Eu Nunca fui Beijada
Capítulo
1 - Furo Jornalístico
Passaram-se
quatro anos desde que me formei em Hogwarts, agora aqui estou, no meu primeiro
emprego, trabalhando no Profeta Diário, depois de cursar jornalismo em uma
faculdade bruxa. Tudo seria perfeito, se não fosse por um detalhe, eu apenas
cuido do arquivo do jornal, nada de investigação, nada de matérias
bombásticas, como sonhei no curso... Eu sonho demais, acho que esse é meu
maior problema, por causa dele sou diferente de todas outras pessoas, por um
fato que é normal a todos, mas que a mim não passa de um sonho: um beijo. Eu
nunca beijei, nunca fui beijada. Não porque ninguém me quis, ou porque eu não
quis ninguém, mas pelo fato de sonhar demais, eu esperava que meu primeiro
beijo fosse com um "príncipe encantado", que por oito anos foi Harry
Potter, o menino-que-sobreviveu, porém ele nunca me beijou e eu fiquei
esperando, agora acho que já passou do tempo... Pelo menos superei minha
paixão platônica por ele, não sonho mais com seus beijos, me conformei em
ficar sozinha. Tudo que quero é me realizar no um trabalho, meu maior sonho é
publicar livros, ou melhor, os romances que tenho escrito nos últimos anos,
engraçado uma pessoa que nunca beijou escrever romances...
-WEASLEY!
VOCÊ ESTÁ OUVINDO? CADÊ O ARTIGO QUE TE PEDI HÁ DUAS HORAS? - um homem
baixo, gordo e careca, que vestia roupas bruxas verde-limão esperneava a sua
frente.
-Calma!
Está aqui! - respondi entregando a meu chefe, Anderson Roman, chefe de
redação do jornal.
Ele
retirou um lenço de seu bolso e limpou o suor de sua brilhante e roliça
careca, o que me causou um certo desconforto.
-Sabe,
chefinho, - tentava acalmar a fera - e sobre a minha reportagem? Olha, eu tenho
várias pautas interessantíssimas!
-Virgínia
Weasley, quantas vezes tenho que dizer que você não está pronta para isso.
Você é mole, desorganizada e tímida. Como quer fazer uma matéria?
Dizendo
isso ele saiu do arquivo deixando-me sozinha novamente. Quando ele iria me dar
uma chance de provar que estava errado? É verdade que sou tímida e um
pouquinho mole mesmo, mas posso ser eficiente quando quero, e principalmente
quando preciso, trabalhar nesse arquivo já estava começando a me deixar
maluca! Não tem nada mais entediante do que ficar horas em uma sala olhando
para as paredes e somente vendo outro ser humano, quando um repórter estressado
vem pedir um artigo.
Não
estava feliz trabalhando nesse jornal, onde quase todos são antiéticos,
sensacionalistas e só querem saber de manchetes e furar o outro. Fora as
várias matérias que eram vendidas ao Ministério da Magia, que tentava
encobrir suas falhas e corrupções.
No
fim do dia voltei para minha casa, um apartamentinho na Londres trouxa, foi o
melhor que encontrei, não queria mais morar na Toca, queria independência e
consegui. No entanto, me sinto muito sozinha longe de minha família e, minha
vizinhança não é nada amigável, aposto que meu pai deixaria de admirar os
trouxas se morasse aqui! Minha única companhia é um gato angorá chamado Fluf,
pelo menos dele sempre ganho carinho. Nos fins de semana sempre vou à Toca,
vejo minha família, que agora incluí Hermione, já que ela e Rony casaram-se
há um ano, também vejo Harry, que agora é apanhador do Chudley Cannons.
Jantei
sozinha, assisti um pouco do aparelho trouxa chamado televisão, que descobri
porque estava no apartamento quando o aluguei, e fui dormir. Mais um dia
emocionante de trabalho me aguardava. Entretanto não aconteceu o que eu
esperava...
Quando
cheguei na redação, Roman avançou sobre mim, dizendo várias frases, muito
rápido para que eu entendesse.
-Espera!
Não estou entendendo nada, fale devagar! - disse encurralada numa das paredes
da sala.
-Você
é minha única esperança para uma matéria que o dono do jornal quer
publicada. - Roman disse muito rápido novamente, mas eu pude compreender dessa
vez.
Ele
parecia mesmo desesperado, estava roxo e transpirava muito, sem falar que
poderia ter um ataque do coração a qualquer instante.
-Co...como
assim? - até gaguejei com a informação ouvida.
-Você
é a pessoa mais jovem que trabalha no jornal. - agora ele estava se acalmando.
-Preciso que você faça uma matéria exclusiva. Será um verdadeiro furo
jornalístico! Ninguém fez isso antes!
-O
quê? - já estava começando a ficar desconfiada.
-Você
vai analisar a juventude em seu habitat natural. - Roman dizia enquanto seus
olhos brilhavam, uma luminosidade quase insana.
-Não
estou entendendo...
Ele
puxou-me pelo braço e levou-me até sua sala, que estava uma bagunça
generalizada. Como ele ousava dizer que eu era desorganizada?!
-Escuta.
Eu preciso que você se infiltre em uma dessas escolas nas quais os alunos ficam
internados e passam meses longe das famílias. Entendeu? Como Hogwarts. Os pais
querem saber o que se passa nessas escolas, o que seus filhos fazem longe deles!
-Mas,
como vou fazer isso? - eu já começava a me desesperar.
-Problema
seu! Você não queria uma reportagem? Esse assunto vai lhe render várias. -
ele respondeu enquanto coçava o queixo. -Acho que será uma por semana! O que
você acha?
-Não
sei! - como eu iria me infiltrar em uma escola?
-Pois
trate de se organizar, eu quero um relatório amanhã dizendo: Como, quando e
onde, você vai pesquisar. - dizendo isso ele me empurrou, muito delicadamente
para fora da sala. -E não volte enquanto não estiver pronta!
Eu
queria dizê-lo que ele tinha razão, eu não sirvo para repórter, sou tímida,
desorganizada, mole... mas agora era tarde. Vou ter que correr atrás da
notícia, como sempre ouvi falar na faculdade, agora colocaria na prática! Que
escola escolheria? Só podia ser Hogwarts. A escola que conhecia, que estudei e
me formei. Bom, teria que enganar o novo diretor, arranjaria um certificado de
transferência falso para o sétimo ano, porque eu até posso ter cara de
novinha, mas abaixo do sétimo não cola. Por esse lado era bom que Dumbledore
não estivesse mais lá, porque com certeza ele me reconheceria.
Corri
atrás de um amigo meu, meio espertinho que faria a transferência para mim.
No
dia seguinte entreguei, toda orgulhosa, o relatório para Roman dizendo:
Como:
Passando-me por aluna transferida de Kurshken, escola de magia inglesa, para
cursar o sétimo ano.
Quando:
1º de Setembro, início do ano letivo, e por coincidência, as aulas começam
amanhã.
Onde:
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Ele
leu em voz alta, para todos os repórteres ouvirem.
-Então,
parabéns. - Roman elogiou sem a mínima vontade. -A partir de amanhã quero que
você anote tudo o que vir e ouvir naquela escola, e te dou uma semana para me
mandar a primeira matéria a respeito.
-Sim,
senhor!
-Pode
ir embora, precisa organizar tudo o que vai precisar para as aulas.
Depois
de ele dizer isso que me lembrei, precisava de todos os materiais para cursar as
aulas! Será que eram os mesmos de quatro anos atrás?
Corri
para casa, arrumei as malas e fui ao Beco Diagonal, perguntei nas lojas e acabei
conseguindo comprar tudo o que eu precisaria.
Agora estava pronta para voltar à Hogwarts.