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(Márcio Del Cístia)
Janeiro 2007
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nn/01/07
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Obsessão perigosa - parte I - T.Sowell
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From: M
Sent: Thursday, January 04, 2007 9:39 AM
Subject: Obsessão perigosa - parte I - T.Sowell
Fonte: MidiaSemMascara.org
Obsessão perigosa – Parte I
por Thomas Sowell em 29 de dezembro de 2006
Resumo: Toda a conversa arrogante sobre “justiça social” e “igualdade”
significa, na verdade, expandir os poderes dos políticos, pois essas belas
palavras não têm uma definição concreta.
© 2006 MidiaSemMascara.org
A mídia e as universidades estão continuamente obcecadas com “lacunas” ou
“disparidades” de renda. Como um apresentador de programa disse, “não faz
sentido” que um executivo ganhe mais de 50 milhões de dólares por ano.
Noventa e nove por cento de todas as coisas que acontecem no mundo “não fazem
sentido” para muita gente. Você consegue entender como o sistema de
transmissão de um automóvel funciona? Você consegue consertá-lo se ele
estragar?
Você entende como a aspirina tira a dor de cabeça? Como se faz o yogurte?
Há alguns anos, um famoso ensaio chamava nossa atenção para o fato de que
ninguém sabe como fabricar um simples lápis. Isto é, não há um só indivíduo
que saiba como plantar a árvore, minerar a grafite, produzir a borracha e
fabricar a tinta.
Processos econômicos complexos fazem com que todas essas coisas sejam feitas e
coordenadas por uma enorme variedade de pessoas, apenas para que algo tão
simples quanto um lápis seja produzido. Multiplique isso por cem ou por mil
quando se quer produzir um carro ou um computador.
Se você não entende algo simples como o processo de fabricação de um lápis,
por que você ficaria surpreso de não entender a causa de alguém ganhar muito
mais dinheiro do que outros indivíduos?
Além disso, se essa obsessão com disparidades de renda for algo mais do que
ranger de dentes, obviamente alguém há de “fazer alguma coisa” para mudar o
que você não entende.
Usualmente isso significa que o governo – os políticos – deve criar políticas
baseadas na sua ignorância sobre o que está acontecendo. Você pode imaginar
algo mais perigoso do que permitir que políticos decidam sobre o quanto de
dinheiro cada um de nós pode ganhar?
Claro, tal controle político da renda é freqüentemente defendido somente
quando se trata dos “ricos”. Mas, quando o imposto de renda foi imposto, no
princípio do século XX, eles o aplicaram apenas aos “ricos” e num percentual
bem pequeno sobre a renda.
Uma vez arrombada a porteira por esse tipo de poder político, temos visto que
o imposto de renda não só se difundiu muito além dos “ricos”, mas também que
ele tem devorado um percentual muito grande da renda, mesmo da classe média.
Além do mais, o imposto de renda gerou uma burocracia intrusiva, criando tanta
complexidade normativa que milhões de cidadãos comuns recorrem a contadores
para o preenchimento dos formulários – que eles então assinam, confirmando a
correção das informações prestadas, sob pena de perjúrio.
Se você soubesse como fazê-lo, você não contrataria alguém para isso, não é
mesmo?
Incidentalmente, foi preciso uma emenda constitucional para permitir ao
governo federal impor tal imposto de renda. Quem escreveu a Constituição foi
suficientemente sábio para entender o quão perigoso era permitir que o governo
tirasse o dinheiro das pessoas só porque elas o tinham.
Infelizmente, os “progressistas” foram tolos o suficiente, ou invejosos o
suficiente, para particularizar os “ricos” num processo que iria,
inevitavelmente, se espalhar por toda a sociedade e se tornar insaciável em
suas demandas.
Os “progressistas” de hoje querem expandir o controle político sobre a renda
ainda mais. Eles chamam isso de “justiça social”, mas você pode chamá-lo de
Rumpelstiltskin [*] que ele ainda significará que os políticos vão decidir o
quanto cada um de nós deve ter.
É também digno de nota que as pessoas que supostamente ganham quantidades
“obscenas” de dinheiro são usualmente executivos de grandes empresas. Não há a
mesma ira contra astros de Hollywood quando eles faturam muitas vezes mais do
que os executivos.
Isso é preconceito social e ideológico adicionado à inveja e ignorância. É uma
mistura digna de um caldeirão de bruxa, “ideal” para fundamentar uma política
nacional.
Toda a conversa arrogante sobre “justiça social” e “igualdade” significa, na
verdade, expandir os poderes dos políticos, pois essas belas palavras não têm
uma definição concreta. Elas são cheques em branco para criar disparidades em
poder a fim de diminuir as disparidades em renda – e são muito mais perigosas.
Publicado por Townhall.com
Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.
[*] Referência à estória de mesmo nome dos Irmãos Grimm. (N. do T.)
Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de
mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria
econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover
Institute.