Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Abril 2007
Índice Geral
18/04/07
• Gênero: Que é isso?
De: M
Data: 04/18/07 12:54:23
Assunto: Res: Gênero: Que é isso?
Caro Ênio,
'Gênero' é, obviamente tal como a homofobia, mais um construto pela tática do
debate pré-moldado, objeto de recente artigo do Olavo. É um lance astuto,
insidioso, profunda e conscientemente desonesto, que facilmente engana os
desavisados.
Sua abundante utilização pelos canhotos é indicativa de um dado claro em minha
experiência clínica: os esquerdopatas têm absolutamente nenhum interesse pela
Verdade, mas apenas por poder. Sua luta por poder decorre de cega e doentia
compulsão neurótica. Tão obsessiva e poderosamente compelente que tais tipos
aderem com largo alívio ao sofisma grosseiro de que os fins justificam... - em
essência, uma carta de alforria ao que existe de mais animalesco e degradado
no ser humano, permitindo-lhes dar largas à bestialidade característica de sua
nova técnica de combate - a guerra assimétrica. É este - a compulsão - o
fato-motor alimentando sua incansável persistência na destruição da liberdade
e bem-estar das gentes, e que explica sua absoluta impermeabilidade a
argumentos factuais, irretorquíveis, que contrariem suas crenças.
Sugestão a vc e ao Pe.Lodi: sempre que divulgarmos textos de esclarecimento
sobre temas corrompidos pelo debate pré-moldado dos esquerdóticos, anexar - de
preferência no início, como nariz-de-cera - uma mini-aula com exemplos,
desvelando a técnica suja.
Acredite, é importante e resulta: nossa boa gente precisa saber como vem sendo
enganada e perceber o desprezo que comunas usam ter para com o povo - cretinos
a serem manipulados.
Abração do
M.
--------------------------------
-------Mensagem original-------
De:
Data: 04/18/07 07:14:12
Para:
Assunto: Gênero: Que é isso?
Gênero: que é isso?
(por trás dessa palavra esconde-se toda uma ideologia...)
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Hoje em dia, muitas vezes a palavra "gênero" aparece em contextos onde
esperávamos encontrar a palavra "sexo". Em vez de se falar de diferença entre
os sexos, fala-se de diferença entre os gêneros. Em vez de discriminação por
causa de sexo, fala-se em discriminação por causa de gênero. As pessoas
desavisadas podem achar que o termo "gênero" é inofensivo. Seria apenas um
sinônimo de sexo. No entanto tal palavra esconde toda uma ideologia: a
"ideologia de gênero". Sobre este assunto, a Conferência Episcopal Peruana
elaborou um documento "La ideología de género: sus peligros y sus
alcances"[1], publicado em abril de 1998, cujo conteúdo pretendo resumir aqui.
A chamada "perspectiva de gênero" resume-se nos seguintes princípios:
1. Não existe um homem natural nem uma mulher natural. O ente humano nasce
sexualmente neutro. A sociedade é que constrói os papéis masculinos ou
femininos. "Gêneros" são papéis socialmente construídos.
2. Não é a natureza, mas a sociedade que impõe à mulher e ao homem certos
comportamentos e certas normas diferentes. Assim, se desde pequena a mulher
brinca de boneca e casinha, isso não se deve a um instinto materno (que para
as feministas de gênero não existe), mas simplesmente a uma convenção social.
Se as mulheres casam-se com homens, e não com outras mulheres, isso não se
deve a uma lei da natureza, mas uma construção da sociedade. Se os homens
sentem-se na obrigação de trabalhar fora de casa para sustentar a família,
enquanto as mulheres sentem necessidade de ficar junto aos filhos, nada disso
é natural. São meros papéis, desempenhados por tradição, mas que poderiam
perfeitamente ser trocados.
3. Tais idéias, que são meras construções sociais, servem para justificar o
domínio da mulher pelo homem. Assim, a mulher, ingenuamente, "acredita" que
seu lugar mais importante é o lar, que nasceu para se mãe, que deve
sacrificar-se pelos filhos, que deve ser fiel ao marido... Tais "construções
sociais" não têm fundamento, dizem as feministas. Assim, é preciso "desconstruir"
tais idéias, conscientizando a mulher de que ela está sendo enganada e
explorada.
4. Uma vez liberta de tais "construções sociais", a mulher vê-se livre para
construir a si mesma: pode livremente optar por ser lésbica, por não ser mãe
ou por matar o filho concebido (ou, como se diz, "interromper a gravidez").
Tudo passa a ser permitido.
O marxismo: origem da ideologia de gênero
A ideologia de gênero, que causou enorme discussão na IV Conferência Mundial
das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim, 1995), tem sua origem em Frederick
Engels , amigo inseparável de Karl Marx. Em seu livro "A origem da família, da
propriedade e do Estado" (1884), Engels dizia:
"O primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento
do antagonismo entre o homem e a mulher, unidos em matrimônio monógamo, e a
primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo
masculino"[2].
Segundo a doutrina marxista, não há conciliação possível entre as classes.
Operários e patrões são necessariamente inimigos. Os operários não devem
buscar melhorias para sua classe. Devem fazer uma revolução, que terá por fim
acabar com as classes. Marx pregava uma tomada do poder pelo proletariado.
Depois de algum tempo, o Estado iria desaparecer, não haveria mais classes
sociais e tudo seria comum. Seria instaurado o comunismo.
Seguindo a mesma linha, o feminismo atual, com bases no marxismo, não deseja
simplesmente melhorias para as mulheres. Deseja eliminar as "classes sexuais".
Diz a feminista radical Shulamith Firestone, em seu livro "The Dialectic of
Sex" (A dialética do sexo):
"... assegurar a eliminação das classes sexuais requer que a classe subjugada
(as mulheres) faça uma revolução e se apodere do controle da reprodução, que
se restaure à mulher a propriedade sobre seus próprios corpos, como também o
controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias
como todas as instituições sociais de nascimento e cuidado de crianças. E
assim como a meta final da revolução socialista era não só acabar com o
privilégio da classe econômica, mas com a própria distinção entre classes
econômicas, a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente - à
diferença do primeiro movimento feminista - não
simplesmente acabar com o privilégio masculino, mas com a própria distinção de
sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam
culturalmente".
As feministas de gênero, fiéis à visão marxista, dizem que toda desigualdade é
injusta. Que o trabalho exercido pelo homem seja diferente do exercido pela
mulher é simplesmente uma injustiça institucionalizada. É preciso acabar com
ela. A respeito da mulher que opta por ficar em seu lar cuidando dos filhos,
diz a feminista Christina Hoff Sommers:
"Pensamos que nenhuma mulher deveria ter esta opção. Não se deveria autorizar
a nenhuma mulher ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve
ser totalmente diferente. As mulheres não devem ter essa opção, porque se essa
opção existe, demasiadas mulheres decidirão por ela"[3].
(Até aqui o resumo do documento da Conferência Episcopal Peruana)
Redefinição de família
O feminismo de gênero é inimigo frontal da família, lugar em que os papéis de
cada sexo são "socialmente construídos". Para abolir a família, é mais
eficiente conservar seu nome e mudar o seu sentido. Família poderia significar
não apenas a união perpétua entre um homem e uma mulher com seus filhos (como
nós a conhecemos), mas também, por exemplo, a união de duas lésbicas e mais
uma criança gerada por inseminação artificial; ou então dois homossexuais e um
filho "adotivo".
A recém-aprovada Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como "Lei Maria
da Penha", redefine família como "a comunidade formada por indivíduos que são
ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por
vontade expressa" (art. 5°, II). E acrescenta: "As relações pessoais
enunciadas neste artigo independem de orientação sexual" (art. 5°, parágrafo
único). Essa lei, sancionada com o objetivo de coibir a violência contra a
mulher, pretende ser o cumprimento da Convenção sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), que o Brasil assinou em
1981 e ratificou em 1984. O texto da Convenção nada fala em favor do aborto ou
do homossexualismo. Mas o Comitê internacional estabelecido para acompanhar o
cumprimento da Convenção tem defendido abertamente tais idéias. Curioso é o
texto em que o Comitê critica a Bielo-Rússia (também chamada Belarus) pela
reintrodução do "Dia das Mães" e do "Prêmio das Mães":
"Preocupa o Comitê a contínua prevalência dos estereótipos do papel de cada
sexo e a reintrodução de símbolos como o 'Dia das Mães' e o 'Prêmio das Mães',
que é visto como um encorajamento aos papéis tradicionais das mulheres.
Preocupa também se a introdução da educação dos direitos humanos e de gênero,
em oposição a tal estereotipação, está sendo efetivamente implementada."[4]
Como se vê, a educação sob perspectiva de gênero é indicada pelo Comitê como
remédio para a falta cometida pela Bielo-Rússia, de instituir um dia para
valorizar a maternidade da mulher, que é apenas um "papel tradicional" a ser
eliminado.
........................................................
A doutrina cristã sobre a sexualidade
Homens e mulheres são diferentes, mas não são inimigos natos. Ao contrário,
são mutuamente complementares. Um precisa do outro e completa-se no outro.[7]
Porém, pela ideologia de gênero, esta visão cristã que vê em cada sexo uma
vocação e missão específica é taxada de visão "sexista". O "sexismo" e a "homofobia"
são dois inimigos a serem combatidos por essa ideologia. Como se percebe, quem
tem coragem para defender a doutrina cristã deve estar pronto para ser
perseguido.
Anápolis, 6 de janeiro de 2007
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
[1] CONFERENCIA EPISCOPAL PERUANA. Comisión Episcopal de Apostolado Laical.
Comisión ad-hoc de la mujer. La ideología de género: sus peligros y
alcances. Lima, abr. 1998. Disponível em
http://www.vidahumana.org/vidafam/iglesia/genero.html.
[2] ENGELS, Frederick , The Origin of the Family, Property and the State,
International Publishers, New York , 1972, pp. 65-66.
[3] SOMMERS, Christina Hoff. Who Stole Feminism?, Simon & Shuster , New York
, 1994, p.257.
[4] Concluding Observations of the Committee on the Elimination of
Discrimination Against Women: Belarus . 31/01/2000, n. 361.
[7] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Carta aos Bispos da Igreja
Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo. 31
maio 2004.
--
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br
_.___
Leia outras notícias:
http://br.groups.yahoo.com/group/noticias-lepanto