Blog do M
(Márcio Del Cístia)
Abril 2007
Índice Geral
15/04/07
• Partindo Para A Ação
----- Original Message -----
From: M
Sent: Sunday, April 15, 2007 10:11 AM
Subject: Partindo Para A Ação - artigo
Amigo/a,
finalmente! Alguém - Chris Fontenelle, brava guria! - faz uma
proposta concreta e factível.
A idéia está aí aguardando discussão (inteligente, por favor!) para
definir detalhamento e efetivação.
Se a abraçarmos às deveras, poderemos estar iniciando um movimento para a
construção de uma nova mentalidade, madura e responsável, quanto à
natureza da cidadania, algo que - ai de nós! - jamais houve nesta terra.
Outros povos, e em especial os norte-americanos, desde seus inícios
perceberam a necessidade de congregações de cidadãos, pensando e agindo
paralelamente ao Estado burocrático - apoiando-o quando necessário, mas
mais freqüentemente fiscalizando e limitando-o em sua avidez por poder e
controle.
Somos majoritariamente uma nação liberal-conservadora, mas subjugada à uma
minoria criptocomunista tão desprovida de escrúpulos mínimos quanto
municiada em planejamento e ação unitária, redundando no acesso a verbas
colossais para financiar a manipulação e domínio das instituições.
Isto ocorre apenas e tão somente porque esta maioria não dispõem de meios
para se fazer valer. Embora todos murmurem, não temos voz audível em
âmbito nacional. Existe abundância de dados e informações fidedignas e
consistentes sobre nossa miserável realidade sócio-política, mas
pulverizados em inúmeros sites e blogs mais ou menos desconhecidos. Em
decorrência, nossa gente desenvolve percepções parciais, meramente
opinativas e frequentemente desencontradas, gerando incertezas e
insegurança, resultando numa horda caótica, abúlica e apática, incapaz de
ações direcionadas e, por isso mesmo, facilmente manipulável pelos que
dispõem de unidade organizacional.
Chris Fontenelle propõem a formação de um núcleo, um ponto referencial que
possa crescer para a força da união. Um centro confiável que irradie
conceitos verazes e sadios para alicerçar planos de ação maior.
Penso ser uma idéia-mãe, uma promessa de Luz nesta escuridão
comuno-petista que se avoluma sobre o Brasil.
Então? Vamos lá?
Pense.
Abs
M.
----------------------------------------------
PARTINDO PARA A AÇÃO
Defender as liberdades, expressar-se livremente, buscar a verdade, contar
os dois lados das estórias, buscar informações sobre denúncias graves,
organizar idéias, traduzir anseios que não têm espaço na mídia – tudo isso
tem sido tratado, no Brasil, como um hobby daqueles que são chamados de os
mais corajosos, de os que não têm nada a perder, de os que já sobrevivem
de suas merecidas aposentadorias. Isso tem que mudar. Se as pessoas querem
quem as informe sobre a realidade dos fatos, sobre as análises mais
profundas das coisas que acontecem no mundo, elas têm que se conscientizar
de que terão que investir dinheiro para satisfazer essa necessidade.
Não dá para acusar a mídia, especialmente as de massa, de serem
"coniventes", "compradas", "aliadas alienígenas" e coisas do gênero sem
levar em conta que a mídia sobrevive de anunciantes, assinantes,
consumidores de informação e de associações que as financiam.
Paga-se para tudo – para ter atendimento médico decente, para ter um
mínimo de segurança, para estudar mais adequadamente, etc. Mas, para serem
bem informadas, item sem o qual a democracia não passa de uma ilusão,
querem que isso lhes caia no colo – de graça – sem se preocuparem com o
preço que se pagou e que se paga para que estas preciosas informações lhes
cheguem às mãos. Querem heróis por trás das informações que lhes chegam.
Talvez, se investissem em seres humanos, oferecendo-lhes a chance de
trabalhar, tivessem muito mais informação e muito mais meios de fazer
pressão popular sobre suas necessidades, influindo, enfim, nos destinos da
sociedade, objetivo maior da democracia.
Em 2006, foram 82 jornalistas mortos, no mundo todo, por causa de
atividades relacionadas ao trabalho. Um deles foi assassinado aqui no
Brasil – o jornalista Ajuricaba Monassa de Paula, de 73 anos, que foi
espancado, em praça pública, até a morte, pelo Vereador Osvaldo Vivas
(PPB-RJ), a quem ele vinha acusando de práticas irregulares. Até a data de
hoje, temos 125 jornalistas presos por exercerem a sua profissão – 2
deles, na Argentina; 31, na China; 25, em Cuba; 9 nos países da antiga
URSS; 1 nos EUA (*); etc. Não terminou, a lista é longa. Na era da
internet, formou-se uma nova categoria de profissionais – os
cyberjornalistas (que informam e formam opiniões através de Blogs e Sites).
Nem esses profissionais escaparam. São 62 deles presos, mundo a fora,
sendo 50 deles, na China e 4, no Vietnã.
Aqui no Brasil há inúmeros casos de perseguição a jornalistas que se
desviam, tanto do politicamente correto como daquilo que poderosos
políticos e homens de negócios acham ser o limite do tolerável - segundo
seus próprios padrões, é claro. Há denúncias relativas a Blogs, que são
retirados do ar, rádios comunitárias que são fechadas e casos mais famosos
como o do jornalista Boris Casoy, que teve que deixar seu trabalho na TV
Bandeirantes – diz-se – por ter se atrevido a perguntar ao presidente Lula
sobre sua participação no Foro de São Paulo. Chovem processos na Justiça
contra jornalistas, até mesmo contra aqueles que não têm por trás de si
uma grande empresa de mídia, como é o caso da jornalista Alcinéa
Cavalcante, alvo de mais de 20 ações movidas pelo senador reeleito do
Amapá, José Sarney (**).
Agora, vejamos. Quanto custa manter uma rede razoável de informantes? Ou
alguém pensa que os jornalistas mais lidos na internet estão em todos os
lugares ao mesmo tempo – até mesmo dentro de salas onde acontecem reuniões
fechadas? Quanto custa ir fazer uma investigação "in loco" para verificar
uma denúncia? Quanto custa entrar em contato, por telefone, com pessoas
que possam dar informações relevantes a respeito de determinado assunto
sobre o qual se está tratando? Quanto custa manter um site com um mínimo
razoável de recursos? Quanto custa manter-se em dia com o que é publicado
de mais novo e importante pelo mundo a fora? Quanto custa ter e manter um
computador com recursos suficientes para fazer um bom trabalho
jornalístico?
Essas, entre outras, são questões que devem ser levadas em consideração,
antes de se apontar o dedo acusador para o trabalho dos profissionais de
jornalismo. Faltou falar do tempo – esse que significa dinheiro. Quanto
tempo é necessário para se fazer uma boa investigação jornalística? Quanto
tempo é preciso para que um jornalista se intere muito bem sobre o tema
que irá abordar? Quanto tempo se leva para escrever um bom artigo? E,
quanto vale esse trabalho?
Jornalistas são seres humanos. Infelizmente, ou não, sob esta condição, é
fato que estes profissionais são, no mínimo, limitados pela necessidade de
ter que satisfazer algumas das mais básicas exigências de sobrevivência,
como, por exemplo, comer, ter onde dormir, essas coisas... Parta-se,
também, do princípio que, apesar de terem escolhido o jornalismo como
profissão, a esses seres também é dado o direito de casar, de ter filhos,
de se divertir, de se instruir, essas coisas (de novo)... Ora, isso tudo –
que é apenas o básico, na verdade – demanda dinheiro. Dinheiro esse que,
por sua vez, na maioria dos casos, deve ser obtido como fruto de um
trabalho. Ora (outra vez), se o que se tem de trabalho é oferecido por uma
mídia viciada, dependente do Estado e esquerdopata, como trabalhar, então?
Tudo bem. Existem os que optam pela militância. São militantes e não
jornalistas. Mas, para os que fogem desse padrão, entre todas as
alternativas há a honrosa saída de se trabalhar em outras atividades
(professor, vendedor, motorista de táxi, revisor, tradutor, etc.) e, nas
horas vagas, escrever para um jornal ou outro, ou ainda para sites onde há
espaço para manifestações mais sensatas a respeito da realidade – tudo
como colaborador. Diga-se de passagem, oportunidade imprescindível no
Brasil de hoje. Montar seu próprio Blog também é uma opção válida. Mas,
então, é como eu já disse, não é um trabalho, é um hobby.
Há honrosas exceções. Comentaristas, jornalistas e articulistas que
escrevem em renomados jornais e revistas brasileiras e que falam sobre
QUASE tudo. Como se sabe, há limites – mas, eles não são determinados por
evidências. Infelizmente. Não se pode negar que a imprensa tem
contribuído, sim, através da revelação e/ou divulgação de fatos, mesmo que
em pequenos cantos de páginas. Cabe aos leitores e analistas mais atentos
saber reunir e determinar as relações entre os fatos que se divulgam e
entre as idéias que são impressas em artigos diversos. O que acontece,
entretanto, é que esse trabalho de análise é que tem construído a
informação relevante que circula pelo Brasil, através da internet. Isso é
que tem sido tratado como hobby, quando, na verdade, não deveria ser, na
medida em que os frutos deste trabalho é que estão representando o último
e praticamente único bastião de resistência ao entorpecimento socialista
que vem sendo imposto aos brasileiros (e o mundo não está fora desta,
não).
É preciso que se parta para a ação, senhores. Muitos, quando ouvem algo
neste sentido, se remetem logo para luta armada, revolução. Pode ser que
estejam certos. Mas, não se pode negar que a ascensão ao poder dos que
agora governam nosso país, por exemplo, seja prova contundente de que nem
só com armas de fogo se faz uma revolução – pelo menos na sua fase de
conquista hegemônica. Por que é que esta lição só é válida para os
comunistas? O que impede que esta tática seja apropriada pelos que desejem
derrotá-los?
Na minha modesta opinião, já passou da hora de se formar um grupo de
estudos estratégicos, formado pelas melhores cabeças do país, com gente
vinda dos, e ouvida nos, quatro cantos desta terra, dos lugares mais
longínquos, para elaborar um plano de ação conjunta que seja capaz de
definir uma estratégia de reação à ditadura do politicamente correto, das
minorias, da inversão descarada de valores e da própria realidade. Ilusão?
Pode ser, mas não é o que mostram todas as pesquisas sobre o que pensam a
maior parte dos brasileiros a respeito dos mais variados assuntos – somos
classificados de conservadores, de direita e coisas do gênero. Se a
maioria pensa assim, por que é que não tem voz? Porque ninguém financia
(ou se arrisca a financiar) uma luta contra a minoria bilionária
sócio-globalista que dirige o mundo. Mas, e se a maioria decidir que vai
financiar quem defenda seus pontos de vista com recursos dela própria –
saídos, sim, ainda que parcos em termos individuais, do seu próprio bolso?
Filósofo, professor e escritor, o caríssimo brasileiro Olavo de Carvalho
veio a público pedir contribuições para continuar (e aperfeiçoar) o
heróico trabalho que vem desenvolvendo, há anos, pesquisando e
esclarecendo os brasileiros sobre as realidades do mundo e do Brasil:
"Estou pedindo agora e vou voltar a pedir. Tantas vezes quantas me pareça
necessário, pois as despesas não vão parar tão cedo. Agora já me acostumei
à mentalidade de um povo que põe seu dinheiro onde põe suas palavras.
Aqui, todo mundo contribui para aquilo em que acredita. Eu mesmo, que sou
um duro, não escapo. Associações de veteranos, campanhas de evangelização,
protestos cívicos, policiais baleados e até uma menininha da Guatemala que
não podia comprar seus livros de escola já descobriram que eu existo e
aparecem mensalmente na minha caixa postal. Dou um pouquinho, mas dou
sempre: toda essa gente trabalha para o bem, e aprendi com os americanos
que o dinheiro jamais é neutro – se não serve ao bem, serve ao mal".
O muro de lamentações em que se transformou nossa palavra escrita contra o
status quo só vai provar que nada se constrói neste mundo sem que os
senhores dos ilícitos interesses de ganância e de poder se coloquem do
lado logicamente correto das situações – como quando decidiram que a
escravidão deveria ser abolida das relações de trabalho no Ocidente, por
motivos que vão muito além dos humanitários. Talvez isso seja verdade. E,
em sendo, nada mais natural que se busquem formas de mostrar (e provar)
que outros caminhos podem gerar mais benefícios (a única linguagem que
entendem). Caminhos estes que, nem que seja por chantagem, podem
proporcionar mais riqueza e mais liberdade para todos.
Quando digo para que se parta para a ação conjunta, não estou dizendo que
todos devam deixar seus afazeres ou se dedicar ao trabalho de vigilância.
Quero dizer que devam investir naqueles que estejam prontos e dispostos a
fazê-lo. Contribuições, senhores, contribuição. Não haverá dinheiro mais
bem aplicado. O que Governos, Congressos, Forças Armadas, Mídias,
Academias, ONGs e tutti quanti são pagos para fazer e não fazem, façamos
nós mesmos, para variar e mais uma vez, com o nosso dinheiro. Não é hora
de esmorecer, de se dar por vencido e nem de enterrar heróis. De que
adiantam heróis mortos? Não, senhores! Precisamos de todos eles, e muitos
mais deles, aqui e agora, bem vivinhos, trabalhando e fazendo História.
Aceita-se sugestões (inteligentes, por favor)
Christina Fontenelle
14/04/2007
E-MAIL: [email protected]
BLOG/artigos:
http://infomix-cf.blogspot.com/
BLOG/Série CAI O PANO:
http://christina-fontenelle.blogspot.com/
BLOG/opinião:
http://infomix2.blogspot.com/
(*) 2007/FEV/15 - A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) apelou à
libertação do operador de câmara sudanês Sami al-Haj, profissional da Al
Jazeera detido há 5 anos na base norte-americana de Guantanamo, apesar de
nunca ter sido formalmente acusado de qualquer crime ou levado a tribunal.
Segundo os advogados de Sami al-Haj, ele foi forçado a confessar ligações
entre a Al Jazeera e a al-Qaeda. Que se saiba, é, atualmente, o único
jornalista detido em Guantanamo.
(**) Por conta disso, ela foi condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral a
retirar de seu blog o conteúdo considerado ofensivo pelo político e a
pagar mais de R$ 500 mil reais de multas. Alcinéa foi fundadora do
Sindicato de Jornalistas do Amapá (Sinjor-AP) e hoje é presidente da
Comissão de Ética do Órgão. Tem 50 anos e mora no Amapá desde que nasceu.
Passou pela Gazeta Mercantil, pelo jornal paraense O Liberal e pelo já
extinto O Estado do Amapá. Hoje, trabalha para a Agência Estado e publica
um blog na internet, que foi o estopim para os processos. Além disso, já
publicou livros de poesia e está escrevendo um livro sobre política no
Amapá.