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Janeiro 2007
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30/01/07
• Artigo comentado: Fenaj e Chávez Autor: Sandro Guidalli em 30 de janeiro de 2007
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Fenaj e Chávez
30 janeiro 2007
Editorias - Cultura, Foro de São Paulo, Governo do PT, Media Watch,
Venezuela
por Sandro Guidalli
Desmascarar a Fenaj é tarefa inadiável e fundamental para o respeito aos
milhares de consumidores de jornais e revistas do país, diariamente
ludibriados quanto aos interesses reais dos sindicalistas de duas caras.
O site da Fenaj, a Federação Nacional do Jornalistas, deixa bem explícito:
ela é francamente contra qualquer cerceamento da liberdade de agir dos
profissionais da imprensa, no Brasil e no mundo. Nele, uma banner
encaminha o leitor para uma página especialmente dedicada ao tema. São
freqüentes campanhas em favor da expressão sem limites dos jornalistas ao
lado das tradicionais bandeiras de entidades do gênero, como a luta por
melhores salários e proteção aos jornalistas sindicalizados. Mais
recentemente, a Fenaj está empenhada em evitar o fim da obrigatoriedade do
diploma para o exercício da profissão, assunto em pauta no STF e motivo
para outro artigo.
Não é segredo, porém, que a Fenaj é dominada por sindicalistas
esquerdistas simpáticos ao PT. Não poderia ser diferente, pois é da
natureza dos jornalistas ligados aos movimentos sindicais uma formação
marxistóide da realidade. Aliás, esta formação é a regra e não a exceção
das escolas de comunicação. É absolutamente natural, portanto, que a
direção do órgão veja as delinqüências do PT com olhos amenos e que
reverbere pouco politicamente quando se trata de algo que possa causar
desconforto ao partido em geral.
Dentro destas circunstâncias está a grande incoerência da Fenaj e que
muitas vezes margeia o cinismo. Vigilante defensora dos direitos de
expressão dos jornalistas, a Fenaj torna-se órgão auxiliar do PT e de Lula
quando é necessário omitir seus crimes. Este amparo vai além e significa
também apoiar os aliados do continente.
O caso mais flagrante no momento é o do governo de Hugo Chávez. Disposto a
eliminar paulatinamente a imprensa livre venezuelana, o aspirante a
ditador substituto de Fidel Castro como líder continental vai transformar
seu país num cercado de ovelhinhas em que qualquer crítica independente ao
seu governo será tratata como infidelidade à pátria. O fim próximo das
emissoras privadas coincidirá com a presença asfixiante de Chávez e seus
subordinados em programas de TV e rádio a dar vazão à obsessão
anti-americana e à propaganda comunista.
Este escândalo continental, entretanto, se é timidamente tratado pela
própria imprensa brasileira, é simplesmente ignorado pela Fenaj, zelosa em
não ferir os sentimentos dos aliados que tem no governo. A entidade, pelo
que se sabe, até agora não emitiu uma nota de repúdio à decisão de Chavez,
contrariando sua política de intolerância ao cerceamento do trabalho da
imprensa. Na verdade, esta política tem duas faces. Ela surgirá, com
rigor, quando governos conservadores como o dos Estados Unidos forem
acusados de arranhar a liberdade de imprensa. E sumirá, por completo,
quando o centro das acusações forem governos esquerdistas e
anti-capitalistas, como Cuba e, agora, Venezuela.
Além disso, a Fenaj tem pretensões políticas que, para obter sucesso,
dependem muito do governo Lula. Seus diretores e associados mais atuantes
lutam para a criação de um Conselho de Jornalistas, uma espécie de "OAB da
imprensa", órgão que teria como objetivo justamente o de controlar estes
profissionais criando uma série de normas que visariam enquadrá-los
ideologicamente. Em linha com esta "bandeira", está a desesperada campanha
em favor do diploma. Num país em que o exercício da profissão de
jornalista é absolutamente livre, fica muito mais difícil controlar a
imprensa e muito mais árdua a manutenção dos sindicatos, base sobre a qual
se sustenta a Fenaj. O fim do diploma acabaria com a filiação compulsória
de recém-formados aos sindicatos de jornalistas estaduais. Isso representa
perda de poder pois o oxigênio desta entidade está justamente na
quantidade dos focas-proletários [*].
Desmascarar a Fenaj é, por isso, tarefa inadiável e fundamental para o
respeito aos milhares de consumidores de jornais e revistas do país,
diariamente ludibriados quanto aos interesses reais dos sindicalistas de
duas caras.
Notas:
[*] Foca é o nome que se dá ao jornalista sem experiência mesmo diplomado
e geralmente manipulado pela chefia esquerdista. É capaz de sair às ruas,
se chamado, para gritar slogans contra Bush, por exemplo.