “se interessa pelo
proletariado e pelos pobres apenas na medida em que eles lhes são necessários
para o aumento da produção (...) o monopólio que, em nome da classe
trabalhadora, se estabelece sobre toda a sociedade, é exercido principalmente
sobre esta mesma classe trabalhadora”. Djilas, que percorreu todo o
caminho de uma carreira comunista, chegando ao Comitê Central iugoslavo,
denunciou já em 1957 que a Nova Classe se apropria de todos os bens pela
nacionalização e estatização, tornando-se uma classe
exploradora.
Mikhail Sergeyevitch Voslensky [8], que também percorreu toda a carreira
dentro da URSS, que usa o termo Nomenklatura para esta nova classe,
complementa mostrando que a propriedade socialista é a propriedade coletiva da
Nomenklatura, pois “sua adesão fingida ao coletivismo obrigou-a a adotar a
forma coletiva de propriedade”. Já Bruno Rizzi [9], citado por Voslensky,
mostrava em 1939, dentro de ponto de vista ainda marxista, que “na
sociedade soviética os exploradores não se apropriam da mais-valia
diretamente, como o faz o capitalista quando embolsa os dividendos de sua
empresa. Fazem-no indiretamente através do Estado,
que embolsa a mais-valia nacional e a distribui, então, aos seus
funcionários”. Estes funcionários constituem a Nomenklatura, em
russo, a lista dos postos mais importantes cujas candidaturas são
sempre por recomendação de algum órgão do Partido. (Será que isto
lembra alguma coisa ao leitor?).
Conclui Voslensky: “A Nomenklatura é uma classe de exploradores e de
privilegiados. Foi o poder que lhe permitiu ascender à riqueza e não a riqueza
que lhes proporcionou o poder. A Política da Nomenklatura consiste em assentar
seu poder ditatorial no plano interno a estendê-lo ao mundo inteiro”.
Esta nova classe, que poderia ser chamada de nova casta, é a herdeira direta
das antigas aristocracias e das monarquias absolutistas, às quais tentam
substituir desde 1789, passando a ter maior sucesso desde 1917. Mas existe um
novo fator que explica a estranha – para alguns – associação entre o grande
capital que financia o movimento pela globalização através de inúmeras ONG’s e
da ONU, com os partidos revolucionários tradicionais cujas metas deveriam ser
divergentes. Mas como ficou claro acima pelo pacto entre FHC e Lula/Fidel (que
se reflete na atual política de apaziguamento da crise de corrupção, liderada
pelo PSDB) existem fatores em comum.
Olavo de Carvalho [10] apresenta a teoria de que “um século de liberdade
econômica e política [foi] suficiente para tornar alguns capitalistas tão
formidavelmente ricos que eles já não querem submeter-se às veleidades do
mercado que os enriqueceu. Querem controlá-lo, e os instrumentos para isso são
três: o domínio do Estado, para a implantação das políticas estatizantes
necessárias à eternização do oligopólio; o estímulo aos movimentos socialistas
e comunistas que invariavelmente favorecem o crescimento do poder estatal; e a
arregimentação de um exército de intelectuais que preparem a opinião pública
para dizer adeus às liberdades burguesas e entrar alegremente num mundo de
repressão onipresente e obsedante (estendendo-se até aos últimos detalhe da
vida privada e da linguagem cotidiana), apresentado como um paraíso adornado
ao mesmo tempo com a abundância do capitalismo e a ‘justiça social’ do
comunismo. Nesse novo mundo, a liberdade econômica indispensável ao
funcionamento do sistema é preservada na estrita medida necessária para que
possa subsidiar a extinção da liberdade nos domínios político, social, moral,
educacional, cultural e religioso”.
Com isso, os megacapitalistas mudam a base mesma do seu poder. Já não se
apóiam na riqueza enquanto tal, mas no controle do processo político-social.
Controle que, libertando-os da exposição aventurosa às flutuações do mercado,
faz deles um poder dinástico durável, uma neo-aristocracia capaz de atravessar
incólume as variações da fortuna e a sucessão das gerações, abrigada no
castelo-forte do Estado e dos organismos internacionais. Já não são
megacapitalistas: são metacapitalistas – a classe
que transcendeu o capitalismo e o transformou no único socialismo que algum
dia existiu ou existirá: o socialismo dos grão-senhores e dos engenheiros
sociais a seu serviço. Essa nova aristocracia não nasce, como a anterior, do
heroísmo militar premiado pelo povo e abençoado pela Igreja. Nasce da
premeditação maquiavélica fundada no interesse próprio e, através de um clero
postiço de intelectuais subsidiados, se abençoa a si mesma.
Resta saber que tipo de sociedade essa aristocracia auto-inventada poderá
criar – e quanto tempo uma estrutura tão obviamente baseada na mentira poderá
durar. (Os três últimos parágrafos são de sua autoria).
NOVA METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DA CRISE ATUAL
Somente entendendo a inserção global dos governos de FHC e de Lula pode-se
fazer uma avaliação mais acurada da crise atual e ainda assim, levando em
consideração os tópicos que levantei sobre como se comportam os comunistas e
seus partidos. Além do já dito, vale mencionar algumas outras regrinhas de
alto valor para quem precisar discutir com comunistas ou entender como o
partido funciona no poder ou fora dele.
Golitsyn [11] advertia que na avaliação de atitudes de governos comunistas
deve-se ter as seguintes precauções:
1- Não acreditar que polêmicas entre comunistas, (acrescento eu: ou entre
eles e partidos afins como o PSDB) impliquem em real divisão entre eles;
2- Avaliar se há de fato razão suficiente para as propaladas disputas (no
caso atual é só aparência. Lembrar que FHC declarou há pouco tempo que
não há diferença ideológica entre PT e PSDB, apenas divergências
políticas que se resumem no fato de que, enquanto o primeiro é marxista, o
segundo é Fabiano [12], mas a finalidade é exatamente a mesma. Se os ataques
do PSDB ao PT ou ao próprio Lula se intensificarem, como se pode supor, isto
significará tão somente o retorno provisório aos métodos menos
dolorosos, mas o rumo continuará o mesmo. O que é preciso é impedir que surja
algum partido ou candidato realmente liberal que acabe com as mamatas
da nova classe);
3- Procurar, por detrás da aparência de desunião, sinais de unidade de
ação (como a operação “abafa” promovida pelo PSDB);
4- Procurar correlações temporais entre a eclosão de polêmicas e as
grandes iniciativas comunistas (p. ex., o surto de ações espetaculares da
Polícia Federal durante a atual crise de corrupção);
5- Considerar sempre a polêmica como parte da operação de desinformação
(considero até mesmo a bombástica ação de Roberto Jefferson muito mais uma
operação de desinformação; haja vista a insistência na “blindagem” do
Presidente Lula).
Acrescento algumas, retiradas da minha experiência pessoal:
6- A causa está acima de tudo, até mesmo dos militantes que podem ser
sacrificados em prol da continuidade do processo. Portanto, não acredito que
José Dirceu “caiu” - é muita ingenuidade acreditar que o “homem forte” do
regime tenha sido o primeiro a cair e com tal facilidade - mas mudou de
posição; mas se for necessário sacrificá-lo em prol da causa, isto será feito,
com a plena aceitação por parte do mesmo;
7- Nunca acreditar em alianças ou tratados com comunistas
– tratados são para serem rompidos - assina-se e depois se joga no lixo;
8- Nunca acreditar que partidos que não tenham o nome comunista como o PT,
não o sejam. Geralmente o nome diferente é pura desinformação. Lembrem que o
PCB – com este nome - não teria ganhado nem mesmo uma prefeitura. Nomes nada
valem – observar os atos, os métodos e as práticas e não os nomes;
9- Nunca acreditar em história, biografias, etc. publicamente
apresentadas, pelo seu valor de face. São todas forjadas e fomentadas pela
massificação doutrinária pela mídia. P. ex., toda a cúpula do PT, e alguns do
PSDB, do PSB e do PPS, é constituída de guerrilheiros, assaltantes de bancos e
terroristas, portanto nada a surpreender na crise atual: a corrupção lhes é
intrínseca;
10- Tenha sempre em mente que os arroubos de democracia e Estado de Direito,
são sempre engodos dos quais se livram assim que puderem;
11- Idem quanto à alegada defesa da “soberania nacional” que tanto encanta
nossos nacionalistas, os quais se surpreendem quando percebem que jamais houve
em toda a história do Brasil governos mais entreguistas do que nos últimos 11
anos. Às vergonhosas e escandalosas privatizações com dinheiro público de FHC
seguiram-se as entregas de grande parte do território nacional do governo Lula
às ONG’s. Com o discurso de um Chico Mendes, atuam como um Henry Ford;
12- Não acreditar, como o fazem alguns sinceros críticos liberais, que a
mentalidade comunista é produto de alguma “doença mental” que os faz acreditar
sinceramente no que fazem com o dinheiro público em prol da causa. Pelo
contrário, sabem muito bem que o que fazem é puro roubo e errado segundo a
moral “burguesa”, mas distorcem esta moral criando uma outra, que cinicamente
denominam “proletária” – à qual nenhum proletário honesto seguiria – que não
passa de justificativa de caso pensado. Não são pobres doentes que precisam de
hospital psiquiátrico; são gatunos que merecem cadeia!
13- Ao avaliar o que é ou não comunista, esquecer os surrados slogans de
ditadura do proletariado, sociedade mais justa, etc. Os atuais objetivos são
outros, todos destinados a liquidar com a civilização ocidental e seus
valores: defesa do aborto, liberação das drogas pesadas, da oficialização das
relações homossexuais – diferente de respeitar os indivíduos homossexuais –
movimento feminista rancoroso, estimular o racismo sob o rótulo oposto através
p. ex. das cotas raciais, etc.;
14- A campanha pelo desarmamento está em perfeita harmonia com o sucateamento
e desmoralização das Forças Armadas para impedir qualquer resistência ao
domínio da nova classe. Este é um exemplo claro da ligação entre os
revolucionários e os metacapitalistas: o maior financiador da campanha em todo
o mundo chama-se George Soros.
15- Finalmente, nunca o que parece ser, é!