Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Janeiro 2007
Índice Geral
04/01/07
• Obsessão perigosa - parte II - T.Sowell
----- Original Message -----
From: M
Sent: Thursday, January 04, 2007 9:39 AM
Subject: Obsessão perigosa - parte II - T.Sowell
Amigo/a,
divulgo sempre com prazer textos de Thomas Sowell. Ele tem - às carradas!
- aquilo que basicamente falta aos esquerdóticos no mundo inteiro: BOM
SENSO.
Esta lucidez, aguda e ancha, característica das grandes inteligências,
atravessa sofismas cínicos como faca quente à manteiga e vai direta ao
cerne da verdade factual. E ainda, capacita-se a transmitir esta verdade
em linguagem clara e simples, acessível mesmo às crianças, desmontando
mentiras já sedimentadas por décadas de martelamento publicitário do
neo-comunismo mundial.
"Lula, apoiado por todos os intelectuais comuno-petistas, lança uma
campanha contra a desigualdade e injustiça social no mundo dos insetos: as
abelhas, zelite burguesa neste reino, detêm egoisticamente todo o mel,
privando criminosamente os excluidos sociais deste bem de todos.
MORTE ÀS ABELHAS!
MEL PARA TODOS!
INSETOS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!"
Sowell nos diz: Deixa de ser ingênuo: veja as intenções por trás dos
discursos. E pense.
Abs
M.
Refrescando a memória:
Sofisma = argumento ou raciocínio concebido para produzir a ilusão de
verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta,
na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e
deliberadamente enganosa.
M.
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Fonte:
MidiaSemMascara.org
Obsessão perigosa – Parte II
por Thomas Sowell em 04 de janeiro de 2007
Resumo: Alguns países têm implementado mudanças que os têm feito passar da
pobreza à prosperidade. Mas eles não fizeram isso com soluções rápidas ou
transferindo perigosamente poderes aos políticos.
© 2007 MidiaSemMascara.org
A obsessão acadêmica e midiática com disparidades econômicas se
internacionalizaram. Recentes estórias noticiosas dão conta de que a maior
parte da “riqueza do mundo” pertence a uma pequena parcela dos habitantes
do planeta.
Voltemos ao início. O que exatamente significa “riqueza do mundo” ?
Você pode verificar sua lista telefônica local, consultar a Internet ou
fazer uma pesquisa genealógica: não há ninguém chamado “Mundo”. Como um
ser não existente pode possuir riqueza?
Seres humanos possuem riqueza. Quando nos livramos do imponente e poético
contra-senso sobre a “riqueza do mundo”, teremos uma chance de
conversarmos sobre a realidade.
Quem são essas minorias da população mundial que possuem a maior parte da
riqueza do mundo?
Elas são a população dos EUA, da Europa ocidental, do Japão e de alguns
poucos países afluentes. Como esses povos particulares chegaram a possuir
mais riqueza que os outros povos?
Eles fizeram tudo no velho estilo. Eles produziram a riqueza que possuem.
Você pode também perguntar porque as abelhas possuem muito mais mel do que
as outras criaturas.
A retórica das pessoas “inteligentes” pode verbalmente coletivizar toda a
riqueza que foi produzida individualmente e, assim, eles se tornam
horrorizados com as “disparidades” que são magicamente transformadas em
“desigualdades” na distribuição da “riqueza do mundo”.
Todo mundo tem igual oportunidade de produzir riqueza? Não, nada perto
disso – nem no mundo em geral, nem dentro de uma mesma sociedade.
Até a geografia pode ser um fator de desigualdade de oportunidades. Como
os esquimós poderiam plantar abacaxis ou os beduínos do deserto poderiam
aprender a pescar?
Como os povos dos Bálcãs poderiam ter uma revolução industrial como a da
Europa ocidental, quando os Bálcãs não tiveram nem a matéria-prima
necessária para uma revolução industrial, nem qualquer meio economicamente
viável para transportar essa matéria-prima de outros lugares?
As deficiências geográficas da África encheriam um livro. O historiador
francês Fernand Braudel disse: “Para se entender a África negra, a
geografia é mais importante que a história”.[1]
O que podemos fazer a respeito dessas disparidades? Entrar com uma ação
contra Deus? O Nono Circuito de Apelação poderia até aceitar tal ação, mas
eles teriam muita pouca chance de ganhar.[2]
Disparidades geográficas são apenas a ponta do iceberg. Incontáveis
culturas evoluíram diferentemente em lugares diferentes e entre povos
diferentes nos mesmos lugares. Ninguém individualmente controlava esse
processo e cada geração começava com uma cultura particular que as
gerações anteriores tinham criado.
Algumas culturas se mostraram mais produtivas economicamente em
determinados lugares e épocas e outras culturas se mostraram mais
produtivas economicamente em outros lugares e épocas.
Em nossa própria época, os efeitos econômicos dessas diferentes culturas
freqüentemente amortecem os efeitos das diferenças materiais, tais como os
recursos naturais.
Os recursos naturais do Uruguai e da Venezuela são muitas vezes maiores
(per capita) que os recursos naturais do Japão e da Suíça. Mas, a renda
per capita do Japão e da Suíça é aproximadamente o dobro da do Uruguai e
muitas vezes maior que a da Venezuela.
Ninguém gosta de ver a pobreza no mundo, onde já existe o know-how
econômico e tecnológico que poderiam propiciar a todos um padrão de vida
decente.
Tudo que você deve fazer é mudar as pessoas. Mas, você já tentou fazer
isso?
A solução mais rápida é transferir riqueza. Mas, mais de meio século de
tentativas de fazer isso por meio da “ajuda estrangeira” resultou em um
triste fracasso e causou até um retrocesso em países do Terceiro Mundo.[3]
Alguns países têm implementado mudanças que os têm feito passar da pobreza
à prosperidade. De fato, países afluentes hoje, viviam, no passado, na
pobreza.
Mas, eles não fizeram isso com soluções rápidas ou transferindo
perigosamente poderes aos políticos.
[1] Ver História Geral da África – Uma Introdução. (N. do T.)
[2] Aqui Sowell está sendo irônico sobre essa corte de apelação, por suas
posições esquerdistas em muitas de suas decisões. Essa corte decidiu em
2002 a inconstitucionalidade do Juramente à Bandeira Americana, o famoso
Pledge of Alliagence, porque tal juramento faz menção a Deus. Esse
juramento diz: Eu prometo lealdade à bandeira dos Estados Unidos da
América, e à República a qual representa, uma Nação sob Deus, indivisível,
com liberdade e justiça para todos. (N. do T.)
[3] Ver A Tragédia da África. (N. do T.)
Leia também Obsessão perigosa – Parte I (abaixo)
Publicado por Townhall.com
Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.
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Fonte: MidiaSemMascara.org
Obsessão perigosa – Parte I
por Thomas Sowell em 29 de dezembro de 2006
Resumo: Toda a conversa arrogante sobre “justiça social” e “igualdade”
significa, na verdade, expandir os poderes dos políticos, pois essas belas
palavras não têm uma definição concreta.
© 2006 MidiaSemMascara.org
A mídia e as universidades estão continuamente obcecadas com “lacunas” ou
“disparidades” de renda. Como um apresentador de programa disse, “não faz
sentido” que um executivo ganhe mais de 50 milhões de dólares por ano.
Noventa e nove por cento de todas as coisas que acontecem no mundo “não fazem
sentido” para muita gente. Você consegue entender como o sistema de
transmissão de um automóvel funciona? Você consegue consertá-lo se ele
estragar?
Você entende como a aspirina tira a dor de cabeça? Como se faz o yogurte?
Há alguns anos, um famoso ensaio chamava nossa atenção para o fato de que
ninguém sabe como fabricar um simples lápis. Isto é, não há um só indivíduo
que saiba como plantar a árvore, minerar a grafite, produzir a borracha e
fabricar a tinta.
Processos econômicos complexos fazem com que todas essas coisas sejam feitas e
coordenadas por uma enorme variedade de pessoas, apenas para que algo tão
simples quanto um lápis seja produzido. Multiplique isso por cem ou por mil
quando se quer produzir um carro ou um computador.
Se você não entende algo simples como o processo de fabricação de um lápis,
por que você ficaria surpreso de não entender a causa de alguém ganhar muito
mais dinheiro do que outros indivíduos?
Além disso, se essa obsessão com disparidades de renda for algo mais do que
ranger de dentes, obviamente alguém há de “fazer alguma coisa” para mudar o
que você não entende.
Usualmente isso significa que o governo – os políticos – deve criar políticas
baseadas na sua ignorância sobre o que está acontecendo. Você pode imaginar
algo mais perigoso do que permitir que políticos decidam sobre o quanto de
dinheiro cada um de nós pode ganhar?
Claro, tal controle político da renda é freqüentemente defendido somente
quando se trata dos “ricos”. Mas, quando o imposto de renda foi imposto, no
princípio do século XX, eles o aplicaram apenas aos “ricos” e num percentual
bem pequeno sobre a renda.
Uma vez arrombada a porteira por esse tipo de poder político, temos visto que
o imposto de renda não só se difundiu muito além dos “ricos”, mas também que
ele tem devorado um percentual muito grande da renda, mesmo da classe média.
Além do mais, o imposto de renda gerou uma burocracia intrusiva, criando tanta
complexidade normativa que milhões de cidadãos comuns recorrem a contadores
para o preenchimento dos formulários – que eles então assinam, confirmando a
correção das informações prestadas, sob pena de perjúrio.
Se você soubesse como fazê-lo, você não contrataria alguém para isso, não é
mesmo?
Incidentalmente, foi preciso uma emenda constitucional para permitir ao
governo federal impor tal imposto de renda. Quem escreveu a Constituição foi
suficientemente sábio para entender o quão perigoso era permitir que o governo
tirasse o dinheiro das pessoas só porque elas o tinham.
Infelizmente, os “progressistas” foram tolos o suficiente, ou invejosos o
suficiente, para particularizar os “ricos” num processo que iria,
inevitavelmente, se espalhar por toda a sociedade e se tornar insaciável em
suas demandas.
Os “progressistas” de hoje querem expandir o controle político sobre a renda
ainda mais. Eles chamam isso de “justiça social”, mas você pode chamá-lo de
Rumpelstiltskin [*] que ele ainda significará que os políticos vão decidir o
quanto cada um de nós deve ter.
É também digno de nota que as pessoas que supostamente ganham quantidades
“obscenas” de dinheiro são usualmente executivos de grandes empresas. Não há a
mesma ira contra astros de Hollywood quando eles faturam muitas vezes mais do
que os executivos.
Isso é preconceito social e ideológico adicionado à inveja e ignorância. É uma
mistura digna de um caldeirão de bruxa, “ideal” para fundamentar uma política
nacional.
Toda a conversa arrogante sobre “justiça social” e “igualdade” significa, na
verdade, expandir os poderes dos políticos, pois essas belas palavras não têm
uma definição concreta. Elas são cheques em branco para criar disparidades em
poder a fim de diminuir as disparidades em renda – e são muito mais perigosas.
Publicado por Townhall.com
Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.
[*] Referência à estória de mesmo nome dos Irmãos Grimm. (N. do T.)
Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de
mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria
econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover
Institute.