Para Além do Bem e do Mal

 

Epílogo

 

Nota da Autora: Aconselho que releiam o prólogo antes de ler este epílogo, isso é muito importante porque ele é a sucessão das cenas ocorridas lá. Não resisti... Musiquinha: "The Reason" do Hoobastank, uma das mais consideradas D/G. Ah, prometo que a próxima fic não vai ter música! Podem me cobrar! Releiam o prólogo e aproveitem o epílogo:

 

I´m not a perfect person

(Eu não sou uma pessoa perfeita)
There´s many things I wish I didn´t do

(Há muitas coisas que eu desejava não ter feito)
But I continue learning

(Mas continuei aprendendo)
I never meant to do those things to you

(Eu nunca quis fazer aquelas coisas para você)

Draco ficou sentado na cadeira perto da piscina de seu hotel, em Veneza. Nem acreditava que depois de seis anos a vira novamente. E ainda tinham conversado, ou melhor, discutido, mas isso não importava, a voz dela, já quase esquecida durante o afastamento, continuava ecoando em seus ouvidos:

"E você ainda pergunta! Talvez porque você não merecesse saber! Talvez porque o que você fez não tem perdão! Talvez porque se não fosse o Harry, você não estaria me vendo aqui agora e sua filha não estaria viva!"

Agora a única coisa que tinha certeza era que a garota era mesmo sua filha... Uma filha, fruto de algo tão bonito como seu amor por Gina Weasley, algo que ele jamais tinha imaginado que poderia acontecer, ainda mais da maneira que aconteceu...

Precisava consertar sua vida. Já sofrera tempo demais. Queria uma segunda chance. Por mais que tivesse errado, merecia tentar de novo. Era verdade que não poderia mais ficar com Gina, ela estava casada com Potter, mas queria poder conhecer sua filha, sangue de seu sangue. Draco lembrou-se do nascimento da menina, ele tinha visto toda a cena, que loucura não saber que era sua própria filha que nascia naquela manhã há dez anos. Bem que tinha ficado emocionado, talvez seu inconsciente soubesse.

Era muito complicado para saber.

Um sorriso passou a iluminar o rosto de Draco, uma filha?! Ele tinha uma filha! Então, não era mais tão solitário no mundo. Havia uma esperança, uma razão para viver, para tentar ser feliz.

Olhando para a água, lembrou-se da noite em que ele e Gina haviam caído naquela mesma piscina, ela estava nervosa e tinha bebido um pouco além da conta e ele teve que levá-la para o quarto. Depois tinham feito amor pela primeira vez, a menina seria fruto daquela noite? De qualquer maneira ela havia sido gerada naquele mesmo hotel, em Veneza.

"Bom, minha filha é quase uma italianinha!" - pensou meio abobado. "Infelizmente perdi toda a fase de crescimento dela... qual será que foi a primeira palavra que ela disse? Espero que não tenha sido papai, para o Potter..." - perdido em pensamentos Draco ficou ali até quase o alvorecer.

 

~***~

 

And so I have to say before I go

(E então tenho que  dizer antes de ir)
That I just want you to know

(Que só quero que saiba)

"Ela é uma Malfoy."

Gina pensava seriamente enquanto observava Milla dormindo. Algumas lágrimas teimosas ainda saíam de seus olhos. Estava surpresa em rever Draco. Dentro de  si havia acalantado a idéia de um dia revê-lo, mas não imaginava que fosse ali, e da maneira que aconteceu. Não queria discutir com ele todo o passado, o passado deveria ser para sempre enterrado, a vida agora era para frente. No dia seguinte iria embora antes que ele percebesse, fugir era mais fácil, não estava pronta.

Ficou o restante da noite deitada na cama, revirando de um lado para outro sem conseguir dormir. Por mais que não quisesse, não podia evitar relembrar todos os momentos felizes que tivera ao lado de Draco, mas infelizmente também lembrava todo o sofrimento que ele havia causado a ela.

Sentia-se tão sozinha, deitada ali, em posição fetal, encolhida abraçando as pernas com os braços. Não era mais uma mocinha, agora era uma mulher, não deveria ficar tão abalada. Mas o fato era que estava realmente muito solitária desde que Harry morrera, há três anos, quando Brad, seu filho com Harry, completava dois anos.

Havia aprendido a amar muito Harry, no começo era apenas um casamento falso, de amigos, já que ele também ainda amava Luna, mas depois com a convivência, ele foi ganhando um espaço maior em seu coração e quando Gina definitivamente o amava, e considerava estar vivendo a época mais feliz do casamento, um ex-comensal, fugido de Azkaban, arrasara seus sonhos, matando Harry e vingando-se da morte de Voldemort.

A culpa que a afogou foi enorme, se não tivesse sido tão obcecada em matar o Lord das Trevas, talvez ainda tivesse Harry ao seu lado. Por sorte sua família e os amigos foram um ótimo suporte. Gina voltou a morar n'A Toca, Molly e Artur passaram a ajudá-la a criar John, Milla e o pequeno Brad e Max, agora promovido a auror, e casado com a garota que ela conhecera no treinamento da Agência, Claire, sempre vinha visitá-la e era padrinho de Brad.

Mesmo assim, sua vida não fora nem um pouco fácil até aquele momento.

Tinha resolvido viajar pelo mundo e passar mais tempo com seus filhos, pois Milla completaria onze anos e logo estaria em Hogwarts, assim como John, que já estudava seu primeiro ano de magia e como a mãe era um aluno da Corvinal. Era uma viagem de despedida de sua filha. Afinal, Gina tinha um certo peso na consciência, culpava-se por deixar a menina em segundo plano, pensando sempre mais em outras coisas, como destruir Voldemort, ou seu amor por Draco ou Harry.

Milla não era muito ligada a ela, declarava aos quatro ventos que gostava mais de Molly, fato que deixava Gina chateadíssima. Pelo menos Brad era um grude só. O garotinho vivia atrás de Gina, assim como John, que desde pequeno a amava como a uma mãe biológica.

Gina nunca tivera muitas amigas, talvez se desse melhor com os homens, por isso seus filhos pareciam a amar mais do que sua filha. Era uma hipótese.

"Ela é uma Malfoy."

Talvez por isso sua filha não gostava dela... Nem o pai gostava... Se gostasse não teria a abandonado apenas por ser quem era. Pensando nisso Gina cochilou levemente, sendo acordada já de manhã por Brad.

-Mãe! Acorda! - os olhos verdes dele brilhavam ansiosos. -Quero passear!

Gina piscou duas vezes e sentou. Bocejou longamente, ainda estava com sono.

-Bom dia! - o menino disse a abraçando apertado. Não tinha como não sorrir ao ser acordada desse modo.

-Bom dia, meu amor! - "Meu verdadeiro amor! Quem diria que meu amor teria apenas cinco anos?" - pensou levantando e procurando por Milla. -Cadê sua irmã?

-Ah, levantou faz tempo, acho que foi tomar café lá embaixo. - Brad respondeu pegando a varinha da mãe e colocando ao seu lado. -Já me troquei, mãe, se arruma logo! - exigiu com um olhar impaciente.

Gina suspirou, tinha dormido demais. Era para ter ido embora, estar a quilômetros dali e de Malfoy! Milla poderia estar conversando com ele a essa hora. Trocou-se rapidamente e saiu do quarto com o filho atrás de si.

 

~***~

I´ve found a reason for me

(Eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be

(Para mudar quem eu costumava ser)
A reason to start over new

(Uma razão para recomeçar do novo)
And the reason is you

(E a razão é você)

 

Um pouco depois de o sol nascer, Draco já estava em pé. Precisava falar com Gina antes que ela fosse embora, porque ele já sabia que ela iria o mais cedo possível. Mesmo com tanto tempo afastados, ele ainda a conhecia bem.

Estava faminto, há anos que não sentia tanto apetite. Correu para o refeitório do hotel, que apesar de ser ruim, servia o café todas as manhãs, só não havia serviço de quarto. Era cedo, mas a funcionária já terminava de pôr a mesa.

Draco sentou-se e começou a comer. Quase engasgou quando viu a garota loura entrar no refeitório com um olhar curioso. Ela olhou para Draco, a única pessoa no local, e andou até ele, um pouco surpresa. Milla o achou muito bonito, e de alguma maneira parecido com ela.

-Quase nunca vejo alguém com os cabelos como os meus. - disse um pouco arrogante, olhando audaciosamente para ele. -Pensava que era uma cor só minha, nem minha mãe, nem ninguém da família tem parecido. Todos têm aqueles cabelos vermelhos. - estava claramente se gabando. -Posso sentar aqui com você?

-Claro, seu cabelo é mesmo muito bonito. - nunca antes teve paciência de conversar com crianças, mas ela não era uma criança qualquer, era sua filha... -Engraçado, uma cor assim é sempre algo de família. Minha mãe, meu pai e meus avós eram todos louros. - ele respondeu tentando estabelecer um diálogo, na verdade sua família sempre foi loura, mas só por parte dos Malfoy, não da parte de sua mãe.

-Os meus não, minha mãe e avós são ruivos, e meu pai é moreno. Nossa, você também é hóspede aqui? Não é italiano. - ela disse pegando um bolinho de chocolate delicadamente e o cortando com a faca, Draco reparou que ela tinha  jeito de fazer isso igual ao de Narcisa. -Esse hotel é o pior que já freqüentei.

Draco não pode evitar um sorriso. Ela era uma verdadeira esnobe! Mais Malfoy impossível. Como era possível traços de personalidade serem passados pelo sangue? Não sabia, mas agora isso era um fato comprovado.

-Não sou italiano, esse hotel é meu. - a garota desviou o olhar dele, talvez envergonhada pelo ato falho. -E é realmente péssimo!

Ela sorriu e Draco constatou que o sorriso, além dos olhos castanhos, eram iguais aos de Gina. Seu coração apertou-se ao constatar isso. Que saudades sentia de Gina...

-Desculpe. - ela pedia desculpas? Então não era tão Malfoy assim. -Mas você devia dar um serviço melhor a seus hóspedes.

-Obrigado pelo conselho, moça. Mas, qual seu nome? Já que me dá a honra de sua companhia nessa refeição. O meu é Draco Malfoy. - ele se apresentou.

-Milla Potter. Bom, completo é Milla Weasley Potter. Gostei do seu nome, é bem... forte. - Milla havia achado-o um homem muito fino, educado e interessante.

Ambos terminaram a refeição e continuaram conversando. Os dois hóspedes que estavam no hotel surgiram no local para também tomar o café. Draco ficou irritado, não gostava daqueles apaixonados. Mas outra pessoa esperada surgiu na sala.


I´m sorry that I hurt you

(Sinto muito por  te machucar)
It´s something I must live with everyday

(É algo com que terei que viver todo dia)
And all the pain I put you through

(E toda a dor que fiz você passar)
I wish that I could take it all away

(Desejo que pudesse retirá-la)
And be the one who catches all your tears

(E ser o único a conter suas lágrimas)
That's why I need you to hear

(É por isso que preciso que você ouça)

-Vamos, filha. Já não disse para não conversar com estranhos? - Gina disse puxando bruscamente o braço de Milla para que ela se levantasse e saísse da mesa. Sabia que ela estaria com Draco.

-Estranho, Gina? - ele perguntou ironicamente. Não deixaria que ela o afastasse de sua filha.

-Sim, um estranho. - ela respondeu o encarando profundamente.

Aquilo era um desafio? Ele não deixaria por isso.

Quem ele pensava que era? Gina não ignoraria uma provocação.

-Engraçado, estranhos não fazem isso. - Draco respondeu perigosamente se levantando e se aproximando sorrateiramente de Gina.

Ela começou a se preocupar, o que aquele maluco iria fazer? Repentinamente ele segurou o braço de Gina, puxou-a para si e a beijou, como não fazia há anos. Gina tentou empurrá-lo, mas não conseguiu, quando ele já estava com os lábios no dela não teve como resistir. Queria tanto aquele beijo. Esperava ansiosamente desde que ele havia deixado-a sozinha num quarto daquele hotel há dez anos. Sentia falta dele como sentiria falta de uma parte de si que fosse bruscamente arrancada.

Draco sentia-se feliz como não sentia há muito tempo, ela era tudo o que ele precisava, tudo o que ele queria. Não podia mais viver sem aqueles beijos, sem a sua teimosia, até os defeitos dela o cativavam. Por que ela tinha que ser assim? Sempre o desafiava. Já até pressentia o que aconteceria quando a soltasse.

Meio sem fôlego, Gina conseguiu se afastar de Draco.

Estava com as pernas bambas e o coração aceleradíssimo, mas ele não sairia dessa sem um troco. Virou-se e tascou um tapa muito bem dado no lado direito do rosto dele. Por que ele sempre agia assim? A irritando e atrapalhando tudo? O que seus filhos pensariam? No mínimo que tinham uma mãe louca.

-Nunca mais faça isso! - ela respondeu rispidamente após o tapa.

Virou-se para seu quarto. Milla e Brad ficaram parados, pareciam um pouco chocados.

-Venham! - ela gritou e os dois se assustaram, saindo correndo atrás de Gina, subiram as escadas para o quarto.

Draco não deixaria que ela fosse embora assim. Não, ela o ouviria. Certamente fora precipitado ao beijá-la assim, mas o que poderia fazer? Ela o tinha provocado, não? Agora correria atrás dela para remediar tudo. Subiu as escadas e destrancou a porta do quarto em que ela estava hospedada.

-Mas por que ele te beijou, mãe? - Draco ouviu Milla perguntando quando entrou no quarto. -Ele te conhece? Por que ele tem o cabelo igual ao meu?

Gina já estava bufando, não sabia o que fazer. Irritada jogou a mala no chão.

-Não sei, Milla. Não sei!! - respondeu exasperada e sentou-se pesadamente na cama, começando a chorar. Tampou o rosto com as mãos porque não queria que seus filhos a vissem assim, sempre fora uma pessoa forte perto deles.

O coração de Draco apertou-se ao ver a cena, sabia que aquele sofrimento era culpa sua. Se não tivesse agido orgulhosamente quando soube que ela era uma Weasley, se tivesse sido mais esperto, não agindo como Lúcio queria, poderia estar agora com Gina, vivendo felizes. Aquela ação mudara seu destino e o delas também.

Entrou no quarto e virou-se para Milla.

-Milla, por favor, leve seu irmão para brincar lá fora, preciso conversar com sua mãe. - Draco pediu e a menina obedeceu, queria teimar e obter as respostas para suas indagações, mas achou que a situação estava um pouco complicada para um chilique. Gina nem objetou-se, continuou chorando.

-Vamos, Brad. Depois a gente volta. - ambos saíram do quarto, o garotinho parecia um pouco confuso.

Sorrateiramente Draco entrou no quarto e sentou-se ao lado de Gina na cama.

-Precisamos conversar. E você não vai fugir de novo. - disse num tom baixo, com medo que ela levantasse.

-Está certo. - Gina respondeu, percebendo que ele estava ao seu lado.

-Desculpa, não devia ter te beijado, sei que você é casada com o Potter. - continuou falando baixo.

-Draco, você realmente está vivendo como um trouxa aqui. - ela disse com a voz um pouco embargada.

-Por que diz isso? - onde ela queria chegar?

-Harry morreu há três anos e você nem sabe. - agora Draco estava surpreso.

-Morreu? - disse paralisado. -Mas eu pensei que você estava feliz com ele...

-Estava. - Gina levantou os olhos molhados e o encarou. -Mas seus amigos comensais fizeram o favor de acabar com essa felicidade. - ela estava mais magoada do que brava.

-Eu não tinha idéia. - uma pontada de esperança surgiu em Draco, se ela não era mais casada com Potter, então ele tinha uma chance. -E não tenho amigos comensais. - essa afirmação dela ele não gostou nem um pouco. -Você não tem idéia do que eu passei por não ser amigo de nenhum comensal.

-O que você passou? - Gina deixou de lado o preconceito, queria saber o que ele fizera nesse tempo. -Não fiquei sabendo mais nada sobre você desde que... - não queria dizer que ele a abandonara.

-É uma longa história. - ele não queria dizer isso agora.

-Que você vai me contar agora. - ela insistiu, sem mais lágrimas.

-Você não sentiu minha presença? - olhou intrigado para ela. -Voldemort me chamou após o incidente aqui. Fui obrigado a te vigiar para ele, Voldemort queria saber o dia em que você resgataria o pergaminho. Acompanhei até o nascimento de Milla, sem saber que era a minha filha. - ele disse com o olhar perdido. -Depois, no dia do resgate do pergaminho eu acabei me arriscando. Me joguei na sua frente quando um dos comensais proferiu uma azaração-

Gina o interrompeu.

-Foi você? - ficou surpresa. -Eu reconheci o cheiro, o perfume, mas estava tão atordoada que não pensei que era você, Draco. - estava pasma, agora reconhecia que aquele perfume que sentira era o dele. -Obrigada.

-Te salvando atrapalhei o comensal, que perdeu o pergaminho para seu irmão e eu fui responsabilizado. Fui mandado para a Torre Escura, fiquei lá quatro anos, até que vocês derrotassem Voldemort. - uma nuvem de tristeza passou pelos olhos dele e Gina ficou totalmente solidária.

-Eu não tinha idéia disso, seu nome não estava na lista dos resgatados. Imaginei que você tivesse ficado ao lado de Voldemort até sua queda e depois fugira. Foi o que me ocorreu primeiro ao te ver aqui, em Veneza. - disse parando de chorar, mas ainda com algumas lágrimas escorrendo nas bochechas. Draco delicadamente passou as mãos, enxugando-as. -Não pensei que você tivesse sofrido tanto, deve ter sido horrível.

A consciência de Gina até pesava em pensar que Draco estava ao lado de Voldemort quando na verdade ele estava sendo torturado naquela prisão tenebrosa. Fora injusta, julgando-o. Uma pontada de satisfação passou por seu coração, se ele se objetara a Voldemort, era sinal de que tudo o que ela dissera a ele o havia modificado, tocado de alguma maneira. Ergueu as mãos e segurou as dele que estavam em seu rosto.

-Você me perdoa? - disse olhando no fundo dos olhos dele. -Não devia ter te julgado, se tivesse agido certo poderia ter te contado sobre a Milla.

-Não, pare. - respondeu colocando a mão direita sobre a boca dela. -Eu que tenho que pedir perdão. Se não tivesse agido daquela maneira, te maltratando tanto, você não esconderia isso de mim. Eu que causei tanto sofrimento a você e a mim mesmo. - disse um pouco surpreso consigo mesmo por assumir seus erros tão abertamente para ela. -Me perdoa?

-Você sabe que o pedido é um pouco difícil de ser aceito... - Gina era mesmo uma orgulhosa, mas tinha sofrido tanto nesse tempo por culpa dele. -Você não sabe, mas naquele dia que me deixou sozinha, aqui, nesse hotel, seu pai quase me matou. - parou para suspirar com as mágoas que voltavam a entalar em sua garganta. -E olha que eu contei a ele sobre estar grávida, mas ele disse que seria um alívio se livrar de uma Weasley que sujaria o sangue dos Malfoy. Se não fosse pelo Harry, que chegou a tempo e acertou Lúcio, eu e Milla estaríamos mortas e por culpa sua.

Tudo o que Draco fizera, agora parecia, se fosse possível, mais errado ainda do que inicialmente. Agora entendia o que ela quis dizer, se não fosse pelo Potter estaria morta. E ele era um imbecil! Não merecia mesmo uma segunda chance, o perdão, devia afundar junto com Veneza e ser apagado da vida das pessoas que amava.

-Não sabia disso. - largou as mãos de Gina e levantou-se da cama. -Você tem toda a razão em não me perdoar. Extrapolei todos os limites. - virou-se de costas para ela e começou a andar, em caminho a porta, mas foi parado por Gina.

-Espera, Draco. - ela segurou seu braço, Draco virou-se e ela o olhou, em pé, parada atrás dele. -Vamos esquecer o perdão. Já ouviu a frase: 'Amar é não ter que pedir perdão'? Acho que se encaixa bem na nossa situação. Ambos erramos.


I´ve found a reason for me

(Eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be

(Para mudar quem eu costumava ser)
A reason to start over new

(Uma razão para recomeçar do novo)
And the reason is you

(E a razão é você)
 

Diante da frase de Gina, Draco não tinha mais o que dizer ou fazer além de abraçá-la, bem apertado. Gina respondeu o abraço, sentiu-se aliviada e feliz. Fantasmas do passado às vezes precisavam ser encarados de frente.

"Não precisa dizer. O passado deve ser esquecido. Não importa quem você ou eu somos. A única coisa que importa é que estamos aqui, juntos."

A frase que Draco dissera para ela quando estavam juntos pela primeira vez em Veneza voltou à sua memória. E não é que agora era realmente verdadeira?

-Eu te amo. - Draco sussurrou em seu ouvido.

-Eu também. - Gina respondeu e virou-se para beijá-lo mais uma vez naquela manhã conturbada de julho.

 

I´m not a perfect person

(Eu não sou uma pessoa perfeita)
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(Eu nunca quis fazer aquelas coisas para você)
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(E então devo dizer antes de ir)
That I just want you to know

(Que só quero que saiba)
I´ve found a reason for me

(Eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be

(Para mudar quem eu costumava ser)
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(Uma razão para recomeçar do novo)
And the reason is you

(E a razão é você)

~***~

 

Um ano depois...

 

Gina acordou de manhã, ainda era cedo, sabia porque as luzes que iluminavam o quarto eram suaves. Sentiu falta da presença de Draco na cama passando o braço pelo lado que ele dormia. Há um ano estavam juntos, e tinham uma vida de casal em lua de mel. Antes de abrir os olhos e procurar por Draco lembrou-se da noite maravilhosa que haviam tido, jamais imaginaria que ele pudesse ser tão carinhoso e demonstrar tanta paixão e amor. Tinha sido a melhor noite de amor para ela, melhor ainda do que a primeira noite, melhor do que todas as outras que haviam tido. Cada vez que estavam juntos era como se fosse a primeira vez, mas sempre diferente. O amor crescia a cada dia, cada minuto. Se era possível um sentimento tão forte aumentar.

Sentia-se extremamente feliz, não via a hora de ver Draco, já imaginava que ele estava providenciando o café da manhã para ambos, como fazia sempre. Levantou-se e saiu do quarto, indo até a cozinha do apartamento, que por insistência de Gina não era muito grande, se fosse por Draco e Milla habitariam uma mansão enorme, ambos eram realmente muito parecidos, era impressionante como a menina tinha o temperamento dele, concordavam em tudo.

Gina sentia-se satisfeita por ter a família completa, Draco tinha sido bem aceito por Milla, por mais que ela tivesse receio que a garota afirmasse ser filha de Harry, pelo contrário, ela até pediu para ser novamente registrada, com o nome Milla Weasley Potter Malfoy. Gina não queria, mas quando cismava com algo, Milla conseguia. Brad também aceitou bem a Draco, talvez porque nunca tivera um pai, afinal Harry morrera quando ele era muito pequeno. Apenas John não gostava muito de Draco, e era recíproco.

-Acordou? - Draco perguntou quando a viu entrando na cozinha.

-Não, estou dormindo. - ela respondeu rindo com a brincadeira e pegando um morango da cesta de frutas.

-Então se esse é o seu sonho, o que devo fazer para deixá-la mais feliz? - ele perguntou saindo de perto do fogão e fazendo uma reverência.

-Hum... que tal um beijo para começar?

-É p'ra já! - Draco a envolveu e beijavam-se intensamente quando uma voz sonolenta os interrompeu.

-Bom dia!

Draco e Gina se separaram e ambos viram um par de olhinhos verdes por detrás de um óculos de armação preta, arredondada.

-Bom dia, Brad. - Draco resmungou um pouco irritado. "O Potter continua me empatando... O que fiz para merecer um clone em casa?"

-Bom dia, meu bebê! Morangos?

E lá ia Gina, desviando sua atenção de Draco totalmente. Bom, era melhor dividi-la com o mini Potter do que não tê-la mais... Sem contar que mais quatro anos e o clone estaria longe, em Hogwarts. Apesar da aparente irritação, Draco gostava de Brad, o garoto conseguira conquistar até o coração gelado do sonserino. Draco só não gostava de John. Poxa, esse nem era filho de Gina, por que tinha que vê-lo todas as férias? O filho da Louca Lovegood...

-Não sou um bebê, mãe! - Brad protestou, franzindo as sobrancelhas.

-Está bem, meu bebê... - Gina insistiu e o menino saiu furioso da cozinha. -Pode? Se acha muito grande!

Draco não teve como não rir da cena. A vida de casado era simples, era a arte da convivência. Um cedia e o outro vencia. Isso na família toda. Logo Milla, uma sonserina, com muito orgulho para Draco, e John estariam em casa para passar as férias, e Draco já tinha planos.

-Voltando ao assunto anterior. - ele disse a enlaçando pela cintura. -Já sei onde passaremos essas férias.

-E como isso se liga ao assunto anterior? - Gina não estava entendendo.

-Você está sonhando, esqueceu? Pois então, no seu sonho, e quem sabe na realidade, nossas férias se passarão em um local muito agradável. - Draco estava fazendo mistério.

-Tá, e onde? Diz logo! - Gina não imaginava o que ele inventaria agora.

-O que me diz da Malfoy Mansion, em Marselha?


I´ve found a reason to show

(Eu encontrei uma razão para mostrar)
A side of me you didn´t know

(Um lado meu que você não conhecia)
A reason for all that I do

(Uma razão para tudo o que faço)
And the reason is you

(E a razão é você)

Fim

Nota da Autora: Ai, gente... sniff, sniff... tô tão emocionada! Acabou!!! Espero que vocês tenham gostado de toda essa saga do nosso casal preferido e que o final tenha sido legal pra todos =] Fiz o melhor que pude. Essa música é fófis, né? Eu achei-a perfeita pra esse fim!

Bom, só me resta agradecer: Primeiramente e especialmente digo gracie a: meu querido maninho, Victor Ichijouji; à minha beta fófis que infelizmente não vai mais ter tempo de betar minhas fics mas continua sendo uma grande amiga, Nessa Potter; à Ianê, ou Chi Dieh (esse capítulo é dedicado à vc, viu?) como ela adotou de nick, minha miga fofa que leu o epílogo pra mim e deu uma força dizendo que tava bom (sua fic tb tá mto legal, galera, leiam Uma Linda Mulher); à Kelzinha que me mandou mtoos coments; à Ísis Sothis que me ajudou bastante com a confusão do enredo no começo; à Lina que foi uma grande degustadora da fic :)

Tb agradeço a todooos que me mandaram e-mails, sorry a quem ainda não pude responder, entre eles: Nice Fernades, a Ká que fez duas montagens mto legais pra mim (de A cura pela dor e We are one), Mayara, a Rá... e mais um monte de gente, sintam-se todos beijados :*

Tb aos reviews de todos e dos capítulos 10 e 11: Ianê, Lakinha, Nahemwe (ô nominho dificir!), Deb Flor, maRii, nana*matos, Selene Malfoy, Milinha, Lina, Antonio Costa Lupin, Vivian Malfoy e Anaísa.

Vou deixando meu adeus! Há, mas não vão se livrar de mim tão fácil porque tô colocando no ar os dois primeiros caps da tradução de "O retorno de Salazar Slytherin", continuação de "Os amuletos irmãos" e tb logo, logo estreará minha novíssima fic: "Não se pode agradar gregos e troianos" (eu tô me superando em títulos grandes, né?), sinopse é básica: O que você faria se de repente fosse parar na antiga cidade de Tróia? E se ainda fosse confundido com personagens locais? Pior ainda se um de seus inimigos tivesse que te ajudar nisso... Confusões e armações à vista! > Aguardem o Draco de sainha grega.

bijinhos

Biba

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