Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Junho 2007
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28/07/07
• Conspiração de iniqüidades - Olavo/DComércio - 25.06.2007
----- Original Message -----
From: M
Sent: Thursday, June 28, 2007 6:55 AM
Subject: Conspiração de iniqüidades - Olavo/DComércio - 25.06.2007
Amigo/a,
existe um aforismo antiquíssimo - provérbio, ditado, máxima - comum a
vários idiomas e povos, vazado em diferentes termos, mas essencialmente
afirmando que 'Não existe mal sem um bem que o anule', ou 'Toda doença
necessariamente coexiste com seu remédio'.
Acredito que a genialidade valente e brigona de Olavo de Carvalho é parte
grande do antídoto que a Vida oferece aos brasileiros sufocados pela
armadilha criptocomunista, já em fase de fechamento.
A aguda lucidez deste homem, seu bom-senso irretorquível, seu incomum
talento para vazá-los em textos cristalinos e a - ainda mais rara! -
coragem de atuar contra-corrente, peitando desabridamente a todo-poderosa
estupidez hegemônica, são doses semanais de antibióticos à disposição de
quem as queira.
Ou de quem ainda as possa querer, em oposição aos que já nem isso
conseguem.
Acho que a diferença, nada sutil, equivale à distância entre a infecção
bacteriana e a virótica.
A primeira cede ao remédio; já a outra...
Considerando o destino que aguarda a Nação na hipótese de prevalência da
segunda, poderíamos adequadamente nomear o agente infeccioso:
o vírus de bruços.
Proveito.
M.
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Não deixem de ouvir hoje, 25 de junho, às 20:00 h. em www.blogtalkradio.com/olavo
o TRUE OUTSPEAK (Sinceridade de fato) Talk show de Olavo de Carvalho.
Conspiração de iniqüidades
Por Olavo de Carvalho, de Washington D.C.
O movimento profundo da História revela-se menos nas manchetes
assustadoras do que em acontecimentos mais discretos que tenham o dom da
tipicidade ilimitadamente reprodutível. Fatos espetaculares podem passar
sem deixar marcas, mas pequenos gestos repetidos milhares de vezes mudam
irreversivelmente os hábitos da psique humana e transformam aos poucos a
exceção em regra, o inesperado em rotina cotidiana, o absurdo em
banalidade usual.
Dois episódios menores da semana põem à mostra os germes do futuro Brasil,
gerado nos escritórios de engenharia comportamental dos autonomeados
governantes do mundo e plantados no solo pátrio pela solicitude devota da
militância esquerdista local.
Primeiro acontecimento: Terça-feira passada, um aluno da Escola Estadual
Darcy Pacheco, em São José do Rio Preto, SP, ateou fogo aos cabelos da
professora Iramar Araújo Sachetini. Sob os risos de toda a classe, só uma
aluna correu para ajudar a professora, impedindo-a de sofrer queimaduras
desfigurantes. A Secretaria Estadual de Educação anunciou que o menino não
será punido, porque seu delito “não foi grave” (sic) e aconselhou seu pai
a não transferi-lo para outro estabelecimento, porque isso poderia trazer
dano à sua carreira escolar. A aluna que socorreu a professora, no
entanto, não tem comparecido às aulas, por medo da represália de seus
colegas. Nenhuma medida para protegê-la foi anunciada pela Secretaria ou
pela diretoria da escola. A professora, humilhada três vezes – agredida
pelo aluno, ridicularizada pela classe e frustrada em seu pedido de
punição para o agressor – está desesperada e não sabe a quem recorrer.
Segundo acontecimento: Os cartazes da campanha Visão Nacional para a
Consciência Cristã, com o título "Homossexualismo" e a frase do Gênesis,
"E Deus fez o homem e a mulher e viu que era bom", foram considerados "homofóbicos"
e retirados da cidade de Campina Grande, na Paraíba, por ordem da juíza
Maria Emília Neiva de Oliveira, da Primeira Vara Cível daquela cidade, a
pedido de entidades ligadas ao movimento gay.
Acontecimentos dessa ordem multiplicam-se diante dos nossos olhos,
mostrando a germinação acelerada dos novos valores e princípios que hão de
imperar sobre a vida brasileira antes de decorrida uma geração. Rastrear
até suas fontes a inspiração ideológica que os determina é enxergar
antecipadamente o Brasil em que viverão, não digo os nossos filhos nem
nossos netos, mas nós mesmos – ou aqueles de nós que tiverem a imprudência
de permanecer no país – nos dias tenebrosos de uma velhice humilhada e
impotente. Cabe lembrar aqui a máxima latina "De te fabula narratur": você
é o personagem desta história. É da sua velhice que estou falando.
Na interpretação desses pequenos acontecimentos vigora um preceito
metodológico que já expliquei mil vezes nas minhas aulas de filosofia
política: o efeito histórico de fatos dessa natureza transcende de muito o
horizonte de consciência dos agentes envolvidos. Para discerni-lo é
preciso remontar a fontes ideológicas às vezes bastante longínquas que
projetaram na tela a linha inteira de uma seqüência de transformações
histórico-culturais na qual aquelas ações em particular se inserem como
elos de uma corrente sem fim.
Por trás dessas duas ações existe a opção por um corpo de princípios
morais (ou mais propriamente imorais) cujo sentido os personagens
envolvidos, decerto, mal têm a condição de compreender. Para o analista
distanciado, é impossível não perceber que esses princípios expressam a
repulsa gnóstica pela ordem da realidade e o sonho revolucionário do
"mundo às avessas". A revolta contra esta ou aquela ordem social em
particular é sempre e invariavelmente nada mais que um pretexto retórico
local para dar curso ao ódio gnóstico contra a realidade enquanto tal em
todas as suas expressões possíveis, das quais a mais óbvia é a ordem dos
valores que preside a toda sociedade normal, isto é, não-revolucionária
(chamo assim a sociedade devotada à manutenção usual do bem comum e não
empenhada na sua própria destruição).
A expressão mais óbvia de toda e qualquer hierarquia social é a
"discriminação": a distinção entre seus membros mais valiosos e menos
valiosos, conforme sua contribuição – real ou suposta – à consolidação ou
destruição da ordem. Uma sociedade sem discriminações é a mesma coisa que
um código penal sem punições. Sociedade é discriminação. As sociedades
diferem apenas pelos critérios de discriminação, que vão desde a separação
racional entre os elementos benéficos e nocivos até às formas mais
extravagantes de exclusão baseadas em temores mitológicos, orgulho racial
demente, preconceitos ideológicos de classe etc. Desde o momento em que
uma cândida humanidade aceitou como coisa óbvia, normal e improblemática a
promessa globalista de erradicar "todas as discriminações", era claro para
todo observador qualificado que a proclamação desse objetivo,
manifestamente impossível, ocultava apenas um plano revolucionário
destinado a mudar os critérios, a instaurar novas formas de discriminação,
necessariamente mais violentas e injustificáveis do que as anteriores.
Vale aí o seguinte preceito de método: se um líder político ou grupo
militante promete o impossível, das duas uma – ou ele é louco, ou está
querendo alguma outra coisa perfeitamente possível que não lhe convém
declarar em voz alta. Nos dois casos a promessa tende a conquistar os
corações e mentes com mais facilidade do que qualquer projeto viável. A
loucura é contagiosa em si; nenhum argumento racional pode contra o
arrebatamento da esperança utópica. No segundo caso, a eficiência da
transmutação maquiavélica mede-se pela multiplicação da força do atrativo
utópico pelo poder formidável da ação camuflada, imune a suspeitas.
O novo critério de discriminação que se está implantando no Brasil pode
ser estudado numa seqüência de documentos que vêm desde a propaganda
gnóstica dos séculos XIII e XIV até as doutrinas da escola de Frankfurt,
do desconstrucionismo, do feminismo radical, do movimento gay, etc. Ao
longo do tempo, a corrente de ódio insano à ordem do real, nascendo em
pequenos grupos de fanáticos religiosos, vai se avolumando e se
transformando numa enorme e complexa estratégia de poder, até o ponto em
que a desordem e a destruição se tornam elas mesmas os princípios
fundantes de uma nova ordem em que todos os meios de ação prática criados
pela razão são subjugados e postos a serviço da absurdidade e do mal. É o
Império do Crime. Os leitores, por favor, resguardem-se de entender essa
expressão como sinônimo apenas de uma ordem social regida por grupos
criminosos. Não se trata do império dos criminosos, mas do império do
crime enquanto tal: uma ordem social na qual tudo aquilo que os milênios
consideraram abominável ou desprezível é entronizado como obrigação máxima
e cláusula pétrea, proibindo e criminalizando tudo o que a humanidade
anterior sempre considerou bom, correto e desejável. O amor familiar é
condenado como camuflagem da violência doméstica e da pedofilia, enquanto
os estupradores e pedófilos autênticos são protegidos como vítimas da
sociedade má. A devoção religiosa é estigmatizada como disfarce de todas
as paixões mais baixas, enquanto estas, na sua versão mesmo a mais crua e
direta, são elevadas à categoria de padrões normativos obrigatórios. Todas
as relações humanas, denunciadas como “véu ideológico” estendido sobre
relações de poder, são trocadas, ao som de fanfarras, pela manifestação
brutal do poder explícito, celebrado como salvador e humanitário. Todo o
universo criado, onde o império relativo do bem mantinha o mal sob
controle, é acusado de ser um imenso engodo, e o império do mal explícito
é aclamado como única e definitiva encarnação da bondade, como reino da
justiça.
No curso da inversão, apela-se ao ressentimento latente de todos os grupos
e indivíduos que, justa ou injustamente, tenham recebido uma cota menor de
benefícios da ordem social vigente. Pelo simples fato de pertencer a um
deles, cada indivíduo se sente agora identificado ao Cristo vingador,
portador do Juízo Final que abrirá as portas ao reino da bem-aventurança
eterna após o castigo dos maus. O fato de que ninguém pertença
exclusivamente nem inteiramente ao grupo dos injustiçados ou ao dos
injustos, mas de que todos participem necessariamente de um e de outro em
graus variados e sob aspectos diversos, é totalmente escamoteado. Fica
proibido mencionar que a mulher oprimida pelo marido é não raro a
opressora da empregada, que o homossexual afetado de coitadice pode ser ao
mesmo tempo um feroz explorador dos pobres, que o trabalhador vítima da
miséria deprimente pode acumular também as funções de espancador da mulher
e dos filhos; e assim por diante. Por um momento, no entusiasmo da
propaganda, todos têm impressão de que se trata de "nós" contra "eles".
Ninguém percebe que, sempre e invariavelmente, sob algum aspecto que
escapa à sua atenção no momento, cada um de “nós” é também “um deles”. Mas
o confronto com essa dura realidade pode ser adiado para depois da festa
revolucionária, quando vier a hora de pagar as contas.
“Summum jus, summa injuria”, diziam os juristas romanos: a justiça
perfeita é a perfeita injustiça. A promessa da justiça universal é uma só
e mesma coisa que o império do crime. Assim como na esfera política todos
que serviram nos primeiros postos das grandes revoluções foram sempre os
primeiros a ser perseguidos e assassinados pela nova ordem que elas
constituíram, assim também os que se presumem beneficiários da
transmutação gnóstica de valores serão destruídos implacavelmente pelo
próprio poder que imaginam ter conquistado.
Na dialética da transmutação há um detalhe retórico digno da maior
atenção: os efeitos reais a ser obtidos jamais podem ser proclamados em
toda a sua crueza. Sua verdadeira índole deve ser ocultada sob pretextos
extraídos do mesmo corpo de valores que se deseja destruir. A desordem
deve ser justificada em nome da ordem, o crime em nome da lei, a
brutalidade em nome dos mais delicados sentimentos. Nos dois exemplos
acima isso fica bem nítido. Atear fogo aos cabelos de uma pessoa é
arriscar desfigurá-la para o resto da vida. Esse resultado teria sido
alcançado se uma aluna em particular, vencendo o temor dos risos gerais,
não socorresse a vítima em tempo. Se as autoridades incumbidas de educar o
agressor proclamam que seu delito "não é grave" e que a carreira normal do
estudante não pode ser afetada pelo detalhe irrisório de haver colocado em
risco a saúde e a vida de outrem, a premissa oculta a que esse argumento
faz apelo é a natural benevolência adulta para com os adolescentes;
benevolência que nasce da mesma estrutura familiar e da mesma ordem
tradicional de valores que através dessa apologia da delinqüência se
pretende precisamente destruir. Os bons sentimentos da própria vítima são
usados como justificativa ex post facto do crime. Evidentemente a
Secretaria da Educação, ao minimizar a gravidade do delito, reforça o coro
de risos da platéia juvenil, ensinando aos gaiatos sádicos que não é feio
rir daquilo que a autoridade revolucionária não acha grave. Por um
momento, o agente da transmutação deve ocultar de si próprio o
maquiavelismo da tática que emprega, pois, se o trouxesse à luz da
consciência, perceberia instantaneamente a monstruosidade criminosa do seu
procedimento, mil vezes mais feio que o do próprio garoto incendiário.
Invertendo a ordem da justiça, punindo com humilhação e discriminação a
professora e a aluna que a socorreu, a Secretaria da Educação
constitui-se, aos olhos do observador realista, em organização criminosa
de altíssima periculosidade, imbuída da tarefa de espalhar entre a
juventude o amor ao crime e o desprezo cínico pelas vítimas.
No caso da sentença dada pela juíza paraibana, está claro que é aplicação
antecipada de uma lei ainda em votação. Descriminalizar umas condutas e
criminalizar outras é a natureza mesma da transmutação revolucionária. A
aprovação dos diplomas legais correspondentes é apenas um formalismo
jurídico que, no curso do processo, pode ser perfeitamente dispensado em
favor da imposição brutal que dá vigor imediato às leis hipotéticas
desejadas pelo grupo militante.
O processo legislativo torna-se assim apenas um adorno legal acrescentado
ao verdadeiro e único poder legiferante, que é a militância organizada,
equipada do único argumento juridicamente válido: a capacidade de
intimidar.
Notem que a frase proibida é uma das primeiras da Bíblia. Mal os cristãos
começam a tomar consciência de uma trama destinada a criminalizar o Livro
Sagrado e, antes que acabem de acordar para o que pode vir a acontecer, já
aconteceu. Antes que você acabe de ler o convite para o duelo, o atacante
já o desventrou com uma punhalada. Não é coincidência nem engano. Propor
uma novidade fingindo querer discuti-la democraticamente, e ao mesmo tempo
já tratar de impô-la na prática como se estivesse universalmente aprovada
– eis o estilo de ação mais antigo e invariável dos movimentos
revolucionários.
O detalhe particularmente cínico do episódio é que a expressão tranqüila,
respeitosa e até solene de desaprovação moral de um costume erótico,
desacompanhada de qualquer insulto ou palavra constrangedora, é
criminalizada como conduta anti-social, ao passo que o ataque direto e
brutal ao sentimento religioso da maioria dos brasileiros, por meio da
chalaça grosseira e da blasfêmia intencional como se viu na passeata gay
em São Paulo, é protegido pela justiça como um direito elevado e nobre. A
grande mídia reforça o assalto à religião, subscrevendo a classificação da
campanha evangélica como “crime de homofobia” sem esperar que a lei o faça
e legitimando como direito civil o ultraje público aos sentimentos
religiosos da multidão e a interrupção proposital de ritos religiosos,
crime previsto e condenado pelo Código Penal no seu artigo 208.
Despreza-se a lei existente, aplica-se a inexistente.
Não imaginem que haja nisso uma absurdidade acidental, um ato falho
freudiano, um ponto fraco na estratégia revolucionária. A incongruência da
situação é calculada meticulosamente para desorientar e paralisar a vítima
ou para induzi-la a reações inadequadas que a coloquem em posição ainda
mais vulnerável. Exemplo disso em escala internacional é a hedionda
campanha antijudaica baseada numa retórica deliberadamente paradoxal:
acusar os judeus de racismo e legitimar o anti-semitismo como reação das
pobres vítimas da prepotência israelense. O judeu ao qual de repente se
imputa o mesmo crime que matou seis milhões de seus patrícios sofre uma
injustiça tão extrema, tão intolerável, que tudo aí o induz à reação
excessiva e inconseqüente, apta a atrair sobre ele as antipatias gerais. A
Anti-Defamation League (ADL) se fez vítima dessa síndrome ao mover uma
campanha alarmista, exagerada e objetivamente injusta contra o filme de
Mel Gibson, A Paixão de Cristo, irritando os fãs do cineasta e arriscando
mesmo romper a aliança judaico-cristã da qual depende a própria
sobrevivência do Estado de Israel. Uma nova campanha, recém-lançada,
acerta muito mais o alvo e mostra que a ADL, refeita da febre anti-Gibson,
aprendeu a identificar melhor as fontes do perigo genuíno (v. http://www.deolhonamidia.org.br/Comentarios/mostraComentario.asp?tID>322&from>Mailing).
Mas os cristãos, pessimamente informados sobre as perseguições que seus
correligionários sofrem no mundo e iludidos pela segurança aparente
oferecida por um governo de falsos crentes, estão totalmente despreparados
para lidar com a armadilha psicológica que a malícia revolucionária
preparou para pegá-los.
O próprio conteúdo dos cartazes mostra a ingenuidade das suas reações.
Eles não se voltam contra a prepotência ditatorial das pretensões gays,
mas contra o homossexualismo em si. Já expliquei, aqui, o erro fatal aí
embutido (v. as partes finais do artigo “Conseqüências mais que
previsíveis”, http://www.olavodecarvalho.org/semana/070604dc.html ). Todo
o uso estratégico do homossexualismo como arma revolucionária baseia-se na
idéia de primeiro nivelar como igualmente respeitáveis a fé religiosa e um
simples desejo de determinado tipo de prazeres sexuais, depois sobrepor
este àquela e por fim esmagar por completo os direitos da consciência
religiosa. Ao responder com uma apologia da heterossexualidade, os
adversários do gayzismo se submetem passivamente ao engodo nivelador,
transformando a discussão inteira em confronto de orientações sexuais e
dando assim ao adversário a vitória no primeiro round. O heterossexualismo,
enquanto tal, não é moralmente superior ao homossexualismo. A quase
totalidade das condutas heterossexuais numa sociedade permissiva é
francamente imoral. O espertalhão que traça a mulher do vizinho é
heterossexual. O professor que abusa de suas alunas é heterossexual. O
patrão que intimida a empregada para levá-la para a cama à força é
heterossexual. O sedutor que promete casamento e foge depois do orgasmo é
heterossexual. E é heterossexual, por definição, o estuprador de mulheres.
Consideraremos todas essas condutas mais toleráveis que a de dois garotos
que se trancam num banheiro de escola para trocar carícias gays? Teremos
perdido totalmente o senso das proporções? O que se deve defender contra a
propaganda gay não é o heterossexualismo em si, mas sim a superioridade
intrínseca da devoção religiosa em comparação a qualquer conduta sexual
que seja. Rebaixar a um mero confronto de orientações sexuais uma questão
infinitamente mais alta, infinitamente mais decisiva para o destino da
humanidade, é cair numa armadilha sórdida, preparada com requintes de
maquiavelismo por engenheiros comportamentais que contavam com essa reação
das vítimas para mais facilmente as poder qualificar como preconceituosas,
machistas e, por definição, culpadas de “homofobia”.
Nos dois casos, estamos diante de uma dose incalculável de malícia, de
perversidade psicológica que raia a sociopatia pura e simples, e isto não
da parte dos militantes vulgares que esbravejam nas ruas, mas da parte de
seus mentores intelectuais e políticos espalhados nos altos escalões do
governo, nas cátedras universitárias, nas diretorias dos órgãos de mídia.
Todo aquele que acha que é possível enfrentar essas coisas mediante
discussões polidas, senão mediante apelos lacrimosos às mesmas autoridades
que dirigem o processo, é mais que tolo, é doente de ingenuísmo covarde e
de estupidez criminosa que fazem da vítima a cúmplice maior do seu próprio
estupro e assassinato. No fim, não se pode dizer que não vigore aí algum
tipo de justiça: aqueles que querem matar matam aquele que pede que alguém
o mate.
As revoluções sociais são uma conspiração de iniqüidades de parte a parte.
Não é raro que as vítimas, trêmulas de medo ante o agressor, se deixem
iludir pela esperança louca de conquistar sua afeição mediante gestos de
subserviência ou de aplacar sua fúria mediante a oferta de propinas.
Também não é raro que, na ânsia de seduzir o agressor, voltem sua ira
contra aquele que o denuncia (isso já me aconteceu tantas vezes que já
perdi a conta).
Se fosse preciso ilustrar a loucura completa dessas reações, bastaria
lembrar o caso recente do empresário Wagner Canhedo, preso pela posse de
um miserável revólver calibre 357 que aqui na América qualquer um pode
comprar na esquina sem licença nenhuma. Canhedo jamais recusou ajuda aos
partidos de esquerda. Eles o perseguem precisamente por isso.
Nos partidos comunistas há uma norma tradicional de senso comum. Se alguém
dá dinheiro ao partido, das duas uma: ou é um “companheiro nosso” ou é
“alguém que quer nos enganar”. Na primeira hipótese, está sob total
controle e isto o partido pode averiguar facilmente; na segunda, o sujeito
entra imediatamente na lista dos inconvenientes a ser eliminados na
primeira oportunidade. Quem quer que espere aplacar revolucionários
mediante oferta de vantagens financeiras é candidato à morte certa e não
de todo imerecida. A injustiça perfeita é tão inexistente quanto a
perfeita justiça