Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Junho 2007
Índice Geral
30/07/07
• O Fedor do Senado
Amigo/a,
aqui entre nós,
nestas atuais condições da mais descarada corrupção - sempre impune! -
arruinando os últimos resquícios da confiabilidade das instituições, em
que as instâncias que deveriam defender a lei e a ordem estão tomadas por
canalhas cínicos e criptocomunas que arrogantemente pisam as leis e
escarram na ética, destruindo até as bases nosso Estado de Direito, em que
uma imensa quadrilha de comuno-petistas livremente instiga o crime e o
caos, preparando uma ditadura com a ajuda de corruptos em todos os campos,
você vê alguma possibilidade - a mais mínima! - de saneamento moral e
retomada da ordem democrática por vias normais?
Óbvio, não é?
Então
REEDITE-SE '64! TANQUES ÀS RUAS JÁ!
Antes que seja demasiado tarde.
M.
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----- Original Message -----
From: M
To: undisclosed-recipients
Sent: Saturday, June 30, 2007 10:48 AM
Subject: Fw: O Fedor do Senado
-------Mensagem original-------
De: a.
Data: 06/30/07 10:00:03
Para:
Assunto: O Fedor do Senado
Kamaradas
Editorial do Estadão, hoje.
O Senado (só o Senado?) está fedendo (quem disse foi um senador).
A.
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ESP – 30 jun 2007
O odor que emana do Senado
Já não tivesse dito na véspera que “o que não pode é o Senado ficar
sangrando e, mais do que isso, fedendo”, o representante de Pernambuco,
Jarbas Vasconcelos, teria motivos de sobra para dizê-lo, em tom ainda mais
enfático, na quinta-feira. Até os mais calejados observadores dos costumes
políticos nacionais hão de ter sentido vergonha pelas novas demonstrações
de cinismo e ignomínia que enxovalharam nesse dia a Casa, sangrando há
cinco semanas em razão das jogadas do seu presidente Renan Calheiros para
enterrar, custe o que custar, as denúncias contra ele. O vexame mais
espetaculoso foi proporcionado pelo senador peemedebista Joaquim Roriz,
que está para o Distrito Federal (DF) - onde exerceu quatro mandatos de
governador - como os velhos coronéis do voto de cabresto e do
assistencialismo estão para os grotões do Brasil arcaico.
No fim da semana passada, com se sabe, a imprensa divulgou trechos de
gravações feitas pela polícia do DF, em 13 de março, nas quais se ouve
Roriz acertando a partilha de uma bolada, no escritório do magnata dos
transportes Constantino de Oliveira, o Nenê, com o ex-presidente do Banco
Regional de Brasília Tarcísio Franklin de Moura. Ele é um dos 19 presos da
Operação Aquarela, por suspeita de desvio de R$ 50 milhões do banco. A
intragável versão de Roriz é a de que pedira a Nenê um empréstimo de R$
300 mil para um negócio com gado, recebeu um cheque de R$ 2,2 milhões,
sacou-o e devolveu o troco. Investigado pelo corregedor do Senado, Romeu
Tuma, e alvo de um pedido do PSOL para que seja processado no Conselho de
Ética, Roriz enfim apareceu para se defender.
O que apresentou da tribuna, em 40 minutos, diante de apenas 13 dos seus
80 pares, foi uma grotesca farsa de um cinismo que chegou a assumir ares
de deboche. Maltratando as palavras, a sintaxe e a lógica, falou de sua
compaixão pelos pobres (“só pensava, dia e noite, em quem passava
necessidade e fome”), se irmanou a Calheiros no papel de vítima da
“imprensa opressora” (“a imprensa, quando quer, massacra”), apregoou o seu
fervor religioso (“prostrado de joelhos, pedi a Nossa Senhora que me desse
forças”), abanou duas folhas de papel como se fossem procurações para a
quebra dos seus sigilos, verteu, como diria Nelson Rodrigues, lágrimas de
esguicho - e não convenceu ninguém. Perto dos 71 anos, Roriz está no pior
dos mundos: se renunciar para não ser cassado, ou se enfrentar o processo
e for cassado, como tudo indica que será, perderá o direito ao foro
privilegiado e poderá a qualquer momento juntar-se aos detentos da
Aquarela. Mas isso é problema dele.
Problema dos senadores, que nesse caso tornarão a ofender a sensibilidade
olfativa de Jarbas Vasconcelos, será a tentação de transformar Roriz em
boi de piranha, para que Calheiros passe impune, com as suas fabulosas
boiadas, as suas ligações promíscuas com o lobista de uma empreiteira - e
a sua recusa em se aperrear com a hemorragia do auto-respeito da
instituição, desencadeada por sua patológica teimosia de se abraçar ao
cargo. O mais recente produto dessa indiferença pelo destino da Casa, que
ele parece disposto a levar consigo aos porões da desonra, foi a torpeza
que fez par com a indecorosa farsa de Roriz. É mais uma história de
submundo político. Tendo o petista Sibá Machado renunciado à presidência
do Conselho de Ética, Renan acionou a sua tropa de choque para indicar,
como sucessor, o também peemedebista Leomar Quintanilha, do Tocantins.
Eis um personagem que se sente bem na atmosfera em que vive a Casa. Ele
figura em dois inquéritos abertos no Supremo, a pedido do Ministério
Público. É acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de
quadrilha. A polícia localizou 14 cheques no total de R$ 283 mil em favor
de um irmão e de um assessor de Quintanilha, emitidos por uma empreiteira
beneficiada por emendas ao Orçamento de sua autoria. Para se eleger no
Conselho com votos da oposição, anunciou que seu candidato para a
relatoria, igualmente vaga, era o capixaba Renato Casagrande, do PSB,
favorável ao aprofundamento das investigações sobre Renan. Eleito,
simplesmente deu o dito pelo não dito. “Está passando do limite”,
protestou Casagrande. Qual a novidade? Jarbas Vasconcelos não havia
afirmado que “a situação está ficando insustentável”?