Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Abril 2007
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23/04/07
• INFRAERO - Juiz dá liminar que proíbe circulação da revista Isto É
De M
Data: 04/23/07 13:35:31
Assunto: INFRAERO - Juiz dá liminar que proíbe circulação da revista Isto É
Amigo/a,
Odeio ser óbvio quase tanto quanto impor a outrem tal castigo. Com meu pedido
de desculpas, vamos ao inevitável necessário: assim, pelo menos tente relaxar.
Desde sempre, no mundo e em especial neste país, aquela tira de pano que venda
a Justiça tem sido mais ou menos transparente. Mas, ao que parece, em nosso
meio, ela é agora lenço de pescoço. Naqueles pratos de balança já não pesam a
letra da Lei e deméritos de réus, mas cifrões e conveniências parciais.
Há razão poderosa para que um supremo tribunal o seja: a Lei que estabelece
regras de convívio precisa estar acima de tudo o mais, imparcial, inabalável e
impecável, para inspirar aos povos a imprescindível confiança em que os
direitos essenciais serão preservados. Repito - esta confiança é
imprescindível, vital, indispensável para que um grupo social se organize de
forma saudável.
Se quiser um símile mais acessível imagine um centro urbano, como S.Paulo ou
Rio, em que as regras de trânsito desapareçam, permitindo a cada motorista
fazer como lhe der na telha...
Amplie esta imagem para toda a Nação, para as relações humanas em todas as
esferas de vivência - familiar, entre vizinhos, acordos comerciais, relações
bancárias, instituicionais, crimino-policiais, empresariais...
Isto é o caos da anomia. É a ambiência do salve-se-quem-puder, onde impera o
mais inescrupuloso, o mais cruel e brutalmente animalesco - o poder do mais
impiedoso e desprovido de consciência.
Graças ao criptocomunismo petista, peessedebista, psolista, pecebista... hoje
atuando à larga pela venalidade irresponsável e covardia generalizada, estamos
muito próximos de mergulhar em tal quadro cuidadosamente planejado pelos
criptos acima. Consideram esta condição necessária para impor-nos um Santo
Salvador da Pátria - de coloração vermelha - que prometa por ordem na anarquia
em troca de poderes plenipotenciários. E de nossa submissão à condição de
escravos.
Ao contrário do que tantos acreditam, não temos hoje um governo incompetente,
mas uma hegemonia espúria e legalizada, que astutamente e em doses
homeopáticas nos impõe o desgoverno e o caos social para efetivar seus
objetivos de poder.
Um sistema judiciário comprometido, parcial, que atue não em obediência às
leis, mas às conveniências ideológicas do Partido - como sempre o foi a
imundície criminosa organizada em Justiça do Trabalho - será a gota final.
Nós - vc, eu, todos nós, brasileiros - permitimos isso. Manipulados pela
tática de cozinhar sapo em fogo lento,
fomos - ao longo dos anos - aceitando passivamente o crescente domínio da
impunidade quanto à atuação de criminais de colarinho branco rumo à
consolidação de poder. Hoje, quando em vez de Nação já nos tornamos uma horda
estúpida, confusa e impotente, aqueles nos enfiam goela abaixo a impunidade
para com a destruição sem peias do crime comum.
Para sanear um grupo social em condições caóticas precisa-se liderança lúcida,
forte e firmemente organizada, que estabeleça regras, leis, e as faça cumprir.
Os criptos pretendem oferecer-nos esta instância salvadora a um custo barato -
apenas nossas almas, posses, direitos, liberdade...
E irão ter êxito.
A menos que outra força - ética e responsável - o faça antes..
M
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Sent: Sunday, April 22, 2007 9:35 PM
Subject: Fw: INFRAERO - Juiz dá liminar que proíbe circulação da revista
Isto É
Para quem ainda não leu!
Uchôa
Quanto será que custou essa liminar? G. Seródio
www.conjur.com.br
Consultor Jurídico
Cale-se!
Juiz dá liminar que proíbe circulação da revista IstoÉ
por Rodrigo Haidar
O juiz Sérgio Jorge Domingos, da 22ª Vara Cível de Curitiba, concedeu liminar
nesta sexta-feira (20/4) proibindo a circulação da revista IstoÉ. O pedido
para impedir a circulação da semanal foi feito pelo ex-prefeito de Curitiba
Cássio Taniguchi — hoje deputado federal pelo DEM e secretário de
Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal.
O pedido, contudo, foi atendido com certo atraso. Parte das revistas já pode
ser encontrada em bancas em São Paulo e já foi despachada para os assinantes.
A capa de IstoÉ traz uma longa entrevista com a empresária Silvia Pfeiffer, na
qual ela descreve um esquema complexo de corrupção na Infraero.
Na chamada de capa, a revista anuncia que a empresária “descreve em entrevista
como os diretores da Infraero agiam para desviar dinheiro” e traz “os nomes,
as cifras e os recibos de depósitos que mostram o esquema”.
Na entrevista, a empresária cita o nome de diretores da empresa que controla
os aeroportos no país, de políticos e pessoas próximas ao poder: entre eles,
Duda Mendonça e Cássio Taniguchi, que obteve a liminar. A revista IstoÉ vai
recorrer da decisão.
Leia a reportagem e a entrevista de IstoÉ
A empresária paranaense Silvia Pfeiffer, 47 anos, diz que foi expulsa de sua
própria empresa, a Aeromídia, assim que levou para lá, como sócio, o então
secretário de Desenvolvimento Urbano de Curitiba Carlos Alberto Carvalho, em
2003. Ele tinha relações com o prefeito Cássio Taniguchi (DEM), hoje
secretário de Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal, e passou a controlar
toda a contabilidade da Aeromídia. A partir daí, segundo Silvia, uma
“verdadeira máfia” começou a utilizar a empresa como fachada para desviar
dinheiro público para fins privados. Entre esses negócios, polpudos contratos
com a Infraero, que ultrapassaram os interesses iniciais de Cássio Taniguchi e
permaneceram com o governo Lula.
Conhecedora dos caminhos dessas fraudes, Sílvia é hoje uma importante
testemunha para quem estiver efetivamente interessado em saber como a estatal
que administra os aeroportos brasileiros alimenta milionários dutos de
corrupção, alguns deles já detectados pelo Tribunal de Contas da União. Em
mais de dez horas de entrevista, Silvia detalha como tal esquema se espalhou e
criou tentáculos para promover lavagem de dinheiro, caixa 2 de campanhas
políticas e propinas às autoridades. Na quarta-feira 18, depois de ter
concedido entrevista a ISTOÉ, Silvia recebeu ameaças de morte e alguns pedidos
para que nada mais falasse e para que negasse o que já havia dito.
Boa parte do que ela sabe já foi escrito e entregue à Polícia Federal em
outubro de 2005, mas ela jamais foi chamada para um depoimento formal. Ou
seja, apesar da gravidade, tudo indica que suas denúncias ficaram engavetadas,
embora parte do que ela diz seja comprovada por documentos como depósitos
bancários.
ISTOÉ – Por que só agora a sra. Decidiu tornar público tudo o que sabe sobre
corrupção na Infraero?
Silvia – Eu não estou fazendo isso agora. Em 2005 entreguei uma notícia-crime
à Polícia Federal, mas, depois, ninguém me procurou para falar sobre isso.
ISTOÉ – Como é desviado o dinheiro da Infraero?
Silvia – A chave inicial do esquema é o superfaturamento das obras, que o TCU
mesmo já disse que chega a 375% do valor. São números absurdamente altos.
Essas obras eram todas negociadas.
ISTOÉ – Por quem?
Silvia – Os empresários que tinham contratos com a Infraero repassavam
dinheiro para Carlos Wilson, que era o presidente da empresa, e para
diretores, como a Eleuza Therezinha Lopes, o Eurico José Bernardo Loyo e o
Fernando Brendaglia. E também para políticos que faziam todo o meio de campo.
Ia dinheiro para a campanha do Carlos Wilson e não tenho dúvida que dali
também saiu dinheiro para a campanha de reeleição do presidente Lula.
ISTOÉ – Como provar isso?
Silvia – Basta quebrar o sigilo das empreiteiras, dos diretores da Infraero,
dos superintendentes. A Aeromídia mesmo fez depósitos para alguns diretores.
ISTOÉ – Alguns nomes de diretores que a sra. Menciona já apareceram em outras
denúncias contra a Infraero, como Eleuza Therezinha, mas permanecem em seus
cargos.
Silvia – Ela é da equipe do Lula, do Carlos Wilson. Essa aí, acho que vai ser
meio complicado. O Mário Ururahy, que recebia mensalão da Aeromídia no Paraná,
hoje é assessor da Eleuza.
ISTOÉ – Como era pago esse mensalão?
Silvia – Os valores variavam entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Havia também
presentes: carros, festas, jantares.
ISTOÉ – Outros diretores da Infraero também recebiam mesada?
Silvia – Luiz Gustavo Schild, diretor de Logística e Carga. Ele foi
superintendente na sede. Conduzia as negociações para as lojas Duty Free.
Depois, foi afastado, transferido para superintendente de Cargas, porque
estava para explodir todo este bafafá da Brasif.
ISTOÉ – Que bafafá?
Silvia – A Brasif ganhava todas as concorrências para os free shops nos
aeroportos.
ISTOÉ – O que há de concreto nessa denúncia que a sra. faz de que o presidente
Lula possa ter sido beneficiado nesse esquema?
Silvia – A proposta que me fez certa vez um dos maiores amigos de Lula, o
empresário Valter Sâmara.
ISTOÉ – Que proposta?
Silvia – Encontrei Valter Sâmara em um vôo de Curitiba para Brasília, em 2004.
Nesse vôo, ele insistiu que eu fosse falar com a secretária de Lula, Mônica,
no Palácio do Planalto. Ele me falou que qualquer coisa que eu quisesse na
Infraero a Mônica seria capaz de resolver para mim. E que ela, então,
receberia 10% de comissão para o partido, o PT.
ISTOÉ – Ele disse que o dinheiro seria para a campanha do Lula?
Silvia – Não ficou claro. Disse que era para o PT.
ISTOÉ – E a sra. Chegou a procurar Mônica?
Silvia – Não. Eu não fui. Apesar da grande insistência dele. Ele me procurou
no hotel várias vezes. Em um dia só, ele ligou várias vezes no hotel para que
eu fosse lá.
ISTOÉ – Esse foi o único encontro que a sra. teve com Valter Sâmara?
Silvia – Houve uma outra vez, em que ele foi a Brasília almoçar com Lula, dona
Marisa e uns chineses que estavam no Brasil, fazendo negociações com o governo
federal. O Sâmara está sempre em Brasília. Ele inclusive comprou uma chácara
em Goiás para encontros políticos. Se não me engano, tem até pista de pouso.
ISTOÉ – Como é que a sua empresa se envolveu com esse esquema?
Silvia – No início, quando Carlos Alberto Carvalho me procurou pela primeira
vez, era para fazer arrecadação de dinheiro para a campanha de reeleição de
Cássio Taniguchi para prefeito de Curitiba. Às vezes em dólar. Os políticos do
Paraná, ligados a Taniguchi, reuniam-se freqüentemente na Aeromídia para
discutir a formação desse caixa 2. O que eu nunca entendi bem era por que, já
naquela ocasião, o Padre Roque (deputado do PT do Paraná) aparecia nas
reuniões.
ISTOÉ – O que se discutia nessas reuniões?
Silvia – Eles instruíam como as pessoas deveriam se comportar na polícia, se
alguma coisa acontecesse. Um dia, chegou a aparecer na empresa uma mala grande
de dinheiro. Parte de US$ 7 milhões.
ISTOÉ – Esse esquema continua ativo?
Silvia – Com certeza está vivo. O homem do Cássio hoje na prefeitura é o Beto
Richa. Um dos homens dele, o advogado Domingos Caporrino, me ligou hoje me
mandando calar a boca.
ISTOÉ – O que a sra. denuncia começou com o Taniguchi e permanece até hoje.
Que outros nomes estão envolvidos?
Silvia – Com certeza o Marcos Valério e o José Dirceu.
ISTOÉ – Qual seria o envolvimento de Dirceu?
Silvia – Ele tem contatos com o diretor comercial da Infraero, Fernando
Brendaglia. Quando Dirceu esteve em Portugal naquelas negociações com a
Portugal Telecom, Brendaglia estava com ele. E Emerson Palmieri, que estava em
Portugal com Dirceu, também tem contatos no esquema da Infraero. Ele seria
mesmo uma espécie de link entre Brendaglia, Dirceu, Marcos Valério e Cássio
Taniguchi. Emerson Palmieri esteve várias vezes nas reuniões na Aeromídia.
ISTOÉ – Em troca do pagamento desse mensalão, o que ganhou a Aeromídia?
Silvia – Contratos nos aeroportos. Muitas vezes irregulares. Um dos contratos
envolve o Duda Mendonça. Um contrato que não poderia acontecer. O pessoal do
aeroporto de Brasília me respondeu que era impossível eu fazer publicidade
naquela área. No entanto, foi feito sem licitação.
ISTOÉ – E qual era o envolvimento de Duda Mendonça?
Silvia – Eu veiculava um anúncio que era feito pela agência dele. A questão do
Duda ali é que ele não roubava essas migalhas. O contrato era a desculpa para
que a agência dele fosse contratada para fazer o anúncio. O que ele pegava em
dinheiro grosso mesmo vinha da Brasil Telecom, a anunciante.
ISTOÉ – E a sua participação, qual era?
Silvia – Eu negociava com a Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça). Esse
contrato é ilegal com a Infraero. O Fernando Brendaglia é quem autorizou a
colocação da publicidade antes de ter o contrato.
ISTOÉ – A Zilmar tinha consciência de que era contrato irregular?
Silvia – Tinha. Quando houve um problema num contrato anterior, que foi
fechado, nos fingers de 1 a 7, chegou a haver uma ordem para arrancar todos os
adesivos que já estavam colocados. Foi quando a Zilmar entrou. Fizeram alguns
acertos e os adesivos continuaram. Um contrato de três anos, sem licitação. Um
contrato que ele entrou no aeroporto antes mesmo de sair em Diário Oficial da
União, antes de assinar o contrato. Deu um rolo, os concorrentes reclamaram. O
Brendaglia chegou a chamar uma dessas empresas que protestavam: “Fique quieta,
vou te dar outro espaço, mas deixa esse contrato aqui, nãomexe com isso não.”
ISTOÉ – Além da Aeromídia, que empresas fecham contratos irregulares com a
Infraero?
Silvia – Todas. Absolutamente todas. Kallas, Codemp, Via Mais. A SF3, que, na
verdade, é do Brendaglia. E do Carlos Wilson. Porque eles são sócios em tudo,
até em uma fazenda de frutas em Petrolina. Frutas para exportação. Há um
contrato que envolve a empresa de um filho de Reinhold Stephanes.
ISTOÉ – O ministro da Agricultura?
Silvia – Esse. Me tiraram da jogada. Era um contrato enrolado. Um contrato no
Rio, para um consórcio, Ductor, do qual participava a Cembra, empresa de
Marcelo Stephanes, filho do ministro.
ISTOÉ – O TCU tem encontrado irregularidades também nas obras de ampliação dos
aeroportos.
Silvia – É verdade. Tudo é superfaturado. A Odebrecht, por exemplo, no
aeroporto de Recife. A Andrade Gutierrez no aeroporto de Curitiba, OAS no
aeroporto de Salvador. Uma empresa de São Paulo ganhou a obra de Brasília e
furou o esquema. Eles então trataram de tirar a empresa da obra. A corrupção
ali é muito grande. A Infraero investiu mais de R$ 3,2 bilhões em obras. Se
quebrar o sigilo bancário dos diretores da Infraero, dos superintendentes, na
engenharia, que cuida das obras, se encontrará um absurdo.
ISTOÉ – Como a sra. pode dizer isso com tanta convicção?
Silvia – Eu vi tudo isso por dentro. Eu presenciei uma reunião com a
construtora DM aqui em Curitiba. Um arquiteto chamado Ricardo Amaral vendeu
por R$ 200 mil um projeto para cada empreiteira. Ele entregou antecipado o
projeto, para construir o edifício-garagem do aeroporto, cobrou R$ 200 mil e
não saiu a obra. A Eleuza sabia disso. A Eleuza esteve dentro do escritório
dele, em reunião com os grandes empreiteiros. OAS, Odebrecht, CR Almeida e
Andrade Gutierrez.
ISTOÉ – O novo presidente da Infraero, o brigadeiro José Carlos Pereira, há
algum envolvimento dele com esses casos de corrupção?
Silvia – Não. Mas ele não consegue demitir os diretores porque o esquema
montado no passado permanece rendendo muito.
ISTOÉ – No Paraná, dizem que a sra. possui dois CPFs.
Silvia – Depois de ter feito a denúncia na PF, minha bolsa e meus documentos
sumiram misteriosamente. Posteriormente, soube que emitiram CPFs em meu nome.
Mesmo que tentem me desqualificar, vou levar minhas denúncias até o fim.
Revista Consultor Jurídico, 20 de abril de 2007