Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Janeiro 2007
Índice Geral
25/01/07
• Chavez é a Chave - ao que parece!!!
----- Original Message -----
From: M
Sent: Thursday, January 25, 2007 12:47 PM
Subject: Chavez é a Chave - ao que parece!!!
Ao que parece, o articulista descobriu a pólvora!!!
Há década e meia Olavo de Carvalho vem alertando a quem queira ouvi-lo
sobre a estratégia 'das duas esquerdas' - uma light e boazinha, outra
truculenta e retrógrada. Há mais de 15 anos repete pelas formas
possíveis seus avisos quanto aos planos comuno-petistas de
assenhorear-se definitivamente do Poder. A validade de suas análises vem
se comprovando diariamente nos acertos de seus vaticínios - os eventos
sócio-políticos que nos nauseiam, as condições atuais de hegemonia
esquerdótica, a absoluta destruição do pensamento de direita, a falácia
das pseudo-oposições, a corrupção das instituições - cada fato - foi
antecipado e divulgado pela lucidez de Olavo. E agora, como então,
parece estar pregando no deserto. Sua voz é sistematicamente abafada
pela imprensa cooptada - nenhuma repercussão.
O sr.de Franco, como de costume em nossa mídia, nunca ouviu menção ao
Foro de São Paulo e, ao que parece, para ele Antonio Gramsci nunca
existiu.
Das obviedades abaixo, uma merece destaque:
"Líderes e partidos que parasitam a democracia não caem por si mesmos.
Devem ser apeados democraticamente do poder em virtude da ação
oposicionista. Sem oposição, Cháves continuará no poder na Venezuela
enquanto quiser ou enquanto viver. Sem oposição no Brasil, Lula ( ou o
lulopetismo ) continuará no poder."
O túmulo do Nelson Rodrigues deve estar desmoronando com seus uivos!
1 - Não há oposição no Brasil.
2 - Sem oposição, Lula, e o PT não serão apeados democraticamente.
3 - DEMOCRATICAMENTE...
Não meia, mas a palavra inteira! Cazzo!
Abs
M.
CHÁVEZ É A CHAVE
FOLHA DE SÃO PAULO - 24.01, 13h31
Por Augusto de Franco
Não se iludam. A Venezuela não tem nada a ver com o Brasil. Isso não
significa que o chavismo não seja uma espécie de chave para entender o
lulismo. É justamente porque as condições desses dois países são
diferentes que Lula não é Chávez: Lula é o Chávez possível nas condições
do Brasil. E Chávez é o Lula possível nas condições da Venezuela. Pois
no que tange à adesão à democracia como valor, ambos estão no mesmo
campo.
O que ocorre hoje na Venezuela é a chave para desvendar a maior ameaça
contemporânea à democracia nos países democráticos: o 'parasitismo
democrático', que consiste em chegar ao governo pelo voto e, em seguida,
usar a democracia contra a democracia, pervertendo a política e
degenerando as instituições para manter no poder por longo tempo um
líder ou um grupo privado, falsificando a rotatividade democrática e
enfreando o processo de democratização da sociedade. Se nossos partidos
de oposição tivessem um mínimo de consciência democrática (e de juízo)
deveriam estar levando a sério esse apoio, ora velado, ora mais
explícito, que o governo corrupto de Lula da Silva concede ao
protoditador instalado em Caracas.
Abstraídas as condições particulares de seus respectivos países, Lula e
Chávez compartilham as mesmas crenças antidemocráticas:
a) democracia é a lei do mais forte; b) democracia
é a vontade da maioria; c) para um governo ser democrático basta ter
sido eleito pela maioria da população; d) quem tem popularidade tem
sempre legitimidade; e) democracia é fazer a vontade do povo; e f) mais
vale um líder identificado com o povo do que instituições construídas e
controladas pelas elites.
Não faltam intelectuais para teorizar sobre isso, ofertando a Chávez (e
a Lula, veremos em breve) as justificativas para as suas pretensões de
se eternizar no poder. Vejam agora o que estão dizendo alguns ridículos
sociólogos e politólogos reunidos em Nairóbi, no Fórum Social Mundial.
Segundo esses acadêmicos – como o norte-americano Immanuel Wallerstein,
o português Boaventura Sousa Santos e o cubano Osvaldo Martinez – a
América Latina está na vanguarda da luta contra o imperialismo. Logo,
como o imperialismo é o grande demônio, qualquer coisa que se faça para
barrar o seu avanço e sobretudo para impedir a volta do neoliberalismo,
será válida em princípio. Qualquer coisa: sobretudo manter Chávez (o
gorila bolivariano) no poder, Evo (aquele índio boliviano de araque) no
poder, Ortega (o corrupto sandinista nicaraguense) no poder, Rafael
Correa (do Equador) no poder, o partido comunista cubano no poder e... –
por que não? – Lula no poder.
No meu último artigo na Folha de São Paulo (04/01/07), alertei para a
evidência de que Lula está urdindo uma maneira de não sair (de fato) do
poder. É o óbvio. O governo corrupto de Lula da Silva e a gangue
política em que se transformou o PT na condução da chamada "corrupção de
Estado" não podem (mesmo que queiram) simplesmente sair do governo
federal e ficar sujeitos a processos pelos muitos crimes que cometeram.
A rigor, se fôssemos um país sério, muitas dessas pessoas deveriam sair
algemadas da Esplanada dos Ministérios, das estatais e para-estatais e
de todos os outros escaninhos governamentais onde foram plantadas ou se
homiziaram ou se acoitaram para delinqüir.
Mas todos sabemos que isso não aconteceu (e não vai acontecer jamais) em
virtude da oposição que temos. É a oposição partidária – sobretudo o
PSDB e o PFL – que mantém Lula no poder, independentemente do que ele
fez, está fazendo ou vier a fazer. Então a pergunta é a seguinte: se
essas "oposições", apesar de tudo o que aconteceu – o aparelhamento e a
corrupção em larga escala, a perversão da política e a degeneração das
instituições, o mensalão e o falso-dossiê – não tomaram nenhuma atitude
para impedir que Lula continuasse atentando contra a democracia para se
delongar no poder (o que conseguiu com o segundo mandato), por que agora
tomariam alguma atitude se Lula quiser continuar trilhando o mesmo
caminho (para conseguir um terceiro mandato)?
Infelizmente não há resposta.
Os tucanos – e me refiro aos melhores deles – estavam antes tão
convencidos de que Lula seria punido pelas urnas (e por isso apostaram
todas as fichas na loteria do calculismo eleitoreiro e deixaram de
cumprir o seu papel democrático de interpelar o presidente), como agora
parecem estar convencidos de que no Brasil não há condições para uma
permanência de Lula após 2010. "- Não – dizem eles – o Brasil não é a
Venezuela..."
Pois é. Não é mesmo. Mas Lula declarou – várias vezes – que Chávez é
legítimo e peca por excesso de democracia, já que convocou eleições e
plebiscitos e venceu todos eles. Ele tem popularidade e tem votos: logo
é legítimo. Essa é a concepção de democracia do homem que nos governa.
Do ponto de vista da democracia, Lula é Chávez: o Chávez possível nas
condições do Brasil.
Ora, quem tem tal concepção de democracia, por que não a aplicaria a si
mesmo? Assim deve pensar Lula: "- Se eu tenho alta
popularidade, se meu governo está bem avaliado pela maioria do povo
brasileiro, por que motivo devo sair do Planalto? Apenas para cumprir
uma regrinha besta elaborada pela democracia deles, a democracia das
elites, a democracia liberal? Não valeria mais a democracia popular que
pela primeira vez está sendo construída aqui, desde Cabral?"
As oposições dirão que tudo isso é pura especulação, que estamos ainda
muito longe do pleito e que o Brasil não é a Venezuela (nem a Bolívia,
nem os outros países latino-americanos que estão sendo vítimas da onda
de parasitismo democrático promovida pelo neopopulismo – ou seja,
segundo eles, o Brasil não estaria vulnerável a essa onda). Fica patente
que as oposições estão tendo, em relação ao problema em tela, a mesma
atitude suicida que tiveram em relação à reeleição de Lula. Deixaram
para fazer oposição no último mês de campanha. Sabemos todos no que deu.
Então aqui vai o argumento, trágico por certo, simplório até, mas
terrivelmente lógico: 1) Lula não sairá do poder (e, em qualquer caso, o
petismo não sairá do poder) se não houver oposição no Brasil. 2) Não há
oposição no Brasil. 3) Logo, Lula (ou o PT) vai continuar no poder.
Não sabemos os meios pelos quais eles – os lulopetistas – vão criar
condições para se delongar no poder. Ou melhor, conhecemos, por
enquanto, apenas um desses meios: neutralizar as oposições,
desfibrá-las, desorganizá-las, enganá-las. E isso eles já conseguiram.
Cadê a oposição? Por que parou de perguntar de onde veio o dinheiro do
mensalão e do falso-dossiê e o que faziam os homens de confiança de Lula
na trama? Como vai o processo desencadeado pela denúncia do Procurador
Geral da República, que apontava a existência de uma 'sofisticada
organização criminosa' baseada no Palácio do Planalto? Quem traiu Lula?
Qual a explicação para os empréstimos do amigo do presidente? E os
cartões corporativos da presidência? E... (temos uma lista de mais ou
menos cem perguntas que, em qualquer país civilizado do mundo, se não
fossem respondidas pelo governo, inviabilizariam a sua continuidade).
Mas as oposições, cumprindo o seu papel de manter o governo, não querem
nem ouvir falar disso.
Líderes e partidos que parasitam a democracia
não caem por si mesmos. Devem ser apeados democraticamente do poder em
virtude da ação oposicionista. Sem oposição, Chávez continuará no poder
na Venezuela enquanto quiser ou enquanto viver. Sem oposição no Brasil,
Lula (ou o lulopetismo) continuará no poder.
Não importa se a Venezuela é diferente do Brasil. Não existem, meus
caros sociólogos e cientistas políticos, condições estruturais objetivas
para a democracia ou para a autocracia. Isso é um mito. O prêmio Nobel
de economia, Amartya Sen matou a charada quando afirmou, em 1999, que a
questão não é a de saber se um dado país está preparado para a
democracia, mas, antes, de partir da idéia de que qualquer país se
prepara através da democracia. A democracia é uma opção. As condições
para a sua ampliação ou redução dependem das escolhas feitas pelos
atores políticos.
Então a última pergunta é a seguinte: a oposição deu uma trégua ao
governo? Por que? E pra que? Vai deixar para fazer oposição somente em
meados de agosto de 2010? Então Lula (direta ou indiretamente, por meio
de um preposto qualquer) continuará no poder depois de 2010. Ponto
final.