Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Fevereiro 2007
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09/02/07
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Apagando o passado - Olavo/JB - 08.02.2007
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From: M
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Sent: Friday, February 09, 2007 2:08
PM
Subject: Apagando o passado - Olavo/JB - 08.02.2007
Uma - entre várias - características ímpares, não imitadas pelos demais
jornalistas, de Olavo de Carvalho é seu desassombro ao botar o dedo no
focinho do tipo e defini-lo:
- Você é um canalha!
Isto nos faz bem às almas, a nós, os sem voz; a nós que diariamente
engolimos, em silêncio impotente e humilhado, a arrogância cínica,
criminal, da esquerdalha entronizada e segura de sua impunidade.
Que Deus proteja e dê longa vida a este nosso amigo.
Boa leitura.
M.
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JB, 8 de fevereiro de 2007
Apagando o passado
Olavo de Carvalho
“Cometeríamos a pior das infidelidades à memória de nossos mortos se
consentíssemos em pagar, pelas boas relações com os militares de hoje, o
preço do esquecimento dos crimes cometidos pela ditadura”, adverte o
ideólogo comunista João Carlos Kfouri Quartim de Moraes.
A recíproca não é verdadeira. Para tornar-se queridinhos da revolução
bolivariana, o general Andrade Nery, o brigadeiro Ferolla e outros
oficiais inflados de ódio anti-americano consentem em jamais estragar a
festa com menções constrangedoras às vítimas do terrorismo. Nos
conclaves esquerdistas de que participam, nas publicações comunistas em
que brilham, eles se derramam em sorrisos e afagos ao esquema
revolucionário continental, o mesmo que ainda ontem se esmerava em matar
soldados brasileiros. E nem uma recordação amarga brota do fundo de suas
almas.
A soberba inflexibilidade de Quartim de Moraes não me surpreende. Ele
está especialmente qualificado para humilhar seus velhos inimigos, de
vez que ele próprio matou um deles. Mandante do assassinato do capitão
americano Charles Chandler - alvo escolhido a esmo como símbolo do
execrado “imperialismo ianque” -, o orgulhoso professor da Unicamp sabe
que, na falta de realizações intelectuais, o homicídio político é uma
glória curricular mais que suficiente pelos atuais critérios do
establishment universitário brasileiro, os mesmos que o embaixador
Roberto Abdenur denuncia como vigentes no Itamaraty.
Mas Quartim não é um caso singular. Nada mais característico dos
apóstolos da igualdade do que a desigual distribuição da dignidade
humana: para os “seus” mortos, honra e glória; para os do outro lado,
esquecimento e desprezo, quando não o tapa na cara, o insulto dos
miseráveis trezentos reais mensais oferecidos pelo governo à família do
sargento Mário Kozel Filho depois de trinta anos de espera e
humilhações.
Para os comunistas, essa desigualdade é natural, justa e de direito
divino. Os cem milhões de vítimas do comunismo são um detalhe irrisório
no majestoso percurso da História. Os trezentos terroristas mortos pela
ditadura brasileira são monumentos imperecíveis na memória dos tempos.
Norman Cohn já assinalava, entre os traços inconfundíveis da mentalidade
revolucionária, a autobeatificação delirante que redime e embeleza a
priori todos os seus crimes enquanto torna os do outro lado eternamente
imperdoáveis.
A mídia chique ajuda a consolidar a diferença, alardeando os pecados da
ditadura e apagando do registro histórico os crimes dos terroristas,
isto quando não os debita também na conta das vítimas, a título de
reações compreensíveis e até meritórias do idealismo juvenil a uma
situação desagradável.
A novidade é a afoiteza obscena com que certos militares brasileiros, em
nome das boas relações com os assassinos de seus colegas de farda, se
curvam docilmente a essa dupla moral, calando o que deveriam berrar
desde cima dos telhados.
***
PS – Errei ao dizer que ninguém na imprensa brasileira escreveu sobre o
livro do rabino David C. Dalin. Hugo Estenssoro publicou uma excelente
resenha na falecida Primeira Leitura.