Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Maio 2007
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15/05/07
• A Religião Comunista
De: M
Data: 15/05/07 09:30:32
Para:
Assunto: A Religião Comunista
Prezado E.,
li seu excelente ensaio. Gostei, inclusive por aportar dados que desconhecia e
que confirmam meu próprio parecer.
Também penso que esta pseudo-ideologia é um ersatz, deliberadamente pobre e
tóxico, para a humana sede de transcendência.
O paralelo que me ocorre, inclusive em relação à atual explosão de seitas
pentecostais, é o curioso e mortal tropismo das hemácias pelo monóxido de
cabono, mesmo em presença abundante de oxigênio.
Comum às duas linhas, o fanatismo que prescinde de qualquer esforço - ou mesmo
um banal desejo - por efetivo conhecimento das bases conceituais e ainda menos
de testes de realidade, é sinal seguro de bombas anímicas abaixo da
consciência.
O marxismo parece ser o porto dos semi-intelectualizados que já 'superaram as
superstições religiosas características das mentes fracas e se posicionam
corajosamente sobre a racionalidade superior do materialismo científico'.
Enquanto as seitas são opções para os que 'sentem' que a perspectiva
científica é ainda insuficiente, mas suscetíveis à atração da ênfase
valorativa que o pastor pentecostal imprime à necessidade de segurança e
prosperidade material - que às vezes realmente ocorre, sempre sob holofotes
publicitários, para os novos crentes.
Uns e outros permanecem cuidadosamente alheios quanto ao fato de embarcarem
numa mera crença, ainda mais desprovida de confirmação factual que a convicção
infantil da existência de Papai Noel, esta devidamente 'comprovada' pelos
presentes natalinos. Como a criança, tampouco o novo crente se questiona sobre
a real origem dos presentes.
Em ambos os casos apelam para a cegueira protetora auto-induzida - por medo à
realidade.
Ambas as visões-de-mundo oferecem o nirvana da irresponsabilidade uterina:
" Não se canse pensando. Nós fazemos isto por você. Desde que creia e
obedeça."
A crença é um arnês de segurança; nela se pendura o infeliz resistindo à
incontornável exigência de solução dos conflítos pessoais, algo que exige
coragem e o imprescindível esforço pelo crescimento em conhecimento e
consciência de ser-no-mundo.
É uma âncora firme que faculta ao adepto prescindir de questionamentos óbvios:
Que tipo de ser foi Marx?
Quem realmente é o mega-empresário Edir Macedo?
Se Deus - ou a natureza - me dotou de Razão, por que me dizem para não usá-la?
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Enquanto isto os consultórios de psicoterapeutas estão vazios e própria
profissão se encaminha para a extinção. Os horizontes do mundo estão escuros,
amigo, e nós em pleno Armagedon.
Fique com Deus.
Abs
M.