We are one
Nós
somos um

Gênero:
Drama / Romance
Música:
We
Are One - Westlife
Two
very diferent people
(Duas
pessoas muito diferentes)
Too
scared to get along
(Muito
assustadas para entender-se)
Gina
Weasley em um surto de estresse resolveu não assistir a aula do professor Snape,
não agüentava mais ele a olhando como se fosse superior e esperando um mísero
erro para tirar-lhe pontos.
Acabou
por ir dar uma volta nos jardins de Hogwarts, andava discretamente, afinal
ninguém poderia vê-la, estava fora da aula. Mas alguém a viu e justamente o
dedo-duro número um de Snape: Draco Malfoy.
–
A
Weasley fêmea está matando aula! Que eu saiba o quinto ano da Grifinória
deveria estar na aula do professor Snape. Por que você não está lá?
–
Não
te interessa! - Gina respondeu virando o rosto.
–
Realmente
não me interessa, e sim ao Snape. - ele respondeu e saiu andado.
–
Não.
Espera Malfoy! - Gina correu até ele, pois não queria ganhar uma detenção.-
Estava cansada e não queria assistir aula. - disse sem fôlego pela corrida.
–
Além
de pobre é preguiçosa! - respondeu Malfoy com desdém.
Gina
pensou um pouco e viu Malfoy virar-se, o segurou pelo ombro e disse:
–
Calma aí! Não era para você estar na aula também?
Draco
ficou parado. "Droga! Ela não é tão burra quanto pensei." Acabou
inventando uma mentira deslavada.
–
Não
estou tendo aula no momento. Aliás, eu nem sei porque estou te dizendo isso.
Gina
se divertiu vendo que o pegou na mentira.
–
Ah
tá! Se você não está tendo aula agora, por que os alunos do sexto ano estão
lá? - disse apontando as estufas de herbologia
–
Se
você não contar eu não conto. - ele respondeu olhando irritadíssimo para
ela. - E você deve saber que as detenções do Snape são mil vezes piores do
que as da professora Sprout.
–
É
eu sei.
Pela
primeira vez um olhou realmente nos olhos do outro e ambos se surpreenderam.
Como é possível viver anos perto de uma pessoa sem notá-la? Ficaram alguns
segundo que pareceram uma eternidade se observando. Mas Draco caiu em si,
desviou o olhar e saiu andando.
Till
two hearts beat together
(Até
dois corações que batem juntos)
Underneath
one sun
(Sob
o sol)
Draco
foi para o Salão Comunal da Sonserina. Estava completamente nervoso, ansioso e
irritado, qualquer pessoa que somente o olhasse era violentamente
ofendida.
Gina
depois que Draco foi embora sentou-se na grama perto do lago, como fazia sempre
e ficou pensando. Gostava daquele lugar, era seu cantinho, sempre que estava
triste por se sentir sozinha, já que era excluída no salão da Grifinória,
pois toda vez que ela ia falar com seu irmão, Harry (por quem Gina é
visivelmente apaixonada) e Hermione, eles mudavam de assunto e a olhavam como se
estivesse atrapalhando. As únicas pessoas que conversavam com ela eram Colin e
Dênis Creevey, além de Neville, mas os assuntos eram um bocado entediantes.
Quanto aos outros alunos parecia até que ela era invisível. Gina pensava que a
tratavam assim pelo ocorrido no seu primeiro ano. Por que eles não esqueciam?
Mas
no momento não era com isso que ela preocupava-se, e sim com o que acontecera
entre ela e Malfoy uns minutos antes. Tinha sido muito estranho. Quando olhou
para ele e viu um intenso brilho em seus olhos, Gina sentiu como se eles sempre
estivessem juntos, ligados de alguma forma, e eram esses sentimentos que ela
não entendia. Como podia ela, uma Weasley, estar "ligada" de alguma
forma a um Malfoy?
One
very special moment
(Um
momento muito especial)
Can
turn a destiny
(pode
mudar um destino)
Gina
e Draco sempre se viam durante as refeições no Salão Principal. Ambos não
podiam controlar a vontade de trocar olhares. Gina via frieza no olhar dele,
sempre que o pegava olhando desviava. Se ele não gostava dela, por que olhava
tanto?
Draco
ficava cada vez mais irritado com tudo, todos e, principalmente, consigo mesmo.
Não compreendia de maneira alguma a sua repentina atração por Gina Weasley.
Sim, o sentimento ele havia desvendado, ele Draco Malfoy, estava completamente
atraído por Gina Weasley! Não pensava em outra coisa a não ser ela, seus
olhos castanhos, aqueles cabelos vermelhos Weasleys que ele desprezara tanto.
Mas não admitiria, não daria o braço a torcer! Não deveria ser tão difícil
esquecê-la. Na verdade Draco sempre teve na sua vida
tudo que quis, sendo mimado por seu pai. A única coisa que quis e não
teve foi ganhar de Harry Potter no quadribol, isso porque dependia somente de si
fazê-lo. Agora ele queria Gina e não poderia tê-la, provavelmente ela o
odiava, além de ser uma Weasley Grifinória.
Um
dia depois das aulas os dois se esbarraram em um dos vários corredores de
Hogwarts.
–
Olha
por onde anda! - Gina gritou sem perceber quem era a pessoa que a tinha feito
cair no chão.
–
Quem
manda ficar parada que nem uma pedra no meio do caminho? - Draco respondeu
cruzando os braços sobre o peito e lançando um olha superior a ela.
–
Eu
não estava no meio do caminho! Você que veio com essa estupidez e me jogou no
chão. - disse rapidamente se levantando e limpando suas vestes.
–
Ah
é?! Eu te joguei no chão de propósito, é claro. Se não eu não seria a má
pessoa, o verdadeiro Malfoy que todos conhecem. - respondeu com um sorriso
irônico no rosto.
–
Desculpe.
Peguei pesado com você. - Gina ficou com peso na consciência.
–
Não.
Eu pego pesado com você. - ele respondeu jogando Gina de volta ao chão, mas
não contava que tropeçaria e cairia sobre ela.
Quando
Draco caiu em cima de Gina acertou o cotovelo justo na costela dela, mas depois
da dor que a atingiu, ambos ficaram encabulados, Gina sentia o peso dele sobre
si e nem achava tão ruim assim, mas ele saiu e se levantou oferecendo a mão
para ajudá-la a se levantar também, porém Gina recusou, o que o deixou muito
irritado.
–
Seu
imbecil! Me machucou. Por que me jogou no chão assim? - estava realmente
nervosa, não se controlava, e num minuto começou a bater nele.
Draco
espantou-se, aqueles tapinhas doíam! E quem era ela para bater nele? Nem seu
pai o batia mais! Ficou irado e a segurou, evitando que ela o atingisse
novamente, porém quando ele fez isso ela parou de atingi-lo e ficou sem
reação, apenas respirava com dificuldade pelo nervosismo e pelo exercício.
Gina
se conscientizou do que estava fazendo. Por que batia nele? Por que o Malfoy
sempre a tirava do sério? Enquanto se perguntava ficou parada olhado um ponto
além de Draco, parecia hipnotizada.
Draco
a vendo assim, tão perto, não resistiu a tentação. Repentinamente puxou Gina
para si e aproximou seus lábios dos dela, beijando-a como nunca havia beijado
ninguém antes, com carinho e desejo ao mesmo tempo. Gina correspondeu ao beijo,
apesar do susto, mas ficou confusa e o parou. Olhou no fundo dos olhos dele e
saiu correndo em direção ao Salão Comunal da Grifinória.
And
what someone would say
(E
o que alguém diria)
Could
never change
(Nunca
poderia mudar)
Has
changed for you and me
(Teria
mudado para você e eu)
"Droga!".
Na hora que Gina parou o beijo e saiu correndo Draco sentiu um grande vazio, que
aos poucos foi substituído por uma frustração. Sim, estava frustrado por
vários motivos: Primeiro por não resistir e beijar Gina, segundo por
demonstrar essa fraqueza na frente dela, terceiro por ela parar o beijo na
melhor parte e quarto por querer beijá-la de novo. "Por que ela fugiu?
Draco como você é idiota" - pensou. "Ela só odeia você e toda sua
família, até seus mais remotos ancestrais. E agora mesmo ela deve estar
contando que você a agarrou para o irmão e para os amigos perfeitos
dele." Pensando no que tinha feito Draco ficou naquele
corredor por um bom tempo.
Mas
Gina não foi contar nada a seu irmão, nem se desejasse o faria. Ela adentrava
o Salão Comunal de sua casa, como sempre ninguém a notou, e neste momento tudo
que precisava era que alguém a notasse e fosse amigo, conversando e
aconselhando-a. Sua cabeça girava rapidamente. O que tinha feito era errado,
não podia deixar Malfoy beijá-la, ele era seu inimigo! Ou não? Mas tinha sido
tão bom!
Foi
para o dormitório, precisava deitar-se em sua cama, não queria mais pensar
nesse assunto. Logo Gina cochilou e em seus sonhos fez o que desejava, beijava
novamente Draco Malfoy.
Na
manhã seguinte durante o café se reencontraram. A sensação não foi das
melhores, Gina não levantava os olhos do chão, muito menos os dirigia à mesa
da Sonserina, e quando Draco a olhava podia notar um certo rancor.
Assim,
se evitando, passaram-se os dias para ambos. Draco estabeleceu metas em sua
vida: esquecer Gina e vencer Harry Potter.
Gina
tentava não pensar em Draco, resolveu preencher seu coração com quem
realmente gostava, sua intuição dizia que algo estava para acontecer. Estava
atrasada para aula de Transfiguração, chegou na sala com vinte minutos de
atraso, por incrível que pareça a turma toda notou Gina. "Também
perdendo pontos para Grifinória... Para criticar todos me vêem!"
Atrasara-se porque pensava seriamente em como se declararia para Harry. Sim,
Gina ainda gostava dele, a atração por Draco não mudou seu sentimento por
Harry, e estava decida a deixar claro a ele que não era apenas a irmãzinha de
seu melhor amigo. Depois que a aula acabou ela foi até as masmorras, já que
Harry saía da aula de poções. Gina iria se declarar com a cara e a coragem.
A
ruiva viu Harry saindo sozinho da sala de aula, provavelmente Rony e Hermione
já tinham se separado para namorar. Ele parecia muito triste, fazendo-a hesitar
em sua decisão.
–
Oi
Gina. - "Ele viu que eu estou aqui! Normalmente passa por mim sem
notar..."
–
E
aí Harry? O que houve? - indagou timidamente.
–
Snape.
Não liga é normal, outra detenção. - respondeu com um meio sorriso, a essa
altura até ele ria de si em relação a Snape.
Enquanto
os dois conversavam Draco saiu da sala, já que a Grifinória e a Sonserina
compartilhavam as aulas de poções. Quando viu Gina e Harry conversando sentiu
algo que nunca havia experimentado antes: ciúmes. O que Potter queria com a
Weasley? Não iria perdê-la para ele! Esgueirou-se atrás da parede, na volta
do corredor, e apurou os ouvidos, precisava saber o que falavam.
–
Harry,
preciso falar algo muito sério com você. - Gina ofegava, tremia com seu
nervosismo à flor da pele, sentia-se mal pela situação.
–
Pode
falar Gina. O que houve?
–
Harry.
Não sei se você sabe... - Gina estava mesmo
vermelha - Mas eu gosto de você e faz tempo. - olhava para o chão enquanto
dizia.
Harry
ficou parado olhando para Gina, parecia não saber o que dizer ou fazer. Já que
ele não fazia nada, ela resolveu tomar uma atitude, chegou mais perto de Harry,
colocou seus braços ao redor do pescoço dele e o beijou, mas ele não
correspondeu, portanto o beijo não passou de um selinho.
Draco
assistia a cena com raiva, não acreditava que Gina ainda gostava do Potter,
desde seu segundo ano ele vinha acompanhado as fofocas a respeito desse assunto,
mas achava que ela já tinha desencanado, e o pior é que ela havia se declarado
para ele!
Harry
afastou Gina e disse com carinho:
–
Gina
eu também gosto de você, só que como uma irmã. - ela sentiu-se pior ao ouvir
isso. - E... ninguém sabe, por questão de segurança, mas eu e a Cho estamos
namorando.
O
loiro percebeu o quanto aquelas falas afetaram Gina, ela parecia que
desmoronaria a qualquer instante. "O Potter é um idiota! Como pode não
querê-la? Ela é perfeita, principalmente para ele." Draco não percebeu,
mas já estava querendo o melhor para Gina, mesmo que ele não estivesse
incluído nesse melhor.
Para
Gina o mundo caiu. Estava transtornada. Como ninguém a avisou que Harry estava
namorando? Tinha sido uma estúpida abrindo seu coração para um garoto com
namorada. Juntando a vergonha, a humilhação e a exclusão que a envolvia,
resolveu que não queria mais viver. As lágrimas começaram a escorrer de seus
olhos e embargada respondeu a Harry:
–
Tudo
bem. Ninguém me disse, eu... eu não sabia. - Rapidamente virou-se e saiu
andando, não podia ficar ali nem mais um minuto.
–
Espere
Gina! Não chore... - Harry sentiu-se mal por chateá-la.
Draco
estava prestes a dar um soco em Harry e abraçar e proteger Gina, e isso era o
mais estranho. Ele nunca havia pensado em proteger alguém, neste momento sentia
que ela precisava dele. Como Gina saiu do corredor, ele esperou um pouco até
Harry ir embora, e passou a seguí-la.
Gina
chorava e andava lentamente, chegava a soluçar de tanto pranto. Saia das
masmorras e ia em direção as torres dos castelo, mas era um ato inconsciente,
e não notou que alguém a seguia. Estava cansada, desesperada, e devido a isso
não via outra alternativa a não ser acabar com seu sofrimento. A maneira mais
rápida para isso ela conhecia: a morte. Ela sempre achara o suicídio um
absurdo, um ato verdadeiramente covarde, porém agora ela entendia o porquê das
pessoas fazê-lo. Não tinha mais esperanças. Sentia que a única pessoa que a
faria feliz era Harry, mas ele não a queria, e essa constatação doía muito.
Desde
pequena, mesmo vivendo naquela casa cheia, Gina fora uma pessoa solitária,
afinal era a única menina de seis irmãos mais velhos. Rony, com quem brincava
quando não estava sozinha, sempre teve ciúmes dela, com razão porque além de
caçula era a menininha da família e quando nasceu roubou toda a atenção
dele.
Para
piorar um ano antes de ir para Hogwarts, aos seus dez anos, quando viu Harry na
Estação King’s Cross, o reconheceu como seu "príncipe encantado",
afinal ele era um herói não era? O menino-que-sobreviveu, que garota não se
apaixonaria? E ela fez pior, sonhou com ele durante esse ano que antecedeu
Hogwarts, não pensava em outra coisa, ele tornou-se idéia fixa mesmo, achava
que durante o seu primeiro ano namoraria Harry e teria vários amigos, mas deu
tudo errado. Não conseguiu se declarar para Harry, no máximo o enviou um
cartão musical de dia dos namorados com um poeminha seu:
"Teus
olhos são verdes como sapinhos cozidos,
Teus
cabelos, negros como um quadro de aula.
Queria
que tu fosses meu, garoto divino,
Herói
que venceu o malvado Lord das Trevas"
Que
ele pareceu não gostar nem um pouco, hoje em dia até ela não gosta mais desse
poema ridículo. Nem fizera amigos com todo o problema que Tom Riddle causou em
sua vida. Depois de ter aberto a Câmara Secreta ninguém foi mais o mesmo com
ela. Todos hesitavam em se aproximar e assim iniciou-se o processo
de invisibilidade de Gina. Ela sentia que, além de sua família, ninguém a
amava, ou sequer gostava dela e sua companhia. Agora que Harry estava namorando
Gina não tinha mais esperanças em alguém gostar dela, em um dos corredores
subitamente parou, tinha Malfoy, aquele beijo foi significativo para ela. Mas,
provavelmente, foi só uma questão de momento e ele devia estar brincando com
ela, Malfoy certamente não seria a pessoa que gostaria dela. Voltou a andar, ia
em direção à Torre Norte, a mais alta de toda Hogwarts.
'Cause
it's all in the way you look through your eyes
(Porque
está tudo na maneira que você olha através de seus olhos)
And
when all is said and done
(E
quando é foi dito e feito)
All
of the fear and all of the lies are not hard to overcome
(Todos
os medos e mentiras não são difíceis de superar)
Quando
Gina chegou a cobertura da torre Gina se dirigiu à mureta de proteção, subiu
nela e olhou para baixo, teve uma vertigem, era realmente alto! Abriu os braços
e preparou-se para pular, contudo parou ao ouvir uma voz conhecida.
–
Weasley,
o que você pensa que vai fazer? Tenha certeza que não se voa sem vassoura. -
disse Draco ironicamente.
Ele
tinha certeza que Gina não pularia, ela não era louca. Por sua vez, ela tinha
certeza que pularia. Quem estava certo?
–
Eu
não pretendo voar, Malfoy. Quero me libertar. - ela respondeu ainda de braços
abertos e de costas para Draco, sua voz soava embargada e determinada.
–
Nossa,
que poético! Mas francamente, é patético! Se libertar do quê? Daquele
perdedor do Potter?
Na
hora que ele disse isso Gina virou-se e olhou para ele. Draco percebeu o estado
deplorável, que ela encontrava-se, seu rosto molhado e inchado, os cabelos
suados grudados nas têmporas e um olhar perdido, precisava de ajuda. Ele teve
ímpeto de aproximar-se, não podia deixá-la pular.
–
Como
você sabe? Eu não acredito que você ouviu a conversa. - parecia furiosa -
Não se tem privacidade nessa escola!
–
O
que você queria? Eu estava saindo da aula e acabei ouvindo.
–
NÃO
SE APROXIME! Eu vou pular e ninguém vai me impedir! - estava fora de si. - E o
Harry não tem nada a ver com isso.
–
Como
não? Você vai se matar por causa dele. Só porque ele te deu um fora! - ele
começara a se desesperar também.
–
Não
é só por isso. Eu estou cansada de ser invisível nessa escola!
–
O
quê? Invisível? Como assim? - agora Draco não entendia mais nada.
–
Ninguém
me vê, ninguém é meu amigo... Só isso, portanto se eu morrer não farei a
mínima falta, já sou uma morta-viva mesmo!
–
Se
você morrer eu sentirei sua falta! - tudo o que ela dissera doía em si, ele
respondeu sem nem saber porquê.
–
MENTIRA!
Você nem me conhece. Foi só um beijo Draco Malfoy me esquece...
Depois
de dizê-lo Gina tornou a virar-se de costas para ele. Abriu os braços e
mergulhou no ar gelado que envolvia a torre, bateu a cabeça em uma das
estátuas que ornamentavam a torre e tudo tornou-se preto.
Draco
sentia como se quem tivesse pulado fosse ele. Parecia até que os sentimentos de
Gina eram os seus próprios e ele estava impressionado com isso. Rapidamente ele
aproximou-se da mureta, ao vê-la pular sentiu-se muito mal, como se fosse culpa
sua, viu que ela ainda não havia chegado ao chão e agiu rápido:
–
Vinguardium
leviósa!- levitou-a por uns segundos, o que exigiu grande esforço devida à
velocidade com a qual ela caía, impedindo-a de bater no chão, ou melhor, nas
pedras perto do lago.
–
Você
a jogou!- Harry surgiu na cobertura.
–
Claro
que não. Ela pulou e não pude impedir. - Draco encontrava-se tão transtornado
que nem fazia piadas com a situação.
–
Mentira,
Gina não faria uma coisa dessas!!! -
Harry gritava furiosamente com Draco.
–
Mas
fez! E é culpa sua! E se não fosse por mim, ao invés de ferida, como ela
parece estar, agora a Weasley estaria morta.- respondeu virou-se já indo em
direção as escadas, precisava avisar Madame Pomfrey e levá-la a onde Gina
estava. Porém ouviu Harry às suas costas o chamando.
–
Malfoy,
seu covarde! A empurra e ainda me culpa, bem típico de você!
Aquilo
já estava irritando Draco. Não bastasse a preocupação com Gina, tinha que
agüentar acusações sem sentido de Harry. Tentou ignorá-lo e continuou seu
caminho, descendo as escadas da torre, mas Harry o segurou por trás e o jogou
no chão, iniciando uma briga. Draco revidou como pode, um acertava o outro,
ferindo mãos, braços, e rostos, até que um dos socos que deu em Harry
justamente na cabeça deixou-o inconsciente.
"Ótimo!
Mais um crime para o maléfico Malfoy". - pensou ao ver Harry desmaiado no
chão do corredor.
It's
all in the way you look at it
(Está
na maneira que você olha para isso)
That
makes you strong
(Que
te faz forte)
Logo
Gina e Harry estavam em camas na enfermaria. Até Madame Pomfrey olhava com
desconfiança para Draco enquanto perguntava o que havia acontecido.
–
Bom,
senhor Malfoy, acho melhor chamar Dumbledore. Fique aqui. - dizendo isso sumiu
pela porta.
Minutos
depois surgiram na enfermaria os professores, Snape, McGonagall e Dumbledore.
–
Precisamos
esclarecer os acontecimentos dessa tarde. - começou Dumbledore. - Me conte o
que houve, Draco.
Draco
não gostava de Dumbledore nem um pouco, talvez por seu pai constantemente
dizê-lo que ele era um "velho caquético adorador de sangues-ruins"
–
Eu
saia da aula de poções - disse lançando um olhar a Snape - Vi o Potter e a
Weasley conversando, reparei que ela chorava e a segui até o terraço da Torre
Norte. Tentei impedí-la, mas ela pulou, então evitei que batesse no chão com
um feitiço levitador. - respondeu entediado, sem demonstrar suas emoções.
–
Por
que Gina Weasley suicidaria-se? - perguntou uma McGonagall desconfiada.
–
Eu
não sei dos motivos pessoais da Weasley. - mentiu.
Nesse
momento Harry acordou e levantou-se, e expôs seu ponto de vista.
–
Ele
me acusou. Disse que Gina pulou por minha causa. Mas quem estava em posição
duvidosa era ele!
–
Explique
melhor, Potter. - Snape questionava.
–
São
questões pessoais. - Harry respondeu olhando para Dumbledore.
Snape
pareceu querer fazer outra pergunta, porém foi impedido por um sinal do
diretor.
–
Papoula,
- disse a Madame Pomfrey - posso levar os dois. - referindo-se a Harry e Draco.
–
Sim,
foram somente ferimentos superficiais, que já curei. Eles estão bem.
–
E
a senhorita Weasley, como está? - Dumbledore lançou um olhar à Gina, que
continuava inconsciente.
–
É
um estado preocupante. - respondeu baixinho - Coma-mágico.
Draco
não resistiu e perguntou:
–
O
que significa isso? - Nunca tinha ouvido falar em coma-mágico, e estava
preocupado com Gina. Era como se uma parte sua estivesse sofrendo muito.
–
Ela
não está muito ferida fisicamente, mesmo tendo batido fortemente a cabeça. O
que a mantém inconsciente, em estado de coma é a vontade própria, um
auto-feitiço. Parece que ela não quer acordar, e nesse estado nós não
podemos fazer nada. - Madame Pomfrey respondeu desanimada.
–
Estão
vendo, aí está a prova de que não a empurrei. Ela quis se matar. - Draco
afirmava apontado para Gina. - Se ela tem problemas por ser pobre, cheia de
irmãos e levar um fora, não é culpa minha!
–
Vamos
discutir esse assunto na minha sala, por favor. Draco Malfoy, vamos respeitar os
alunos internados. - Dumbledore parecia bravo, Draco tinha exagerado. - Minerva,
por favor, avise Ronald Weasley e comunique a família o mais rápido possível.
–
Sim
senhor. - professora McGonagall respondeu retirando-se rapidamente da
enfermaria.
Todos
saíram e foram para a sala do diretor. Em frente à passagem de entrada
Dumbledore pediu a Snape que não entrasse, portanto ficaram apenas Draco, Harry
e o diretor na sala.
–
Garotos,
agora peço que me contem tudo. - Dumbledore pediu sentando-se atrás de sua
mesa e olhando para ambos através de seus óculos meia-lua.
Draco
olhou para Harry e este respondeu ao olhar, nenhum deles queria ser o primeiro a
falar.
–
Pode
começar você, Harry. - já que ninguém queria falar, Dumbledore acabou tendo
que escolher um deles.
–
Eu
saia da aula quando a Gina veio falar comigo e ... - Harry parou por estar
constrangido.
–
Você
deu um fora nela dizendo que já namorava a Chang. - Draco continuou.
–
Foi
isso. - admitiu. - Mas eu não destratei Gina, fui o mais cuidadoso o possível.
- Harry respondeu olhando para o chão e segurando o rosto com as mãos.
–
Talvez
não tenha sido o suficiente. - Draco estava mesmo irritado com Harry.
–
Como
ela saiu andando eu fiquei parado no corredor, então vi o Malfoy indo na mesma
direção que Gina, resolvi seguí-lo. Quando cheguei no terraço vi Gina cair e
ele atrás olhando. - ele continuou ignorando o comentário de Draco.
–
Esse
Potter, me acusa de ter tentado matar
a Weasley, mas nem viu nada!
–
E
esse Malfoy, me acusa de ser culpado
por Gina tentar o suicídio. - ambos estavam furiosos.
–
Acalmem-se,
ninguém aqui é culpado. - Dumbledore tentava mediar a situação. - Harry,
não é sua culpa que a senhorita Weasley se encontrasse desesperada, como eu
suponho que ela estivesse. Draco, você não a empurrou, e sim a salvou. Estamos
entendidos? - o diretor parecia calmo, porém preocupado.
–
Sim.
- Harry respondeu, mas na verdade continuava achando Draco culpado.
Os
dois saíram da sala. Harry foi para a enfermaria, e Draco para as masmorras da
Sonserina.
We
were two
(Nós
fomos dois)
Now
we are one
(Agora
nós somos um)
Quando
chegou no Salão Comunal foi aplaudido e reverenciado pelos outros sonserinos,
que a essa hora da noite já tinham saído da aula.
–
É
isso aí, Malfoy! Nos livrando daqueles Weasley nojentos. - gritava um aluno,
que ele nem conhecia do fundo da sala.
–
Valeu,
Malfoy! Uma Weasley e uma grifinória a menos, pena que talvez ela sobreviva. -
outro dizia enquanto dava tapinhas no ombro de Draco.
Parecia
que os sonserinos acreditavam que ele tinha realmente jogado Gina da torre.
Draco continuou com seu rosto sem expressão, e ignorando a todos, foi para o
dormitório. Não queria, definitivamente, comemorar a tentativa de suicídio de
Gina.
Assim
que deitou-se em sua cama, veio a sua mente as lembranças desse dia nada
fácil. Tinha sido horrível ver Gina pular daquela altura sem hesitar, aquilo o
chocou. Como uma pessoa podia ter tantos sentimentos com os quais não quisesse
mais conviver? Ele sentia-se como Gina, sem esperanças, também não tinha
amigos, mas nunca pensou em se matar. Agora ele estava sem forças, não
conseguira impedí-la, pela primeira vez em sua vida sentia-se triste por outra
pessoa que não fosse ele mesmo. Ao recordar-se da expressão de Gina antes de
pular, sentiu dentro de si, que ela precisava dele, como ninguém havia
precisado antes. Porém, o que ele não compreendia, era que precisava dela
igualmente.
Lembrou-se
que sentira ciúmes quando a vira beijar Harry, como podia estar tão ligado
emocionalmente a alguém dessa maneira? Desde a primeira vez que ele havia visto
realmente Gina, olhado em seus olhos e notado aquele brilho, ele não era mais o
mesmo Malfoy de sempre, se fosse qualquer outra pessoa que tivesse tentado o
suicídio, ou até morrido, ele já estaria dormindo tranqüilamente, mas como
era ela Draco se revirava na cama.
Tinha
que revê-la. Esperaria acabar a algazarra no salão e todos os alunos irem
dormir para sair, iria até a enfermaria.
Assim
que a professora McGonagall encontrou Rony, juntamente com Hermione, ambos
correram para a enfermaria. No caminho, Mione consolava um Rony em estado de
choque. No entanto, quando ele viu Gina, ainda viva, passou de apático a
furioso. Dizia sem parar: O que ela pensa
da vida? Se matar! Mamãe ensinou o certo a nós! A morte não é caminho para
nada. Hermione tentava consertar:
–
Calma,
Rony! Ela deve ter tido seus motivos. - mas o namorado não a ouvia.
–
Para
mim ela não tentou se matar. - Harry entrava irritado na enfermaria. - o que
ele disse Rony pareceu ouvir.
–
Como
assim? - Rony perguntou indo rapidamente para o lado de Harry.
–
Vocês
ficaram sabendo que o Malfoy evitou,
- ele pronunciou ironicamente - que o Malfoy evitou que Gina morresse?
–
Sim,
a professora McGonagall nos disse. - Hermione respondeu.
–
Pois
é, eu acho que na verdade ele a jogou de lá de cima, e, quando eu cheguei no
terraço ele impediu que ela morresse,
–
Eu
mato aquele infeliz! - Rony cerrava os punhos e andava de um lado a outro da
sala.
Essa
atitude chamou a atenção de Madame Pomfrey, que os expulsou da enfermaria,
alegando que "assim gritando vão acordar os alunos", mas o mais
engraçado é que o único aluno internado era Gina, que se acordasse com o
barulho seria ótimo. No caminho até a torre da Grifinória os três
continuaram a discussão.
–
Mas
Harry, Gina quis se matar, se não ela não estaria em coma-mágico. Já li em
vários livros sobre isso, como não morreu e esse era seu desejo, ela
mantém-se inconsciente. Isso prova que não é culpa do Malfoy. Fico triste
porque ela devia estar dando sinais de sua tristeza há tempos, e nós não
percebemos. Ninguém decide se matar de uma hora para outra.
–
Você
tem razão, Mione. Como eu pude não cuidar de minha própria irmã? Meus pais
devem estar mal agora por culpa minha. - Rony dizia arrasado.
–
E
minha. Devia ter sido mais cuidadoso com Gina quando a contei que namoro a Cho,
na verdade devíamos ter contado isso antes. - foi a vez de Harry parecer
triste.
–
Nós
não imaginávamos que ela se declararia para você, afinal tantos anos...
Chegaram
ao retrato da Mulher Gorda e entraram.
Logo
que tudo pareceu calmo Draco levantou-se de sua cama, saiu o dormitório e
entrou no Salão Comunal de sua casa. Por sorte não havia mais ninguém ali,
afinal sempre ficava um casal de namorados, normalmente seteanistas se
amassando, o que Draco achava repugnante.
Rapidamente
chegou à enfermaria, entrou devagar para não fazer barulho. Procurava a cama
de Gina, quando a encontrou Draco aproximou-se e sentou ao lado dela na cama.
Reparou no rosto dela, parecia tão frágil dormindo aquele sono profundo, que
agora ele sabia ser o coma-mágico. Ele passou a mão no rosto de Gina, que
estava com alguns arranhões, e a sentiu fria, mesmo para ele que sempre fora
frio, a temperatura dela parecia baixa, para aquecê-la Draco puxou o cobertor
mais próximo ao seu rosto. Ele abaixou-se e disse ao ouvido de Gina:
–
Por
que você quer ficar dormindo, se pode acordar e me encontrar aqui? Acorde Gina.
Draco
ficou esperançoso olhando para ela, como nada aconteceu deu-lhe um beijo na
bochecha e ficou a zelando até que o sono o venceu fazendo-o dormir ali mesmo.
Quando estava amanhecendo ele acordou, e de sobressalto correu até o Salão
Comunal da Sonserina, lá se arrumou, pegou suas coisas e foi até o Salão
Principal tomar o café da manhã. Mas ao chegar surpreendeu-se com todos.
Alunos das outras três casas, grifinórios, lufa-lufos e corvinais,
lançavam-lhe os piores olhares, como os sonserinos acreditavam ser Draco o
responsável pelo estado de Gina. Em toda Hogwarts apenas o "velho
caquético" do Dumbledore acreditara nele.
Tão
logo sentou-se na mesa da Sonserina, sua coruja trouxe-lhe uma carta, era de
quem Draco esperava: seu pai. E também como ele já sabia, na carta Lúcio
elogiava Draco por "tentar matar uma Weasley imunda". Acabando de ler
a amassou e jogou fora, porém queria poder fazê-lo com seu pai.
Percebeu
que dentre todas as pessoas que olhavam com raiva para ele duas se destacavam:
Harry e Rony, ambos pareciam prestes a levantar-se da mesa da Grifinória e
socá-lo, mas Draco lançou-lhes um olhar frio e indiferente.
–
Draco!
Você está me ouvindo? - Pansy gritava histérica.
–
O
que é? - respondeu sem nem olhá-la.
–
Você
está no mundo da lua, hein! Eu estava dizendo que agora só falta você vencer
o Potter para tudo ficar perfeito.
–
É
verdade. - Draco estava extremamente apático. - Mas para tudo ficar perfeito,
primeiramente, você tem que calar essa boca.
Pansy
desfez um esboço de sorriso e sentou-se emburrada na mesa. Depois da refeição
Draco e os sonserinos foram para as aulas, por sorte hoje a Sonserina não
compartilhava aulas com a Grifinória.
We
are two very diferent people
(Nós
somos duas pessoas muito diferentes)
So
much to overcome
(Tanto
para superar)
Harry,
Rony e Hermione passavam as aulas discutindo. Mione discordava dos dois sobre a
culpa de Malfoy.
Após
o almoço, Molly e Artur Weasley chegaram à Hogwarts, sendo rapidamente
conduzidos a enfermaria, lá encontrando-se com Rony e Dumbledore.
–
Minha
menininha! - a senhora Weasley dizia enquanto passava a mão carinhosamente no
rosto de Gina.
–
O
senhor tem idéia do porquê dela ter feito isso? - Artur perguntou a
Dumbledore.
–
Não,
exatamente. Mas, achamos que foi uma reação em cadeia de aborrecimentos e
tristezas que culminou com uma decepção amorosa.
–
Mãe,
fique calma. A Gina via ficar bem, assim que acordar. - Rony dizia com uma das
suas caretas características.
–
Eu
sei filhinho. - Molly respondia entre copiosas lágrimas. - Artur, não é
melhor a levarmos para casa?
–
Não,
ela não deve sair daqui. - o diretor respondeu. - Uma viagem, seja física ou
mágica, pode fazê-la mal.
–
Certamente
é melhor deixá-la aqui, Molly. - respondeu o senhor Weasley caminhando até
sua esposa, que encontrava-se em frente a cama de Gina, e a abraçando para dar
apoio.
–
Podemos
continuar essa conversa na minha sala? - Dumbledore convidou os Weasleys.
–
Sim,
vamos. - respondeu Artur conduzindo Molly, depois de ela dar um beijo no rosto
da filha.
–
Eu
não compreendo. Sempre demos tanto amor e carinho a ela. - Molly dizia mais
para si, do que qualquer outra pessoa.
–
Nem
sempre o amor é tudo. - respondeu Dumbledore, demonstrando toda sua sabedoria.
Depois
da conversa na sala do diretor os Weasleys voltaram à Toca. Rony ficara com
Harry e Hermione na enfermaria depois das aulas até o anoitecer.
Enquanto
isso Draco estava no Salão Comunal da Sonserina pensando em como faria para ver
Gina novamente. Era arriscado ficar saindo à noite, ainda mais agora, que com o
retorno de Voldemort, tudo estava mais vigiado em Hogwarts, e se fosse pego
perderia muitos pontos além de ganhar uma detenção. Porém, após duas horas
pensando, não encontrou outra solução, certamente ele não poderia vê-la
durante o dia, teria que sair pelos corredores a noite mesmo.
Saiu
sorrateiramente do Salão Comunal e andou cuidadosamente pelos corredores até a
enfermaria. Lá dentro estava escuro, ele aproximou-se da cama de Gina, pelo
jeito ela parecia estar no mesmo estado da noite anterior. Draco sentara-se ao
lado da cama dela, estava a observando quando foi surpreendido por dois braços
que o forçaram ao chão rapidamente, mesmo na escuridão ele conseguiu notar os
cabelos ruivos de Rony, que estava até agora com Gina, ele não tinha ido
dormir na Torre da Grifinória.
–
O
que você faz aqui? - Rony gritou com Draco. - O que você quer com minha irmã?
Draco
tentava tirar Rony de cima de si, enquanto o outro já começava a socá-lo.
–
Me
deixa em paz. Eu não quero nada com sua irmã. - respondeu Draco, tentando
proteger o rosto com os braços dos socos fortes de Rony.
–
Então,
o que você faz aqui? Eu sei que você a jogou da torre. Qual seu plano? Acabar
com todos nós? Não minta para mim!
–
Quantas
mil vezes devo dizer que não fiz nada? Se tivesse feito agora ela não estaria
nessa enfermaria, e sim, a sete palmos do chão! - ele respondeu em um momento
de fúria, conseguindo tirar Rony de cima de si, levantando-se e armando-se com
a varinha. - Não se aproxime, ou fica sem cabeça, Weasley!
–
Que
bagunça é essa na minha enfermaria? - era Madame Pomfrey, que vinha com
pijamas e cara de sono do fundo da enfermaria. - O que você estão fazendo?
Os
dois garotos pararam na hora, no entanto o clima continuava pesado. Ambos
ofegavam devido ao esforço físico e tinham leves escoriações devido a briga.
–
Brigando
aqui! Vocês não têm consciência do mal que podem fazer aos alunos
internados?
Rony
suspirou sentindo-se culpado, e Draco fez um muxoxo, não se importava nem um
pouco com os internos.
–
Vão
receber uma detenção, que será resolvida comigo e o senhor Filch, já que era
para vocês estarem nas suas camas a uma hora dessas. E não pensem que vou
curar esse ferimentos. Me acompanhem.
Madame
Pomfrey fez os dois seguirem-na, e na sala de Filch determinou as detenções:
Rony teria que fazer uma faxina na enfermaria no dia seguinte após a aula, e
Draco cuidaria durante a madrugada dos doentes da enfermaria, sem poder dormir e
depois indo direto para as aulas.
So
why care for one another
(Então
porque se importar um com o outro)
When
there's so much to be done
(Quando
há tanto para ser feito)
À
noite, na hora marcada, Draco compareceu a sua detenção, que para qualquer
pessoa normal não seria tão ruim assim, mas para ele era o fim ter que cuidar
dos doentes. Por sorte quando chegou a enfermaria Madame Pomfrey mostrou-lhe o
único doente internado: Gina. O outro garoto havia tido alta durante a tarde.
Para Draco não seria nada mal ficar com ela a noite inteira, pois era bem isso
que ele desejava, sem querer Madame Pomfrey o ajudara. Ela saiu deixando-o
sozinho com Gina.
Draco
sentou-se ao lado de Gina na cama. Notou que ela estava diferente, respirava
mais acelerado, o que o deixou preocupado: "Será que ela está
piorando?" ele pensou, resolveu chamar Madame Pomfrey devolta. Levantou-se
e virou-se dando as costas a Gina, mas começou a ouvir um choro.
Gina
acabava de abrir os olhos, quando uma grande tristeza a invadiu. Achava-se
confusa, tinha morrido ou não afinal? Mas onde estava não parecia-se nada com
o outro mundo. Sua mente foi clareando-se, fazendo-a perceber que estava na
enfermaria de Hogwarts, onde já tinha estado tantas vezes. Ela conscientizou-se
que não havia morrido, o que a deixou emocionada, enchendo seus olhos de
lágrimas.
Draco
virou-se e viu Gina sentada na cama e chorando. Uma imensa alegria, que ele nem
mesmo imaginava que pudesse sentir o tomou. Ela tinha acordado! Nada melhor
poderia acontecer justamente na hora que ele estava lá.
–
Calma
Gina. Está tudo bem. - Draco disse calmamente com um sorriso no rosto, se
reaproximando dela.
–
Malfoy?
O que você faz aqui? - Gina perguntou entre soluços.
–
Detenção.
- pelo menos ele tinha uma desculpa para estar ali, afinal ele nunca admitiria
que queria vê-la.
–
O
que aconteceu? Por que eu não morri? - ela olhava para Draco enquanto parava de
chorar e enxugava as lágrimas do rosto. - Eu me lembro de ter pulado e batido a
cabeça...
–
Você
não morreu porque eu evitei. - ele respondeu tentando, como fora ensinado, não
demonstrar nenhuma emoção.
–
Por
que você fez isso Malfoy? Por acaso não percebeu que eu queria morrer, não? -
agora Gina olhava-o irritada.
–
Você
não queria morrer. - respondeu convicto. - Só é uma garota mimada, que não
aceita perder!
–
Quem
é você para me chamar de mimada? O filhinho de papai, que sempre teve tudo o
que quis? Até pagou para entrar no time
de quadribol! - Gina estava exaltada.
–
Não
grite, se não daqui a pouco Madame Pomfrey vai vir aqui. E eu não paguei para
entrar no time, você é que tem inveja porque eu não uso roupas de segunda
mão. - Draco não gostava de ofendê-la, mas porque ela tinha sempre que
tirá-lo do sério?
–
Vai
embora! - Gina voltou a chorar, estava emocionalmente desestabilizada. Não era
fácil sair de um coma-mágico, mesmo que ela não soubesse que estava em um.
–
Não
vou! - Draco sustentou o olhar e manteve-se firme. - Estou de detenção,
esqueceu?
–
Então
eu vou! - dizendo isso Gina se levantou, porém ficou tonta e quase caiu, só
não o fez porque Draco a segurou.
–
Como
você vai sair daqui, se não consegue nem manter-se em pé? - Draco disse
enquanto segurava-a pelos ombros.
A
proximidade entre ambos causou novamente a mesma sensação do dia em que se
viram, realmente, pela primeira vez, a sensação de uma forte ligação. Draco
tomou a iniciativa e puxou Gina para si, cobrindo com seus lábios os dela. Mas
esse beijo era diferente do primeiro, tinha muito mais carinho, quem sabe até
amor. Para Gina tudo clareou-se, ela não precisava mais morrer, com esse
segundo beijo soube que ainda existia esperança de ser feliz, de ser amada.
Para Draco somente através desse beijo ele teve noção do que sentia por Gina,
não era como beijar as outras garotas que ele havia beijado anteriormente, não
era algo simplesmente físico, e sim espiritual, ele não sabia como, porém
compreendia isto, percebeu que se Gina nunca mais acordasse ele viveria infeliz,
a sua sombra e teve medo disso. Quando o beijo acabou, o que ele queria que não
acontecesse, Draco a colocou de volta na cama.
–
Estou
tão cansada. - dizendo isso e bocejando, Gina fechou os olhos ajeitando-se sob
os cobertores, não tinha mais forças nem para continuar a discutir com Draco.
- Boa noite, Draco.
Ele
sentou-se ao lado dela na cama e, dando o braço a torcer, começou a passar os
dedos nos cabelos flamejantes de Gina, há muito tempo desejava fazer isso.
–
Gina.
- disse no ouvido dela.
–
O
quê? - ela respondeu num sussurro.
–
Eu
gosto de você... gostaria de namorar comigo? - foi a vez dele sussurrar.
–
Hum,
hum... - Gina respondeu, mas não tinha escutado o que Draco dissera, já estava
dormindo levemente.
Logo
Gina dormia, e Draco também. Horas depois ele acordou e se deu conta do que
tinha feito: pedira Gina em namoro! Estava maluco? Eles não podiam namorar.
Tudo estava errado, o mundo estava errado! Desde sempre os Malfoys e os Weasleys
foram inimigos mortais, como agora ele e Gina superariam isso? Era impossível,
melhor desistir... Só que Draco não sabia que mais impossível do que a
união, era a separação de ambos.
Depois
de concluir que seria melhor se afastar dela, Draco levantou-se e passou
novamente as mãos nos cabelos de Gina "Eles tinham que ser vermelhos?
Você tinha que ser uma Weasley?". Acabou dando um beijo de despedida nos
doces lábios dela "Adeus Gina".
Indo
para aula Draco encontrou seus amigos
sonserinos e decidiu-se por continuar a ser como era. Na realidade tinha medo de
tudo que teria de abrir mão por um amor, que como ele nunca sentira antes, não
sabia se valia pena. Draco tinha medo de crescer.
'Cause
sometimes it's necessary
(Porque
às vezes é necessário)
Just
look how far we've come
(Apenas
olhe como chegamos longe)
Instantes
depois que Draco saiu Gina despertou, sentiu a ausência dele, já que ele havia
ficado ao seu lado a noite toda. Achava que tudo que acontecera nos últimos
dias muito estranho, principalmente o que envolvia Draco, como de repente ele
passou a se interessar por ela? Será que ele também sentia o mesmo que ela? E
o mais engraçado era a maneira
como se relacionavam, sempre com brigas e depois carinhos, Gina não costumava
agir assim com ninguém.
Quando
Madame Pomfrey notou que Gina estava acordada, rapidamente foi atendê-la.
–
Você
está bem? - perguntou solícita.
–
Sim.
- Gina começava a senti-se envergonhada. Será que todos sabiam que ele tentara
o suicídio?
–
Está
com fome? - nem esperou a resposta e continuou. - Um minutinho e trago algo para
você. - disse Pomfrey já saindo da enfermaria.
Tudo
que restava a Gina fazer era esperar e ver até onde essa história chegaria.
Dez minutos depois surgiram na enfermaria, juntamente com Madame Pomfrey,
Dumbledore e Rony. Seu irmão veio
afoito em sua direção, a abraçando e dizendo coisas que ela não compreendia
como: ele não conseguiu te matar...
espere até o Harry saber disso... Dumbledore ao fundo lançava-lhe um olhar
duro e comovido ao mesmo tempo. Madame Pomfrey logo expulsou Rony de cima de
Gina, e o mandou ir para aula, e fez Gina comer o prato cheio de mingau de
aveia, assim que ela acabou deu-se por satisfeita e deixou-a a sós com o
diretor.
–
Gina,
você sabe o que houve no dia em que pulou da torre? - Dumbledore começou
discretamente.
–
Eu
pulei da torre e só não morri porque o Dra... Malfoy, - rapidamente corrigiu -
evitou. - respondeu olhando para os cobertores de sua cama.
–
Então
a senhorita quis mesmo se matar. - afirmava. - Preciso que me diga, se quiser
guardo segredo, - ele disse piscando um olho para Gina - Os motivos que te
levaram a essa ação, são os que imagino?
–
Foram
vários motivos...
–
Um
deles é um jovem moreno de olhos verdes, não é? - Dumbledore observava-a com
seus olhos azuis claros, e ela sentiu que não podia mentir para ele.
–
Sim.
- respondeu envergonhada.
–
Bom...
pode deixar que não falarei para ninguém. Deixe-me dizer o que houve com
você. Gina quando você caiu bateu a cabeça, mas isso não é grave, ficando
desacordada, porém o que te deixou inconsciente foi o coma-mágico. - diante da
expressão de dúvida dela, o diretor se fez mais claro. - No coma-mágico a
pessoa não acorda porque não quer mais viver. - essa afirmação deixou Gina
boquiaberta.
–
Mas...
–
Você
não precisa explicar nada, com relação a isso. Só uma dúvida, o senhor
Malfoy te ajudou mesmo?
–
Se
não fosse por ele, agora eu estaria morta. - ela respondeu prontamente.
–
Agora
que você acordou avisarei sua família. - quando o diretor mencionou sobre sua
família Gina sentiu um aperto no coração, deve ter feito-os sofrer. -
Descanse.
Dumbledore
foi embora, deixando uma Gina surpreendida na enfermaria.
Rony
tinha corrido para avisar Harry que Gina acordara, notava o quão triste seu
amigo estava. Harry, desde que Gina tentara se matar, estava em crise, não
admitia, porém sentia-se culpado pela tentativa dela. Não por ter falado que
namorava a Cho, mas por não ter percebido que ela precisava de sua amizade e
atenção. Era nisso que pensava quando Rony surgiu à porta do Salão
Principal, onde ele almoçava.
–
Harry!
- Rony ofegava, foi, literalmente correndo falar com ele.
–
Rony,
o que houve? - Harry levantou-se rapidamente de sua cadeira pensando que alguém
tinha sido atacado, ou algo assim pelo estado de seu amigo. Contudo Rony sorriu
e abraçou Harry pulando.
–
Gina
acordou!- respondeu Rony.
Harry
sentiu-se feliz e aliviado, que bom que Gina acordara, não agüentaria mais a
sensação de que ela jamais abriria os olhos novamente. Começou a pular
juntamente com Rony.
–
Vamos
contar para Mione! - disse Harry olhando para Rony, e ambos saíram correndo em
direção a biblioteca, onde Hermione passava o horário do almoço no dia de
hoje.
Minutos
depois os três estavam na enfermaria para ver Gina, mas ela já estava dormindo
novamente, portanto eles não puderam evitar uma pequena decepção.
–
Mas
o que importa é que agora ela está apenas dormindo. - Hermione tentava animar
os amigos. - Vamos para aula, não vai adiantar de nada ficarmos aqui. Ainda
podemos assistir as aulas da tarde, que serão da McGonagall.
–
Não,
vou ficar. Preciso falar com ela para saber que está bem. - respondeu um Harry
desanimado.
–
Você
vai comigo, não é Rony? - ela sabia que ficando lá só perderiam matéria de
prova.
–
Vou,
já falei com ela hoje. - não que Rony estivesse animado a assistir aula... -
Depois eu volto, tá Harry? Cuida de minha irmãzinha.
–
Pode
deixar. - respondeu puxando uma cadeira para o lado da cama de Gina e ficou lá
sentado velando o sono dela.
Depois
da saída de Dumbledore, Gina adormecera rapidamente, e agora sonhava. No sonho
via Draco, que dizia gostar dela e a beijava, porém instantes depois ele, e
tudo a sua volta desapareceu, deixando-a sozinha, no escuro e no frio. Começou
a sentir-se desesperada, chorava e gritava por ele, mas continuava abandonada...
Abriu os olhos e viu os conhecidos cabelos pretos arrepiados e os inesquecíveis
olhos verdes por trás dos óculos redondos.
–
Gina,
você está bem? Fica calma, foi só um sonho.
Estava
tão assustada que abraçou Harry forte e respirava acelerado tentando
acalmar-se e reorganizar seus pensamentos. Percebeu que abraçava-o, e que não
sentia-se mais chateada com ele. Tinha sido muito egoísta ao tentar o
suicídio, pensara somente em si e não em sua família ou amigos. Harry se
importava com ela sim, tanto que estava ali agora, ajudando-a.
Harry
abraçava Gina de volta com carinho, estava descobrindo que importava-se mais
com ela do que pensava. Quando ela o soltou queria abraçá-la novamente.
–
Está
tudo bem, Harry. Foi só um pesadelo bobo. - respondeu a ele desviando o olhar.
Um
clima pesado surgiu entre os dois. Gina sentia-se desconfortável com Harry,
agora que lembrava-se da declaração. Após uns minutos de silêncio Harry
resolveu falar.
–
Posso
te fazer uma pergunta? - indagou levantando as sobrancelhas. Gina percebeu que
ele estava nervoso, pois sempre fazia essa expressão nesse estado, como ela
podia conhecê-lo tanto? Cada expressão, cada gesto ela podia decifrar.
–
Pode.
- "Desde não seja sobre o
suicídio."
–
Você
realmente pulou, por vontade própria, ou o Malfoy te jogou porque...
–
Espera.
- Gina respondeu impedindo-o de terminar a frase. - Da onde você tirou a idéia
de que o Malfoy me jogou?
Harry
fez uma expressão de espanto e respondeu:
–
Então,
você se suicidou mesmo?
–
Foi,
por livre e espontânea vontade. E, pelo que fiquei sabendo, Malfoy quem impediu
que eu morresse.
–
Eu
pensei que ele tinha te empurrado, porque cheguei no local na hora que ele te
levitou e achei estranho. Por que um Malfoy salvaria a vida de uma Weasley?
Ainda mais o nosso conhecido Draco Malfoy, eu não entendo. - ele segurava o
rosto com uma das mãos.
–
Talvez
ele não seja tão mal quanto pensamos.
You
could say my friend that it's the end
(Você
poderia dizer: meu amigo é o fim)
Or
a new tale has begun
(Ou
que um novo terá começado)
No
dia seguinte Gina foi dispensada para voltar a assistir as aulas. De manhã foi
até seu dormitório para se arrumar, por sorte chegou até lá sem que alguém
a visse. Gina estava com muito medo da reação dos outros alunos sobre sua
tentativa de suicídio, torcia para que continuasse como antes: invisível.
Porém, quando chegou ao Salão Principal, notou os olhos de todos sobre si,
sentindo-se extremamente mal, afinal todos a olhavam como se ela fosse uma
coitadinha, ela abaixou a cabeça e sentou-se ao lado de Colin na mesa da
Grifinória.
–
Oi,
Gina. Você está bem? - Colin a cumprimentou de boca cheia.
–
Estou
ótima Colin.
Era
engraçado como para Colin parecia que nada houvesse acontecido, ele falava com
ela dos assuntos mais banais da escola. Gina tentava tomar seu café da manhã
anônima, mas percebeu que pelo salão todos, ou quase todos, os comentários
eram a seu respeito, ou sobre a anormal presença de Dumbledore durante um café
da manhã.
A
situação estava realmente estranha, Gina apurou os ouvidos e constatou que os
demais alunos culpavam Draco pelo seu "acidente". Como podiam pensar
que ele havia tentado matá-la? Era um absurdo! E ele não fazia nada, apenas
parecia vangloriar-se na mesa da sonserina. Ah, ela tinha que esclarecer isso!
Lançou um olhar a Dumbledore, que pareceu compreender e pediu silêncio aos
alunos:
–
Preciso
explicar-lhes os acontecimentos recentes que envolveram Gina Weasley e Draco
Malfoy.
Alunos
das quatro mesas viraram-se para olhar para Draco e Gina, que sentiu suas
bochechas corarem violentamente.
–
Não
podemos culpar Malfoy pelo ocorrido, pois ele é inocente. Gina quando acordou
confirmou que na realidade tentou o suicídio, pulando da Torre Norte.
Neste
momento Gina sentiu-se ainda pior com todo virando-se para ela respectivamente.
–
Portanto
não há necessidade de olhares hostis ao senhor Malfoy. Na realidade ele agiu
heroicamente evitando que Gina morresse. - depois de dizê-lo Dumbledore voltou
a sentar-se.
Gina
reparou que os sonserinos não gostaram nem um pouco da notícia e olhavam
irados e decepcionados para Draco. Toda vez que ela o olhava ele desviava e
fingia que não percebia, essa atitude estava irritando-a. O que ele estava
pensando que ela era? Beijava e depois jogava fora? Isso não iria ficar assim!
E o pior é que ele não tinha apenas beijado Gina, mas devolvido a esperança a
ela.
Em
sua mesa Draco estava desconfortável, os olhos de Gina eram penetrantes sobre
ele, mas tinha que ser forte, não a olharia. O pior é que ela devia estar
esperando algo, afinal ele a pedira em namoro! Já que Draco não sabia que Gina
não ouvira sua proposta. O que todos diriam se o vissem com uma Weasley?
Certamente seu pai o mataria, ou pior, o deserdaria. Ele provavelmente
reclamaria assim que ficasse sabendo que na verdade ele não tentou matá-la, e
sim salvá-la, Draco até ouvia as broncas.
Gina
assistiu as aulas do dia sendo observada por todos e percebendo cochichos sempre
que virava as costas, igualzinho ao seu primeiro ano, depois de ter aberto a
câmara secreta. Não encontrou Draco, nem sequer durante as refeições.
A
noite estava no Salão Comunal da Grifinória, sentia-se deprimida olhando o
céu e as estrelas pela janela, sentia falta de Draco, até mesmo das brigas,
principalmente pelos beijos que vinham depois. Levantou-se determinada e
caminhou até uma das mesas, pegou papel e pena e sentou-se para escrever uma
carta a Draco. Tinha várias idéias, porém assim que se viu em frente ao
pergaminho não sabia o quê escrever.
Ficou
parada pensando e nem notou quando Harry sentou-se ao seu lado.
–
Gina.
Fazendo dever? Como está sendo a recepção dos alunos a você? - perguntou
parecendo simpático.
–
Muito
estranha. - Gina surpreendeu-se por não ficar nervosa ao falar com ele.
–
Eu
sei como é. Você está triste? - Gina o olhou e notou como os olhos dele
brilhavam tanto.
–
Não.
Está tudo bem. - "Ele notou que eu estou triste? O que há com
Harry?"
–
Não
sei se você ficou sabendo que eu e a Cho terminamos. - ele continuou, passando
a mão nos cabelos.
–
Não.
- "Por que ele está me falando isso?"
–
E
do baile que vai ter em comemoração ao fim do ano letivo?
–
Também
não. - "Ele está nervoso?"
–
Então
ninguém a convidou? - parou para receber um sinal negativo de Gina. - Você
gostaria de ir comigo?
"Harry
Potter me convidando para um baile? Não acredito. Mas agora? Depois de tudo o
que eu fiz? Ai, Gina! Aceita logo e deixa de ficar remoendo o passado, ou você
vai querer ir com o Neville ou o Colin?" - debatia consigo.
–
Sim
- respondeu rápido.
–
Você
vai comigo, mesmo? - ele estava animado e Gina não pode conter o riso.
–
Vou.
Quando vai ser?
–
Daqui
a uma semana.
–
Então
está combinado. - dizendo isso Gina se levantou e foi para o dormitório,
largando Harry e esquecendo a carta que escreveria
a Draco.
Draco
realmente recebeu uma carta, mas de seu pai. Nela Lúcio perguntava se tinha ou
não tentado matar a Weasley, mas Draco, como fazia sempre, não se deu ao
trabalho de respondê-la. Os dias se passavam e ele fugia de Gina, tinha medo de
encontrá-la e estragar sua tentativa de esquecê-la.
Enquanto
fazia os deveres na mesa da biblioteca, em um canto bem escondido para não
encontrar com Gina, Pansy Parkinson tagarelava sem parar ao seu lado, mas ele
nem dava atenção, a não ser quando ouviu: Potter,
Gina Weasley e baile, na mesma frase, então parou e disse:
–
O
que você falou sobre o Potter?
–
Ai,
Draquinho! Sempre voando, eu estava falando do baile. Você vai comigo, não
vai? - Pansy respondeu ajeitando o cabelo.
–
Vou.
- "Por que ela nunca responde o que eu pergunto?" - Mas o que você
disse sobre o POTTER?
–
Que
obsessão! Eu disse que ele vai com a Weasley nojenta, e não com a Chang. Você
ficou sabendo que eles acabaram?
–
CALA
A BOCA, PANSY! - Draco gritou e levantou-se para sair da biblioteca antes que
Madame Pince o repreendesse, largando Pansy na companhia de Crabbe e Goyle.
Sabia
que não podia, afinal com Voldemort andando por aí, mesmo que não corresse
riscos por ser filho de um dos comensais, mas foi para fora do castelo. Também
corria riscos de perder pontos, agora com as regras mais rígidas de Hogwarts,
no entanto precisava esfriar a cabeça no ar frio da noite. Andava pelos jardins
pensando em sua vida, em tudo que acontecia. "Que droga, só porque eu
quero a Gina, o Potter também quer! Espera aí, eu NÃO quero a Weasley!"
Draco tentava se enganar, não podia voltar atrás na sua decisão, por mais que
doesse.
'Cause
it's all in the way you look through your eyes
(Porque
está tudo na maneira que você olha através de seus olhos)
And
when all is said and done
(E
quando é foi dito e feito)
All
of the fear and all of the lies are not hard to overcome
(Todos
os medos e mentiras não são difíceis de superar)
O
dia do baile chegou e Gina estava extremamente ansiosa. Já tinha comprado o
vestido em Hogsmeade durante a semana, com o dinheiro que Fred e Jorge haviam
lhe dado no começo do ano para uma emergência. No dia anterior seus pais
tinham vindo vê-la, foi uma comoção total entre ela, Rony, Artur e Molly,
fizeram-na prometer que não faria uma coisa dessas nunca mais. Gina tinha
resolvido esquecer Draco e aproveitar o momento com Harry.
Todas
as meninas faziam um grande alvoroço se arrumando, inclusive ela e Hermione que
se ajudavam mutuamente. Hermione já estava quase pronta, ela e Gina já tinham
passado a poção alisadora em Mione, e a maquiado, mas Gina ainda estava
completamente desarrumada.
–
Precisamos
dar um jeito em você, Gina. Eu vou colocar os brincos e nós te arrumamos. -
Hermione disse em frente ao espelho, colocando os brincos com pedras rubi, no
mesmo tom de seu longo vestido de alcinha.
–
Pronto!
Mãos a obra, vem cá Gina, deixa eu ver... o cabelo primeiro. Que tal enrolar?
Você fica linda de cachinhos! - ela até parecia uma especialista falando,
agora Hermione estava muito mais amiga de Gina do que antes.
–
Pode
ser, Mione.
Depois
de uma hora Gina estava pronta. Os cabelos cacheados caindo sobre os ombros, o
vestido verde-claro de um tecido fino, que ela julgava ser seda, e uma maquiagem
suave.
–
Prontas!
- as duas disseram juntas.
–
Vamos
ver esses garotos babarem! - Parvati disse do fundo do dormitório.
Gina
e Hermione riram e saíram, indo ao encontro de Harry e Rony. Quando os
encontrou Gina viu a reação dos garotos, ficaram boquiabertos.
–
Uau!
Vocês estão lindas! - Rony foi o primeiro a elogiá-las. - Cadê a Mione e a
Gina que conheço? Foram seqüestradas? - ele dizia olhando para os lados.
–
Seu
bobo! - Hermione respondeu e ele ofereceu o braço a ela.
–
Vamos?
O baile já deve ter começado. - Harry disse oferecendo o braço a Gina. -
Você está muito bonita, gostei dos cachinhos. - ele elogiou envergonhado.
–
Obrigada.
Vamos.
Gina
sentia-se feliz, afinal estava realizando seu maior sonho, não estava? A vida
inteira ela quis ir a um baile com Harry, e agora finalmente conseguira. Só
faltava agora tornar-se popular para completar o quadro. Porém essa felicidade
era vazia, incompleta.
Quando
os casais chegaram ao Salão Principal ficaram impressionados, a decoração
estava incrivelmente linda! A noite aparecia muitíssimo estrelada através do
teto, além das várias estrelas cadentes que surgiam aqui e ali. Estava
caprichada, já que desde o Baile de Primavera do torneio tribruxo que Hogwarts
não via outra festa.
–
Quem
é a banda que animará o baile? - Gina perguntou ainda boquiaberta.
–
Dumbledore
está fazendo mistério, nem nós monitores ficamos sabendo. - Rony respondeu.
Muitas
pessoas já ocupavam as mesinhas do salão. Gina olhava a sua volta, procurando
Draco, ela não resistia. "Com quem será que ele vem?"
–
Não
é Gina? - Harry disse virando-se para ela.
–
O
quê?
Harry
fez menção de repetir, mas Dumbledore surgiu no palco e anunciou:
–
Boa
noite! Dessa vez a banda convidada é conhecida no mundo bruxo, e no mundo
trouxa: Westlife!
As
meninas começaram a gritar, os meninos faziam caretas, entre eles o mais
cômico, sem dúvida era Rony. Sonserinos pareceram não gostar muito da banda,
provavelmente por ser música ouvida por trouxas também. A primeira música
apresentada foi: Dreams come true, como era animada Gina logo chamou Harry para
dançar, mas ele não quis, então resolveu ir sozinha.
Depois
de três músicas animadas Gina voltou para mesa onde estavam Harry, Rony e
Hermione. Ela sentou-se e Hermione a olhou incrédula.
–
Gina,
você acabou com seu cabelo! Está todo liso!
–
Tudo
bem, eu arrumo em um segundo. - respondeu procurando sua varinha em um
compartimento do vestido. - Cadê minha varinha?
–
Ficou
no dormitório. Nós devíamos ter passado um fixador no seu cabelo! - Hermione
disse lamentando-se.
–
Vou
buscar, já volto. - disse girando nos calcanhares e saindo de perto da mesa.
–
Espera!
- Rony chamou, mas ela nem ouviu. - Para que varinha? O seu cabelo está ótimo,
assim liso como sempre.
It's
all in the way you look at it
(Está
na maneira que você olha para isso)
That
makes you strong
(Que
te faz forte)
Draco
havia terminado de arrumar-se. Combinou que encontraria Pansy na entrada do
Salão Principal, não queria que ela ficasse no seu pé. Andava no corredor
próximo ao salão quando ouviu um som que vinha de uma sala perto de onde
estava, parecia algo arranhando madeira, era estranho. Como ele não estava com
a mínima pressa para encontrar sua companhia de baile, resolveu dar uma olhada,
abriu a porta e olhou dentro da sala, esta estava inteiramente vazia e escura,
ele apurou os ouvidos, percebeu que o som vinha do fundo do aposento, então
entrou e foi até o local, com a porta fechando-se atrás de si. Havia uns
cobertores e madeiras no local, Draco puxou um deles e viu um rato grande,
provavelmente era o que causava o barulho, como ele não percebera antes? Nas
masmorras sempre tinham ratos, já devia saber reconhecer esses sons. Caminhou
até a porta, porém quando tentou abri-la não teve sucesso. "Que
maravilha! Agora em vez da companhia de Pansy para a noite, vou ficar aqui com
esse rato...", pensando ficou esmurrando a porta, quem sabe alguém o
ouvia. "Quem manda não andar com a varinha, nunca se sabe quando vai
precisar dela."
Gina
havia saído do salão quando ouviu batidas na porta próxima, alguém gritava
lá dentro, mas ela não reconheceu a voz.
–
Calma,
vou tentar abrir a porta. - a maçaneta girou fácil, Gina estranhou, mas abriu
a porta e entrou, olhando e fechando a porta.
–
NÃO!!!
- Draco gritou, mas já era tarde, agora ficaria preso na sala com o rato e
alguém idiota demais.
–
Que
foi? - Gina não o reconheceu, estava escuro.
–
Sua
imbecil! Você trancou a porta de novo!
–
Malfoy?
É você? - com essa delicadeza, só
podia ser ele.
–
Weasley?
- agora ele a reconheceu. - Ah que ótimo, agora vou ficar trancado com você.
- não podia ficar com ela na sala.
–
Ah!
Quero voltar para o baile. O Westlife está lá cantando todas as músicas que
gosto, e vou ficar aqui, presa justo com você. - agora que ela tinha decidido
aproveitar o baile com o Harry.
–
Dá
um jeito de voltar para o baile, o Potter te espera. - ele respondeu
ironicamente. - Eu te peço em namoro e no dia seguinte você já marca o baile
com ele!
–
Quê?
Me pede em namoro? Quando? Está maluco, Malfoy?! - que história era essa?
–
Esquece.
–
Não,
explica!
–
Não,
você nem se lembra! - ele ficou emburrado.
–
Nós
não conversamos mais, você queria que eu fizesse o quê? Esperasse que você,
num minuto de insanidade me convidasse para o baile?
–
Sim,
já que num minuto de insanidade eu te pedi em namoro, aquele noite na
enfermaria.
–
Eu
não me lembro disso! Nós nem conversamos, apenas discutimos.
–
E
nos beijamos, ou você também não se lembra disso?
–
É
claro que lembro. - ela respondeu envergonhada.
–
Depois
eu te coloquei na cama e te pedi em namoro. - por que ele estava repetindo isso
a ela?
–
Mas
eu não lembro, vai ver já estava dormindo. Sei que você ficou comigo a noite
toda na enfermaria e depois foi embora. - ela chorava, tinha se magoado muito
com Draco. - E nem dirigiu mais a palavra a mim, nem sequer para agradecer que
eu te livrei de uma acusação de assassinato!
–
Não
foi mais que sua obrigação, já que também nem agradeceu por eu ter salvado
sua vida! - por que ela tinha que chorar? Isso fazia tudo parecer pior do que
era.
–
Eu
quero sair daqui. - Gina disse saindo de perto dele e começando a esmurrar a
porta. - Por que eu tinha que ser tão curiosa? Devia ter ido lá no dormitório
pegar minha varinha e ignorar as batidas nessa maldita porta!
Um
grande silêncio pairou entre ambos. Draco pegou um dos cobertores e sentou-se
num canto, Gina continuou batendo a porta, mas agora sentara-se ao lado dela.
Era possível ouvir o show agora que estava silêncio. Gina parou de bater e
começou a cantarolar as músicas do Westlife.
–
Eu
não acredito! Preso nesse quarto gelado, com ratos e você cantando as músicas
ridículas dessa banda! - ele estava mesmo irritado, Gina era muito desafinada.
–
Ratos?
- Gina perguntou rapidamente se levantando.
–
Tem
um ninho ali naquele canto. - respondeu apontando para o canto, estava escuro,
mas seus olhos já se acostumavam com o breu, tornando mais fácil de enxergar,
tanto o cômodo, quanto Gina.
–
Ai,
eu mereço! Agora corro o risco de ser atacada por um deles.
–
Até
parece que vão e atacar. - ele disse rindo com vontade, como não ria há
muito. - Você acha que eles não têm mais o quê fazer?
–
Pára
de rir! - agora Gina também começava a rir.
Os
dois ficaram um tempo gargalhando de tanto rir, nem tinha motivos para isso,
talvez fosse o nervosismo, por estarem lá presos juntos.
–
Draco,
- Gina disse parando de rir - me desculpe, você tem razão, nem te agradeci.
Obrigado por salvar minha vida.
–
Não
podia deixar você morrer. - ele estava sério e se aproximou dela. - Não sei
se você se lembra, mas antes de você pular eu disse que sentiria sua falta...
–
Eu
lembro. Eu disse que era mentira e que entre nós só havia um beijo, mas não
era verdade. Não sei como consigo, mas, eu gosto de você. Aquele pedido de
namoro continua em pé?
–
Continua.
- Draco nem conseguia mais pensar no seu plano de esquecer Gina, estar perto
dela estragava tudo...
Logo
Draco e Gina se beijavam como das duas outras vezes. Ao fundo ouvia-se a música
We are one.
We
were two
(Nós
fomos dois)
Now
we are one
(Agora
nós somos um)
Quando
o beijo acabou Gina achou que era a hora de perguntar a Draco uma das suas
maiores dúvidas:
–
Draco,
eu queria saber uma coisa.
–
Pode
falar. - ele respondeu a abraçando e decidindo que não a soltaria mais.
–
Você
sente o mesmo que eu?- pela expressão de dúvida dele resolveu explicar-se
melhor. - Uma sensação de ligação?
–
Como
assim?
–
Como
se nós estivéssemos ligados um ao outro, nossa vida, nossas atitudes...
–
Não
sei, Gina. Sempre me disseram que as grifinórias são piores que as sonserinas
e querem discutir a relação toda hora. - ele respondeu já começando a se
irritar.
–
Não
tem jeito mesmo! Nós brigamos muito, nunca vai dar certo. Acho melhor nem
começarmos esse namoro!
–
Ai,
tá bom! Eu sinto, sim. Feliz agora? - Draco não queria assumir antes que
também sentia o mesmo que ela, mas já que não tinha jeito, resolveu falar.
–
Mentira,
você está falando só para me agradar...
–
Por
que eu tinha que me apaixonar por uma Weasley?
–
Temos
que sair daqui. - Gina resolveu mudar de assunto para ver se evitava brigas.
–
Se
você não tivesse fechado a porta!
–
Se
você estivesse perto da porta quando eu abri, aí eu não teria entrado e a
fechado! Mas não, você bate e vai para o fundo da sala!
–
Vamos
mudar de assunto. - Draco disse ficando em silêncio.
Após
mais alguns minutos de silêncio, ouviram que o baile acabava, afinal a banda
já parava de tocar.
–
Vamos
ficar batendo para ver se alguém ouve, agora que a banda parou de tocar. - Gina
quebrou o silêncio e tornou a bater na porta, dessa vez sendo rapidamente
ajudada por Draco.
Ninguém
os ouviu, depois de bater muito ambos cansaram-se e decidiram parar.
–
Acho
que vamos ter que passar o resto da noite aqui. Não vai ser tão ruim assim.-
Draco disse lançando um olhar malicioso a Gina.
–
Pelo
menos temos uns cobertores, e Rony, Harry e Mione devem estar me procurando...
–
Pois
eu prefiro que não achem, você vai ficar aqui comigo. - ele respondeu olhando
para ela e fazendo beicinho.
–
Não
se empolga, viu?
And
one moment in time
(E
um momento no tempo)
Is
all th time we need
(É
todo o tempo que precisamos)
Just
to make a diference
(Apenas
para fazer a diferença)
To
make it better for you and for me
(Fazer
isto melhor para você e eu)
If
you just believe
(Apenas
se você acreditar)
Os
dois dormiram juntos numa cama improvisada com os cobertores. De manhã cedo
foram acordados por dois elfos domésticos, que não gostaram do que
encontraram, acharam que eles tinham ficado no quarto para namorar, mas Gina
conseguiu convencê-los que ela e Draco haviam ficado presos. Draco quase tinha
posto tudo a perder ofendendo o pobre elfo mais teimoso, no entanto Gina
conseguiu contornar a situação. Porém, explicar para Rony onde estava a noite
toda foi muito mais complicado, disse que ficou presa, mas sozinha, ele pareceu
duvidar, só aceitou porque Hermione ajudou Gina a convencê-lo.
Gina
conversou com Harry, que estava muito chateado por ficar abandonado durante o
baile, e fez Gina prometer que no próximo baile que ambos fossem, dançariam
pelo menos uma música juntos, porque Harry ficou arrependido de não ter
dançado com ela nenhuma.
Draco
e Gina se encontravam escondidos para namorar, nenhum dos dois queria encarar as
dificuldades de um namoro público entre um Malfoy e uma Weasley.
Um
dia pesquisando na biblioteca Gina encontrou uma explicação para seu
sentimento de ligação com Draco, e também para seu forte amor por Harry,
porque o que ela sentia por ele era mesmo amor, não um amor físico, que
desejasse beijos, mas um amor mais evoluído, tudo o que ela queria era que
Harry fosse feliz, com ela ou outra. Em um livro encontrou um estudo sobre a
Outra Parte:
"A
Outra Parte é a primeira coisa que os bruxos antigos aprendiam quando seguiam a
Tradição da Lua. Só entendendo a Outra Parte é que se entende como o
conhecimento pode ser transmitido através do tempo. Somos eternos, porque somos
manifestações de Deus, por isso passamos por muitas vidas e por muitas mortes,
saindo de um ponto em que ninguém sabe, e nos dirigindo a um ponto que tampouco
sabemos. Acostume-se com o fato de que muitas coisas na magia não são e nunca
serão explicadas. O fato é que isso acontece.
Quando
se pensa em reencarnação sempre se defrontam perguntas conflitantes:
se no começo existiam tão poucos seres humanos sobre a face da Terra, e
hoje existem tantos, de onde vieram essas novas almas? A resposta é simples, em
certas reencarnações, nós nos dividimos. Assim como os cristais e as
estrelas, assim como as células e as plantas, também nossas almas se dividem.
A nossa alma se transforma em duas, estas novas almas se transformam em outras
duas, e assim, em algumas gerações estamos espalhados por boa parte da Terra,
porém os bruxos se dividem menos que os não-mágicos. Assim como nos dividimos
também nos reencontramos. E este reencontro chama-se Amor. Porque quando uma
alma se divide, é sempre em uma parte feminina e uma masculina.
Em
cada vida temos uma misteriosa obrigação de reencontrar pelo menos uma dessas
Outras Partes. O Amor Maior, que as separou, fica contente com o Amor que torna
as unir. Pode-se reconhecer sua Outra Parte através do brilho dos olhos, assim,
desde o início dos tempos, as pessoas reconheciam seu verdadeiro amor. Pode-se
encontrar mais de uma Outra Parte em uma vida, e o resultado é dor e sofrimento
até conseguir solucionar seu sentimento.
Somos
responsáveis pela Terra inteira, porque não sabemos aonde estão as Outras
Partes que fomos desde o início dos tempos; se elas estiverem bem, também
seremos felizes. Se estiverem mal, sofreremos, ainda que inconscientemente, uma
parcela dessa dor. Mas, sobretudo, somos responsáveis por reunir devolta, pelo
menos uma vez em cada reencarnação, a Outra Parte que com certeza cruzará
nosso caminho. Mesmo que seja por instantes, apenas; porque esses instantes
trazem um Amor tão intenso que justifica o resto de nossas vidas. Também
podemos deixar que nossa Outra Parte siga adiante, sem aceitá-la, ou sequer
percebê-la. Então precisaremos de mais uma encarnação para nos encontrar com
ela. E por causa do nosso egoísmo, seremos condenados ao pior suplício que
inventamos para nós mesmos: a solidão."
Gina
rapidamente se identificou lendo esse livro, ali estava tudo o que ela havia
passado, Harry e Draco eram suas Outras Partes, por isso ela amava aos dois e
havia notado o brilho em seus olhos, e sofria tanto por Harry, tanto que quase
se matou por isso, só agora que ela compreendera seus sentimentos por ele,
estava em paz. Sempre esteve infeliz em sua vida porque Draco também estava,
ele sofria muito na sua vida de "Malfoy mau que tem que impor respeito e
ser uma cópia do pai", e ela por reflexo também ficava infeliz. Agora que
estavam juntos podiam superar tudo isso e chegar ao verdadeiro conhecimento de
si mesmos e da magia.
Esses
estudos eram antigos e ninguém mais dava credibilidade a eles, portanto Gina
não comentou com ninguém, nem com Draco, sua descoberta. Foi algo que guardou
para si, era um sentido em sua vida. Draco Malfoy era realmente Outra Parte de
Gina Weasley, e apesar das brigas entre eles o Amor era maior e nada os
impediria de realizar sua missão.
'Cause
it's all in the way you look through your eyes
(Porque
está tudo na maneira que você olha através de seus olhos)
And
when all is said and done
(E
quando é foi dito e feito)
All
of the fear and all of the lies are not hard to overcome
(Todos
os medos e mentiras não são difíceis de superar)
It's
all in the way you look at it
(Está
na maneira que você olha para isso)
That
makes you strong
(Que
te faz forte)
We
were two
(Nós
fomos dois)
Now
we are one
(Agora
nós somos um)
Fim
N.A.:
O trecho do livro que Gina leu é tirado do livro "Brida" de Paulo
Coelho.
Gostaram
da song? Comene! Estou esperando!