Biografia

Nós temos hoje inegavelmente uma música nacional. Mas esta ainda se conserva no domínio do povo, anônima. Dois homens porém, de grande valor musical, tornaram-se notáveis na construção dela: Ernesto Nazaré e Marcelo Tupinambá (Mário de Andrade, 1924).

1889 ~ 1953

 

 

 

 

Marcelo Tupinambá 

Fernando Álvares Lobo, pianista, violinista e compositor, nasceu em Tietê, SP, no dia 29/5/1889 e morreu (derrame cerebral) com 64 anos em São Paulo, SP, no dia 4/71953.

Filho do Maestro Eduardo Álvares Lobo e Maria Rodrigues de Azevedo, teve duas irmãs: Maria Luiza e Thereza Lobo Morbach.

Quando tinha cinco anos, a família mudou-se para Itapetininga. Em 1904 matricula-se no Ginásio São José, de Pouso Alegre, MG, onde foi colega do futuro poeta Menotti Del Pichia. Em 1911 inicia o curso de engenharia civil na Politécnica de São Paulo.

Seu pseudônimo adveio da necessidade de não ser reconhecido como compositor ou músico: “Se quer continuar a ser compositor, deve deixar a escola”, determinou o diretor da Faculdade. Então, em 1914, para resolver tal dilema, Fernando decide chamar-se Marcelo, personagem da ópera La Bohème, e Tupinambá, em homenagem aos indígenas brasileiros, os quais sua irmã estudava na época. Assim, como Marcelo Tupinambá, Fernando não deixou a escola e nem renunciou a música.

Também em 1914, estréia no Teatro São José, SP a revista musical de costumes paulistas chamada São Paulo Futuro de Danton Vampré e musicada por Marcelo Tupinambá. Em 1917, estréia Cenas da roça, com textos de Arlindo Leal (José Eloy), também musicado por Tupinambá.

Em 1917 mudou-se para Barretos. Exerceu a função de engenheiro até 1923 quando uma doença nos olhos o obriga a afastar-se da profissão. A partir daí, dedica-se plenamente à música, compondo e apresentando-se em espetáculos.

Em 1918, casou-se com Irene de Menezes. Com ela teve a filha Cecília de Menezes Lobo.

Foi parceiro de Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira, Olegário Mariano, Coelho Neto e teve como intérpretes Francisco Alves, Gastão Formenti, Vicente Celestino, Patrício Teixeira, Abigail Maia, Bidu Saião etc.

Tupinambá ficou conhecido como compositor de melodias de inspiração sertaneja. Compôs 264 músicas nos mais variados ritmos: cateretês, valsas, maxixes, tangos e algumas peças de caráter erudito.

 

Principais sucessos: 

  • Batuque, Marcelo Tupinambá e Castelo Neto (1929)

  • Canção da guitarra, M. Tupinambá e Aplecina do Carmo (1928)

  • Maricota sai da chuva, Marcelo Tupinambá e Arlindo Leal (1917)

  • O cigano, M. Tupinambá e João do Sul (1924)

  • O matuto, Marcelo Tupinambá e Cândido Costa (1918)    O matuto com Mário Pinheiro (1918)

  • São Paulo Futuro, M. Tupinambá e Danton Vampré (1914)

  • Tristeza de caboclo, Marcelo Tupinambá e Arlindo Leal

  • Viola cantadera, Marcelo Tupinamba e Arlindo Leal (1917)


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