Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Fevereiro 2007
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07/02/07
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O destino dos homens de farda - Olavo/DComércio - 06.02.2007
----- Original Message -----
From: M
Sent: Wednesday, February 07, 2007 7:50 AM
Subject: O destino dos homens de farda - Olavo/DComércio - 06.02.2007
Perguntas simples:
- alguém ainda acredita que vivemos numa democracia?
- ou que este estado de coisas pode ser mudado 'pelas urnas'?
M.
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Fonte: OlavodeCarvalho.org
O destino dos homens de farda por Olavo de Carvalho
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio (editorial), 6 de fevereiro de 2007
Os militares que, segundo expliquei no meu artigo de segunda-feira, esperam
livrar as Forças Armadas da máquina de difamação esquerdista fazendo delas
colaboradoras voluntárias e servis do movimento revolucionário chavista,
podem tirar o cavalo da chuva. Um dos mais respeitados luminares do
esquerdismo nacional, João Quartim de Moraes, já avisou em entrevista ao
site www.vermelho.org que “perante a memória histórica do povo brasileiro,
cometeríamos a pior das infidelidades à memória de nossos mortos se
consentíssemos em pagar, pelas boas relações com os militares de hoje, o
preço do esquecimento dos crimes cometidos pela ditadura”. A mensagem é
clara: puxem o saco vermelho o quanto queiram, os homens de farda
continuarão sendo chamados de torturadores fascistas, servos do imperialismo
e filhotes da ditadura, ou pelo menos serão obrigados, para demonstrar
fidelidade a seus novos patrões, a designar por esses nomes os seus colegas
de farda que não se mirarem nos exemplos edificantes do coronel Andrade Nery
e do brigadeiro Ferolla, talvez os primeirões na fila à espera de uma
oportunidade de servir sob o comando do general Hugo Chávez na grande guerra
patriótica contra o imperialismo ianque.
Quartim, professor da Unicamp, é o pai espiritual e fundador do tal “Núcleo
de Estudos Marxistas”, ao qual não se pode negar o mérito de ter elevado
essa universidade ao nível acadêmico de uma escolinha do MST. Na ocasião em
que se inventou essa geringonça, desafiei a reitoria da Unicamp a abrir, ao
lado dela, um “Núcleo de Estudos Antimarxistas”, provando as intenções
altamente científicas e supra-ideológicas que a instituição alegava, e que
teria ademais a vantagem de poder estudar os maiores pensadores do século XX
– Edmund Husserl, Karl Jaspers, Max Scheler, Xavier Zubiri, Ludwig von Mises,
Eric Voegelin, Bernard Lonergan, Leszek Kolakowski e outros – em vez de ter
de cingir-se a microcéfalos como Poulantzas, Régis Débray, Caio Prado
Júnior, Che Guevara, Nelson Werneck Sodré, Istvan Meszaros e outros a quem
os comunistas, por fidelidade partidária, consideram o nec plus ultra da
inteligência humana, mesmo porque jamais estudaram nada além desses autores
(mentira: na USP e talvez até na própria Unicamp os carinhas são tão cultos
que até leram na íntegra as vinte páginas de “A política como vocação” de
Max Weber, citando-as regularmente em solenidades acadêmicas, discursos
presidenciais e festinhas de aniversário). A Unicamp, na época, tratou a
minha sugestão com o maior desprezo, mostrando que não aceita provocações
direitistas nem muito menos quer discussões de espécie alguma, exceto entre
pessoas de comprovada filiação marxista. Não pude deixar de cumprimentá-la
por essa demonstração de pureza ideológica, que confere a seus professores a
honra insigne de continuar parecendo cultíssimos na ausência de qualquer
desafio intelectual mais ameaçador.
O prof. Quartim, por exemplo, é bastante espertinho, o que constitui nos
círculos marxistas o equivalente superior da inteligência humana. Ao afirmar
que, “nos países sul-americanos submetidos ao terrorismo de Estado, só no
Brasil os torturadores não somente permanecem totalmente impunes, mas também
continuam a receber elogios”, ele teve o cuidado de se referir somente à
América do Sul e não à America Latina em geral, o que o colocaria na
dolorosa contingência de ter de abrir exceção para Cuba, recordista
continental absoluta de torturadores e terroristas de Estado per capita,
todos eles – exceto os falecidos -- ainda em seus postos e carregados de
honrarias.
O prof. Quartim é um exemplo da idoneidade intelectual das elites mandantes
comunistas sob cujas ordens e cusparadas alguns dos nossos militares estão
ansiosos para servir.