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Tears and Rain

Pr�logo


Observei a noite ao meu redor. Tudo parecia calmo. Olhei para o c�u. A lua pairava sobre o meu corpo g�lido enquanto uma brisa passageira chacoalhava tudo � minha volta. Redobrei a aten��o ao olhar para o astro acima de mim. Intensa e branca, ela me chamava e eu sem alternativa apenas cedi ao seu doce encanto. Consegui desviar os olhos por um momento e pude ver as estrelas que brilhavam ao seu redor. Em compara��o com a lua, elas tinham somente metade do brilho e formosura. Absorto em meus pensamentos, pude ouvir o riacho pr�ximo a correr veloz entre as �rvores. Foi somente nesse momento que me dei conta de onde realmente estava. Virei de costas para a lua, de modo a contemplar a escurid�o da floresta. Novamente pude perceber a intensidade da calma do ambiente e me surpreendi com o vento forte e gelado que se chocava contra mim. Senti meu rosto queimar e involuntariamente passei a m�o sobre a boca. Meus dedos acompanhavam o seu formato, at� chegar a uma ferida fechada, reduzida a uma mera cicatriz no canto direito do l�bio inferior. Sabia que com o tempo frio e seco, a tend�ncia era que a rachadura se abrisse novamente e isso fez com que eu fizesse uma careta de desaprova��o. Podia simplesmente discutir comigo mesmo a noite inteira sobre a quest�o, mas tinha coisas mais importantes em que pensar. Fechei os olhos e tentei esvaziar a mente. Precisava me concentrar apenas no que tinha que fazer, isso e nada mais. Esforcei-me ao m�ximo, mas sabia que essa era uma tentativa em v�o. Ouvi uma coruja piar distante. Fiquei surpreso por um instante, ningu�m costumava a andar por ali �quela hora da noite. Nem mesmo os animais noturnos. Foi quando algo ainda mais desconcertante e inesperado aconteceu. Eu podia jurar que tinha ouvido uma voz. N�o estava falando alto, � claro, mas sim num sussurro frio e sem emo��o. Apurei os ouvidos e procurei identificar de onde o som estava vindo. Logo descobri e caminhei cautelosamente at� a proximidade do local, certificando-me que n�o podia ser visto ou ouvido. Finalmente consegui ouvir o que se falava. Naquele momento, n�o pude deixar de sentir um forte sentimento de surpresa e maior do que tudo, incredulidade. [n/a: encontrei essa palavra no dicion�rio e resolvi usar! rsrsrs] Achei primeiramente que estava equivocado e que meu c�rebro havia me pregado uma pe�a. Mas ap�s outro sussurro entrecortado notei que estava correto. Meus ouvidos haviam sido fi�is �quilo que eu ouvia, apesar de minha mente ainda n�o se conformar. Quem poderia naquela hora da noite estar em uma floresta escura e isolada, sem prote��o alguma, cochichando livremente uma l�ngua j� n�o mais conhecida pelo homem? � claro que somente depois de muito tempo pude perceber meu erro. Tinha feito a pergunta errada. A quest�o n�o era quem, mas sim o qu�. [n/a: Teaser!]

Cap�tulo I � �cause that�s just the way we roll

Se preparar para viajar � para a maioria das pessoas muito empolgante e divertido. Mas tente fazer isso mais de 20 vezes em dois meses e voc� vai perceber como a magia acaba indo embora. N�o que eu n�o estivesse animado � � claro que estava � mas escolher roupas e sapatos j� n�o me parecia t�o legal como das primeiras cem vezes e nem t�o f�cil com dois irm�os usando o mesmo tamanho de todas as suas coisas.
�- , onde voc� colocou aquele meu casaco roxo de capuz? � perguntei j� irritado. Ser� que eu podia ter algum direito sobre minhas roupas?!
�- �hn qual deles? O que combina com seu all star ou o igual ao do Gabe? [n/a: Gabe Saporta vocalista do Cobra Starship, que tem um casaco roxo �berlindo e estiloso.. ningu�m perguntou, calei :x ]
�- O que combina com o all star.
�- Eu acho que coloquei na cadeira da piscina.. E pare de ficar estressadinho por causa disso. Voc� tem um monte de roupa sobrando mesmo... � ele respondeu desinteressado. Tamb�m estava arrumando suas malas, no quarto que dividia com Frankie. Levantei-me calmamente e fui em dire��o � porta. Atravessei o pequeno corredor e j� entrava no quarto deles, quando decidi involuntariamente olhar as fotos colocadas perfeitamente em quadros na parede. Observei atentamente uma a uma, de fotos formais de fam�lia �quelas em que eu, e faz�amos careta para a c�mera. Detive minha aten��o em uma, talvez minha favorita de todas elas. Ela havia sido tirada em nossas �ltimas f�rias, apenas tr�s meses atr�s. Estava de noite e a lua cheia cobria o c�u com seu brilho. O seu reflexo era produzido com exatid�o no lago cercado de �rvores. Eu estava sentado na beirada, com meus p�s na �gua gelada e minha cabe�a voltada para cima. Estava com o viol�o no meu colo e n�o havia percebido quando tirou a foto. Digamos que, hum, eu n�o fiquei muito contente ao ver que ele havia fotografado um momento t�o �ntimo e pessoal, mas eu tinha que admitir: a foto estava linda. Arrependi-me na hora por ter ficado irritado com ele. Pode parecer imposs�vel, mas aquele insignificante peda�o de papel conseguiu captar toda a emo��o do momento, sem deixar de ficar espont�nea. Senti uma m�o no meu ombro e fui retirado de meus pensamentos. Girei meus calcanhares para ficar de frente para a pessoa. Era minha m�e.
�- , querido, tudo certo com voc�? � sempre atenciosa como uma m�e deve ser. A �nica diferen�a � que essa � a melhor. Carinhosa e dedicada, mesmo quando estamos em turn� ela consegue arranjar um tempo em fam�lia. N�o sei como ela consegue cuidar de quatro filhos e ainda ter tempo para se cuidar.
�- Eu to bem, m�e. � respondi de prontid�o.
�- Que bom ent�o. Voc� j� terminou de arrumar sua mala? Sabe que vamos sair daqui a meia hora n�o �? � dessa vez ela assumia o lado menos legal das m�es. Estava colocando um limite de tempo. Acho que voc�s precisam saber que eu n�o sou muito bom nisso. Em coisas relacionadas ao tempo, quero dizer. Sempre estou atrasado e muitas vezes me prejudico por causa disso.
�- Eu ia agora mesmo cobrar do o meu moletom roxo. � dessa vez j� n�o estava irritado e sim com um sorriso se esbo�ando no rosto. Essa era minha fam�lia. Uma bagun�a total. Mas mesmo assim, minha fam�lia.
Distanciei-me da parede e entrei no quarto de e Frankie. Tudo estava uma bagun�a.
�- Hey dude, ser� que voc� pode nos ajudar aqui? � o mais velho perguntou se virando para mim.
�- Quer dizer que primeiro voc� n�o sabe onde est� meu casaco, e agora quer minha ajuda? Muito engra�ado ! � disse rindo e me jogando na cama mais pr�xima. Senti um pequeno volume embaixo de mim e uma vozinha esgani�ada disse:
�- Sai de mim ! Voc� � muito pesado!
Olhei para baixo e vi Frankie tentando inutilmente me tirar da cama. Sentei-me pedindo desculpa e olhei pensativo para o teto. Na verdade, eu n�o era muito pesado, e sim, muito forte. Controlar minha for�a costumava ser meio complicado quando estava em casa. Mas na maioria das vezes eu at� que me saio bem. Tentei mudar de assunto, falando a primeira coisa que me veio a cabe�a.
�- voc� viu o hoje?? Na hora que eu acordei ele n�o estava mais aqui e daqui a meia hora a gente j� vai para o aeroporto..
�- Ele foi � casa daquela namorada dele dar tchau.. Nem sei o porqu�, pois ele tinha falado para mim que ia terminar com ela..�ele respondeu dobrando as roupas e colocando cuidadosamente na mala. Desci da cama e me sentei do lado dele para poder ajud�-lo.
�- Vai ver � por isso mesmo que ele foi l� agora. Para poder acertar tudo antes de ir. Faz bastante sentido quando se pensa direito cabe��o. � dei um tapa de leve em sua cabe�a e levei outro um pouco mais forte. Num piscar de olhos est�vamos rolando no ch�o e brincando de lutinha. Tinha me esquecido completamente de controlar minha for�a, mas naquele momento eu n�o havia percebido isso.
Passados alguns minutos, entra no quarto e ao ver nossa brincadeira, n�o deixa de exclamar:
�- N�o acredito que voc�s est�o ai se matando e esqueceram de me chamar para ver. Olho para ele com uma cara intrigada e ele aponta para o bra�o de . Levanto rapidamente e olho nervoso para o bra�o dele. Estava roxo. Em todos os lugares que eu havia batido ele estava com hematomas, parecia que tinha sa�do de uma briga de rua. Olhei para meu pr�prio corpo em busca dos mesmos machucados, mas n�o pude encontrar nada. Meus irm�os haviam feito o mesmo e agora me encaravam querendo uma resposta. Desviei meu olhar rapidamente para o ch�o e fui saindo do quarto. Para n�o causar nenhuma suspeita, apenas respondi:
�- O que posso fazer se eu sou muito mais forte que o ? � tentei dar meu melhor sorriso para comprovar minha fala despreocupada, mas n�o tive grande sucesso. Pude perceber que eles ainda me olhavam desconfiados, mas sai rapidamente, branco como papel. N�o que eu n�o fosse branco o suficiente, acredite eu sou. Nos �ltimos tr�s meses eu estava mais branco do que eu j� havia sido em vida inteira e eu sabia o porqu�. Deveria estar muito feliz por ningu�m mais saber. Mas de qualquer modo, aquele fato ainda me deixa muito preocupado. Fui at� a cozinha para comer algo, mas inacreditavelmente, n�o estava com fome. Subi de volta ao meu quarto e arrumei o resto da minha mala. Depois de tudo pronto, peguei meu Ipod e fiquei ouvindo umas m�sicas at� ser chamado por meu pai:
�- Venha ! Todos j� est�o no carro e s� falta voc� e as suas coisas.
Levantei-me rapidamente, peguei minha bagagem e fui at� o andar de baixo. Peguei a chave que estava na mesinha do hall e coloquei na fechadura. Demorei-me bastante na soleira da porta, pois sabia que seriam dois meses sem ver a casa novamente e sabia que iria sentir saudades. Por fim tranquei a porta e fui at� o carro.

Cap�tulo II � Sorry for the miscommunication

� Vem Frankie, n�s vamos nos atrasar! � eu o chamava de longe � Quando a gente chegar em New York eu prometo que levo voc� na Toys �R� Us, mas agora vem! Ao ouvir a palavra Toys �R� Us ele se levantou do banco e veio correndo na minha dire��o. Ao chegar ele disse:
�- , voc� prometeu, agora quando a gente chegar voc� tem que me levar!
�- Se eu prometi eu cumpro! � disse rindo � Mas o que voc� tava olhando t�o interessado? Posso saber?
�- Ah, acho que n�o pode n�o.. Assunto particular meu! [n/a: *-*]
�- E qual era o nome dela?
�- �hn? � nesse momento, ele fez uma careta de interroga��o muito engra�ada � , do que voc� ta falando?
�- Da garota Frankie! Voc� perguntou o nome dela? � perguntei tentando me manter s�rio, mas n�o fazendo um bom trabalho.
�- Para de rir ! N�o era uma garota.. Era um brinquedo mesmo! Eu n�o sou igual a voc�, o e o que s� pensam em garotas! Eu tenho coisas mais importantes para fazer!- ele me respondeu corando um pouco. Irm�os mais novos, eles sempre me fazem rir.
�- Hey, , Frankie, venham logo!� disse, ou melhor, gritou, atr�s de mim.
�- Vamos ent�o. Os outros j� est�o nos esperando. � disse passando a m�os pelo pequeno ombro e indicando o caminho certo.
Ap�s andarmos apenas alguns metros j� est�vamos todos juntos, uma grande festa de fam�lia. Fomos em dire��o ao port�o de embarque, mostramos nossos passaportes e documentos necess�rios e entramos no avi�o. Senti uma sensa��o boa percorrer meu corpo. Est�vamos em turn� novamente. A nossa �ltima �excurs�o� havia sido bem agitada, principalmente para mim. Tudo havia acontecido muito r�pido e eu n�o tive tempo de contar para ningu�m. Como se conta isso? Simples, n�o se conta. N�o ainda.
Sentei na minha poltrona da primeira classe, me perguntando o que tinha acontecido para a gente voar em um avi�o comum, e n�o em um particular. Recordei-me ent�o do pedido de Frankie, para pelo menos uma vez viajarmos como antes da fama. Claro que meus pais sabiam as conseq��ncias que isso podia causar, mas resolveram satisfazer a vontade do pequeno. Gra�as a Deus at� aquele momento n�o hav�amos sido cercados por uma multid�o de f�s enlouquecidas ou algo do g�nero. Podia me concentrar no show, nos ensaios e em quanto tempo passaria com as f�s. Eu amo todas elas, mas acho que tem gente que exagera muito. V�rias j� me pediram em casamento e algumas at� pediram para eu dar meu anel para elas! At� parece que eu faria isso. Nada de mais aconteceu na nossa viajem �rea, Frankie dormiu, ficou lendo a maior parte do tempo, ficou jogando no seu PSP port�til, mam�e e papai ficaram conversando e resolvendo onde seria a pr�xima lua de mel deles. Pelo que eu ouvia seria em poucos meses e talvez para o Caribe. Automaticamente associei a Piratas do Caribe e fiquei pensando em filmes e pessoas famosas at� cair no sono. Ainda � muito estranho me considerar uma delas.
Fui acordado por raios de sol saindo da pequena janela ao meu lado e vi que todos ainda estavam dormindo. Sem fazer barulho, me levantei e peguei em minha mochila meu caderno de m�sicas. Estava inspirado aquela manh� e fiquei compondo at� chegarmos em New York. Havia sido uma longa viajem e todos n�s est�vamos mortos de cansa�o. Sa�mos com sucesso do aeroporto, nenhum f� sequer estava l� para nos receber. Fiquei aliviado, mas ao mesmo tempo tamb�m senti falta da companhia e aten��o que elas nos proporcionavam. Fomos direto para o hotel, descansar at� a hora do almo�o. Nem preciso dizer que dormi igual a uma pedra e acordei com uma fome sensacional. Fazia tempos que n�o tinha aquela fome, e isso me deixou animado. Ser� que tinha voltado ao normal?? Decidi tomar uma decis�o dr�stica ao acordar meus irm�os e fiz o que eu adoro. Pulei em cima deles.
�- , sua baleia, meu p�ncreas! � disse ainda de olhos fechados e a m�o em cima da barriga, mas especificadamente como ele disse, em seu p�ncreas.�Ser� que da pr�xima vez voc� poderia ser mais delicado?
Notei que ele n�o estava com bom humor e resolvi deix�-lo em paz. Fui � cama de e fiz o mesmo, dessa vez pulando muito forte e caindo no ch�o com impacto. levantou assustado e me olhou preocupado. Ao perceber que eu estava bem, riu da minha cara. Riu t�o alto que Frankie acabou acordando, poupando-me de pular em cima dele tamb�m. Justo porque eu tinha guardado o melhor para o final.
�- Ent�o gente, vamos almo�ar?? � perguntei sorridente e com muita, mas muita fome.
�- Claro! � disseram os tr�s enquanto cal�avam os t�nis e preparavam o est�mago. Ap�s fazermos uma r�pida higiene pessoal fomos ao quarto de nossos pais, avisar que est�vamos indo comer. Eles resolveram ir junto e logo, todos n�s est�vamos indo para o McDonalds devorar os maiores lanches da hist�ria.
Como voc�s j� podem imaginar, encontramos f�s hist�ricas e malucas, que simplesmente se jogaram nos nossos bra�os em busca de aten��o. Atendemos a todas pacientemente e conseguimos finalmente comer alguma coisa. Ali�s, muita coisa. Ficamos o resto da tarde passeando por New York, procurando algo interessante para fazer. Levei, como prometido, Frankie a Toys �R� Us e ele se divertiu escolhendo um novo jogo para seu videogame. Em resumo, havia sido uma bela tarde de outono passada nas ruas movimentadas da cidade que nunca dorme, a nossa �ltima tarde de passeio.
Chagamos ao hotel por volta das 18 horas, pretendendo tomar um banho e sair novamente para curtir a cidade grande. Somente pretendendo, pois nossos pais n�o nos deixaram sair.
�- Mas pai, por favor! � exclama inconformado � Essa pode ser a nossa �ltima chance de sair para.. � ele deixou as palavras morrerem na sua boca. Logo percebi o que ele queria dizer e dei um sorriso malicioso para . Encaramos e come�amos a rir feitos dois idiotas no meio do hall, chamando aten��o de outros h�spedes do local. Frankie olhou-nos com cara de confuso e mam�e e papai deram um olhar reprovador. Sem falar mais nada papai nos mostrou o anel em sua m�o e saiu em dire��o ao elevador. Derrotados, o seguimos e fomos para o nosso quarto. Antes mesmo de fechar a porta j� falava descontroladamente:
�- Acho uma injusti�a nos ficarmos aqui trancados nesse quarto de hotel. Fala s�rio, estamos em New York, dever�amos estar aproveitando.
-- Se aproveitar � afogar as m�goas de seu �ltimo romance fracassado em uma menina �especial� que voc� conheceria esta noite ent�o eu acho que eles est�o certos de nos proibir de sair � disse me estressando. � claro que eu tamb�m queria sair, mas n�o ia desperdi�ar minha noite reclamando por causa disso.
me olhou assustado e ao mesmo tempo ofendido. Tendo percebido a grande burrada que havia feito magoando o meu irm�o, desvie os olhos para o ch�o tentando achar dentro de mim mesmo uma resposta para meus atos. Era incr�vel como minha personalidade estava mudando r�pido e eu estava mais assustado do que ele. Levantei minha cabe�a lentamente e vi que e me fitavam atentos enquanto Frankie jogava seu novo jogo de videogame. Fiz men��o de sair correndo, mas os bra�os de meu irm�o mais velho me seguraram r�pido e firmemente. Eles me arrastaram at� o sof�, me colocaram l� e se sentaram tamb�m. Sabia que aquilo n�o era nada bom. Sempre que n�s tr�s est�vamos t�o s�rios era porque vinha uma conversa importante entre irm�os. E estava �bvio que dessa vez o questionado seria eu. Engoli em seco antes de tentar me expressar.
�- Gente, eu..- enrosquei com as palavras na minha boca e respirei fundo. Tinha que dizer a verdade. Se n�o ia contar para eles, para quem mais poderia contar?? � Eu n�o sei ao certo o que est� acontecendo comigo. � disse por fim. me olhou nos olhos profundamente e me instigou a continuar. Por mais que isso fosse torturante e completamente sem l�gica, eu at� que estava aliviado em poder finalmente livrar esse peso da minha consci�ncia. Poder dividir este fardo com algu�m.
�- Bom, sabem quando a gente estava em turn� no M�xico? � perguntei, mesmo j� sabendo a resposta. Os dois concordaram e eu prossegui. � Digamos que aconteceu uma coisa, �nh, no m�nimo inesperada. � fiz uma pausa para esperar pela rea��o deles. Eles me observaram assustados. Na verdade, a cara deles se assemelhava mais a terror. Foi naquele momento que percebi que n�o podia compartilhar aquele fato assustador com eles. Se eles j� estavam aterrorizados somente com umas poucas frases, imagina se soubessem a verdade?
�- Quer saber, eu n�o quero falar sobre isso. � disse amargamente. � Isso � um assunto particular meu, e eu n�o falo mais nada sobre este assunto. � Levantei-me e corri para o banheiro, trancando a porta atr�s de mim. Precisava de um tempo s� meu.

Cap�tulo III � Silver eyes

Abri os olhos com calma, mas n�o pude enxergar nada. Fechei-os novamente e tornei a abrir. Uma luz intensa surgiu perante mim e eu levantei de supet�o. Com este movimento r�pido percebi que minha cabe�a estava latejando. Joguei-me no sof�, caindo em cima de alguma coisa. Tirei meu corpo e vi que era meu celular. Consultei as horas e fui andando em dire��o aos meus irm�os. Eles estavam dormindo profundo, sem se preocupar com nada, muito menos com o hor�rio. Segui para o banheiro e tomei um banho de �gua fria. Precisava de toda concentra��o e aten��o aquela noite. Sai enrolado na toalha e vesti uma roupa pr�tica. Camiseta preta e vermelha Coca-Cola, cal�a skinny branca e um all star xadrez. Ajeitei meu cabelo de lado e coloquei uns �culos escuros para complementar o visual (e esconder as olheiras). Dei uma �ltima olhada em meus irm�os, peguei meu celular e sai do quarto.
Andei calmamente pelo corredor vazio, esperando n�o encontrar uma multid�o na minha frente. N�o me levem a mal, eu adoro meus f�s, � claro, mas eu precisava relaxar de manh�, para n�o ficar de mau humor o dia inteiro. Fiquei devaneando em pensamentos idiotas, at� que cheguei no hall de meu andar. Assustei-me com o que vi, pois n�o esperava (e nem queria) encontrar algu�m acordado t�o cedo num s�bado. Ainda n�o passavam de 8 horas.
Havia uma garota parada perto do elevador, encostada na parede. Primeiramente, receei que ela fosse uma f� e tivesse me reconhecido, mas ela simplesmente ergueu seus olhos para mim indiferente e depois voltou a remexer em seu cabelo. Para ser honesto comigo mesmo � e eu sempre tento ser- [n/a: qualquer semelhan�a com O Menino do Pijama Listrado � mera coincid�ncia . haha] ela n�o deu m�nima para mim. Minha presen�a passava insignificante e ela perecia n�o estar interessada em saber quem eu era. Achei isso bem estranho, pois ela deveria ter aproximadamente a minha idade. Quer dizer, quem nunca ouviu falar dos Jonas Brothers?! Eu sei que eu estou me achando agora, mas fala s�rio! Al�m disso, mesmo que eu n�o fosse famoso, eu ainda tenho o meu charme. Pelo menos eu acho.
Foi somente quando consegui absorver esta mistura de incredulidade e desgosto que eu percebi o quanto isso era bom. Eu poderia saber se ela gostaria de mim pelo que eu sou! �Mas, eu sou realmente louco!� pensei �Estou no mesmo ambiente que esta garota faz menos de dois minutos e j� estou pensando se ela gostaria de mim.�
Afastei estes pensamentos de minha mente perturbada, e puis-me a observ�-la. Seus olhos foram a primeira coisa que capturou minha aten��o. Eles eram de uma tonalidade nunca antes vista por mim, apenas um cinza brilhante. Delirei como seus olhos chamavam os meus, me enlouquecendo completamente. Em meio a toda essa magia, pude perceber por uma fra��o de segundos seus olhos mudarem de cor, passando para um prata ofuscante. Pisquei os olhos confusos, e quando os abri de novo nada vi de diferente, apenas vi uma garota de olhos cinza me encarando. Seu olhar emanava um brilho divino, quase sobrenatural. A intensidade era tanta que eu contrariadamente tirei os �culos do meu rosto. Eles estavam me servindo de prote��o, mas eu sabia que prote��o alguma era �til �quele olhar. Eu estava simplesmente hipnotizado. Seus olhos agora estavam indagadores, com um qu� de mist�rio. Diverti-me ao observar isso nela, pois eu adoro uma bom mist�rio, principalmente quando combinado com um toque de romance. Nunca ningu�m tinha me olhado assim. Nem mesmo todas as minhas namoradas ou as minhas f�s. E outra coisa era certa: eu nunca havia desejado uma garota t�o fortemente.
Ap�s alguns � eu confesso, muitos � instantes em que eu nada mais fiz al�m de analisar seus olhos, consegui desviar os meus. Dediquei-me ent�o a observar o resto de seu corpo, que parecia ter uma propor��o perfeita. Ela era um pouco mais baixa do que eu, uma altura normal. Ela era magra, muito magra. Sua pele era de um branco p�lido, quase tanto quanto a minha pr�pria. [n/a:eu sei que isso � dif�cil de imaginar, mas PRECISA ser assim.] Ela me lembrava uma boneca de porcelana, mas sua pele parecia ser muito mais macia.
Seus cabelos estavam soltos, caindo em camadas uniformes nos ombros. Eles n�o eram totalmente lisos, mas tamb�m n�o eram cacheados. Era uma combina��o perfeita dos estilos diferentes. Seus l�bios eram de um vermelho intenso, algo mais parecido com carmim. O que era mais surpreendente, � que estava claro que ela n�o estava usando batom algum e que aquela era apenas a cor natural de seus l�bios. Ela n�o estava usando maquiagem, o que era meio incoerente para uma jovem em New York. Isso n�o a depreciava de nenhuma forma, muito pelo contr�rio, lhe conferia um ar inocente e ex�tico.
Ela estava vestindo uma cal�a jeans skinny,que terminava em seu all star preto simples. Sua blusa era de uma estampa exc�ntrica, mas de muito bom gosto. Elas estava com uma bolsa grande, provavelmente carregando um notebook.
Fui acordado de meus devaneios e observa��es com um apito agudo. Situei-me no ambiente e percebi que o elevador havia chegado. Por um instante eu tinha esquecido onde estava, pois minha cabe�a girava r�pido.
Vi que a garota se encaminhava para l�, e fui tamb�m. Acabamos por nos encontrar na portar do elevador, devido a minha rapidez. Eu como um perfeito gentlemen deixei-a entrar primeiro, e fui logo em seguida. Admito que esperava que ela me agradecesse, mas ela n�o disse nada, apenas deu um sorriso fraco. Fiquei surpreso com essa rea��o, mas por mais fraco que seu sorriso fosse, ele era cativante.
Parei na frente do painel de andares [n/a: � esse o nome?], olhando pensativo. Ela foi mais r�pida, e esticou o bra�o, para que sua m�o alcan�asse o bot�o. Autom�tica e involuntariamente [n/a: ou n�o :D] estiquei minha m�o tamb�m, de modo a fazer com que elas se tocassem. Eu n�o sei exatamente porque fiz isso, mas eu precisava sentir o seu toque. O que aconteceu naquele momento nunca havia acontecido antes comigo. Uma corrente el�trica percorreu meu corpo, fazendo meus p�los se eri�arem e eu ter um arrepio. Sua m�o estava g�lida embaixo da minha, mas ela logo desapareceu.
Ela rapidamente retirou a m�o, e foi para mais longe de mim. Ela estava com uma express�o dif�cil de decifrar, mas pude identificar terror no meio de suas emo��es. Seu rosto havia empalidecido mais (como se isso fosse poss�vel) e seus olhos me fitavam desconcertados. Ela parecia ter feito uma descoberta horr�vel.
Logo me peguei pensando: �Ser� que ela tamb�m sentiu?�, �Ser� que ela est� com medo de mim?�. N�o tive tempo de arranjar uma resposta para essa pergunta, pois ouvi outro apito que provinha do alto.
A garota sai apressada do elevador, fugindo de mim, e logo eu n�o consigo a ver. Saio atordoado, com algumas pessoas tentando entrar no elevador agora desocupado, apenas cheio de mem�rias. Vou andando e sento inconscientemente em um sof� do sagu�o. Minha cabe�a volta a latejar, e mais perguntadas se formam na minha mente:
�Porque n�o falei com ela?�. Reflito com afinco sobre esse questionamento, mas mesmo com a minha criatividade eu n�o encontro uma resposta que me satisfa�a. �Simplesmente porque voc� � um fracasso. N�o consegue paquerar uma garota.� Pensamentos assim estavam me aterrorizando, mas tinha um que era pior do que todos os outros.
Eu provavelmente nunca mais iria v�-la. Eu n�o sabia se ela estava hospedada no hotel, e nem ao menos sabia seu nome. S� de cogitar a hip�tese de n�o a ver mais j� me deixou enjoado. Sabia que eu n�o poderia mais viver sem ela, e sabia que isso era loucura por eu n�o a conhecer, mas eu honestamente me sentia assim.
Uma voz conhecida chega ao meu campo de audi��o, e eu escuto dizendo:
�- Voc� est� ai! Eu te procurei por toda parte , voc� n�o avisou aonde ia.
Fiz men��o de abrir a boca para responder, mas ele foi mais r�pido:
�- N�o precisar explicar nada, pois n�s estamos atrasados. O �nibus nos espera. Vem logo!
Ele andou impaciente at� mim, e foi me arrastando pelo sagu�o. Deixei-me ser guiado por ele, e quando dei por mim eu estava observando a paisagem matutina de New York de um banco chacoalhante.

***************************

�- Chegamos. � disse triunfante enquanto observava o local. Est�vamos em um est�dio, aonde ir�amos nos apresentar apenas algumas horas mais tarde. Todos os ingressos tinham se esgotado duas semanas antes, e calculava-se que fossem entre 12 e 13 mil pessoas. Uau! Foi o que eu disse quando ouvi isso. �� muita gente.� Pensei. Sa�mos do �nibus, e fomos em dire��o a entrada de tr�s. Ouvimos gritos fortes, nossos f�s j� estavam l�.
Entramos pela pequena porta e demos de cara com um espa�o vazio na nossa frente. Era enorme, mas precisava ser. Vimos o palco sendo montado, j� nos �ltimos ajustes. Seguimos em dire��o aos camarins, para deixar todas as nossas coisas. Assim que isto estava feito, fomos para o palco ensaiar um pouco.
Come�amos a cantar Burnin� Up, sem percuss�o, ou m�sica de fundo. Mesmo nesse baixo tom de voz nossos f�s nos ouviram e come�aram a gritar desesperados. Sorri contente pelo meu trabalho, e logo terminamos de ensaiar.
Fui direto para o meu canto, pensando no que havia ocorrido aquela manh�. Sentei-me confortavelmente no sof�, estiquei minhas pernas e fechei os olhos. Era �bvio que eu n�o conseguiria dormir, tanto pelos pensamentos assombrosos quanto pela adrenalina de fazer tamanho show, mas consegui esvazia minha mente. Fiquei na paz por apenas alguns minutos, pois fui acordado do transe por uma voz ecoando na minha cabe�a.
�- , posso entrar?
Era que estava batendo na porta e pedindo meu consentimento. Respondi com um simples �Pode.� E tirei os p�s de cima do estofado de couro. entrou seguido de e ambos sentaram nas poltronas a minha frente. Eles estavam me avaliando, como se procurassem uma resposta em minha face. Automaticamente fechei a cara, escondendo meus reais sentimentos. ficou desconcertado com isso, mas se limitou a dizer:
�- , para mim � dif�cil dizer isso, mas voc� n�o est� o mesmo desde ontem a noite. Voc� pode nos contar o que aconteceu?
Ele lan�ou um olhar de s�plica para mim, que foi completado com o olhar de preocupa��o de . Observei-os calmamente, ponderando se iria falar a verdade. Era tudo muito embara�oso, mas era principalmente assustador. Resolvi ent�o contar uma meia verdade, falando da garota que havia �conhecido�. N�o deixava de ser verdade, mas n�o era isso que eles queriam saber. Queriam saber exatamente o que tinha acontecido no M�xico, mas isso eu iria simplesmente relevar. Eles se entreteriam facilmente com a id�ia da garota, esquecendo o outro assunto mais importante.
Ent�o eu simplesmente contei a hist�ria, n�o deixando de exagerar na descri��o. Era imposs�vel esquecer qualquer parte de seu corpo, apesar de eu n�o ter visto tanto quanto eu gostaria. [n.a: safadchenho !] Ela era perfeita, apesar de ter um jeito estranho de demonstrar isso. Fomos interrompidos por minha m�e, que anunciava o caf� da manh�/almo�o. J� eram 11h30min, ningu�m tinha comido nada ainda, ent�o estavam todos mortos de fome, menos eu.
Uma das coisas mais estranhas que aconteceu comigo foi perder o apetite. Antes de tudo isso eu era o que mais comia, mas ultimamente n�o tinha vontade de comer. Na verdade, n�o tinha vontade de comer o que eles comiam. N�o que eles tivessem mudado o card�pio ou coisa do tipo, s� que meus h�bitos alimentares haviam mudado, por assim dizer. Sem poder comer o que realmente queria [n.a: n�o pensem besteira, n�o � DISSO que ele est� falando. :B], n�o tinha vontade de comer mais nada, salvo por rar�ssimas ocasi�es, em que eu me achava um pouco mais normal.
Minha m�e, como toda m�e faria [n.a: minha m�e faz isso direto ���], insistiu para que eu comesse e eu neguei at� onde podia. Infelizmente fui obrigado por meus pais a comer, ao que simplesmente peguei um prato de salada e sai para �o meu canto�.[n.a: amo ��, eles s�o t�o perfeitos . � ignorem-me] Chegando l�, deixei o prato em cima da mesa, pretendendo deix�-lo l�. [n.a:credo que coisa feia Joe, tem gente passando fome no mundo, viu? � j� escrevi n.a.�s de mais hoje, acho que devo parar. Fazer o que se estou hiperativa?! Quem perguntou? � calei de vez :x] Passei o resto de meu tempo livre devaneando sobre minha vida, como ela havia mudado e sobre como a garota poderia mud�-la mais ainda. Nada de muito importante foi retirado dessa reflex�o cont�nua, apenas mais dor e amargura.
O que realmente me salvou da depress�o intensa foi o comunicado de que dever�amos nos arrumar. Sempre adorei essa parte da prepara��o, e fui at� o camarim com uma empolga��o consideravelmente grande.
Troquei de roupa, colocando meu terno preferido. Ele era vermelho, com uma camisa branca, gravata e t�nis. Arrumei o cabelo, fiz maquiagem e estava pronto. Show time !

Cap�tulo IV � One look that�s all it took

Tens�o no ar, microfone na m�o. Pulsa��o acelerada, ritmo fluindo. Olhos fechados, concentra��o total. Um �ltimo olhar de incentivo, uma respira��o profunda. Uma frase exclamada rapidamente, para relaxar o ambiente.
�- Living the dream baby, living the dream!- esta foi a �ltima coisa que eu ouvi. [n.a.: te amo Kevin! , huahauahuahauhuh]
Naquele momento, eu n�o sentia minha m�o. Ela estava t�o fortemente agarrada no microfone que os n�s de meus dedos estavam brancos, mas brancos do que o habitual. Um �ltimo suspiro e o del�rio da galera.

�Hey there pretty lady
Tell me how you're doin'
Tell me what can I do to help
'Cause I've been thinking of you
For a little while now
And this right here is how I feel

Girl you got me going crazy
Knocked me off my feet
Now you're beggin' baby
Beggin' baby please
All I want to know is do you want to get away
Get away with me
'Cause girl I don't know what to do
'Cause I'm so in love with you�

Enquanto a m�sica flu�a do meu cora��o, tudo parecia certo. Todos os meus problemas � que n�o eram poucos, devo ressaltar � pareciam ter se resolvido, e nada mais importava naquele momento de liberdade. Cada c�lula do meu corpo pulsava na mesma batida e minha boca servia de v�lvula de escape para meus sentimentos {?}. A galera gritava loucamente, e eu me empolgava junto com eles. Estava cantando [tocando] e dan�ando na maior emo��o, levando os f�s a loucura. Devo informar que quando digo a meus f�s estou me referindo principalmente a garotas. N�o existem muitos meninos que curtam o nosso som, mas alguns deles s�o f�s dedicados, assim como todos os outros.
Est�vamos cantando Burnin� Up quando eu a vi. A m�sica estava na parte em que o Big Rob deveria cantar, mas em que em shows n�s s� d�vamos uma enrolada b�sica, permitindo dar uma descansada � e uma olhada na plat�ia.
N�o consigo explicar como me senti, mas foi inesquec�vel. Talvez al�vio e esperan�a misturados, talvez apenas felicidade e inseguran�a.
Parada no meio da multid�o, na primeira fileira. Posso afirmar como consegui achar uma pessoa no meio de tanta gente. Seus olhos. Eles me fitavam com o cinza habitual, mas com um pouco de preocupa��o. Outro fator importante foi a tonalidade de sua pele. Branca como a minha, fazia contraste com as pessoas nova-iorquinas.
Ela estava totalmente im�vel, sem ao menos cantar junto. Isso era muito estranho, pois todos ao seu redor estavam se esticando ao m�ximo para tocar no palco, e cantavam (leia-se gritavam) descontroladamente. Ela parecia uma est�tua de m�rmore, mas seus olhos estavam muito mais brilhantes e seu rosto mostrava uma indiferen�a at� maior.
Para todos os outros a garota (que, diga-se de passagem, eu ainda n�o sabia o nome) era s� mais uma na multid�o. Ningu�m se importava com ela, at� a achavam louca. Ela havia comprado um ingresso cobi�ado por muitos e n�o estava fazendo o que eu chamaria de bom uso. Naquela hora me ocorreu que ela talvez pudesse ter me reconhecido no elevador, mas de qualquer jeito ela n�o havia falado nada. Provavelmente n�o queria me perturbar.
Mas, ao observar melhor, talvez ela nem mesmo gostasse de Jonas Brothers. [n/a: haha, at� parece ��� ] Mas ent�o, por que ela teria vindo ao show? Logo associei as coisas, ela provavelmente deveria estar como acompanhante de algu�m. Procurei ao seu redor algu�m parecida com ela, mas isso era simplesmente imposs�vel. Nenhuma pessoa existente na face da Terra seria t�o perfeita quanto ela. Seus l�bios vermelhos estavam mais vividos do que nunca, o que a dava uma apar�ncia de bonequinha francesa. [n/a: admito, me lembrei na hora de poup�e, porque eu simplesmente amo�� essa fic. !]
Eu estava muito confuso, sem saber o que fazer. �Por que ela est� aqui?� �Por n�o falou comigo?� �Por que EU n�o falei com ela?�. Essas eram apenas algumas das perguntas que rodeavam minha cabe�a, com a for�a de um furac�o. Mas eu estava disposto a descobrir tudo aquela noite.
Uma coisa que eu nunca vou descobrir como aconteceu foi o fato de eu continuar presente no show. Claro, que fisicamente eu estava l�, mas n�o mentalmente. S� tinha olhos para ela, mas mesmo assim uma parte do meu c�rebro conseguiu achar concentra��o suficiente para cantar [tocar] ao mesmo tempo.
Tudo correu exatamente como o esperado, no final de Burnin� Up e em Tonight. Enquanto meus irm�os agradeciam, forcei-me a para de olh�-la por alguns segundos � insuport�veis, devo dizer � e observ�-los. N�o foi f�cil tirar minha aten��o dela, da maneira que ela exercia sua influ�ncia em mim. Eles pareciam n�o ter notado que uma garota na sua frente n�o estava, �hn, como eu poderia dizer, empolgada. Afinal quem notaria?? A multid�o era imensa e quem nunca a tinha visto, jamais notaria sua presen�a.
e estavam se divertindo muito, e isso era evidente. Eles terminaram os agradecimentos e anunciaram a pr�xima m�sica: �Can�t have you�.
Num ato totalmente impulsivo e r�pido, estendi minha m�o para a garota a minha frente, e puxei-a para cima do palco. (� nessas horas que eu gosto de ter uma for�a extra.) Foi tudo t�o repentino que nem eu sabia o que estava fazendo. Os seguran�as olharam para mim alarmados e meus irm�os petrificados. N�o ousei olhar para minha m�e ou meu pai. Eles provavelmente me fuzilariam de n�o ter avisado sobre esta pequena �mudan�a� no procedimento do show. Sorri para que eles � tanto meus irm�os, quanto os seguran�as � entendessem que estava tudo bem. Na verdade, melhor do que somente bem.
Virei-me ent�o para ela. Uma de suas m�os g�lidas estava entrela�ada na minha, contra sua vontade. Ela tentava � inutilmente, � claro � se livrar da minha, que estava segurando a dela. Eu n�o a deixaria se soltar, pois esse era um momento e chance �nica que eu teria. Devo confessar que era incr�vel como ela era forte. Mesmo sendo eu, tinha que a segurar para mant�-la em minha m�o. Ela me fitava incr�dula, se perguntando o que eu estava fazendo. Seu olhar me preocupou um pouco, ela parecia querer estar em qualquer outro lugar menos l�. Ali�s, com qualquer outra pessoa, menos comigo. Parecia estar com medo de mim, ou algo do tipo. Tentei retomar minha seguran�a abalada, e fui chegando perto dela.
Inclinei-me em sua dire��o, encostando minha boca em suas orelhas. Sinto um arrepio descer minha espinha e meus p�los se eri�arem. [n/a: odeio essa palavra. ��� ]Seu perfume era doce e envolvente, e seu cabelo era ainda mais sedoso de perto. Nada mais importava, nem a rea��o de minha fam�lia e f�s, nem ao menos a rea��o dela pr�pria. Aquilo era o que eu sempre procurei sentir na vida, mas nunca havia alcan�ado at� aquele momento. Uma felicidade plena se apoderou do meu cora��o, me fazendo sentir mais leve do que eu nos �ltimos tr�s meses de minha vida. Esperava que ela sentisse a mesma conex�o, e se ela sentiu, n�o demonstrou. Por incr�vel que pare�a, ficou mais quieta do que antes, e n�o fez nenhum movimento para me afastar ou me puxar para perto. Sua indecis�o quanto a mim me deixou esperan�oso, ainda havia uma chance de ela gostar de mim.
Juntei toda for�a e coragem existente dentro de mim, e sussurrei da forma mais calma e suave o poss�vel:
�- N�o fique nervosa. Apenas relaxe.
Olho novamente para seu rosto perfeito, mas n�o vejo nenhuma altera��o em seu semblante. Olho ent�o mais para baixo, na dire��o da nuca. Essa regi�o me chamava intensamente, como um bombeiro pelado de New York atrai um elefante roxo de bolinhas rosa. {?} Preparei-me para o pior, e dei um beijo estalado em sua nuca. Um sentimento novo aflorou em mim naquele momento, a chamada realiza��o. Nunca tinha me sentido t�o feliz por um simples gesto, mesmo que tenha partido de mim.
Esperava por um tapa ou um grito de horror, mas ao inv�s disso ela ficou toda arrepiada. Isso me deixou contente, pois ela demonstrava algo diferente de apenas indiferen�a.
Volto para o meu lugar ainda junto dela e aceno para come�ar a m�sica. Ele e me olham confusos, sem saber o que fazer ou esperar. A situa��o que eu havia causado havia sido bem embara�osa para todos, menos para mim. Ela havia corado fortemente e n�o estava muito a vontade com a situa��o. Isso j� era de se esperar, pois ela estava num palco de um show de 12 ou 13 mil pessoas e quem n�o est� acostumado, deve ser bem intimidador.
Logo, e percebem que n�o obteriam resposta alguma, e prosseguiram com a melodia.
Come�o a cantar [tocar] com a voz firme [acordes precisos], observando a rea��o dela. Ela finalmente percebe que seus esfor�os s�o in�teis ao tentar se desprender da minha m�o, e relaxa. Canto [toco] a m�sica apenas para ela, e tento aproveitar cada instante de nosso primeiro momento juntos.

Cap�tulo V � Tonight

�- , voc� n�o vem? �pergunta , saindo do palco e indo para os bastidores. Eu ainda estava parado l� no meio, de m�o dada com uma garota que eu n�o sabia o nome e a plat�ia me olhando � e devo dizer, gritando � curiosa. N�o era para menos, o show j� havia acabado e meus irm�os � depois de agradecer, � claro � j� haviam sa�do de l�, me deixando com a garota. Acho que meus f�s esperavam alguma maluquice partida de mim, como beij�-la na frente de todos ou peg�-la no colo. N�o dei este prazer a eles, e depois de me despedir com umas poucas palavras proferidas no microfone, sai tamb�m, levando-a junto comigo.
Fomos ent�o para os bastidores.
Ela ent�o, me olha aterrorizada:
�- O que voc� pensa que esta fazendo?
Fico sem gra�a com a pergunta e sinto um rubor percorrer meu rosto. Tinha certeza de que estava ficando vermelho. Maldita vergonha!
�- Bem, eu pensei que talvez n�s pud�ssemos conversar. Se voc� n�o se importar, � claro. � dou de ombros, tentando parecer o mais despreocupado o poss�vel. Aquela n�o era uma situa��o muito confort�vel para mim. Nunca fui t�o bom com garotas � t�, talvez isso seja mentira, mas ela era diferente de todas as outras que j� havia conhecido.
Depois de minha resposta, ela consegue retirar sua m�o da minha e me observa com seus olhos cintilantes. O cinza que neles habitava era profundo, como se escondessem um segredo. Tudo nela tinha esse ar misterioso, nada era exatamente o que parecia ser. [n/a: que medo disso-q ]
�- Ah, acho melhor eu ir embora. � ela diz, surpreendendo-me. Quantas garotas n�o dariam tudo para estar no lugar dela, mas ela parecia n�o se importar com isso. Na verdade, ela nem estava gostando. Mas isso era o que tornava tudo mais real. N�o iria ser f�cil, muito pelo contr�rio. No final das contas, eu adoro desafios.
Penso no que ela acabara de dizer, refletindo suas poss�veis causas. Cheguei a uma conclus�o at� que bem plaus�vel.
�- Hum, tinha algu�m com voc� no show? Porque, se for isso, eu posso resolver. Eu pe�o para algu�m avisar que voc� vai comigo e... � deixo as palavras morrerem em minha boca. Dizem que se voc� n�o correr atr�s do seu �sim�, ficar� sempre com o �n�o�. Por esta raz�o eu estava tentando convenc�-la de que dar um passeio comigo era uma boa id�ia. O plano estava em a��o, agora s� faltava ela entrar no jogo.
�- Na verdade n�o. Eu n�o tenho ningu�m. � ela baixou os olhos neste momento, como se tendo uma recorda��o triste. Rapidamente ela se recupera, voltando seu olhar para mim. � Mas de qualquer forma, � melhor eu ir.
Ela tentou dar um sorriso, que n�o passou do esbo�o. Ela desviou os olhos novamente, estava tentando fazer com que eu desistisse. Como se isso fosse realmente acontecer! Resolvi ir pelo caminho mais f�cil - pelo menos para mim � e disse apenas:
�- Ok venha comigo.
Retomei a sua m�o e seguimos pelo corredor branco. j� havia ido para o camarim, ap�s ver que n�o obteria nenhuma resposta minha. Chegamos at� uma porta, onde estava a placa:

CAMARIM DOS JONAS

Virei-me para ela e pedi que esperasse um instante. Ela assentiu com a cabe�a e eu posicionei minha m�o na madeira. Bati educadamente, mas n�o esperei ser convidado para entrar. Adentrei no local apressadamente, organizando meus pensamentos para que eu pudesse ser breve e objetivo.
�- At� eu enfim! � foi a primeira coisa que disse ao me ver. � Se arrume r�pido, porque a gente vai comer pizza!
Ele j� havia trocado de roupa e pelo jeito, estava morrendo de fome. estava terminando de fechar uma de nossas mochilas, tamb�m pronto.
Logo que ele terminou de falar, eu disse:
�- Preciso de um favor de voc�s. � esperei por uma rea��o, mas esta n�o veio. Prossegui. � Ser� que voc�s poderiam dizer para papai e mam�e que eu fui direto ao nosso quarto descansar?
Fiz minha melhor voz de s�plica, acompanhada da minha melhor cara de cachorro abandonado. O cora��o mole de meus irm�os sempre caia nessa.
�- �hn, eu adoraria ajudar, mas por que voc� n�o vai vir com a gente comer? � me olhou preocupado enquanto falava. Provavelmente pensou que eu estava indisposto ou algo do g�nero. Mal sabia ele o quanto eu j� havia sofrido muito com a minha falta de apetite, s� para o come�o de conversa. Tudo havia mudado, e eles n�o poderiam acompanhar.
�- Bem, hoje eu �conheci� uma garota. � eu disse cauteloso. me deu um olhar curioso. Prossegui. � Na verdade, eu nem sei o nome dela, mas...
�- OMG, voc� est� cantando a garota e nem sabe o nome dela?! Credo , voc� tem que ser mais r�pido nessas coisas, se n�o nunca vai dar certo!
n�o pode conter a frase, e muito menos a risada.
Olhei para ele com uma cara sarc�stica, mas continuei a falar, contestando sua afirma��o:
�- Muito bem dito, mas eu n�o estava A cantando, eu estava cantando PARA ela.
Eles me olham confusos. Eu suspiro, mas explico a situa��o.
�- Ela � a garota do show. A que subiu no palco, quero dizer.
�- Ent�o voc� s� a conhece a dez minutos e j� est� caidinho por ela?! , cabe�a no lugar, hum? � diz debochando da minha cara. para para pensar, e pergunta:
�- Mas por que mam�e e papai n�o podem saber?
�- Porque eles n�o me deixariam sair com ela agora. � eu respondo calmamente. Irm�os.
�- E ela aceitou? � novamente tentando fazer uma piadinha.
�- Haha, , muito engra�ado. Em todo caso, n�o darei mais detalhes. Voc� v�o fazer o favor ou n�o?
Eles se entreolharam constrangidos e pensativos. Achavam que eu estava brincando! Mas por fim, decidiram-se:
�- Est� certo ent�o. Vamos fazer esse favor para voc�. Mas tenha cuidado , n�o fa�a nenhuma besteira. N�s j� vamos ter que mentir por sua causa, n�o queremos voc� em encrenca. Arg, odeio quando me chamam pelo meu nome. Pow, � para isso que servem os apelidos!
�- Obrigado, muito obrigado! � disse eu, abra�ando-os. � Talvez algum dia eu recompense voc�s!
Completo, j� saindo. Mas da porta entreaberta ainda pude v�-los trocando olhares preocupados.
Encostei a madeira [n/a: porta no caso, mas ficaria com repeti��o de palavras.] atr�s de mim e me virei para ela.
A garota estava parada perto da parede, remexendo em seu cabelo.
Chamei sua aten��o pegando sua m�o, e por incr�vel que pare�a, ela n�o tentou se livrar dela.

Cap�tulo VI � Clouds can move

�- Ent�o, eu ainda n�o sei seu nome... � comecei inseguro. Est�vamos no meu, carro [n/a: se seu Jonas n�o dirige finja que sim :B] indo para qualquer lugar, ou somente para nenhum em especial.
�- . � ela me responde sorrindo. �- Mas pode me chamar de .
. Bonito nome. De forte personalidade.
�- Odeia nomes completos tamb�m? � disse me virando para ela.
�- �, talvez seja isso. � ela riu. olha ao redor, enquanto o vento esvoa�a seu cabelo. A noite estava estrelada, mas pouco pod�amos ver, pois a ilumina��o da grande avenida [n/a: vcs est�o na 5� Avenida .] drenava nossa aten��o. �- �hn, para onde estamos indo?
Paro um instante e penso. J� havia estado algumas vezes na cidade, mas n�o sabia de nenhum lugar especial o bastante para a ocasi�o. Mal podia controlar minha ansiedade, que s� podia ser comparada com outro sentimento mais importante ainda: a felicidade. Estava saindo com ela. N�S est�vamos indo � algum lugar. Percebi que independentemente da localidade, iria me divertir. Com ela, iria a qualquer lugar, qualquer lugar mesmo. S� havia um pequeno problema neste nosso tempo juntos: a seguran�a. N�o que eu temesse pela minha vida � sabia que n�o era preciso -, mas eu temia pela dela. Qualquer atitude precipitada da minha parte poderia causar um estrago irrevog�vel. Sacudi minha cabe�a, tentando voltar � conversa.
�- Para falar a verdade eu n�o sei. � disse pensando em poss�veis rotas. Mil perguntas rodavam minha cabe�a, e resolvi fazer uma que convinha no momento. �- Voc� � da cidade?
Ela se surpreende com a pergunta, e com a rapidez que as coisas haviam mudado de rumo. Em um instante fal�vamos sobre aonde ir�amos, e em outro eu j� estava a questionando. Qualquer outra pessoa n�o perceberia a mudan�a repentina, o que comprovava que ela era diferente. Mais observadora do que todos, atenta ao mundo ao seu redor. Fiquei desconfort�vel com isso. E se ela descobrisse? Fui interrompido com sua voz cortando o sil�ncio:
�- No momento eu moro aqui. � resposta vaga.
Tentei novamente:
�- Mas voc� nasceu aqui? Em New York quero dizer.
�- Na verdade n�o. � ela ainda n�o havia respondido o que eu queria. Fui o mais preciso o poss�vel:
�- E aonde voc� nasceu? � dessa ela n�o tinha como escapar. Adoro o poder da express�o.
�- Na Fran�a. � ela disse casualmente, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. N�o �. N�o para mim pelo menos. Digamos que eu tenho uma certa fascina��o por francesas.
�-Isso quer dizer que voc� � francesa! � nesse momento, at� eu me espantei com minha lerdeza. �Podia n�o ter em humilhado assim� pensei.
�- Sim, , exatamente. Descobriu isso sozinho? � disse em tom de deboche. Eu poderia ter respondido com um tom de sarcasmo, mas me contentei em sorrir. Era a primeira vez que ela falara meu nome. Isso me deixou arrepiado, e acho que ela percebeu:
�- Tudo bem com voc�?
�- Claro, tudo certo. � penso melhor e acrescento � Na verdade, perfeito.
corou com esta �ltima afirma��o. Ela virou o rosto e disse apenas:
�- Vire a esquerda em dire��o ao American Museum Of Natural History. [n/a: Museu de Hist�ria Natural. Muito lindo l�. :)] Conhe�o um lugar legal para se ir de noite.
Fiz exatamente o que ela me disse e rapidamente chegamos ao Central Park. Ri para mim mesmo. Se fosse para ir para l�, eu mesmo teria nos levado. Todos que j� estiveram em New York foram uma vez no Central Park. Cart�o postal. Indispens�vel. Articulei isto para ela, mas � ou melhor, � n�o pareceu se importar. Seu r�pido pensamento a fez trabalhar em um bom argumento, que at� chegou ame surpreender:
�- Tenho certeza que esta parte do parque voc� n�o conhece. Para ser sincera, ningu�m conhece.
Fiquei atordoado com sua afirma��o, pensando em poss�veis significados subentendidos. Ela definitivamente tinha um bom jogo de palavras. Tudo que ela dizia me envolvia de alguma forma, sendo o seu mist�rio apaixonante ou sua seguran�a surpreendente. Ela n�o parecia se importar com que os outros pensassem, mas isso de jeito algum a tornava insens�vel. Pelo pouco que havia decifrado de seu car�ter, ela tinha uma preocupa��o constante com o mundo exterior, o que me fez lembrar de mim. Esse era um dos nossos muitos pontos em comum. Mas, a maioria deles eu s� descobriria com o passar do tempo.
Estacionei o carro e fui abrir a porta para ela. aceitou e pegou minha m�o. Olhei surpreso e ela sorriu em resposta. E que sorriso. J� havia visto algumas de suas express�es � indiferen�a, curiosidade, inseguran�a � mas nenhuma delas se comparava com aquela que estava experimentando naquela hora. Sentia-me completo. [n/a: que lindim!]
Ela come�ou a me puxar e n�s seguimos andando. Pensei r�pido � n�o t�o r�pido quanto desejaria- e engatei uma conversa:
�- Caso voc� n�o se importe de eu perguntar, o que voc� est� fazendo aqui? Nesta cidade, eu quero dizer. O que te fez sair de... � disse tentando lembrar em que lugar ela morava na Fran�a.
Ela n�o havia dito.
�- De Paris. � ela completou. � Hum, isto � meio complicado de explicar. � ela olha para mim, para se certificar que eu estava prestando aten��o ao que ela dizia. � claro que estava. � Digamos que eu precisava come�ar uma nova vida.
suspirou baixinho e respirou o ar da noite. Estava bem refrescante para o ar carregado de uma cidade grande. As �rvores faziam esse favor para n�s, purificavam o ar. Ela olhou para cima, como que em busca de algo. Provavelmente esperava ver os astros, imponentes em seu reino. Mas, mesmo em um parque, continuava sendo New York, e o m�ximo que conseguir�amos ver seriam helic�pteros. Pelos menos era isso que eu achava.
Olhei-a preocupado e curioso. Mas, ap�s ponderar sobre isso, achei melhor n�o instig�-la a falar. Talvez n�o fosse a hora certa, e al�m do mais, eu n�o queria estragar o momento. Pensei em outra quest�o, somente para preencher o sil�ncio que se formava entre n�s. Podia sentir que com ele viria tamb�m a barreira.
�- E New York foi sua primeira op��o?
�- Na verdade n�o. � olhei para ela, incentivando-a a continuar. � Eu primeiro fui para Londres, mas depois me dei conta de que l� n�o estava dando muito certo. Ent�o eu resolvi deixar a Europa e vir para os Estados Unidos. E acabei chegando aqui.
Sorri.
�- Voc� n�o tem sotaque franc�s. � observei.
�- Hum, talvez voc� que n�o tenha percebido.
Passamos debaixo de uma ponte e o vento aumentou de intensidade. Ela tremeu ao meu lado. Foi s� nessa hora que eu me toquei que ela estava sem casaco em pleno inverno no hemisf�rio norte. Devia estar morrendo de frio. Automaticamente tirei o meu blazer [n/a: ou seja l� como se chama o casaco que vai por cima da camisa no terno :D] e coloquei em seus ombros. fez men��o de tir�-lo, mas eu manti uma de minhas m�os em por cima dele, enquanto a outra segurava a pequena e g�lida m�o da pr�pria garota. [n/a: repeti��o de palavras, eu sei :B]
olha para mim, e eu respondo com um beijo em sua testa. Sua pele estava extraordinariamente gelada, mas eu associei ao frio. Nunca pensei que poderia ser por outro fator. J� hav�amos parado de andar. cora um pouco, mas me abra�a fortemente. Ela encosta sua cabe�a em meus ombros e ao mesmo tempo eu afago seus cabelos.
N�o posso dizer quanto tempo ficamos assim � completamente confort�veis e indiferentes ao mundo ao redor, sem ligar para o que as outras pessoas diriam sobre n�s. Foi simplesmente o correto a se fazer, e no momento eu tinha certeza disso.
Aproveitei ao m�ximo o que eu pensava ser a �nica oportunidade de ficar mais perto dela. De memorizar cada detalhe de seu corpo, cada singularidade de sua fragr�ncia. Ela estava em meus bra�os, era isso que importava.
At� ela se mexer.
Num movimento r�pido, ela se solta de mim e me olha profundamente. Ainda com receio � e eu ouso dizer, com inseguran�a - ela se aproxima de minha boca, brincando com meus sentimentos. Devagar, ela encosta seus l�bios nos meus, beijando-me com ternura. O beijo foi inesperado, mas n�o as sensa��es que vieram com ele. Senti como se estivesse flutuando, alto, indo para as nuvens. J� n�o tinha no��o do tempo, nem do lugar. Uma neblina nos envolvia, e eu a considerava como a alegria sendo transmitida fisicamente.
Tudo estava perfeito, se desconsiderarmos o fato de que ela n�o queria aprofundar o beijo. Aparentemente, um selinho j� seria o suficiente para saci�-la. N�o a mim.
Ela tenta se afastar e eu resigno-me inconsol�vel. Observando esta express�o em meu rosto ela sorri, tentando fazer com que eu me sinta melhor. E, devo dizer, ela � boa nisso. Com apenas aquela demonstra��o de felicidade, eu j� compartilhava este sentimento com ela.
Afastamo-nos novamente e andamos abra�ados.
Minha cabe�a rodava com meus pensamentos, mas eu sabia que tinha que parar de pensar. Esse � um dos meus piores problemas, penso demais. Mas como evitar fazer isso, se era apenas uma conseq��ncia dos acontecimentos recentes? Como evitar processar as informa��es? Ela havia me beijado e isso demonstrava alguma coisa. Pelo menos era o que eu esperava. Se ela fosse como eu, n�o faria isso sem pensar no depois. N�o sou o tipo de pessoa que sai beijando qualquer uma em qualquer lugar, tenho que me sentir bem com a pessoa. Por isso acho que nunca fui bom em relacionamentos no geral. A maioria dos jovens de minha idade � ou os que eu conhe�o em minhas rela��es em L.A. � n�o se importam em ficar sem compromisso. Sentimentos s�o relevados, mas eu sou simplesmente incapaz de fazer isso. Por isso eu procuro por amor. E, eu sei, eu encontrei. A �nica coisa que preciso agora, � fazer com que ela me ame tamb�m. E, eu posso fazer isso.
Seguimos em sil�ncio pela noite fria, at� chegarmos ao lugar esperado. Ou o que eu achava que seria nosso destino.
Tudo parecia normal para mim, o caminho a ser seguido a nossa frente e o bosque a nossa direita. Ningu�m passava por l�, o que j� era de se esperar por ser tarde da noite. Avistei um banco por perto e rumei naquela dire��o. Talvez pud�ssemos sentar l� um pouco para conversar. Tinha tantas coisas que eu queria perguntar!
Mas, ela puxou minha m�o, fazendo com que eu parasse e esperasse por novas instru��es. que estava �comandando� o nosso passeio. Ela ent�o me guiou e viramos � esquerda. Um lado congelado apareceu, para a minha surpresa e o contento dela. N�o que o lago em si me surpreendesse, o que realmente me deixara assim havia sido a vis�o que este proporcionava.
O gelo era azul, com pontos transparentes que resplandeciam � luz do luar. Era como se a pr�pria Lua tivesse decido de seu pedestal, para nos extasiar com seu brilho natural. Essa imagem quase ofuscava a de . Quase.
Ficamos alguns minutos parados, s� olhando. Quando ela ficou entediada, moveu-se novamente e me puxou junto.
Fiquei assustado quando deixamos o caminho determinado pelo parque. Como se fosse uma coisa normal, foi me conduzindo por uma trilha escondida entre �rvores, logo depois chegando a uma clareira. Olhei de volta para o lago, vendo o conhecido sendo deixado para tr�s. Daqui para frente eu estava entregue nas m�os dela. Melhor s� se ela tivesse em minhas m�os. E eu estava seriamente pensando em fazer isso acontecer.
Sem que eu percebesse � talvez por estar focando minha aten��o nela, ou s� porque havia tantas coisas na minha cabe�a � surgiu uma ponte na minha frente. come�ou a atravess�-la.
�- , o que voc� est� fazendo? � perguntei preocupado.
�- Atravessando uma ponte, u�! O que mais eu poderia estar fazendo?! � ela se vira para mim e faz uma cara de sarcasmo, como se isso explicasse tudo. Humor negro.
�- Eu n�o sei, sua louca! Sai da�, voc� n�o sabe onde isso leva! Ela me olha com cara de desd�m. T� bom, ela sabia aonde a ponte ia. J� do outro lado, ela gritou para mim:
�- Voc� n�o vem covarde? Vai ficar ai parado enquanto me deixa aqui sozinha?
Hum, ela acertou, isso era exatamente o que eu queria ouvir. Algo que demonstrasse que ela precisava de mim. Algo que me fizesse ficar um pouco mais, �hn, confiante. N�o que eu estivesse inseguro, talvez apenas um pouco moralmente abalado. As coisas estavam acontecendo r�pido, mas eu gostava disso.
�- J� estou indo. � dei uma �ltima respirada e comecei a andar sobre a ponte. N�o era t�o ruim quanto eu imaginava. Na verdade, n�o era ruim de modo algum. Fazia com que eu me sentisse revigorado e pronto para tudo. [n/a: Pronta para o que der e vier. Novo Lady Speedstick Double Defense, uma sensa��o... � okay, n�o pude me conter agora �q ] Algo que fazia tempo que eu n�o sentia. Resolvi culpar � mais agradecer, na verdade � a presen�a dela pela volta deste sentimento j� ent�o esquecido, e n�o um simples esqueleto de madeira desanimado.
Finalmente conclu� o percurso e parei ao lado dela. Hav�amos chegado em um lugar incr�vel. [n/a: agora vem a parte que a demente aquii delirou total ! divirtam-se! ]
Por mais maluco que possa parecer � e com certeza, parecer� � havia um riacho a minha frente. � claro que eu j� ouvira o barulho de longe, mas achava ser somente minha imagina��o trabalhando contra mim. �, isso acontece bastante.
A �gua flu�a naturalmente, dan�ando e cantando para n�s. Os sons provenientes dessa cantoria eram tons estranhos ao percebermos que ainda est�vamos em New York. Todo o esplendor ao meu redor era. Era como se aquele lugar, nem mesmo existisse, tal sua magnitude. Era simplesmente imposs�vel. E, deixe anotado, eu gosto do imposs�vel. Faz com que eu me sinta melhor.
Minha rea��o ao que ela havia me mostrado: perplexidade total. N�o havia nenhum lugar como aquele e nem poderia existir. Ela parecia concordar comigo em rela��o a beleza do local, pois me respondeu com um sorriso. �, agora tudo pode melhorar. Finalmente as nuvens da minha vida poderiam sumir, dando lugar ao c�u aberto.
Tinha mil e uma perguntas para fazer, mas optei no momento por observar. Um dos meu hobbies favoritos.
O fluxo era veloz, fazendo uma correnteza forte. A �gua era cristalina, possibilitando enxergar o fundo, com pedras de todos os formatos e cores. [n/a: at� tinham pedras roxas ! hauhauhaauhauhuh, admito, sou uma pessoa feliz ! :) ] A vegeta��o ao redor era composta de grandes �rvores, algumas frut�feras e muitas de flores ex�ticas. Seus aromas se fundiam no ar, formando uma combina��o em sintonia. A Lua brilhava acima de n�s, banhando-nos com sua luz. [n/a: Lua ! *-* ] Era incr�vel como pod�amos esquecer que est�vamos em uma cidade grande.Eu sentia como se estivesse em um bosque, curtindo o ar fresco em algum pa�s long�nquo. Retomei a consci�ncia em algum momento entre observar o mundo exterior e me debater com o interior. Olhei-a.
Seus olhos haviam sido renovados, de uma �tima maneira. A incid�ncia da luz do luar os havia deixado mais brilhantes, se � que isso era poss�vel. me olhava satisfeita, como se tivesse satisfeito algum desejo interno.
�- Bem vindo ao meu lugar secreto. � ela disse, dando um sorriso exuberante. �- Sinta-se privilegiado, ningu�m nunca veio aqui.
Sorri de canto.
�- Quer dizer que eu sou especial o suficiente para conhecer seu lugar secreto? � nada poderia soar melhor aos meus ouvidos, e muito menos ao meu cora��o.
�- �. � ela disse t�mida. �- Na verdade, agora esse � nosso lugar secreto.
Fiquei surpreso. Ela fazer parte da minha vida � mesmo que inconscientemente � j� era bom, mas saber que EU fazia parte da vida DELA era bom demais para ser verdade. Mesmo se ela tentasse, n�o conseguiria me fazer mais confiante do que eu estava naquele momento.
Juntei todas as for�as existentes dentro de mim, controlei minha ansiedade e a beijei. Dessa vez, nada me impediu. Coloquei uma de minhas m�os em sua cintura, enquanto a outra afagava seus cabelos. Ela por sua vez, colocou-as em minha nuca, fazendo com que eu ficasse arrepiado. N�o pude evitar, seu toque me deixava euf�rico.
Distanciamos-nos um pouco e ficamos nos fitando. Ela aparentemente havia gostado, pois estava sorrindo abertamente. Inclinei-me novamente, dando um selinho nela.
Inconseq�ente. � isso que eu sou.
Sem ao menos pensar duas vezes, tentei peg�-la no colo. Seria perfeito � se eu tivesse conseguido. Como eu sou, hum, por assim dizer, mais r�pido do que qualquer humano existente na Terra � ou em qualquer lugar, na verdade � n�o pensei que ela conseguiria desviar. Isso era tecnicamente imposs�vel. Mas em um movimento no m�nimo duas vezes mais veloz que o meu, ela se afastou, deixando meus bra�os parados no ar.
Olhei perplexo para , com uma pontada de medo.
Repito: isso era tecnicamente imposs�vel. A �nica maneira de ela ser t�o r�pida assim seria... Foi nessa hora que eu fui processando as informa��es que tinha sobre ela. [n/a: s� agora ? Vc deveria ter sido mais r�pido querido! 8) ]
Cor de pele branca p�lida {?}, l�bios naturalmente avermelhados, pele g�lida e macia, reflexos r�pidos at� demais e uma for�a que podia ser comparada a minha. Lembrei de sua afirma��o: � Eu n�o tenho ningu�m.�
A descoberta foi como um raio caindo sobe minha cabe�a. O ch�o parecia n�o estar mais l�, ficando apenas o abismo da verdade. era igual a mim. Ela tamb�m era isso.
Abri a boca algumas vezes, tentando me expressar. Como era de se esperar, ela me olhava preocupada. Consegui identificar seu tipo de preocupa��o, pois eu j� tinha tido isso v�rias vezes nos �ltimos meses.
Respirei fundo e me concentrei. Finalmente achei as palavras � podiam n�o ser as corretas, por�m me ajudariam a sair do sil�ncio sepulcral.
�- Acho que voc� j� deve saber o que eu sou a este ponto � comecei cauteloso � pois voc� � o mesmo.
Ela me olhou aterrorizada, eu havia descoberto o segredo dela. Ainda assim, tentou uma �ltima vez, se fazendo de inocente:
�- , n�o sei do que voc� est� falando.
A sua mentira era clara. Sua voz transparecia uma inseguran�a incomum de sua parte.
�- , n�o complique as coisas para mim. � isso estava sendo mais dif�cil do que eu imaginaria que seria. N�o que eu tivesse pensado muito a esse respeito. N�o tinha. N�o mesmo.
�- , por favor, voc� pode... � seu tom era s�plica, mas eu n�o senti mal ao cort�-la.
�- , encare os fatos. � pigarreei. � N�s dois somos vampiros.
Estremeci ao falar essa palavra, anteriormente exclu�da de meu vocabul�rio.
me olha surpresa, mas de certo modo, seus olhos mostravam al�vio. Depois de apenas alguns segundos, ela j� estava sorrindo.
�- Que bom que voc� descobriu sozinho , achei que teria que te contar.
Agora ela estava realmente relaxada. Abri um sorriso largo, tudo estava se ajeitando. Afinal, nada mais normal do que dois vampiros estarem observando um riacho correr em uma floresta de New York.
Cheguei mais perto e a abracei de lado, enquanto contempl�vamos a Lua.
Este era o tipo de momento que qualquer cara espera: ter a mulher da sua vida em seus bra�os. Posso parecer precipitado, afinal, s� havia a conhecido algumas horas atr�s. Mas ela era t�o linda, t�o perfeita. [n/a: vou vomitar.] E o fato de ela ser diferente � do mesmo modo que eu era � ajuda muito. N�o conseguiria ficar com ela se ela n�o fosse uma vampira. Nunca colocaria sua vida em perigo, mas tenho certeza que sofreria muito ao ter que me afastar dela. Isso n�o vem ao caso.
O que realmente importava agora era o momento. Mas, tenho que admitir, minha cabe�a rodava de tanta curiosidade. Como ela havia se transformado? Havia sido t�o traumatizante quanto � minha transforma��o? Fiz o m�ximo que pude para me conter, mas como � da minha natureza, n�o resisti muito tempo. Afastando-me um pouco � n�o a ponto de desfazer o abra�o � olhei para ela atentamente para procurar qualquer vest�gio de desconforto. Nada encontrei se n�o um sorriso singelo. Sorri tamb�m. Pensei um pouco antes de fazer a quest�o, era complicado falar sobre isso. Eu mesmo, nunca tinha me aberto com ningu�m, com certeza n�o era um bom assunto para o nosso �primeiro encontro�. Mas eu sentia como se j� nos conhec�ssemos a tanto tempo...
�- Hum, posso te fazer uma pergunta? � �, eu estava tremendo. Medo da resposta talvez? � Por�m s� me responda se estiver pronta.
Ela acenou afirmativamente com a cabe�a. Prossegui.
�- Bom, como voc� se transformou?
Sua express�o mudou rapidamente. De um momento bom passou-se para um momento constrangedor. Abaixei meus olhos. �Podia ter ficado sem essa, ! Est�pido, estragou o momento!�
colocou uma de suas m�os em meu queixo, for�ando-me a olhar para ela. N�o estava brava ou chateada, como eu achei que estivesse.
�- , essa � uma quest�o meio complicada. N�o � uma das minhas melhores experi�ncias. Voc� me entende, n�o �.
�- Entendo perfeitamente. Mas � que eu nunca conversei sobre isso com ningu�m. � T� bom, eu assumo, estava suplicando. Era uma chance �nica, pow! Quando eu poderia falar sobre isso de novo, com quem eu poderia tocar nesse assunto. Ningu�m nunca entenderia.
�- Hum... � Ela estava considerando minha pergunta. �- Acho que tudo bem se eu responder. � Sorri. � Se voc� responder �s minhas depois.
�- Eu prometo que fa�o isso. � Qualquer coisa para obter novas informa��es que poderiam me ajudar, ou somente saciar minha sede.
�- Est� bem ent�o. Mas preste aten��o, j� � dif�cil falar uma vez, n�o vou repetir a tortura.
Falando isso ela sentou na grama ao meu lado, puxando-me junto. E come�ou a contar sua hist�ria.
[FLASHBACK ON - 3� pessoa]
[n/a: queria manter tudo em 1� pessoa, mas vai ser imposs�vel..]
Era mais uma noite normal em Paris, um t�pico dia de inverno. Todos andavam agasalhados nas ruas, enquanto o vento ardia e queimava as poucas partes do corpo que estavam desprotegidas.
, estudante de um col�gio da alta sociedade da cidade luz, tinha acabado de sair da escola. Ap�s uma longa tarde fazendo o trabalho de sua turma avan�ada de estudo bioqu�mico dos alimentos [n/a: noooosa, viajei legal agora!], ela finalmente se dirigia para casa.
carregava seus livros, enquanto caminhava despreocupada por uma rua movimentada.
Ningu�m olhava para ela, ningu�m sequer notava sua presen�a. Para ela era melhor assim, afinal, seus pais n�o haviam autorizado que ela sa�sse sozinha de noite, devido aos assaltos e grande �ndice de seq�estro. [n/a: em Paris? Ser�?] Ela n�o se importava com isso, nunca nada de mal havia acontecido com ela, por que se preocupar? Ela deveria.
Ela virou a esquina da avenida movimentada, indo parar em uma ruazinha estreita. N�o havia ningu�m l�, excluso um rapaz de boa apar�ncia, que segurava uma mochila grande.
seguiu sem medo algum, e j� havia percorrido metade do caminho quando o estranho a abordou:
[n/a: conversa em franc�s! �// eu sei falar franc�s! � caley :x]
�- O que a mademoiselle faz sozinha tarde da noite? � Seu jeito de falar era grosseiro e com sotaque diferente. Com certeza n�o era da regi�o.
�- Nada que envolva voc�. � respondeu no mesmo tom. Estava cansada de garotos correndo atr�s dela, n�o precisava de mais um maluco para sua cole��o. [n/a: ui, poderosa!]
Nesse momento, eles estavam frente a frente. nem se dignou a olh�-lo, estava ocupada demais se concentrando em chegar r�pido em casa. Estava morrendo de frio com aquele casaco fino.
O homem estendeu seu bra�o, bloqueando a passagem da garota. Ela normalmente tentou desviar, mas ele a agarrou pelo bra�o:
�- Tem certeza, meu bem?
tentou se soltar, mas ele era mais forte do que qualquer um que ela j� havia conhecido.
Chegava a ser sobrenatural. Ele a puxou para a parte escura da rua, fazendo com que ela derrubasse os livros no ch�o. A essa altura, ela j� havia entendido o que ele queria fazer. Ela come�ou a se debater e gritar por ajuda:
�- SOCORRO! ALGU�M ME AJUDE! ME LARGA, SEU IDIOTA!
Ele riu com deboche do desespero da garota.
�- Calma a�, gatinha, eu n�o vou te machucar. � ele reconsiderou afirma��o. � T� legal, eu vou, mas � para os eu pr�prio bem.
j� estava chorando, l�grimas de tristeza, �dio e medo.
�- Tudo vai acabar logo, meu bem, nem vai ser t�o ruim assim. Agora fique quietinha e n�o fa�a esc�ndalo.
Dizendo isso ele a puxou para si, e tapou sua boca com uma das m�os. Deu um sorrisinho safado.
Os olhos da garota perscrutaram a rua, n�o havia ningu�m l�, ningu�m para ajud�-la.
Chegou mais perto da menina, o tanto quanto podia. Ele retirou uma agulha do bolso de seu casaco e injetou em si pr�prio. j� estava aterrorizada, quase desmaiando. Ele rapidamente retirou um pouco de seu sangue e ficou analisando sua cor.
�- Olhe como brilha! Aproveite, voc� est� contemplando o mais forte veneno de todos.
Ele virou para ela e a encarou. Sem medo ou aviso, ele injetou a agulha nela.
tremeu repentinamente, e suas pernas ficaram bambas. Ela sentia seu corpo amolecendo, enquanto o sangue de vampiro vazia efeito. O homem olhou com orgulho e disse:
�- Isso mesmo, meu bem, venha para n�s.
Foi a �ltima coisa que ela viu ou ouviu, antes de desmaiar.
[FLASHBACK OFF � 3� pessoa off]
�- E esta foi a �ltima coisa que eu me lembro deste dia. � ela estava com a cabe�a baixa, evidentemente desconfort�vel. Abracei-a forte. Sabia como era estar naquela situa��o. olhou para mim, com seus olhos brilhando e uma �nica l�grima escorrendo pelo rosto. Virou-se novamente para a Lua, e prosseguiu:
�- Depois deste dia, eu acordei no mesmo lugar, com uma dor de cabe�a terr�vel e bem, com sede de sangue. � ela estava constrangida. � Por j� ter lido sobre isso antes, sabia o que havia acontecido comigo. Mesmo assim, foi um choque horr�vel, algo que eu nunca superei. � ela estava chorando nesse momento.
Como eu pude fazer isso? Como pude tortur�-la de tal maneira? Nunca deveria ter deixado a curiosidade atrapalhar nossa conversa. Quando vou deixar de ser idiota?
�- Bom, o resto voc� pode deduzir. � olhei para ela confuso. � Eu abandonei minha fam�lia e fiquei vagando pela Europa, procurando algu�m como eu, j� que n�o podia contar com mais ningu�m.
Demorei um tempo para processar as informa��es. �Pera ai, ela havia abandonado a fam�lia? Por que diabos ela faria isso?�
Novamente a analisei. Ela estava cabisbaixa, com um olhar distante. Virei-me, cuidadosamente retirando meus bra�os dos seus, e colocando uma de minhas m�os em seu queixou. Puxei-a para um beijo, mas nada mais intenso do que um selinho. N�o era hora para ego�smo ou desejos internos, precisava que eu a apoiasse.
Afastamo-nos e ficamos em sil�ncio. Este, por�m, n�o durou muito, ainda queria saber por qual raz�o ela havia se afastado de quem mais amava. Perguntei cauteloso. me olhou incr�dula. Acenei negativamente com a cabe�a, e completei:
�- S� vejo um motivo, e ele pode ser contornado. � estava me sentindo muito idiota, como se tivesse deixado passar algo. Como se tivesse a obriga��o de saber aquilo, mas simplesmente havia esquecido de aprender. Sensa��o ruim.
Ela resolveu dar uma chance aos meus pensamentos.
�- Prossiga, quero ouvir o que voc� acha. � para meu desagrado, sua voz continha uma pontada de ironia. Mesmo assim, prossegui. N�o importava que fosse constrangedor, ela j� havia sofrido por mim aquela noite, n�o pensaria duas vezes antes de fazer o mesmo por ela.
�- Bem � tentava articular � voc� s� teria deixado sua fam�lia por medo de machuc�-los. � olhei-a para ver sua rea��o, mas seu rosto estava transparente.
�- Voc� nunca faria isso. � apesar de n�o a conhecer direito, t� legal, nem um pouco, eu sabia que ela nunca poderia ferir algu�m. Simplesmente imposs�vel associar qualquer maldade �quele rosto inocente.
abriu um sorriso de compaix�o, como se estivesse com pena de mim. N�o entendi.
�- , preciso te contar uma coisa, mas n�o quero que se zangue ou fique chateado. � olhei-a assustado. O que poderia ser pior do que o nosso segredo? Nada me vinha � cabe�a. �- Acredite, � para seu pr�prio bem.
N�o falei nada, ent�o ela continuou:
�- Hum, , quando se � vampiro o tempo n�o passa. Quer dizer, n�o para n�s. Vampiros n�o envelhecem ou morrem.
Congelei. N�o literalmente, pois estou sempre gelado, mas figuradamente. N�o conseguia acreditar no que ela dizia. Meu queixo deve ter ca�do muito, devido a minha surpresa incontida.
Eu n�o iria envelhecer. N�o iria morrer.
Para alguns isso pode ser bom, considere principalmente cientistas e m�dicos, que adorariam passar o resto de seu tempo salvando vidas, e sempre com a mesma apar�ncia.
Mas eu n�o podia fazer isso. N�o mesmo. Como iria ficar sem minha fam�lia?
N�o poderia ficar junto deles para sempre, e quanto mais tempo passava menos eu tinha com eles. N�o demoraria muito para eles perceberem que eu n�o estava mudando em nenhum sentido. Tinha que deix�-los o mais r�pido o poss�vel.
Confesso, fiquei aterrorizado. S� estes pensamentos j� me deixavam com este gosto salgado na garganta, que arranhava minhas entranhas com garras de ferro. Tristeza, decep��o, saudades. Tudo isso estava tra�ado no meu futuro, e eu podia ver claramente agora.
Ent�o corri.
Corri como nunca havia feito antes, deixando-a completamente sozinha naquele lugar escuro. N�o me importava com isso no momento. Tudo que via na minha frente eram l�grimas e chuva. [Tears and Rain]. Nada mais estava programado para mim. Somente o desespero, o p�nico e o medo.

Cap�tulo VII � For our Love to start

Todos t�m sorte de eu ser cuidadoso. Sempre fui.
Ao sair do parque, entrei no carro, sem nem ao menos olhar para tr�s. Dei a partida e recomecei a correria. Mesmo ultrapassando todos os limites de velocidade � e �tica � ningu�m se feriu. Nem poderia, partindo do ponto que eu sempre coloco a vida dos outros em primeiro lugar. Nunca realmente me importei com minha sa�de ou sanidade mental. Apesar de que nos �ltimos tempos, me preocupar com isso poderia ser extremamente �til. Meu estado de esp�rito era lastim�vel, e descontar tudo na rapidez me pareceu uma �tima id�ia. Desde que n�o importunasse ningu�m.
A partir do momento em que me tornei esse ser repugnante, tenho pensado em todas as conseq��ncias antes de agir. Qualquer errinho, qualquer pisada em falso pode gerar uma trag�dia. Desejar algo que nunca pode ser obtido se tornou parte da minha rotina. Convivo com tenta��es 24 horas por dia, e aprendi a ameniz�-las. No come�o n�o foi nada f�cil, e com vergonha confesso: j� cedi a elas. Arrependo-me armagamente disso e n�o posso me justificar. Mas teria argumentos fortes se o fizesse. A sede de sangue era muita, e o autocontrole pouco.
Cai em depress�o logo ap�s esses meus terr�veis atos. Nada mais ocupava meus pensamentos e eu j� estava enlouquecendo. Tinha uma grande decis�o a tomar, e ela n�o poderia ser feita com ningu�m interferindo. Resolvi ent�o tirar um tempo s� para mim, como se fossem f�rias depois dos shows. Isso foi logo ap�s a turn� do M�xico, onde eu tinha me transformado.
Me auto-exclu� em uma floresta densa, mantendo-me em jejum e em total medita��o. Decidi nunca mais machucar outra pessoa, algu�m que tinha tanto direito de viver quanto eu. S� via um problema nessa solu��o: do que eu me alimentaria? Considerei essa como uma quest�o sup�rflua e me concentrei em aceitar quem � na verdade o que � eu realmente era. N�o foi f�cil, passei por um grade per�odo de nega��o em que tentei me matar. Sei que n�o deveria fazer isso, mas para viver sendo um monstro. apareceu com a resposta.
N�o fa�o a menor id�ia de como ele me achou. N�o tinha avisado exatamente onde ficaria e ele n�o tinha como saber. Mas de qualquer forma, me encontrou na floresta e tirou uma bendita foto est�pida de mim, tocando viol�o. Pelo menos era isso que eu achava, at� ver como ela tinha ficado. Eu gostei tanto, que ela estava pendurada no corredor de minha casa. [n/a: a foto, l��� do c�p. I � desenterrei essa, hehe..]
Claro que minha rea��o n�o foi das melhores quando percebi a presen�a de meu querido irm�o. N�o havia me alimentado de nada e estava faminto. Por que ele tinha que aparecer e complicar mais ainda as coisas?
Gra�as a minha cabe�a fria e bom senso, consegui me controlar. Foi a� que percebi como era importante que eu sempre estivesse calmo, independente do que acontecesse. Acho que tenho me sa�do bem.
Desde ent�o, eu tenho seguido minha vida com se nada tivesse acontecido. Minha fam�lia nem sequer sonha que eu sou este monstro. Escondi esse segredo de todos, na esperan�a de ningu�m descobrir. Para minha sorte, tem funcionado. Mas, isso s� ocorre porque ningu�m tem conhecimento do assunto. Eu sou como um livro aberto, basta saber ler nas entrelinhas. Portanto sou grato de ser o �nico apreciador da literatura. [n/a: que droga que eu escrevi agoraa.]
� claro que algumas mudan�as eles perceberam. Como n�o notar que o mais faminto agora nunca tem apetite? Isso � bem dr�stico, para ser sincero. Mas, parece que nunca tiveram tempo de analisar minha dif�cil fase como um todo. Tudo bateria. Se eles conhecem o m�nimo de sobrenatural, j� teriam descoberto a verdade e eu n�o teria que fingir ser uma coisa que n�o sou. N�o, n�o estou reclamando, prefiro atuar a me expor de tal maneira. De qualquer forma, sempre gostei de teatro.
Mas, eu n�o achava que as coisas poderiam chegar a esse ponto. Conhec�-la foi, sem d�vida, o melhor que aconteceu nesses �ltimos tempos. Mas eu esperava que n�o complicasse ainda mais minha vida. Parece que at� criaturas m�ticas erram. E feio.
N�o posso negar que ela � a mais adequada para mim. Poderia dizer perfeita, por�m como se ela me deixava sem rea��o? E nada de bom pode vir disso. Al�m do pouco que conhe�o, sei de uma coisa que � chave. Ela me entenderia, independente da situa��o. Mas n�o � isso que a faz especial, n�o seria t�o ego�sta a ponto de s� analisar meu ponto de vista. Ela tinha... algo a mais. Algo que havia me hipnotizado desde o primeiro momento. Seus olhos revelavam uma pureza intocada, mesmo com suas diversificadas express�es. Poderia me perder dentro deles, s� para entend�-la melhor. Como dizem, os olhos s�o a chave para a alma.
E, o que faz muita diferen�a, eu nunca poderia machuc�-la. Mesmo que tentasse, suas capacidades eram t�o boas, ou at� melhores do que as minhas. N�o que eu alguma vez fosse querer machuc�-la. Em nenhum sentido. E � por isso que eu estava me sentindo t�o culpado naquele momento. Como pude deix�-la sozinha? Essa era uma pergunta ret�rica que meu subconsciente fazia para mim, mas insistentemente, o consciente respondia.
�Voc� � um covarde, , n�o poderia ter feito outra coisa.�
Essas palavras me assombraram. N�o tinha nem coragem de enfrentar meus pr�prios medos. A �nica coisa que eu queria era que ela n�o tivesse ficado muito chateada. Ela n�o precisava estar feliz ou cheia de amores para comigo, mas eu desejava poder falar com ela novamente. Queria ter a chance de tentar me desculpar pelo comportamento inadmiss�vel.
E o que eu realmente desejava, � que de alguma forma ela se importasse comigo. Nem que fosse somente para proteger os outros de mim. E meus desejos foram realizados.
N�o demorou muito para eu chegar ao hotel.
Em menos de 10 minutos j� havia atravessado a cidade, mesmo com o consider�vel tr�nsito habitual. Para os meus padr�es, eu poderia ter feito em menos tempo. Mas eu estava em New York, a cidade que nunca dorme, por isso resolvi aproveitar um pouco a minha vida. Fazia tempo que n�o estava em meio a grandes pr�dios e era interessante observ�-los.
Entrei na recep��o a uma da manh�, como dizia o rel�gio reluzente que brilhava no centro. Ainda havia h�spedes l�, mas nada comparado ao fluxo normal. Um grupo de adolescentes b�bados conversava em um canto, armando uma pequena confus�o. N�o lhes dei aten��o e segui meu caminho. A sociedade de hoje me irrita profundamente.
Havia apenas um cara esperando o elevador. Ele estava encostado na parede, o que o fazia parecer mais gordo do que realmente era.
�- Grande noite, hum? � ele pergunta numa tentativa frustrada de puxar assunto. Assenti silenciosamente.
O elevador finalmente chega, para acabar com minha agonia. Meu companheiro aperta o n�mero tr�s e eu o doze. Fiquei tremendamente feliz ao v�-lo ir embora sem me importunar mais. Impulsionei para frente, ao ouvir o bip fraco acima da minha cabe�a. Estava extremamente claustrof�bico l� dentro.
Acabei me atirando de volta para as lembran�as. L� estava eu, no hall que anteriormente eu havia a visto. Tudo veio como um raio, fazendo minha cabe�a girar.
Senti a culpa inundar-me novamente. E dessa vez ela veio acompanhada de preocupa��o.
�Ser� que ela est� bem?� Tentei n�o estremecer ao pesar nisso. N�o fui muito eficaz.
Mas, respondendo � minha pergunte, ela apareceu.
Como se sempre estivesse estado ali, parada na perfeita est�tua de m�rmore.
Pisquei confuso. Como ela havia feito isso?
Ela tamb�m n�o parecia muito � vontade em me ver. Seus olhos estavam atordoados, j� n�o t�o brilhantes. Apesar da surpresa, ela comp�s uma m�scara inexpressiva e continuou im�vel.
T�pico dela, ficar parada nas horas mais importantes.
Quanto a mim, o choque ainda me dominava.
Ela me encarou, tentando descobrir a quest�o incrustada em minha mente.
�- Eu sei aparatar, . [n/a: Harry Potter *-*]� ela disse sem vida nenhuma na voz. Era como se ela estivesse falando por obriga��o, e n�o por vontade pr�pria.
me olhou como se esperasse por uma resposta. N�o lhe ofereci nenhuma. Minha mente ainda precisa processar aquela informa��o.
Os segundos se passaram e aos poucos sua express�o foi mudando. Ela continuou a me encarar, mas agora seus olhos ardiam nos meus. Era como se ela se desculpasse pelo olhar. N�o sei o que em minha face fez com que ela sentisse que me devia desculpas. O errado era eu, eu que deveria deixar o orgulho de lado e abaixar a cabe�a clamando perd�o. [n/a: exageraaado..]
Mas de alguma forma, n�o consegui dizer nada.
Tanto para dizer e eu n�o conseguia achar as palavras. Era como se eu n�o soubesse mais onde encontr�-las, em que arm�rio eu as havia deixado.
Estava tentando fazer muita coisa ao mesmo tempo. Digerir as informa��es da noite, achar as palavras e faz�-la me desculpar. Era muita coisa, at� para um vampiro.
Abri a boca v�rias vezes, sem nunca pronunciar nada.
soltou um risinho abafado, que n�o combinava totalmente com a sua express�o. Seus olhos ainda emanavam um pouco de rigidez, mas sua risada era descontra�da. Ela sabia muito bem como quebrar um sil�ncio.
Minha rea��o mais esperada seria ficar bravo com ela e sair andando. Aquele era um momento s�rio, tecnicamente imposs�vel de se dar risada. Mas isso n�o significa que eu n�o fiquei feliz por ela ter quebrado a tens�o. Seu riso era singelo e eu sabia que n�o estava fazendo pouco caso da situa��o, ela tamb�m entendia sua magnitude. Desse modo, eu apenas me limitei a sorrir tristemente.
Percebendo o estado lastim�vel de meu humor � ou at� mesmo a aus�ncia deste � ela foi parando, at� que n�o havia mais nenhum som enchendo a sala. Em seu lugar, vem uma preocupa��o desta vez da parte dela. O mais prov�vel era que meu olhar tivesse me tra�do, nunca consegui esconder as emo��es em meus olhos. Sou at� muito f�cil de decifrar, quando se tem a ligeira id�ia do que procurar.
O clima estava tenso novamente e eu n�o estava em condi��es de melhor�-lo. Minhas �ltimas tentativas n�o haviam ajudado em nada e eu n�o estava a fim de tentar novamente.
�- Hum, , ser� que posso te perguntar uma coisa? � por essa eu n�o esperava. Perguntas ao inv�s de respostas?
Engoli em seco e me preparei para o que quer que fosse.
�- , por favor. � disse corrigindo-a com um sorriso � e claro, pergunte o que quiser.
�- �hn, ok. � ela disse meio hesitante. � Promete n�o ficar bravo?
�- Prometo. - seu sorriso de resposta foi franco, por�m contido. O pior ainda estava por vir.
�- Muito bem ent�o. Vou falar de uma vez. � seus olhos faiscaram nos meus. � Como voc� sobrevive?
Primeiramente, n�o me toquei do que ela estava falando. [n/a: Joe, que lerdo! o.O] Mas o contexto clareou minha mente, me trazendo a verdadeira pergunta. Sua inseguran�a tamb�m foi de efetiva ajuda nessa descoberta tardia.
Sabia que o clima iria pesar de novo quando eu respondesse, e eu definitivamente n�o queria isso. Arranjei uma sa�da bem pat�tica para fugir disso.
�- Voc� quer dizer sendo um astro? Simples, muito simples. Meu trabalho � minha vida, adoro compor m�sicas. � resolvi brincar mais um pouco � E as f�s n�o s�o nada mal. Teve uma vez que uma menina chegou e...
Fui interrompido por uma gargalhada, novamente. havia se encostado na parede e colocado as m�os nos joelhos, tamanha era sua divers�o. Sorri verdadeiramente contente. Havia alcan�ado exatamente meu objetivo e ainda ganhara um b�nus de felicidade extra.
Tentei me manter o mais inocente o poss�vel, como se n�o tivesse entendido a pergunta, apesar de reconhecer que teria que respond�-la mais cedo ou mais tarde. Mais tarde parecia �timo.
�- Ah, , voc� me faz rir! � ela exclamou, quando j� estava mais recomposta. � Ningu�m nunca me fez sentir assim!
Inclinei e peguei sua m�o, apertando-a contra meu peito. Puxei-a para mais perto, encostando nossos corpos. Sua respira��o continuava no mesmo ritmo, seu h�lito frio causando arrepios em minha nuca. Seus bra�os estavam relaxados enquanto eu a abra�ava. Num �timo, nossos l�bios j� se tocavam, como era de se esperar. Minha m�o subiu instintivamente para o seu cabelo e ela pendurou-se em meu pesco�o.
Qualquer um que passasse naquele momento veria uma cena digna de filme, dois vampiros se beijando no hall. Pat�tico.
Antes que eu me desse conta, ela j� havia se desgrudado de mim, indo para mais longe do que eu desejava.
Sua express�o estava parcialmente feliz, mas no fundo alguma coisa ainda a afligia. Eu sabia exatamente o que era e n�o era um assunto que eu gostaria de discutir no primeiro encontro. Se � que isso podia ser considerado um.
Esperei que ela falasse, n�o queria atorment�-la ainda mais.
�- , agora � s�rio. Como voc� sobrevive?
J� tinha consci�ncia de que minha reposta deveria ser bem formulada. N�o sabia qual a posi��o dela neste assunto, ent�o deveria tomar um extremo cuidado com o que iria dizer, para n�o ofend�-la de nenhum modo.
�- Quanto aos meus h�bitos alimentares, voc� quer dizer. � era uma afirma��o, a qual ela assentiu. � Bom, acredito que preservar a ra�a humana seja uma coisa muito importante.
Eu iria continuar dizendo que achava que atacar humanos era repugnante, mas ainda n�o sabia onde ela se encaixava na situa��o. poderia tanto reprimir seus instintos quanto lev�-los ao extremo. Tudo dependia de como ela havia passado seus primeiros meses como vampira.
N�o que eu tivesse tido apoio nessa parte obscura de minha vida, mas meu �criador� havia deixado claras minhas op��es alimentares. Foi melhor assim, principalmente para ele.
Voltei � conversa, sacudindo a cabe�a levemente para espantar os pensamentos in�teis que me invadiam.
Fitei-a com cuidado, tentou desvendar sua express�o. Ela n�o estava sorrindo, mas seus olhos diziam tudo. Brilhantes como a Lua, plenos de satisfa��o.
�- Oh, , voc� n�o sabe como � bom ouvir isso! � ela exclamou se jogando de volta em meus bra�os. � Pensei que voc� n�o tinha passado dessa fase ainda! Afinal, faz apenas tr�s meses desde sua transforma��o.
Sua voz era calma e baixa, mas ela estava aliviada. Assim como eu. Saber que ela compartilhava dos mesmos costumes era �timo. N�o saberia lidar direito com a outra �teoria�. Era mais uma coisa que se encaixava perfeitamente no quebra-cabe�a de minha vida.
Sorri orgulhoso. Sabia que ela estava certa, com apenas tr�s meses n�o era de se esperar que eu j� conseguisse me controlar t�o bem. Mas depois, a ficha caiu.
Como ela sabia quando eu havia me transformado? Eu n�o havia contado isso ainda.
�- , pode me explicar como sabe disso? � eu n�o queria ser rude, mas minha voz me traiu.
�- Sei do que, ? � ela disse se afastando. Fitou-me cuidadosamente, procurando algo que justificasse minha repentina altera��o de humor.
�- N�o se fa�a de idiota! � eu disse. Ela tinha que saber do que eu estava falando!
�- O �nico idiota aqui � fosse. � ela disse seca.
Soltei sua m�o e me preparei para sair dali, mas algo me fez ficar. Minha consci�ncia disse que n�o era o melhor deixar ela sozinha de novo sem uma explica��o. Mas havia uma ou ela estava mesmo certa?
Virei-me para olh�-la. Ela estava inexpressivamente parada.
�- Desculpe-me , n�o quis dizer isso. � tentei fazer meus olhos queimarem como os dela sempre queimavam nos meus, sem resultado. Ela continuou im�vel. � O que eu queria dizer era que eu n�o te contei ainda quando me transformei. � tecnicamente imposs�vel voc� saber.
�- Voc� est� certo , tecnicamente imposs�vel. No seu mundo, � claro. - Pisquei confuso. � Tem tanta coisa que voc� precisa aprender ainda!
Confesso que fiquei um pouco irritado. Ningu�m gosta de saber menos do que os outros, muito menos eu. Sempre quis saber mais e mais, al�m do que era necess�rio. [n/a: que nerd!]
�- E eu conto com voc� para me ensinar. � disse seco. � Falando nisso, ser� que poderia ser agora?
N�o tentei esconder minha impaci�ncia, ela j� havia descoberto. Ela abriu um sorriso maroto.
�- Calma ai, amor! A primeira coisa que voc� precisa aprender � a ter paci�ncia. � uma de minhas virtudes preferidas... � ela disse despreocupada.
Suspirei profundamente, fingindo estar triste. Queria saber de tudo, pow!
�- Ah, n�o fique assim! � disse enquanto colocava suas m�os g�lidas em meu rosto. � Eu tenho outra pergunta para voc�.
Olhei-a incr�dulo. O sentimento de injusti�a se apoderou de mim.
�- Quer dizer que voc� pode perguntar o que quiser e eu n�o posso saber de tudo? Isso � muito injusto! � eu disse me afastando. [n/a: seu Jonas � muito emo.tivo, vc n�o acha?]
�- Eu nunca disse que voc� n�o podia perguntar. S� tenha certeza que eu n�o vou responder. Ela abriu um sorriso divertido. Como isso estava me irritando!
Sem disfar�ar, lancei lhe um grande olhar de f�ria.
�- Haha, , muito bom.
�- N�o agora, pelo menos. � ela completou ainda se divertindo. Minha express�o n�o mudou. Ela de repente ficou s�ria e passou a me analisar. � Ah, , voc� sabe que eu vou responder tudo que voc� quiser. Mas primeiro minha pergunta que � mais importante!
Ela estava realmente me tirando do s�rio! Parecia que tudo que importava para ela era... bem, ela mesma. Mas no fundo eu sabia que s� estava fazendo isso para meu pr�prio bem. Ela s� estava tentando entender a situa��o para me ajudar se fosse preciso.
Suspirei derrotado.
�- Pergunte.
Ela abriu um largo sorriso. Nossas express�es estavam em evidente contraste. Mas, sem nenhum aviso pr�vio, ela ficou s�ria novamente. O nosso humor sempre muda constantemente, t�o r�pido quanto n�s.
�- N�o se sinta ofendido, ok? S� estou perguntando isso porque voc� � um vampiro jovem e eu quero estar ciente de como voc� est� se saindo.
Assenti. Novamente tive a sensa��o de saber a pergunta antes mesmo de ela ser pronunciada. Parecia que havia algum sentido se desenvolvendo em mim, como se as express�es e olhares bastassem para saber exatamente o que elas estavam pensando.
�- Do que voc� se alimenta especificamente? Sei que n�o � de humanos e...
�- Animais. � respondi cortando-a. E eu estava certo quanto a pergunta, era isso que eu havia imaginado � ou descoberto. Estremeci.
Fitei-a para eliminar o assombro que crescia dentro de mim.
estava im�vel, com uma careta no rosto. Parecia n�o acreditar no que eu havia dito.
�- Algum problema? � perguntei me aproximando.
Ela virou-se para me encarar e piscou algumas vezes.
�- Na verdade nenhum. � s� que voc� parece informado demais para algu�m t�o jovem.
�- Hey, aposto que sou mais velho que voc�! - disse para descontrair o ambiente.
�- De fato voc� �. Pelo menos para todos. � ela sorriu. � Mas voc� entendeu o que eu quis dizer.
�- Claro que entendi, n�o sou t�o lerdo assim. Sei que meu passado me condena, mas... � parei. Ela me encarava esperan�osa.
�- Qual � a pergunta dessa vez? � eu disse numa voz indiferente. Estava come�ando a ficar menos carrancudo com o interrogat�rio todo.
�- � a �ltima, eu prometo.
�- N�o prometa algo que voc� n�o possa cumprir. � disse brincando, mas com uma base na realidade. Parecia at� que eu tinha mais experi�ncia do que ela no assunto vampir�stico, e ela que tinha se transformado recentemente.
�- Dessa vez falo s�ria, � a �ltima. Voc� sabe muito para algu�m que renasceu h� t�o pouco tempo.
�- Voc� j� disse isso.
�- Eu sei que j�. � ela sorriu deixando seus caninos afiados a mostra. � Diga-me, quem te transformou?
Foi como um soco em minha cara, essa eu realmente n�o esperava.
�- Por que a pergunta?
�- Porque acho que sei a resposta. � z respondeu apenas.
Analisei-a por um longo tempo. Ela estava calma, como se tivesse acabado de perguntar meu sabor preferido de sorvete e n�o quem havia me mordido.
Pensei nas minhas chances de n�o responder, e elas eram muito poucas. Ela n�o iria me deixar at� ouvir um nome, AQUELE nome.
Pensei ent�o nas minhas chances de mentir, e essas estavam piores ainda. Ela era muito observadora para se deixar enganar por mim.
Tinha que dizer a verdade. Isso n�o seria nada bom.
N�o � muito f�cil quando seu �criador� � um dos vampiros mais conhecidos no mundo. Todos acham que voc� � uma pessoa � n�o mais, na verdade � sortuda. Quando a realidade � muito diferente.
Aceitei minha senten�a e me preparei para cumprir a pena. Desviei os olhos e disse:
�- Livellus.
N�o tive coragem de voltar meus olhos para encar�-la. Foi sua voz que me alertou que estava tudo bem.
�- Exatamente quem eu imaginava.
A surpresa fez com que eu a encarasse.
�- Como assim?
�- Nada , nada. � sua voz estava suplicante. A curiosidade em mim era quase indom�vel, quase. Mas eu arranjei for�as ao pensar o que eu j� havia feito passar esta noite. Se ela n�o queria falar no assunto eu iria respeit�-la, at� o dia seguinte.
�- Est� bem, ent�o. Mas voc� me fala amanha, n�o �? � queria confirmar que ainda obteria minhas respostas. Estava ansioso por elas.
�- Claro. Agora vamos.
Dizendo isso ela se aproximou de mim, entrela�ando nossas m�os. Em um �timo j� est�vamos andando, aparentemente at� seu quarto. Em menos de um minuto j� est�vamos parados na frente do mesmo.
�- E aqui estamos n�s. � eu disse enquanto ela pegava o cart�o do bolso externo de sua cal�a.
�- Na verdade, , aqui estou eu. � disse entrando rapidamente e quase fechando a porta. � Voc� vai para seu quarto.
Meu reflexo foi r�pido o suficiente para n�o deixar que ela terminasse o servi�o e batesse a porta na minha cara.
Sabia que n�o ganharia respostas, mas queria outra coisa al�m dessa. [n/a: (6� ]
�- � assim que voc� se despede? Eu n�o ganho nenhum beijinho? � eu disse fazendo bico. Esperava que fosse t�o eficiente quanto os dela eram.
entreabriu a porta novamente, ponderando sobre o que fazer. Quando me dei conta ela j� estava me beijando.
�- Agora est� satisfeito? � ela pergunta ao t�rmino do beijo, ainda abra�ado em mim.
�- Muito. � suspirei. � Minhas perguntas ser�o respondidas amanh� certo?
Sabia que j� estava ficando irritante, mas precisava assegurar esse direito.
�- Como o combinado. Agora v� que eu estou com sono.
Pude sentir um tom de deboche emanando de sua voz. O que havia de mais em dormir?
�- , para que o sarcasmo?
Ela parou e me encarou perplexa. Hesitante ela come�ou.
�- , n�s n�o dormimos.
A confus�o se apoderou de mim. Ela tentou se explicar.
�- N�s vampiros n�o podemos dormir.
Gargalhei alto. Mais do que seria prudente.
�- Como assim? , voc� est� ficando louca, pois eu durmo perfeitamente.
Seus olhos me fitaram, e eu n�o sabia quem estava mais espantado. Ela analisava meu rosto, para descobrir se eu estava realmente falando a verdade. Meus olhos devem ter confirmado isso para ela. Ainda assim ela n�o se conformava.
�- Voc� s� pode estar brincando! Quer dizer, eu... � ela parou para se recompor. � , n�o sou s� eu que n�o durmo, nenhum outro vampiro faz isso.
Eu estava completamente abalado. Isso s� poderia significar que eu era mais diferente do que imaginava.
�- O que h� de errado comigo ent�o? Quer dizer, n�o era para essa ser o tipo de coisa que eu faria! Meu Deus, o que est� acontecendo?
Ela olhou para mim novamente. Dessa vez ela n�o estava mais chocada e sim pensativa. Como se estivesse procurando por uma explica��o plaus�vel para minha pergunta ret�rica.
�- Voc� n�o se aceita como �. � ela disse por fim. � Voc� ainda tenta lutar contra sua natureza de vampiro e � por isso que sua mente o engana, pregando pe�as para que voc� ainda se sinta como um humano. Isso � apenas uma conseq��ncia de sua n�o-aceita��o e de seus desejos internos. Voc� n�o quer essa vida.
Fitei-a procurando por alguma express�o em seu rosto. Ela n�o estava triste, mas era como se dizer aquelas palavras houvesse sido dif�cil.
Tentei identificar exatamente este sentimento, mas ela n�o me deu tempo o suficiente.
�- Boa noite, . � seu humor havia voltado. � Durma bem!
Fiz uma careta. N�o queria me despedir ainda.
�- N�o tente me fazer ficar. � ela disse se afastando de mim. � Eu te vejo amanh�.
Dei um beijo em sua testa antes que ela se fosse por completo.
�- Mas, aonde eu te encontro?
�- Voc� sabe onde eu moro.
Dizendo isso ela fecha a porta, deixando-me com meus pensamentos.
Sigo andando pelo corredor, com coisas demais na cabe�a para correr. Chego rapidamente ao meu quarto e passo o cart�o para entrar.
Todos estavam dormindo. Olho instintivamente para o rel�gio: tr�s e meia da manh�. O tempo passara voando com ela.
Sem muita concentra��o troco de roupa, sem nenhuma inten��o ou vontade de dormir. Meu estado de esp�rito era no m�nimo exuberante. Todo ato transpassava minha alegria.
Percebendo que n�o tinha nada melhor para fazer, levanto-me e pego meu caderno de capa azul e um l�pis. Dirijo-me para a varando, sentando na poltrona. O movimento l� embaixo ainda era grande, como era de se esperar.
Abri o caderno em uma p�gina qualquer, passando a m�o sobre ela e analisando-a. Sua total brancura era para mim como um vinho � para um alco�latra. Perfeitamente pronta para ser preenchida com qualquer coisa que fosse. Era como um v�cio para mim, minha v�lvula de escape. Sempre que tinha um problema, eu escrevia; sempre que estava feliz eu escrevia.
Nada me trazia maior sensa��o de liberdade e poder. Aquela p�gina era minha, eu podia fazer dela o que quisesse. Hist�rias, avi�ozinho de papel, m�sica.
E era isso que aconteceria.
Em pouco tempo a p�gina vazia estaria repleta de pensamentos e emo��es, traduzidos em melodia e ritmo.

C�pitulo VIII � I�m sorry for disappointing you

Aprendam uma coisa sobre a madrugada de New York. � fria. < br>Quando resolvi sair da varanda, mal passava de dois graus. N�o que eu sentisse frio, sou desprovido dessa sensa��o, mas eu estava completamente congelado.
Passei a m�o no meu cabelo, tentando retirar as pequenas got�culas da geada que ainda se encontravam nele.
�P�ssima id�ia ficar aqui a noite inteira.� Pensei enquanto me levantava. Meu caderno estava em cima de outra cadeira e eu me estiquei para peg�-lo. Abri na p�gina que eu havia utilizado na noite anterior, observando orgulhoso meu trabalho. Concentra��o e bom estado de esp�rito havia resultado em uma bela m�sica. N�o que eu fosse mostrar para algu�m, isso era mais uma realiza��o pessoal.
Ainda com o caderno na m�o, eu abri a porta que dava para o quarto parando para analisar a situa��o. Tudo estava completamente bagun�ado.
Os instrumentos estavam jogados em cima do sof�, com os sapatos logo embaixo. As roupas estavam espalhadas em diversos lugares, algumas na cama, outras no ch�o.
Suspirei lembrando-me de como eu tamb�m era assim. Sempre depois dos shows uma verdadeira confus�o se formava em nosso quarto no hotel. E era sempre eu que tinha que ajeitar tudo.
Resignado, abaixe-me e comecei a organizar as coisas. Eu teria reivindicado por ajuda, caso n�o estivesse devendo um favor � eles. Isso era o m�nimo que eu podia fazer.
Al�m disso, eu podia imaginar como eles estavam cansados. At� mesmo eu estava um pouco sonolento, mas sem nenhuma perspectiva de dormir. Tinha coisas muito mais importantes que poderiam ser feitas antes de eu cair na inconsci�ncia.
Comecei a pegar as roupas jogadas e dobra-las, sabendo que quanto mais r�pido fizesse isso, mais r�pido poderia encontr�-la. Sua presen�a era indispens�vel nesse momento, e eu sabia exatamente onde ach�-la. Al�m do mais, eu tinha muitas perguntas em mente, e ela responderia a todas. Sorri satisfeito comigo mesmo.
Levantei-me vagarosamente, indo at� o sof� guardar os sapatos. Passando pelas camas, percebi que se mexia como se j� tivesse acordado. Parei para observ�-lo. Ele se esticava inteiro, seus bra�os indo praticamente na cara de . Dei uma risadinha baixa, a qual respondeu abrindo os olhos imediatamente.
�- Ah, , � voc�. � ele diz aliviado, o susto indo embora de seu rosto cansado. � Bom dia. � ele diz em meio a um bocejo.
�- Bom dia . - respondo com um sorriso.
�- Dormiu bem? �ele diz se levantando.
�- Hum, a noite foi boa. � n�o havia dormido nada, ent�o pulei para a resposta da pr�xima pergunta. Sabia que ela seria feita de qualquer forma.
Ele deu um sorrisinho para mim e ficou me observando enquanto eu recolhia os sapatos e os levava at� o arm�rio. Dei de ombros e continuei o que estava fazendo, esperando a reclama��o dele. N�o tinha como ele n�o querer detalhes, este simplesmente n�o era o . Conhecendo meu irm�o como eu conhecia, sabia que ele iria ser insistente at� saber de tudo. Mas eu n�o contaria nem metade do �tudo�.
Estava no meu direito de guardar segredos para mim, apesar de saber que meus irm�os n�o concordavam comigo nesse aspecto. Sempre fomos muito unidos, sempre contamos tudo um para o outro. Pelo menos eles contaram. Mas n�o tinha l�gica contar o que se passava comigo, assust�-los n�o era a melhor maneira de ter mais di�logo. Deixaria eles se orgulharem por suas m�sicas, por suas garotas e por seus jogos eletr�nicos. Isso tudo me parecia especialmente banal. Quando se tem vida eterna n�o se vive por v�rias coisas, e sim por uma s�. No meu caso, ela.
Por isso que finjo interesse a maior parte do tempo, para que ningu�m ache que n�o sou normal. Mas por que me orgulharia da minha garota, se ela representava muito mais que isso? Eles n�o iriam entender de qualquer forma, pelo menos n�o agora. Suas experi�ncias rom�nticas tinham sido paix�es, e n�o amor.
N�o como eu me sentia com a . Simplesmente era como se uma for�a tivesse nos ligado, como se j� estivesse planejado. E talvez at� estivesse mesmo, uma coisa que aconteceria independente da nossa vontade. E eu tinha muita vontade. Mesmo. [n/a: (6� ]
�- Entendo que voc� n�o queira dividir detalhes, mas voc� deve essa noite a mim, acho que mere�o saber. � Levantei minha cabe�a atordoado, tentando identificar de quem era a voz. me olhava esperando impaciente minha resposta. Estava t�o concentrado em meus pensamentos que tinha esquecido completamente onde estava. A quebra do sil�ncio tinha sido um choque. E al�m do mais, o que eu diria? �Ah, foi �timo, eu e minha mais recente namorada fomos at� o Central Park e l� eu descobri que ela � uma vampira, assim como eu!� Pat�tico. [n/a: palavrinha minha e da Deah \o/ ]
Fiz uma careta enquanto media as palavras em minha cabe�a, decidindo o que contaria. Meus pensamentos foram interrompidos novamente, mas dessa vez por uma outra voz, igualmente sonolenta:
�- Na verdade, ele deve isso a n�s. � disse levantando da cama e indo at� � sala para se juntar a n�s. � N�o esque�a que eu levo maior cr�dito nessa �miss�o�.
N�o respondi e olhei para ele feliz. Pelo menos eles haviam se divertido enquanto mentiam por mim. N�o consegui resistir e acabei dando risada.
�- E o que seria engra�ado? � me perguntou olhando para mim com preocupa��o exposta na voz. Eles desconfiavam de algo.
�- Nada, s� estou bobo hoje. � falei rapidamente. O que eu menos precisava era eles prestando mais aten��o em mim. Meus segredos j� s�o suficientemente dif�ceis de guardar. �- � resultado da noite de ontem. � acrescentei para soar mais convincente.
me olhou por um instante com desd�m, mas depois sua face foi levemente coberta por um sorriso.
�- Ent�o voc� realmente conseguiu lev�-la para sair. Mas, estou curioso, onde voc� a levou se j� passavam das 10 horas? N�o acho que ela quis comer a essa hora.
�- � voc� tem raz�o. Ela n�o quis comer mesmo. � �Ainda bem. N�o estava muito a fim de sair do pa�s para jantar. Um verdadeiro �jantar fora� � pensei. Mal ele sabia no que a simples pergunta dele tinha me levado a pensar. Pobre humano inocente.
�- Ent�o aonde voc�s foram? � quis saber. Pensei em mentir, mas n�o achei necess�rio. � isso que casais em New York fazem, n�o �, andar no Central Park?
�- Hum, n�s fomos conversar no Central Park.
�- Ah. � assentiu. Ele n�o parecia nada surpreso com minha resposta. Suspirei aliviado. � E...?
�- E o que? � eu estava realmente confuso. Por que ela n�o fazia a pergunta diretamente ao inv�s de somente prolongar um assunto que eu queria que acabasse?
�- O que voc�s fizeram l�? � completou para . Ele parecia impaciente com a minha lerdeza.
�- A gente andou... � parei de renpente, entendendo. �- Ah, era isso que voc�s queriam saber. � disse olhando para cima. �- Sim, a gente se beijou.
Pude sentir meu rosto ficando vermelho, enquanto admitia isso para meus irm�os. N�o que isso fosse uma coisa ruim, era boa, muito boa. Mas n�o quando se � lerdo como eu e n�o entende a verdadeira pergunta subentendida nas palavras f�ceis e modestas.
�- Muito bem, pegador. � disse me dando um soco no bra�o. se limitou a sorrir para mim.
�- Hum, obrigado, eu acho. � disse ainda corado. � Agora, se voc�s me d�o licen�a, vou tomar um banho.
Sai apressado da sala, sem nem olhar para tr�s. N�o precisa ver ou ouvir o risinho brincalh�o de meus irm�os.
Rapidamente retirei esses pensamentos f�teis da minha cabe�a, concentrando-me em algo muito mais importante: como seria meu dia. Liguei o chuveiro e deixei a �gua percorrer meu corpo gelado. [n/a: j� devo ter descrito banho umas duas vezes nessa fic, meio v�cio �q]
Notas mentais foram aparecendo na minha cabe�a.
Nota Mental um: comprar uma rosa vermelha.
Nota Mental dois: fazer com que pelo menos um ter�o das minhas milhares de perguntas sejam respondidas.
Nota Mental tr�s: satisfatoriamente.
�, eu n�o ia ficar com t�dio.
� incr�vel como esses pensamentos idiotas e in�teis me v�m � cabe�a quando estou relaxado. Eu j� sabia tudo que tinha que fazer antes mesmo de me dar conta do fato. N�o precisa lembrar minha mente, ela se lembrava sozinha de mais coisas do que seria poss�vel.
Para minha tortura, fui obrigado a deixar o calor e o conforto do chuveiro. N�o tinha tempo a perder, eu ainda precisava dar explica��es aos meus pais. N�o que eu tivesse um hor�rio programado, mas eu queria estar livre o mais r�pido o poss�vel.
Troquei-me, colocando uma roupa simples, sem prestar muita aten��o no que vestia. Ela iria parecer tremendamente mais maravilhosa ao meu lado de qualquer forma. [n/a: Bella Swan *---*]
Dirigi-me ent�o � janela, de modo a saber o que me esperava fora das quatro paredes. Um sorriso se abriu em minha face g�lida. Neve. Meu estado de esp�rito n�o podia ter ficado mais deslumbrante, reconhecendo agora o dia maravilhoso que teria. Nada poderia estrag�-lo.
Avisei meus irm�os que estaria fora, e sai. Consciente de que n�o seria uma tarefa f�cil, eu fui at� o quarto de meus pais. Ainda bem que eu j� sabia que seria um desafio convenc�-los a me deixar sair novamente.
Eles engoliram a mentira da doen�a da noite anterior, isso foi relativamente simples. Diferente da outra parte, obviamente. Tive que utilizar todo o meu poder persuasivo para conseguir o que queria. Fico feliz por ser uma pessoa bem convincente. Eu tinha o dia todo para fazer o que quisesse.
Resolvi usar minha liberdade passageira para algo mais �til que caf� da manh�. N�o adiantaria nada comer de qualquer modo, eu n�o me alimentaria mesmo. Sai rapidamente ent�o do hotel, tomando a precau��o de colocar um bon� e �culos escuros para que ningu�m me reconhecesse.
A manh� estava fria, o vento soprava sem pena de castigar minha pele descoberta. Exatamente como eu preferia. A rua j� estava lotada, com pessoas apressadas e t�xis impacientes. Uma confus�o de sons invadiu minha cabe�a, enquanto eu caminhava vagarosamente na dire��o da floricultura. Puxei a manga de meu casaco para cima, assim conseguiria olhar o rel�gio em meu pulso. Ainda n�o passava das nove da manh�.
Atravessei a rua com cuidado e recomecei a andar pela avenida, procurando a pequena loja que eu sabia estar em algum lugar escondida no meio das imponentes grifes e dos chiques caf�s da grande cidade. Por fim, encontrei-a.
Parei na frente da floricultura, observando o fluxo de dentro. N�o havia nenhum cliente, de modo que s� havia uma mulher de baixa estatura, que eu presumi ser a vendedora. Ela estava arrumando umas flores em grandes vasos, parecendo muito ocupada com isso.
Entrei e a porta fez ranger um sininho. A mulher levantou os olhos do que estava fazendo, deu um sorrisinho amarelo e voltou ao seu trabalho manual. Comprei uma rosa vermelha, a mais perfeita de todas. N�o queria um buqu� de rosas, ele estragaria o prop�sito de meu presente. Rosas s�o flores delicadas, devem ser dadas de uma em uma.
Sai novamente ao dia frio, pensando em como iria surpreend�-la. estaria acordada, obviamente, e esperava minha visita. N�o seria t�o divertido quanto se eu pudesse acord�-la com bombons e uma rosa na cama. Suspirei, derrotado. Estava t�o acostumado a flertar com garotas que achava que j� conhecia o macete. Mas ela � diferente.
Virei em meus calcanhares, rumando de volta ao hotel. Passei por v�rias lojas, sem dar import�ncia a nenhuma. At� que uma delas me chamou a aten��o. Na verdade, nem foram os produtos que ela vendia, mas sim os clientes. Uma cliente em espec�fico.
Ela estava parada em frente � uma prateleira, com um livro cuidadosamente ajeitado entre os dedos. Ela parecia uma est�tua, completamente im�vel e maravilhosamente perfeita. Suspirei com a vis�o da minha felicidade.
Entrei sem hesitar, indo ao seu encontro. Caminhei vagarosamente, para que ela n�o percebesse que eu estava me aproximando. Quando estava perto o suficiente eu coloquei uma de minhas m�os sobre seus olhos, cegando-a, enquanto a outra estendia a rosa a sua frente. Deixei que ela cheirasse o perfume, passando de leve a flor em seu rosto.
utomaticamente subiu suas m�os at� as minhas, tocando-me suavemente. Como j� era de se esperar, sua pele estava gelada e macia.
�- . � ela disse com uma pontada de felicidade na voz. retirou cuidadosamente minha m�o da sua, agora podendo enxergar. Estendi a rosa para ela, esperando que n�o fosse demais. Eu estava sendo rom�ntico demais, n�o estava? Naquele momento eu tinha certeza que ela n�o se sentia da mesma forma do que eu, que eu tinha apenas confundido as coisas. N�o foi isso que ela demonstrou.
pegou a rosa das minhas m�os, analisando-a. Passei meus bra�os pelos dela, fazendo que ela se virasse para mim. Eu n�o conseguia ficar muito tempo sem ver seus olhos. Para minha surpresa ela estava sorrindo, n�o apenas com os l�bios, mas tamb�m com o olhar. N�o resisti e sorri tamb�m.
Ela se esticou na minha dire��o e grudou seus l�bios r�gidos nos meus. Era bom sentir seu corpo grudado no meu, tocando todas as partes poss�veis. Suas m�os bagun�avam meus cabelos e eu passava minha m�o por suas costas. O clima estava come�ando a ficar mais quente quando ela se afastou um pouco.
�- N�o precisamos fazer isso aqui, n�o � ? � ela acenou com a cabe�a para os outros clientes. � E al�m do mais, voc� tem um voto para manter.
Ela riu maliciosamente para mim, como se n�o acreditasse que eu realmente conseguiria mant�-lo. Naquele momento, com minhas m�os na cintura dela eu realmente n�o achava que isso seria poss�vel.
�- Eu nem havia reparado nas outras pessoas antes. � eu parei, procurando um modo de parecer indiferente. �- Como voc� sabe do meu voto de pureza?
Ela deu de ombros, seus cabelos balan�ando com o movimento.
�- Eu sei tudo sobre voc�.
�- Ah �? Vamos ver ent�o. � eu disse puxando-a de volta aos meus bra�os e a beijando. Ao nos separarmos ela pegou minha m�o, deixando o livro na prateleira e andando vagarosamente pela loja. Pelo canto de olho, eu pude perceber que todo mundo nos olhava. N�o era para menos, s� o caminhar da j� deixava qualquer bailarina morta de inveja. [n/a: Aliiiiice Cullen *-----*]
Eu tive a estranha sensa��o que eu tamb�m n�o fazia feio. Uma garota que estava sentada em uma poltrona distante estava me encarando, um sorriso malicioso depositado nos l�bios. Eu sorri amigavelmente na dire��o dela, a menina corou violentamente, assumindo uma cor vermelho tomate.
riu.
�- Rea��es humanas s�o t�o pat�ticas! � ela disse, ainda em meio aos risos. N�s j� est�vamos de volta na rua, andando agarrados abra�ados enquanto uma fina geada caia sobre n�s. O inverno nova-iorquino s� estava come�ando, e prometia ser um dos mais frios em anos. Uma �tima desculpa para justificar minha pele gelada.
�- Eu n�o entendi. � eu disse envergonhado. Qual seria a pat�tica rea��o humana que eu havia perdido? Algu�m estava comendo, algu�m estava dormindo?
�- A menina corou ao perceber teu olhar! � sua voz estava divertida, como se contasse que um menino levado havia sido pego em flagrante. Eu ainda estava completamente confuso.
�- E da� que ela corou? Eu sou feio assim e n�o percebi?
�- Claro que n�o, bobinho. � ela disse me dando um selinho fraco. � N�o � essa a quest�o, ela ficou vermelha. Isso � t�o in�til.
�- E vai me dizer que voc� n�o fica vermelha quando se sente envergonhada? � s� faltava ela me dizer que n�o.
�- N�o, eu n�o fico. � pronto, desgra�a completa agora. Estava claro que ela estava brincando.
�- Pare de mentir , eu tenho certeza que voc� fica! Fala s�rio, � tecnicamente imposs�vel n�o ficar.
Ela parou de andar de repente, fazendo-me a encarar. Por que eu tinha que ser t�o devagar para entender as coisas?
�- , � tecnicamente imposs�vel ficar. Vermelho, quero dizer.
�- Como assim? , voc� n�o est� fazendo sentido nenhum.
�- Vampiros n�o coram. Como voc� foi se esquecer disso? � eu j� contei como eu tenho o dom de atrair problemas? Se ainda n�o, que fique claro que eu tenho.
�- Eu me esqueci porque eu simplesmente n�o sabia. Isso � s� uma brincadeira, n�o �? � n�o tinha gra�a nenhuma fazer papel de palha�o na frente dela. A �nica garota que eu queria impressionar era a �nica que n�o ca�a no meu jogo. �, eu devo ser muito sortudo. [n/a: JAAAAKE.]
�- Eu � que te pergunto isso! Como assim n�o sabia? N�o � preciso contar, voc� simplesmente v� isso.
�- N�o, eu n�o vejo nada. Quer dizer, eu vejo. Eu fico vermelho sempre, n�o � isso que deveria acontecer com todo mundo?
�- Sim, exatamente. Mas n�s n�o somos como todo mundo, . N�s n�o coramos. � percebi pelo seu tom de voz que ela estava um tanto impaciente, e que se esfor�ava ao m�ximo para me convencer. N�o iria funcionar, eu sabia o que estava dizendo.
�- Bom, eu coro. Tenho certeza disso, aconteceu hoje de manh� enquanto eu estava falan..
�- Ent�o voc� n�o est� mentindo? � ela me interrompeu. Seus olhos estavam horrorizados e ainda esperava que eu estivesse fazendo algum tipo de piada sem gra�a. Quem me dera.
�- Por que mentiria? � eu suspirei. � Eu sou um anormal novamente, n�o �?
Ela desviou seus olhos dos meus, enquanto tentava pensar em uma resposta educada. Eu sabia que n�o havia nenhuma.
�- Bom.. Eu n�o diria anormal, eu diria diferente.
�- Diferente de uma das coisas mais diferentes, to mundo, legal. � eu disse emburrado.
�- Hey, n�o fica assim. � ela disse colocando uma de suas m�os em meu rosto. Meu aborrecimento n�o se modificou.
�- Como s� eu posso corar? E afinal, por que isso � tecnicamente imposs�vel?
�- , vampiros n�o tem fluidos corporais. Disso voc� sabe, eu tenho certeza. Voc� nunca se perguntou o porqu� de nunca ir ao banheiro?
�- Na verdade n�o.. � eu disse pensativo. Aquela mudan�a havia sido �tima e eu nunca tinha me questionado sobre ela. �- E eu sabia disso, de qualquer forma. Eu s� n�o havia associado as coisas ainda, eu..
Em um movimento t�o r�pido que eu n�o pude assimilar, ela estava com seu corpo colado no meu, suas m�os me puxando para mais perto. Eu a afastei.
�- Agora n�o, , por favor. � eu me senti p�ssimo dizendo aquelas palavras. Como eu podia negar algo que eu necessitava impiedosamente? Mas eu precisava descobrir o que exatamente estava acontecendo comigo. Eu tinha um problema grande, isso n�o era novidade. Eu s� queria saber o qu�o grande ele era. �- , voc� pode me ajudar a descobrir meu problema?
�- , eu duvido que voc� tenha um. � ela me encarou, j� voltando ao seu estado normal.
�- Eu tenho certeza que tenho. E preciso de ajuda. � eu disse implorando. Se ela n�o me ajudasse, quem mais poderia?
�- Est� bem, n�o vai ser um esfor�o t�o grande. Afinal, voc� vai estar l�. � ela disse enquanto passava seus dedos de porcelana por cima da minha camiseta fina.
�- Voc� est� bem animada hoje, n�o � ? � eu disse com um sorriso malicioso.
�- � tudo para voc�. � foi a �ltima coisa que ela disse antes de a gente recome�ar a caminhada.
�- Hum, , onde estamos indo exatamente? � eu reconheci a grande avenida, com suas lojas caras e seus an�ncios brilhantes em contraste com o c�u nublado. Fazia tempo que eu n�o parava em uma cidade por um tempo razo�vel. Sempre viajando em turn�, nos �ltimos meses eu n�o havia tido contato com nenhum de meus amigos, somente a minha fam�lia. Era bom sair da rotina um pouco e ter uma distra��o do trabalho. Eu sabia que isso n�o duraria muito tempo, em menos de uma semana j� ir�amos estar na estrada novamente.
�- Ao mesmo lugar de ontem. � ela disse pegando minha m�o e fazendo-me atravessar a rua. Eu tenho a impress�o de que nunca presto aten��o direito ao que est� ao meu redor. Eu tenho consci�ncia do que est� acontecendo, mas minha cabe�a ignora a informa��o e me joga no meu pr�prio mar recluso de pensamentos. Meu subconsciente armazena tudo, e eu s� consigo perceber isso posteriormente. Esta � uma das grandes vantagens de ter um racioc�nio t�o r�pido. Eu nunca perco nada, mesmo se tento.
O parque estava logo na nossa frente, suas �rvores com uma fina camada de neve e seus visitantes com casacos e mais casacos andando rapidamente para fugir do vento gelado. Lembrei de como eu costumava ser id�ntico a eles, sens�vel ao frio, apesar de am�-lo.
Puxando-a pela m�o n�s entramos no parque, e eu logo virei � direita. Eu sabia exatamente aonde ficava nosso esconderijo, fosse pela mem�ria ou pelo cheiro. O incr�vel rastro do nosso cheiro misturado pairava no ar.
�- , posso te fazer uma pergunta? � eu tinha v�rias em minha cabe�a, mas esta havia acabado de estourar como pipoca, me deixando curioso.
�- Claro, , hoje voc� pode fazer quantas quiser. � seu dia. � ela se virou para mim e deu um sorriso caloroso. Eu me perguntei como seu temperamento podia ter mudado tanto, desde o dia em que eu a via pela primeira vez. Agora eu sabia porque ela havia me ignorado. N�o e todo dia que encontramos um vampiro no mesmo elevador do seu hotel.
�- Hum, como voc� achou esse lugar? � depois que a pergunta estava feita, eu consegui imaginar a cena dela andando sozinha pelo Central Park, sua perfeita forma escultural em movimentos perfeitos, a beleza transparecendo em cada detalhe e no inteiro. Eu s� n�o entendia como ela havia parado em um rio, no meio do parque.
�- Eu j� sabia que ele existia, . A descoberta n�o foi minha. � ela abaixou a cabe�a, como se tentasse esconder algo de mim. Puxei seu queixo com a m�o, fazendo-a olhar em meus olhos. Ela balan�ou a cabe�a e se soltou. Namorar uma pessoa com for�a equivalente estava fazendo com que eu me sentisse fraco. Algo, naturalmente imposs�vel.
�- E de quem foi, ent�o? � eu tentei fazer com minha voz sa�sse o mais paciente poss�vel, n�o queria de forma alguma parecer rude.
�- Livellus. � ela n�o parecia muito feliz em me contar isso. Com certeza ela j� havia notado que eu n�o tinha muita afinidade por esse vampiro em quest�o.
�- Ent�o voc� o conhece?
�- Hum.. � seus olhos procuraram os meus. Eu n�o gostei do que eu vi nos dela, eles estavam se desculpando. Eu a conhecia o suficiente para saber que isso n�o era uma nega��o. - Sim, eu o conhe�o.
Apesar de eu j� saber disto, meu mundo caiu.
Eu n�o conseguia respirar, e isso seria fatal se eu precisasse disso, � claro. Eu me isolei do mundo e n�o conseguia mais ouvir nada do que ela dizia. Tudo passou como um flashback na minha cabe�a, muito r�pido de modo que eu nem consegui refletir sobre isso.
�- , voc� pode me dizer o que est� acontecendo? � a voz dela me despertou dos meus devaneios particulares.
�- Voc� o conhece. � eu disse com a voz rouca.
Ela puxou-me para mais perto dela.
�- Sim, eu o conhe�o. Mas, isso faz alguma diferen�a?
�- Alguma diferen�a? � eu bufei. � , isso faz toda a diferen�a.
Eu estava bem nervoso agora. Por que dentre todos os vampiros ela tinha que conhecer justamente aquele?
�- Eu posso saber por qu�? � ela tamb�m n�o estava muito contente com a situa��o. Mas eu estava menos ainda em ter que explicar isso para ela.
�- Tem certeza que voc� n�o sabe?
�- Absoluta. Por favor, voc� poderia esclarecer tudo? Eu n�o gosto de ficar sem saber.
Eu assenti, pensando em como faria isso da forma mais educada. Mas simplesmente n�o havia como.
�- , voc� mentiu para mim. � as palavras pareciam mais duras quanto proferidas em voz alta. Eu estremeci, sabendo que a machucaria dizendo isso, apesar de eu ter certeza de que a minha afirma��o era verdadeira.
�- , eu n�o estou entendendo.. Quando, exatamente? � ela estava na defensiva, e eu notei que ela n�o havia negado.
�- Quando voc� me contou como havia se transformado.
�- Oh. � ela respondeu. Sim, ela havia mentido. E eu achava que sabia exatamente qual era o motivo.
�- Foi ele, n�o foi? Eu sei que foi, s� confirme para mim.
Ela estava paralisada, uma perfeita est�tua. Suas m�os estavam fechadas em punhos, exercendo uma forma sobrenatural, a ponto de a pele ao redor ficar mais transl�cida ainda.
�- , me responda!
Mas eu n�o fui r�pido o suficiente. Ela j� havia disparado parque adentro, com certeza rumando at� o nosso esconderijo. Ou n�o mais t�o nosso agora.
Eu poderia muito bem ter a alcan�ado, se fosse isso que eu quisesse fazer. Por�m eu sabia que ela n�o me falaria nada, ainda. O jeito era esperar ela me procurar, o que eu sabia que seria feito. n�o � o tipo de pessoa que mente sem justificativa. Eu nem sequer pensava que isso seria poss�vel.
Ela me explicaria. Cedo ou tarde.
Ent�o eu deixei o parque, a passos normais, seguindo ao hotel. Seria uma longa noite.

C�pitulo IX � Not even sorry

Nada me pareceu mais ma�ante do que ficar ali, sem absolutamente nada para fazer.
Quando eu cheguei ao quarto, tudo estava calmo, como j� era de se esperar. Minha fam�lia havia sa�do para aproveitar o dia, assim como eu deveria estar fazendo. Eu pensei em sair novamente, mas nenhuma atividade convencional me parecia muito convidativa. Eu sabia que s� tinha uma coisa que iria me acalmar naquele momento. Ent�o eu sa�.
N�o foi muito dif�cil sair da cidade, uma vez que meu carro estava l�. Eu dirigi calmamente no limite de velocidade, at� estar longe o suficiente para acelerar ao m�ximo. A velocidade me acalmava, fazendo com que eu pensasse claramente. Eu tinha mais tr�s horas antes da minha fam�lia sentir minha falta. Tempo o suficiente para ir at� o Canad� e voltar. Respirei fundo, agora com a certeza de que tudo iria se ajeitar.
Depois de um tempo eu parei o carro no acostamento e saltei.
�- Hora de um pouco de exerc�cio. � eu murmurei para mim mesmo.
Ent�o eu corri, at� achar o que desejava. Minhas v�timas n�o estavam t�o longe quanto eu acharia prazeroso.
Deixei meus instintos me dominarem, sem usar a minha mente consciente. O cheiro da minha presa penetrava pelas minhas narinas, indo se incrustar dentro da minha pele. Eu n�o respondia mais por mim.
Assim que estava perto o suficiente, eu ataquei. Pude ouvir o animal chorar embaixo de meu aperto de a�o, mas seu corpo estava fraco, n�o resistiria por muito mais tempo. Eu pousei meus l�bios em seu pesco�o, sentindo o sangue passar veloz por debaixo de sua fina pele. Eu n�o conseguia imaginar nada melhor para estar fazendo naquele momento.
Como um �ltimo golpe eu cravei meus caninos no pesco�o do animal, agora podendo sentir n�o s� o cheiro, mas tamb�m o gosto dele. E eu me senti mais calmo, como eu esperava.
Soltei o corpo do grande le�o [n/a: edward *-----*] ao meu lado, e sai a passos lentos do local. Agora que eu j� tinha me alimentado, eu n�o tinha pressa nenhuma.
Foi somente ao chegar ao carro que eu percebi o hor�rio. Ainda tinha muito tempo sobrando e nada para fazer. Mesmo sem nenhuma atividade em mente eu me dirigi ao hotel, na esperan�a de encontrar esperando por mim.
Ela poderia j� ter se acalmado, assim como eu j� estava em perfeito estado. E al�m do mais, depois que ela me explicasse a raz�o de ter mentido, e a verdade por tr�s da mentira, eu tinha perguntas para ela. Eu ainda precisava saber de muitas coisas, as quais eu nem tive a oportunidade de question�-la.
Uma em espec�fico estava me assombrando. Quanto tempo eu ainda tinha com a minha fam�lia?
Essa pergunta era a que trazia mais complica��es � minha vida.
Eu teria que inventar uma �tima desculpa em que todos acreditassem, quando eu tivesse que partir. N�o poderia simplesmente dar adeus � minha fam�lia e depois voltar para visit�-los. Tinha que ser definitivo, sem volta. Eu teria que sumir, como se n�o existisse mais. Esta era a minha resposta brilhante.
Ao adentrar na grande cidade, tudo j� brilhava ao meu redor. Eu n�o podia negar a beleza que estava escondida em cada ponto de luz disforme, em cada cent�metro quadrado da larga avenida. Aquela beleza me dominava, me deixando sem rea��o. Segui lentamente pelas ruas, at� parar no meu destino.
Desci do carro e segui para o meu quarto. Tudo estava escuro, e n�o demorou muito para que minha mente tamb�m ca�sse na escurid�o. Apesar de estar cansado, meu sono n�o foi pesado como eu esperava. Eu fiquei durante horas rolando na cama, entre a consci�ncia e o mar negro da minha mente. E eu tive um sonho, mais negro que a �gua que me rodeava.
estava no alto de um pr�dio, andando sozinho ao lado da grade. Eu estava metros abaixo o olhando do ch�o, e gritando coisas incompreens�veis at� para mim. Ele n�o parecia me escutar, ou estava fingindo muito bem. Ent�o ele se jogou. Tudo ficou claro para mim naquele momento, o que ele estava fazendo. E com um baque surdo ele caiu, para sempre.
Acordei atordoado, com o sol em minha cara. Minha pele brilhava, e eu me apressei para sair de l�, antes que meus irm�os acordassem. Um arrepio percorreu meu corpo, fazendo-me cambalear na dire��o do banheiro. O sonho havia sido convincente demais.
Tentei me acalmar enquanto me olhava no espelho. Isso n�o podia acontecer, era imposs�vel. N�o tinha como fazer uma coisa desse tipo. Pensar desse modo me reconfortou.
Sai do banheiro e olhei no rel�gio. Oito e meia. Tarde o suficiente para o meu dia come�ar.
Em movimentos r�pidos e sem barulho, eu peguei papel e caneta, e me dirigi para a mesinha de centro. Escrevi rapidamente o bilhete dirigido aos meus irm�os:
Sa� para tomar ar fresco.

Olhei para o papel insignificante, pensando nas palavras. N�o era exatamente isso que eu queria dizer.
Rapidamente desviei minha aten��o do bilhete e fui � dire��o da porta. Sai sem fazer ru�do e segui pelo corredor.
Fui passando por portas e mais portas, n�meros e mais n�meros, sem realmente me importar com eles. Eu tinha um quarto em minha cabe�a, uma pessoa.
N�o demorou muito at� eu chegar aonde desejava. Hesitante eu estendi minha m�o para tocar a campainha, mas n�o o fiz. Estaria demonstrando fraqueza se procurasse por uma explica��o? Deveria esperar que ela me procurasse e esclarecesse tudo?
Minha curiosidade estava acima dessas perguntas.
Toquei o bot�o, e esperei que ela viesse atender.
Um minuto, nada. Toquei novamente, nada. Tentei ficar calmo ao tocar pela terceira vez. Nenhuma resposta.
Enfureci-me e pensei em arrombar a porta. Por que ela n�o estava respondendo?
Parei por um minuto e respirei fundo. N�o podia me dar ao luxo de perder a cabe�a. Vagarosamente ent�o eu controlei meus sentimentos, e parei para pensar.
�- Ela deve ter sa�do. � eu conclu�.
Andei pelo corredor, me afastando da porta e me aproximando do elevador. Este estava parado em meu andar, entrei rapidamente e apertei o t�rreo. Eu n�o fazia a menor id�ia o que estava fazendo, at� me ver caminhado at� o balc�o de informa��es no hall. Algu�m podia saber do paradeiro dela, afinal, sua beleza era incrivelmente chamativa, com certeza algu�m se lembraria, se a tivesse visto.
�- Por favor, eu queria saber sobre uma h�spede daqui.
Um homem gorducho e careca virou-se para me analisar. Constatando que eu tamb�m estava hospedado no hotel ele soltou seu melhor sorriso amarelo e disse:
�- Qual � o n�mero do quarto?
�- 1227. �respondi prontamente. Mem�ria n�o era meu problema, ali�s, era uma grande qualidade.
Observei o pequeno homem, enquanto ele fazia seu trabalho. Ele digitou rapidamente alguma coisa no computador e segundos depois voltou a me encarar.
�- Hum, senhor, esta conta foi fechada.
Eu pisquei rapidamente, muito mais vezes do que seria necess�rio. A informa��o s� podia estar errada. N�o era poss�vel.
�- Como assim fechada?
O gorducho suspirou, fazendo suas narinas parecerem maiores. Ele n�o estava muito animado em estar servindo um adolescente, mesmo este sendo bom, eu.
�- Isso quer dizer que o h�spede n�o est� mais hospedado neste hotel.
�- Sim, eu sei o que isto quer dizer. � bufei de irrita��o. Respirei fundo novamente, me controlando. Ficar irritado n�o era a solu��o e muito menos uma boa id�ia. � Quando foi isso?
O atendente consultou o computador novamente.
�- Por volta da meia noite, senhor.
�- Droga! � falei, mais alto do que pretendia.
�- Olha aqui garoto. � o atendente sibilou para mim, vermelho de raiva. � Por que voc� n�o me diz logo o que quer e vai embora?
Senti uma incr�vel raiva crescer dentro de mim. Eu sabia que se continuasse ali por mais tempo teria muita coisa para me arrepender depois.
�- Eu.. � hesitei. Sabia que havia algo que eu queria, mas no momento n�o conseguia me lembrar, com os sentimentos me consumindo com uma n�voa interior.
Ele bufou impaciente, enquanto remexia em uma pilha de cartas. Ele estendeu uma para mim.
�- Toma. Voc� � Jonas, n�o �?
Assenti, enquanto pegava o papel de suas m�os. Dizia em uma caligrafia clara e limpa:
Para Jonas
De
Em um ato-reflexo eu me afastei rapidamente, n�o conseguindo esperar mais nenhum segundo por respostas. Odiava ter de obt�-las atrav�s de uma carta, pois isso significava que ela realmente n�o estava disposta a me ver novamente. N�o me lembro das exatas palavras que proferi, mas sei que murmurei alguma coisa em agradecimento ao balconista gorducho, mesmo ele n�o merecendo minha educa��o.
Eu segui andando r�pido demais pelo sagu�o, minhas m�os tremendo de ansiedade, e minha cabe�a disparando em mil suposi��es de onde ela estaria. Eu esperava descobrir um pouco mais sobre isso na carta, podendo assim encontra-la aonde quer que ela estivesse.
Assim que estava no ar frio da rua, eu n�o me segurei e deixe meus dedos libertarem o fino papel de dentro do envelope. Havia a mesma caligrafia simples, cobrindo uma folha inteira de um bloco de cartas.
Ainda andando, eu comecei a ler, algo que apesar de n�o t�o comum, v�rias pessoas normais fazem frequentemente.
E eu estremeci assim que come�ou.
[n/a: prestem aten��o na mudan�a de letra, por favor.]
,
Primeiramente, desculpe-me. N�o pelos motivos que voc� �bvios, mas sim por n�o ter avisado voc� que partiria. Desculpe-me por n�o ter de dado adeus [...]
Todo meu corpo se congelou, me mantendo est�tico no meio da rua movimentada. Adeus, ela havia escrito. O que isso significava exatamente?
Eu n�o consegui pensar com clareza para achar uma resposta satisfat�ria, que se encaixasse com as desculpas e o tom casual que ela havia utilizado. Prossegui.
[...] mas sei que se tivesse te encontrado e colocado a verdade, voc� me impediria de fazer o que realmente preciso.
N�o pense que eu n�o considerei seus sentimentos ao escrever esta carta, eu tenho a maior estima por eles, e por esta raz�o que agora voc� a est� lendo. Entenda que eu n�o pretendi te magoar, muito pelo contr�rio, tudo que estou fazendo � para seu maior bem estar.
Sei que fugir deste modo lhe parece ego�sta, mas acredite, foi melhor assim. [...]
Eu n�o estava entendendo mais nada a este ponto. Ela havia me deixado, e isto estava claro. Por�m ela afirmava ser para o me pr�prio bem, algo que eu mesmo refletindo calmamente, n�o conseguia ver como uma verdade. Nada fazia sentido.
[...] Sei que voc� n�o compreende meus motivos, e nem acha que eu os tenho, por�m se eu pudesse te pedir uma coisa nesse momento seria a sua compreens�o. Nada est� explicado, e nada te explicarei no presente momento.
Tenho certeza que n�o ser� f�cil te convencer que voc� pode confiar em minhas palavras, mas eu tenho que tentar. Tente ver pelo meu lado, talvez ajude. [...]
�Oh, que �timo� pensei. �Al�m de n�o receber nenhuma explica��o ou resposta para o que eu realmente queria; eu ganho um pedido de confian�a. �
Eu sabia que n�o estava sendo justo a julgando daquela forma, mas nada me pareceu mais inquestion�vel do que isso. Se os seus motivos fossem realmente bons, ela deveria me falar, para que eu n�o pensasse o pior dela. Era o que eu faria se estivesse no lugar de .
[...] Caso voc� queira saber, eu estou em Londres e, tenho que ser sincera, n�o sei ao certo quando e se irei retornar. Vou entender sua raiva neste momento, ela � completamente justificada. E eu repito, sim, eu me importo com seus sentimentos, n�o pense o contr�rio, eu suplico.
Vou entender perfeitamente se voc� nunca mais quiser me ver e, apesar de isso causar uma ferida grande em mim, tamb�m � justificado. Sinta-se livre para fazer o que bem entender, eu n�o tenho nenhum poder ou influ�ncia sobre voc�. [...]
Como se eu fosse realmente desistir de v�-la por um simples erro ou palavras sem emo��o. Como se eu fosse desistir de tudo somente por orgulho ou outro sentimento ego�sta de minha parte. Como ela p�de pensar que eu faria isso?
Meu �nico consolo naquele momento foi descobrir onde ela estava. Eu sabia o que tinha que fazer, e sabia que isso teria que ser feito agora.
[...] Voc� n�o estar� mais em NYC quando eu estiver de volta, mas caso voc� queira ser encontrado, com certeza eu o encontrarei. [...]
Ela realmente achava que eu a deixaria me encontrar e que eu n�o iria atr�s dela? Que eu seria o �perseguido� e n�o o �perseguidor�?! realmente precisava conhecer mais o meu car�ter. E eu a mostraria, muito em breve se dependesse de mim.
Sem querer saber de mais nada que ela havia escrito, eu fechei a carta bruscamente, colocando-a dentro do bolso interno do meu casaco e voltando ao meu estado normal. Eu n�o me importava mais com as outras palavras in�teis que estavam escritas, eu a encontraria e ponto final. Era isso que realmente importava naquele momento.
Olhando para tr�s eu vejo como eu fui idiota. Vejo que como um simples erro, pode mudar tudo. Eu nunca deveria ter ignorado informa��es, n�o quando elas eram t�o importantes quando o paradeiro daquela que eu amava. N�o, eu n�o deveria ter deixado passar nenhum detalhe. Teria sido muito mais f�cil.
Ainda revoltado, eu me mexi rapidamente em dire��o ao hotel, ignorando os olhares de canto que muitas pessoas na rua me lan�avam, em quanto consideravam se eu era ou n�o integrante de uma banda famosa, realmente pat�tico. Segui o mais calmo o poss�vel pelo sagu�o, tentando me controlar para n�o sair correndo e colocar tudo a perder. N�o consegui por muito tempo.
Ao chegar ao p� das escadas, n�o me importei mais em fingir e me lancei lances acima na minha maior velocidade. Qualquer um que passasse s� enxergaria um vulto, n�o podendo identificar a diferen�a entre o vento proporcionado pelo atrito de meu corpo com o ar e uma simples corrente fresca que emanava das grandes janelas localizadas periodicamente ao lado dos degraus.
N�o demorou muito para eu chegar at� meu quarto no hotel, e constatar com grande al�vio que ele estava vazio novamente. Explicar minha pequena fuga � minha fam�lia era um problema que eu n�o precisava enfrentar se n�o fosse necess�rio.
Abaixei-me at� ficar da altura da cama, retirando uma pequena mala debaixo desta. Pegar roupas seria uma coisa desnecess�ria, considerando as minhas condi��es de viagem. Comecei ent�o a procurar meus pertences, abrindo o cofre e retirando tudo que eu considerava importante de dentro dele.
Minha cabe�a girava com a velocidade que a decis�o havia sido tomada e o qu�o r�pido eu havia a colocado em pr�tica.
Teria que encontr�-la, disso eu estava certo.
Mas eu sabia por experi�ncia pr�pria que procur�-la em Londres n�o seria uma coisa t�o simples assim. Eu n�o sabia com quem ela estava, e isso dificultava ainda mais as coisas. Por um segundo considerei as possibilidades e estremeci com uma delas. N�o, ela n�o faria isso comigo. Ela n�o me deixaria sozinho jogado com um ci�me mortal, sabendo do que eu era capaz.
N�o a , n�o ela. N�o a minha confidente. N�o a minha vampira. [n/a: eca, ta ficando meloso de novo .-.]
E foi quando eu o vi.
N�o fiquei assustado com a vis�o, j� havia me acostumado a ela com o passar do tempo. Por�m nunca o havia visto t�o imponente, magn�fico. T�o... Sombrio.
Ele estava diferente, disso eu tinha certeza.
Imediatamente, eu fiquei paralisado, e n�o soube o que fazer. Ele estava ali, parado, me encarando. A pessoa que teve meu destino nas m�os e fez a escolha por mim.
Livellus.
Mas, afinal, o que ele estava fazendo ali?
�Voc� nunca vai saber se n�o perguntar, .� Uma vozinha me disse. Meu subconsciente pode ser bem irritante quando quer.
Tentei controlar a repulsa que estava me correndo. Como ele ousava me procurar depois de ter acabado com a minha vida? N�o bastava o sofrimento e as complica��es que foram impostos como conseq��ncia de suas a��es?
Pelo jeito seria bem mais que isso.
Minha cabe�a que antes girava, agora dava rodopios com a situa��o. Eu n�o sabia como agir, o que fazer para resolver os problemas. Porque, com certeza, a chegada de Livellus era mais um para juntar a minha cole��o.
Contrariando todos os meus instintos, andei vagarosamente at� a varanda. Toda a pressa que eu possu�a anteriormente havia sido esquecida, fazendo com que eu pensasse mais de duas vezes antes de agir. Era como mergulhar de cabe�a em uma cachoeira, toda a histeria que a �gua gelada proporciona nos primeiros momentos � esquecida com a chegada da dorm�ncia. Eu me sentia menos consciente do que estava minutos atr�s. E o pior, eu me sentia terrivelmente mais lento, como se meus reflexos subumanos tivessem retornado a estranha lentid�o dos reflexos normais.
Sentia-me muito inferior a ele. E um terr�vel fato: n�o era somente uma sensa��o, essa era a pura verdade. Livellus era superior a mim, e eu estava consciente disso, de um modo que eu desajaria n�o estar.
Juntei for�as para conseguir me manter em movimento. N�o haviam se passado nem segundos desde que eu o havia visto parado na porta da minha varanda. Mas efeito de sua presen�a j� estava correndo em minhas veias e entorpecendo minha mente. Estava dif�cil de me concentrar no que precisava fazer.
�- Vampiro idiota. � murmurei, sabendo que ele escutaria. N�o era minha inten��o ser cort�s ou mostrar boa educa��o, os bons modos n�o eram a coisa que mais importava ao se tratar dele. E al�m do mais, diferente de todos os outros vampiros que se ajoelhavam a seus p�s, eu n�o dava a m�nima para o que ele achava de mim.
Estiquei minha m�o e destravei a porta.
Ele entrou como se estivesse sendo esperado, nariz em p� e um sorriso brincalh�o nos l�bios. Utilizei a minha maior for�a de vontade para n�o acert�-lo em cheio com um soco na cara. Eu ainda n�o tinha ouvido o que ele tinha a dizer.
�Pelo menos ele fez a gentileza de n�o arrombar a porta.� Pensei sarcasticamente.
Respirei profundamente para controlar a raiva crescente. Livellus esperou pacientemente, parado em sua perfeita escultura de m�rmore. Chego a pensar que eu sou o �nico vampiro existente que n�o consegue se imobilizar como uma est�tua. Mas talvez seja apenas eu que n�o perceba que fa�o isso.
Por fim n�o ag�entei mais o sil�ncio.
�- O que voc� est� fazendo aqui? � minha voz soou mais rude do que eu poderia sequer sonhar, deixando-me mais confiante. Ele n�o controlava tudo em mim, afinal.
Ele olhou para a minha dire��o, seus olhos encarando os meus. Algo em sua express�o me fez crer que ele j� esperava essa rea��o.
O sorriso se alargou em seus l�bios.
�- N�o est� contente em me ver, ? � o deboche emanava de sua voz calma. N�o pude deixar de observar que ele se divertia com a situa��o.
Revirei os olhos em resposta, esperando uma explica��o plaus�vel para sua t�o querida e inesperada presen�a. Ele n�o parecia t�o ansioso para d�-la para mim.
�- Deveria estar? � eu perguntei por fim.
Livellus permaneceu calado, seus olhos frios perseguindo os meus. Algo havia mudado em sua express�o, como se ele descobrisse algo diferente na situa��o. Algo errado, para ser mais preciso. Eu tinha certeza que ele sabia exatamente o que estava me importunando.
Abri a minha boca para continuar a resmungar, mas fui interrompido sem cerim�nia. Era como se ele n�o tivesse visto minha frustrada tentativa de comunica��o �amig�vel�.
�- Voc� quer saber o porqu� de eu estar aqui, entendo isso. Curiosidade, cuidado com ela. � seu rosto estava despreocupado, uma m�scara claramente imposta. Eu consegui perceber a diferen�a entre o seu sorriso genu�no e aquele que ele agora mostrava. Pelo menos nisso ele n�o podia me enganar. � S� n�o entendo como voc� ainda n�o descobriu.
Era evidente que ele sabia muito, e talvez, at� mais do que eu. Mas isso j� era de se esperar n�o �? Eu s� n�o sabia exatamente como ele havia descoberto o que eu daria minha vida para esconder. Isso se eu tivesse uma, claro.
Eu sabia que ele n�o era somente um vampiro, mas sim O vampiro. Aquele dotado de poderes inimagin�veis, mais poderoso do que qualquer um. Aquele que todos admiram e tem como exemplo, o sin�nimo da perfei��o. Aquele que consegue tudo o que quer, independente do que seja. Aquele que por mais que eu tente, s� consigo sentir repulsa.
Como ele podia ser t�o indiferente, enquanto tirava vantagem de tudo e de todos? Como ele conseguia conviver sabendo que seu verdadeiro eu � um monstro? E o pior, como ele conseguia transformar inocentes, como um dia eu havia sido, em monstros como ele? O qu�o ego�sta algu�m pode ser para conseguir tudo o que quer? Poderia ele interferir na vida dos outros, somente focado em seu pr�prio objetivo? Sim, definitivamente.
E por um futuro previs�vel, eu seria o escolhido para ajud�-lo a alcan�ar o que queria. Como eu me sentia honrado. [n/a: ���]
�- Muito bem � ele disse, cortando o sil�ncio. Eu n�o sabia da presen�a deste at� ser quebrado, t�o compenetrado estava em meus devaneios particulares. Levantei meus olhos at� os seus, somente para descobrir que sua express�o n�o havia se modificado. Ele ainda estava preocupado, eu s� n�o conseguia identificar o motivo. Meu sil�ncio, minha hostil recep��o? N�o me pareciam motivos o suficiente para que ele sequer notasse a presen�a destes. Era algo maior, mas que ainda sim, dizia respeito a minha pessoa. N�o demorou muito para eu descobrir exatamente o que era.
Se eu fosse um bom servente, como todos esperavam que eu fosse, eu me jogaria agora aos p�s do meu mestre e imploraria que ele me ajudasse. Era isso que ele, com muito menos esperan�a do que eu julgava que ele teria, esperava de mim. Um pedido de aux�lio, s� para que ele pudesse se sentir superior novamente. N�o bastavam todos os vampiros existentes reconhecerem seu dom�nio?
Eu sabia das hist�rias, sabia que todos os boatos eram verdade. Todos que eram transformados por Livellus eram considerados sortudos. Eu n�o me sentia nem um pouco assim.
Qual era a sorte em ser mordido pelo ser repugnante, sanguessuga, idiota vampiro mais importante do meu pat�tico e ridiculamente imposs�vel mundo? Eu deveria me orgulhar pelo que? Ter me tornado um vampiro? Ser um assassino? Poder matar sem arrependimentos?
Por mais que eu fosse completamente apaixonado por uma vampira, eu n�o conseguia imaginar uma pior criatura para me transformar. Bruxos soavam convidativos aos meus ouvidos agora.
Apesar de reconhecer todas as melhorias que isso trouxe para a minha vida, eu n�o podia ignorar as muitas dificuldades que isso trouxe tamb�m. Eu tomaria outra decis�o, se essa me fosse dada. Continuaria humano, com minha vida simples e despreocupada. Voltaria a n�o ter tanta responsabilidade ou autocontrole. Eu queria poder agir por instintos.
�- , j� faz mais de cinco minutos que voc� est� ai, pensando. Poderia por favor pensar no caminho? � sua voz de mel me trouxe de volta a conversa. Fiquei atordoado. Caminho para onde?
�- Livellus, acho que voc� percebeu que eu n�o entendi o que voc� disse. � encarei-o firmemente. Queria respostas.
Ele abriu um sorriso largo, seus l�bios tonificando a express�o de seu rosto com uma alegria espont�nea. Seria imposs�vel copiar sua face neste momento, os l�bios vermelhos e carnudos, os olhos pretos e incrivelmente brilhantes, o cabelo castanho claro ca�do em mechas bagun�adas ao redor da testa, e seus tra�os finos e perfeitos. Por mais que eu relute em dizer, ele era potencialmente mais belo do que o resto de n�s.
�- Ah, , voc� n�o mudou nada. � ele parou, divertido com sua pr�pria piada � Se n�o considerarmos sua sede por sangue e o resto do pacote, � claro.
Eu o encarei s�rio.
�- �tima piadinha, Livellus. Acredito que voc� teve s�culos e mais s�culos para adaptar todas elas, n�o �?
Ele n�o perdeu a compostura. Confiante do jeito que era, duvido que isso algum dia isso j� tivesse acontecido.
�- Na verdade sim, crian�a.
�- Eu n�o sou crian�a. � eu rosnei em resposta. � Mas, ser� que agora voc� poderia me dizer o que est� acontecendo?
�- Para que gastar minha preciosa saliva contando algo que voc� j� sabe? N�o vejo sentido nenhum nisso.
A c�lera teimava em preencher-me por dentro. Por que eu n�o conseguia ficar impass�vel na presen�a dele?
N�o respondi e, pela primeira vez, houve uma altera��o em seu tom de voz. Ele estava impaciente agora.
Seu corpo tremeu silenciosamente, enquanto ele tentava afastar a f�ria. Eu sabia que apesar de sempre estar bem-humorado e sarc�stico, quando estava nervoso Livellus se tornava um vampiro muito perigoso e sem controle dos seus poderes. E eu n�o esperava morrer naquele momento.
�- Tudo bem, , voc� venceu. Eu irei te falar o porqu� de termos que sair imediatamente dessa coisa que voc� chama de casa. � ele fez uma careta. � S� pe�o que voc� n�o reclame depois.
Eu assenti, preparando-me para o que eu sabia que iria ouvir.
�- te deixou. - nem horas de prepara��o teriam ajudado a diminuir a dor.
A verdade me nocauteou em cheio, deixando-me cego por alguns instantes. Suas garras me consumiram por dentro, arranhando tudo que era poss�vel. As feridas abertas pulsavam enquanto eu tentava me recuperar. [n/a: isso � t���o new moon .-.]
E depois de um tempo, eu parei de tentar. N�o adiantava, por maior o esfor�o que eu fizesse, eu tinha consci�ncia de que as pancadas e rachaduras n�o iriam cessar de uma hora para outra. E afinal, por que eu estava tentando fazer com que elas parassem? Eu realmente me importava que Livellus estivesse me vendo sofrer? Sua opini�o sobre mim era um obst�culo?
Respirei fundo, prometendo a mim mesmo que seria honesto agora. N�o valia o esfor�o de trapacear no jogo, quando se joga com algu�m que fez as regras. Sempre ser� uma partida perdida.
Suspirei, agora j� mais calmo. Eu n�o consegui pensar perfeitamente, mas j� enxergava tudo com mais clareza.
N�o era um abandono, afinal. Ele n�o estava completamente certo. Mas estava muito mais que eu, � claro.
Nada escrito na carta me mostrava que ela havia me deixado, por�m nada me dava a certeza que eu a veria de novo se n�o a encontrasse eu mesmo. E era isso que eu iria fazer.
Pode parecer obsess�o, considerando que n�s hav�amos nos conhecido h� t�o pouco tempo. Dois dias, para ser exato. Contudo, isso n�o diminu�a a minha vontade de v�-la, de t�-la em meus bra�os. Eu sabia que s� havia uma sa�da, e eu definitivamente n�o fugiria desta.
Eu a procuraria.
Como um perseguidor. Um perseguidor obsessivo. Um vampiro perseguidor obsessivo. [n/a: midnight sun *-*]
E afinal, o que poderia acontecer? Nada que colocasse minha vida em perigo, disso eu tinha certeza.
�- E o que voc� vai fazer? � a voz de Livellus me surpreendeu novamente.
Foi como respirar novamente, depois de muito tempo preso debaixo da �gua. Foi como se os ponteiros do rel�gio voltassem a correr, depois de muito tempo adormecidos. S� ent�o eu tive consci�ncia que eu estivera gastando preciosos minutos que eu n�o tinha de sobra. Eu lembrei da pressa que estava, antes da dor e da anestesia.
Cambaleei atordoado de volta para a cama, pegando a pequena mochila que continha meus documentos e um grande punhado de dinheiro. Havia tamb�m um casaco, caso eu tivesse que fingir estar com frio. Tudo que eu precisava para atravessar o oceano.
Em um �timo Livellus estava ao meu lado, segurando fortemente meus pulsos. Tentei me soltar, mas ele era consideravelmente mais forte do que eu. Uma pena.
�- , isso n�o vai ajudar em nada! Voc� n�o pode simplesmente sair procurando ela em uma das maiores cidades do mundo! Voc� sabe que n�o vai encontr�-la.
Eu o encarei amargo.
�- E o que voc� tem a ver com isso? Eu fa�o o que eu quiser e com certeza absoluta n�o vai ser voc� que vai me impedir! � eu disse aos berros. � Por que voc� veio aqui afinal?
Com um solavanco eu retirei meus pulsos de suas fortes garras, joguei a pequena mochila em minhas costas e disparei para o corredor. N�o me preocupei em esperar pela resposta, havia sido mais uma pergunta ret�rica.
�- , voc� n�o quer que eu use minha for�a, n�o �?
Como j� era de se esperar, ele estava no corredor na minha frente, bloqueando o caminho. Ele parecia frustrado. Respirei fundo para conseguir pronunciar palavras coerentes.
�- N�o se meta Livellus, isso n�o tem nada a ver com voc�.
Ele deu uma risada baixa. Eu senti que estava lutando cada vez mais contra a raiva que tentava se apoderar de mim. Por�m eu n�o podia perder meu precioso tempo argumentando com ele.
�- N�o tem nada a ver comigo? � sua express�o foi tomada por desd�m. O pior de tudo � que eu sabia que ele tinha raz�o.
Nossa briga, o motivo dela ter me deixado, tudo tinha a ver com ele. Ali�s, ele era o motivo de tudo. Mesmo n�o estando presente, ele conseguiu arruinar o pouco de felicidade que eu havia conseguido. E ainda voltava para me visitar. Quanta delicadeza em uma pessoa s�.
�- J� que voc� est� consciente da minha participa��o nos acontecimentos recentes, podemos prosseguir, n�o �?
Eu n�o respondi, e tentei passar pelo corredor. Seus reflexos r�pidos e sua for�a me barraram, deixando-me paralisado e sem rea��o.
Ele colocou suas m�os em meus ombros, tentando me acalmar.
�- Eu s� quero te ajudar.
Foi minha vez de rir. Na verdade, de gargalhar.
�- Alguma coisa engra�ada crian�a? � ele sustentou uma postura completamente calma, muito diferente da qual eu esperava que ele tivesse. Por que eu n�o conseguia irrit�-lo? Por que ele parecia t�o indiferente quando eu tinha que ser t�o vulner�vel?
�- N�o vejo o porqu� de deixar voc� me ajudar, Livellus. E por favor, pare de me chamar de crian�a, voc� sabe muito bem que eu n�o gosto de seus apelidos carinhosos.
Eu esperava pelo menos ver um resqu�cio de raiva ou frustra��o em sua express�o. Chatea��o ou m�goa tamb�m n�o seriam ruins. Qualquer coisa que mostrasse que assim como ele interferia no meu humor, eu tamb�m interferia no dele. Por�m, obviamente, tudo isso me foi negado.
�- Eu vejo claramente um bom motivo. � ele disse, o sorriso brincalh�o de volta ao seu rosto. Cada ponta de felicidade e humor que eu encontrava nele era mais uma ponta de frustra��o encontrada em mim. � Eu sei exatamente onde ela est�.
Apesar de assombrado com a sua explica��o, n�o pude deixar de me sentir melhor, mais confiante. Eu podia ter certeza que meus olhos brilhavam com a excita��o de saber onde ela estava. Uma felicidade jorrou como cachoeira atrav�s de meu corpo. Mas ent�o eu congelei, atormentado pelas conseq��ncias dessa informa��o. Eu teria que deixar Livellus me ajudar, eu teria que depender dele. Nada me parecia t�o doloroso e humilhante quanto esse pensamento.
�- Parece que vou ter uma chance. � ele disse por fim, enquanto analisava minha express�o. Provavelmente naquele momento ele havia visto minha relut�ncia em deix�-lo me ajudar, mas tamb�m a compreens�o de que se n�o o deixasse, minhas chances seriam praticamente anuladas.
�- Talvez. � eu disse amargo. � Onde ela est�?
A calma de sua presen�a n�o exercia efeito algum sobre mim agora. Eu estava ansioso, ao mesmo tempo em que queria terminar logo com essa situa��o.
�- Paris.
Fiquei pasmo.
�- N�o, ela est� em Londres. � eu tentei argumentar com convic��o, por�m inconvenientemente minha voz foi ficando cada vez mais fraca. No final da frase eu n�o tinha mais convic��o alguma.
Qu�o dif�cil seria para ela mentir novamente? Qu�o torturante seria me enganar mais uma vez?
Eu tentei n�o pensar nela daquele modo, mas que outra justificativa eu teria?
Eu queria encontr�-la, ah se queria.
Para explica��es, para a verdade. Ela devia isso a mim.
�- N�o confia em meus m�todos, pequeno? � eu n�o estava raciocinando direito naquele momento. Eu sabia que ele estava certo e tinha que admitir isso, por mais que doesse... Mas eu n�o consegui simplesmente n�o argumentar.
�- Mas ela disse que...
�- Parece que sua amiguinha n�o quer que voc� descubra algo. � ele me cortou.
�- Namorada. � eu o corrigi seco. Pelo menos esse direito eu tinha, n�o �? Depois de tudo que ela havia feito por mim eu podia ser um pouco possessivo. N�o consegui suportar a id�ia de chegando de algum modo perto do Livellus. Estremeci. Ela n�o seria t�o baixa a este ponto.
�- Namorada, claro. � ele assentiu entediado. Pelo jeito n�o dava a m�nima para isso. Agradeci em sil�ncio por isso. � De qualquer modo, ela n�o est� em Londres. [n/l: eu escrevi �Londres� HUAHUAHUA][n/a: explicando a n/l, foi a minha amiga D�bs, que na aula de religi�o --� pegou meu caderno e escreveu �Londres� e ela pediu para eu colocar essa n/l. palmas para ela! D�bs, te filha muito amoor /interna]
�- Hum.. � ponderei.
�- Agora eu posso te ajudar, sendo que voc� confia em mim. � n�o foi uma pergunta. Eu queria poder discordar, mas sabia que ele seria muito �til, se n�o fosse crucial. Suspirei derrotado.
�- Pode. � o sorriso cresceu em seu rosto p�lido, ao mesmo tempo que uma raiva cresceu dentro de mim. Sentimentos conectados, mas completamente opostos.
�- �timo. � ele disse, j� dando as costas para mim e seguindo pelo corredor. Eu tinha uma obje��o importante para fazer.
�- Mas eu tenho uma condi��o.
�- L� vem voc�. � ele disse revirando os olhos. Ele me conhecia bem, o suficiente para saber que n�o seria nada de grande estima para ele pr�prio. Ego�sta, como sempre.
�- N�o � muito. � eu comecei. Estava hesitante em pedir isso para ele. � Apenas o suficiente para minha satisfa��o pr�pria.
�- Diga logo, , n�o temos muito tempo. � ele disse impaciente. Eu estranhei sua preocupa��o.
�- Na verdade, temos todo o tempo do mundo. � eu disse, rindo da minha pr�pria piada. Eu realmente preciso parar com isso.
�- Grande hora para fazer piada, ! � Livellus disse se aproximando. Automaticamente, recuei um passo. Um sorriso triunfante abriu em seu rosto, ele sabia que colocava medo em mim. Fiquei com raiva de mim mesmo por ter deixado transparecer isso.
�- Tudo bem. Eu quero que voc� prometa que n�o vai contar nada da minha primeira semana como vampiro para ela. N�o quero que ela saiba daqueles dias. � estremeci. Ela tinha segredos at� demais, um pequeno da minha parte n�o iria fazer grande diferen�a.
�- Hum, eu posso prometer isso. N�o iria contar de qualquer forma. � ele deu de ombros. � Podemos ir ent�o?
Ele lan�ou seus olhos pretos cor de �bano na minha dire��o.
�- Est� bem. � eu disse, ainda meio atordoado pela pot�ncia da persuas�o incrustada naquele olhar. � Mas como n�s vamos?
Ele abriu um sorriso malicioso.
�- Correndo.

Cap�tulo X � She'd be my angel

�- Quanto falta agora? � eu perguntei impaciente por uma resposta. Eu j� havia desperdi�ado tempo o suficiente com aeroportos e jatinhos particulares.
�- Menos de dez milhas agora, . Tente se acalmar crian�a. [n/a: 1 milha = 1,5 km +/-]
�- Como posso me acalmar se estamos t�o perto? Vamos correr mais r�pido.
Eu estava insuport�vel e sabia disso, por�m n�o dava a m�nima import�ncia. Meu companheiro tamb�m n�o era dos mais agrad�veis. Se n�o fosse pela ajuda que ele me daria, eu com certeza absoluta n�o teria aceitado sua companhia. N�o havia nada que pudesse ser pior que Livellus correndo ao meu lado. S� o seu sorriso malicioso j� me dava nos nervos e fazia meus m�sculos se descontrolarem.
Fechei a cara e acelerei mais ainda, como se correr fosse mudar o jeito de Livellus. Como se alguma coisa ou pessoa conseguisse mudar seu jeito arrogante de ser. Em pouco tempo eu n�o conseguia mais ver aquele ser t�o odiado por mim. A paz durou pouco.
Em menos de tr�s segundos ele estava ao meu lado novamente, um sorriso torto perfeito formado em seus l�bios. Pelo que eu conhecia dele, eu tinha certeza que minha corrida mais intensa tinha sido tomada como um desafio. E infelizmente tenho que confessar, Livellus � um �timo competidor.
Fechei a cara mais ainda para demonstrar meu desgosto, n�o esperando que isso o afetasse de maneira alguma.
Por�m, para minha surpresa, ele parou.
N�o s� de sorrir, mas tamb�m de correr.
Furioso, virei em meus calcanhares e fui at� onde ele estava. Meu humor n�o melhorou nada quando eu o vi sentado em uma pedra, o olhar distante. Era isso uma demonstra��o do quanto ele se importava com os meus problemas? Ou apenas s� mais um momento de puro ego�smo para atingir a cota do dia?
Qualquer que fosse o motivo, eu estava pronto para faz�-lo se levantar, independente da conseq��ncia disso.
Devo dizer que fiquei estupefato quando ele levantou sem eu ter que fazer nenhum esfor�o. Bastou eu entrar em seu campo de vis�o que ele se p�s de p�, seus olhos mantendo contato com os meus. Qual era o problema dele? Logo quando eu estava disposto a me esfor�ar, ele facilita as coisas. Eu estava come�ando a pensar que ele estava indo contra e n�o a favor.
�- Precisamos conversar, .
Bufei, mais nervoso ainda. Com certeza ele n�o estava ajudando em nada, na verdade estava fazendo exatamente o contr�rio do que havia prometido.
�- Qualquer coisa que seja, com certeza pode esperar. Eu preciso encontrar a agora, caso voc� n�o se importe.
�- � sobre isso que precisamos conversar. Na verdade, eu n�o acho que �conversar� seja a palavra adequada. Eu preciso te contar uma ou duas coisas antes de entrarmos na cidade.
Meus olhos se arregalaram e eu congelei no lugar. O que mais poderia acontecer?
�- Hum, fale logo ent�o. � eu n�o sabia qual sentimento estava me possuindo naquele momento. F�ria, impaci�ncia ou curiosidade?
�- Acalme-se. Isso n�o � exatamente sobre a , mas sim sobre os amigos com os quais ela est� na cidade. � ele lan�ou um olhar de aviso para mim, como se esperasse que eu explodisse em raiva ou algo do tipo. Mas se antes havia d�vida sobre o sentimento dominante, agora havia certeza. Curiosidade, daquele tipo que te consome de dentro para fora e faz sua garganta ficar seca. Daquele tipo que te impede de raciocinar direito e tudo que voc� quer saber � o que ainda n�o te contaram. � Pelo que te conhe�o, voc� j� adivinhou que eles n�o s�o humanos.
Eu assenti. Ela tinha nenhum humano com quem manter rela��o. Antes de ele me dizer, eu j� sabia que ele estava falando de outros de n�s, de outros vampiros.
�- Muito bem, voc� adivinhou certo. Suponho tamb�m que voc� pensa que eles s�o como...
�- Quantos s�o? � eu o interrompi. O plural em cada frase estava me deixando fren�tico, esperando uma verdadeira multid�o ao redor de . Eu desejava muito estar errado.
�- Dois. � eu suspirei em al�vio. � E me deixe terminar, por favor. Um deles, na realidade, uma, � sim vampira. Mas o outro amigo de , bem, � diferente.
Fiquei mais aliviado ainda ao saber que havia uma garota. Esses dois amigos dela at� poderiam estar juntos, como namorados, n�o poderiam? No fundo, eu sabia que essa n�o era a verdade. Meu lado possessivo n�o havia baixado a guarda ainda.
�- Como assim, diferente? � eu n�o estava entendendo mais nada. Existiam outros tipos de vampiros?
Livellus hesitou. Ele n�o respondeu de imediato e isso realmente me preocupou. Era t�o ruim assim que ele temia me dizer? Podia ser pior do que o que j� estava acontecendo?
�- Bom, ele n�o � humano. Mas tamb�m n�o � vampiro. � nesse momento eu abri a boca para interromper novamente, mas antes que eu pudesse proferir qualquer coisa, fui calado por um aceno de sua m�o. � Preste aten��o, � importante. Voc� tem mesmo que me escutar, porque eu estou te falando a verdade. [n/a: I mean this I�m okay! (Trust me) MCR lovers, that�s for you! parey j�.]
�- Fale logo! � eu gritei, mais impaciente do que antes.
�- Bom o outro amigo de � um.. anjo.
Eu ri. Ri t�o alto que meus ouvidos doeram com o barulho.
�Anjo!� Pensei. �Como a pode ser amiga de um anjo? Eles n�o deveriam cuidar das pessoas do c�u? Eles n�o deveriam fazer tudo de l� de cima? Anjo, haha!�
�- , estou falando s�rio. � Livellus me surpreendeu. Eu realmente havia achado que era uma piada ou uma brincadeira engra�ada.
�- Mas como..
�- Voc� vai ver. � ele me interrompeu. � Agora temos que ir.
Ele se impulsionou para frente para correr, por�m eu, sendo mais r�pido, o parei. Eu n�o ia deixar ele sair sem nenhuma resposta as minhas perguntas.
�- Espere. S� me diga seus nomes.
Ele virou seu rosto para mim, ponderando sua resposta.
�- Muito bem, isso eu posso te falar. O nome dela � Alice [n/a: Cullen, cof cof] e o dele Gerard. [n/a: Way, cof cof]
Assenti, guardando os nomes em minha mem�ria. Com certeza n�o os esqueceria. Voltamos a correr ent�o, mais r�pido do que antes. Eu s� percebi o quanto est�vamos perto quando j� podia ver as luzes da cidade, brilhando ao nosso alcance.
� medida que nos aproxim�vamos, pude perceber a mudan�a no ar. Ele n�o era mais t�o pesado quanto na floresta, ele havia adquirido certa leveza que o tornava surpreendentemente melhor. Mas talvez isso fosse meu subconsciente, mandando sensa��es erradas, mostrando o meu grau de excita��o e ansiedade para encontr�-la.
Paris � uma linda cidade, por�m disso eu j� sabia. Posso at� dizer que � meu lugar preferido no mundo. Isso se encaixava muito bem, considerando que nascera ali.
Passamos por museus e butiques, parques e ruas movimentadas, sem dar aten��o a nada disso. S� havia um lugar que eu queria estar aquela noite, n�o importava o qu�o horr�vel ele fosse. E Livellus para minha surpresa estava colaborando, nos guiando por ruas escuras para que pud�ssemos ir mais r�pido. Eu n�o esperava que ele se importasse tanto com o meu problema.
N�o trocamos palavra alguma, at� chegar aquela casa. Analisando melhor, at� aquela mans�o.
Eu olhei o estabelecimento com admira��o por sua arquitetura perfeita. Todas as paredes de fora eram de m�rmore branco, com apenas alguns detalhes em preto. Com certeza apreciavam um estilo mais cl�ssico, por�m realmente inovador. Tudo se encaixava perfeitamente, os tra�os angulosos, as cores e at� mesmo as pequenas est�tuas que ali havia, periodicamente. A escadaria que se erguia a nossa frente era convidativa, seus degraus parecendo teclas de piano. Eu estava realmente ansioso para come�ar a tocar aquela melodia. [n/a: QQQQ]
Antes que pudesse perceber, Livellus j� estava em frente � porta, me esperando para entrar. Subi a escadaria o mais r�pido poss�vel, se fazer barulho algum. Eu n�o me importei, a m�sica j� estava em minha cabe�a de qualquer modo.
Sem cerim�nia, Livellus girou a ma�aneta e entrou na casa, sem nem ao menos me esperar. Respirei profundamente e fiz o mesmo. O interior n�o poderia me surpreender mais.
Mas n�o foi pelo tamanho gigante do hall ou as paredes tamb�m de m�rmore. Foi o teto, totalmente preenchido por desenhos de anjos, em todas as formas e tamanhos. Eu senti como se estivesse em uma igreja do s�culo XV. E ainda havia as est�tuas, detalhadas, perfeitas em todos os �ngulos. Eu estava realmente impressionado pela beleza e classe se apenas aquele recinto j� me passava. Era como se eu estivesse em um livro.
Por�m houve uma coisa que chamou minha aten��o. Havia uma mulher parada em frente � degraus, outra escadaria que levava aos outros aposentos, pensei.
Ela era muito p�lida, se assemelhando as esculturas de m�rmore que eu havia visto h� pouco. O seu cabelo era de um preto intenso, curto, picotado e desfiado para todas as dire��es. Ela parecia mais uma fada, extremamente magra e com suas fei��es mi�das. Eu n�o conseguia encontrar nenhuma maldade em sua postura, apar�ncia ou at� mesmo em seu sorriso que mostrava seus caninos. Ela era perfeita. Eu sabia, ela era a Alice. [n/a: *morre*]
�- Ol� . � ela disse, vindo em minha dire��o e me abra�ando. Por mais espantado que estivesse, retribui o abra�o. Naquele momento eu tive certeza, ela era bem espont�nea e original. Certamente uma amiga que eu morreria para ter.
�- Hum, ol� Alice. � eu disse quando a gente se separou.
�- Vejo que voc� j� sabe meu nome, muito bom. � ela parou um instante. � Vamos, vou te levar at� onde a est�.
Ela pegou minha m�o e come�amos a subir a escadaria. Assim como os movimentos de , os dela tamb�m pareciam o de uma bailarina. Eu j� estava decidido, ia perguntar o porqu� disso � Alice. Por�m antes que eu pudesse proferir a pergunta, ela veio com a resposta.
�- Na verdade eu acho que isso vem do fato que n�s passamos muito tempo juntas, sabe, eu e ela. Somos muito parecidas e n�o somente no modo de andar.
Eu estava perplexo. Como ela sabia que eu ia perguntar isso?
�- Alice, como voc� fez isso?
�- Isso o que? � ela parou de andar, e virou seu rosto para mim.
�- Voc� respondeu minha pergunta, antes mesmo de eu a proferir. Como fez isso?
�- Oh, isso. � ela respondeu como se fosse uma coisa normal. � Eu vejo o futuro. Quando voc� se decidiu a fazer a pergunta, eu tive uma vis�o com voc� a perguntando. E respondi automaticamente, desculpa se te assustei.
�- N�o tem problema. � eu disse. Ainda estava perplexo pelo fato de ela ver o futuro. Era um poder muito interessante, eu devo dizer. Por�m n�o pude me focar muito neste assunto, tinha outras coisas que estavam rodando em minha cabe�a. Por mais que n�o a conhecesse, sabia que Alice n�o se importaria em responder as minhas perguntas. Ela parecia gostar de ajudar.
�- Alice, a e o Gerard, hum, tem alguma coisa? � eu perguntei, me sentindo idiota. Contudo, se eu tinha que parecer inseguro na frente de algu�m, eu preferia que fosse � frente dela. N�o admitiria dar este gosto ao Livellus, e muito menos ao Gerard.
�- e o Gerard? Voc� ficou maluco ? O Gerard nunca faria isso com voc� e muito menos a . Poupe sua inseguran�a, ela te ama mais que tudo no mundo.
Eu realmente n�o poderia estar mais feliz. E mais ansioso, tamb�m. Eu a queria em meus bra�os, queria poder abra��-la e beij�-la. Saber que poderia fazer isso dentro de poucos minutos me deixou realmente entusiasmado. Por�m ainda havia algumas coisas que eu queria saber.
�- Como voc� pode ter certeza de que o Gerard n�o faria isso comigo?
Alice riu, parecendo se divertir com a situa��o. Diferente do que eu teria feito se quem tivesse rido fosse o Livellus, eu ri tamb�m. Ela era uma pessoa bem contagiante.
�- Eu conhe�o muito bem. N�s somos irm�os.
Eu parei de rir imediatamente, meu sorriso dando lugar a minha cara de espanto. Uma vampira e um anjo irm�os? Naquele momento eu achei que se fosse um E.T. eu n�o ficaria surpreso.
�- Eu sei, estranho. � ela disse dando de ombros. � Eu acho que nossa fam�lia foi meio que escolhida, para carregar o bem e o mal dentro dela.
�- Eu n�o acho que voc� seja m�.
�- Eu tamb�m n�o. � ela me respondeu com um sorriso. � �s vezes acho at� que h� uma invers�o de pap�is. Eu sou uma vampira muito boa e Gerard pode ser um anjo n�o muito bom quando quer. Mas n�o se preocupe, anjos tamb�m t�m seus princ�pios.
Ela abriu outro sorriso caloroso para mim, e continuamos a subir a escada. No fim desta havia m longo corredor, com muitas portas e janelas. Est�tuas e quadros tamb�m estavam presentes. Eu n�o me impressionei com isso.
Seguimos por poucos passos, at� pararmos na frente de uma porta de madeira. Eu podia sentir o cheiro de dali. Estremeci em excita��o.
Alice abriu a porta e deixou o caminho livre para que eu entrasse. A vis�o n�o poderia me agradar mais.
Logo eu dei um passo em dire��o a grande sala, levantou-se e veio correndo at� mim. Ela jogou seus bra�os em minha nuca e eu agarrei fortemente a sua cintura. Sua cabe�a repousou em meu ombro e eu me abaixei um pouco para poder sentir o aroma de seu cabelo. Ficamos assim por muito tempo, como se estiv�ssemos passados meses separados e n�o menos de 24 horas.
Naquele momento n�o havia a raiva de ela ter me deixado, de n�o ter me explicado nada ou de ter mentido para mim. Eu s� queria a sentir perto, saber que ela tamb�m havia sentido minha falta.
Afastei-me um pouco dela para beij�-la, sem me importar se Alice estava vendo. Ela parecia um tanto distante agora que estava comigo.
Separamo-nos e ela pegou em minha m�o, guiando-me at� o sof�. Sentei-me nele e puxei-a para sentar em meu colo. Agora que eu podia toc�-la, n�o iria me afastar dela at� que fosse extremamente necess�rio.
�- Ol� , sou Gerard. � disse um homem sentado em um sof� na frente do nosso. Eu n�o havia notado sua presen�a at� ele falar. Virei ent�o meu rosto para ele, para poder analis�-lo.
Ele me pareceu muito com um humano, mais do que qualquer vampiro poderia um dia parecer. Sua pele era clara, mas nada comparado � nossa. Apenas a cor de quem n�o toma sol h� um tempo consider�vel. Seu cabelo era branco, cortado rente � cabe�a. Um estilo bem incomum, com certeza, mas que real�ava ainda mais a beleza que ele parecia possuir. Seus tra�os eram firmes e bem desenhados, por�m nada angulosos, como o de vampiros. A cor de seus olhos era uma mistura entre castanho claro e verde, deixando um brilho intrigante em seu olhar.
Olhei ent�o para suas costas, esperando ver um par de asas brancas saindo desta. Nada vi, o que me deixou desconcertado. Ser� que a imagem que eu tinha em minha cabe�a do que era um anjo estava t�o mal formulada assim?
Ele percebeu meu desconforto, e deu uma risadinha.
�- N�o se preocupe , eu tenho asas sim. Contudo, n�o seria s�bio us�-las em tempo integral, n�o �?
Assenti, processando a informa��o. Assim como um de n�s, ele tamb�m tinha a chance de esconder seu segredo. Fiquei feliz que ele pudesse fazer isso.
�- Bom, -disse Alice � Acho que precisamos te contar algumas coisas . nos contou suas caracter�sticas, sabe, para podermos descobrir o que havia de diferente com voc�.
�- � isso que eu vim fazer aqui . Eu vim descobrir o que voc� �, para te ajudar. Sinto muito n�o ter podido explicar antes, mas voc� iria querer vir junto. E eu n�o podia admitir que voc� deixasse sua fam�lia . Por�m vejo que agora foi at� pior, considerando que Livellus resolveu estragar tudo. � disse, olhando diretamente nos meus olhos. N�o havia d�vidas de que ela estava falando a verdade. Al�m disso, eu gostei do jeito que ela disse o nome de Livellus. Com repulsa. Ela gostava tanto dele quanto eu.
�- Fico feliz que voc� tenha feito isso por mim. � eu disse, colando nossos l�bios. � Por�m ainda preferiria que voc� tivesse me explicado isso antes. Eu pensei coisas que n�o deveria sobre voc� . Sinto muito.
�- N�o sinta. � ela disse com um sorriso. � Eu te dei motivos para isso. Eu menti para voc�. Mas eu tenho uma justificativa para ter feito isso.
�- Shhh. � e eu coloquei meu dedo em seus l�bios. � Eu n�o quero saber disso mais. Tenho certeza que qualquer que tenha sido o motivo, ele era bom. Al�m do mais, eu tamb�m n�o fiquei muito contente em ter que dizer que Livellus me transformou. Eu n�o tenho orgulho disso, sabe.
�- N�o diga isso dele. � Alice me cortou. � Livellus � um �timo vampiro, voc�s s� n�o perceberam isso ainda. E, caso voc�s n�o se importem, eu vou ver onde ele est�.
Alice se retirou, deixando-me confuso. Por que ela havia defendido ele?
�- Alice � a parceira de Livellus, . � disse Gerard calmamente. � Eles s�o muito opostos, � claro, por�m quem pode contestar o poder do amor?
Eu estava muito surpreso naquele momento. Aquilo era inacredit�vel. Alice, uma vampira com inten��es t�o boas, t�o calorosa e contagiante estava com Livellus, um vampiro hostil e sarc�stico, e com personalidade t�o egoc�ntrica? Isso n�o se encaixou na minha cabe�a.
Contudo, algumas coisas faziam mais sentido agora. O jeito que ele havia ficado quando me contara da companhia de e como ele n�o queria revelar nada mais do que o preciso. A maneira como ele havia me guiado pela cidade, como se soubesse todos os atalhos para chegar at� a mans�o. E principalmente o modo como ele entrara nesta, como se fosse seu dono. E ele era. Eu estava sentado no sof� de uns dos pal�cios de Livellus, o soberano dos vampiros. E aquela a qual eu tanto estimo a amizade � a parceira dele.
Incr�vel como tudo pode ser estranho. Principalmente quando seu racioc�nio est� t�o lento de uma noite passada em claro. Eu sabia que tinha que dormir, mas minha vontade de descobrir quem eu era era ainda mais forte. Pelo menos era o que eu achava at� aquele momento.
�- Ele est� cansado . Leve-o at� o �ltimo quarto, tem uma cama l�. � Gerard disse, um sorriso se estampando em sua face. Mesmo n�o o conhecendo, eu j� gostava dele. Assim como com Alice, eu queria ser seu amigo.
�- Obrigado Gerard. � eu disse tamb�m sorrindo. � Mas n�o � preciso. Eu posso descansar amanh�. Agora eu s� quero saber o que voc�s descobriram.
�- Voc� que sabe. � ele respondeu. � Por�m, tendo as mesmas necessidades que voc�, eu sei o qu�o bem uma noite de sono pode fazer. Se me d�o licen�a, eu mesmo vou descansar agora.
Gerard saiu da sala, deixando-me com . Antes de sua sa�da, n�o pude deixar de perceber o qu�o ele se vestia bem. Um estilo dark, mas que combinava perfeitamente com ele.
�- Vamos . � disse , levantando-se e estendendo sua m�o para mim.
�- Espere , s� me responda uma coisa.
�- Est� bem. � ela disse sorrindo.
�- Anjos tamb�m dormem?
�- Sim. Anjos s�o pessoas de verdade , humanos, s� que com uma miss�o mais especial. Eles s�o pessoas protegendo outras pessoas. Agora, podemos ir, por favor? � ela disse fazendo uma carinha fofa.
Obedeci ao seu desejo levantando-me tamb�m e pegando no colo.
�- Para onde rainha? � eu disse com um sorriso bobo nos l�bios.
�- Para o �ltimo quarto, meu rei.
Assenti fervorosamente, caminhando at� a porta.
Enquanto andava pelo corredor, passava uma de suas m�os em meu peito e outra em minhas costas, despreocupadamente.
�- Eu senti falta disso. � eu disse suspirando.
�- Disso o que? � ela perguntou enquanto virava seu rosto para me olhar.
�- De seu toque, de sua voz de seu aroma, de tudo. Voc� n�o sabe o quanto voc� faz falta na minha vida.
Nessa hora, j� hav�amos chegado ao �ltimo quarto. Abri a porta cuidadosamente sem retir�-la do meu colo, e entrei fechando a porta atr�s de mim. O quarto era branco, com uma cama de casal no centro.
Caminhei at� esta e deitei nela. Dei a volta na cama e me deitei tamb�m, puxando-a para cima de mim.
�- Eu tamb�m senti sua falta . � ela disse me beijando.
[...]
Eu acordei horas depois, com o primeiro raiar do sol.
estava sentada ao meu lado, suas m�os percorrendo meu cabelo. Abri um sorriso ao me lembrar de onde estava.
�- Bom dia . � ela disse se inclinando para me beijar. � Dormiu bem?
�- Sim, eu acho. Divertiu-se me vendo dormir?
�- Para ser sincera, nem um pouco. Eu prefiro estar em sua companhia quando voc� esta acordado. � ela deu um sorriso malicioso, enquanto passava suas m�os pelo meu abd�men nu. � Eu peguei algumas roupas do Gerard para voc� caso queira tomar um banho. Vai ser um longo dia, voc� tem que estar bem disposto.
�- Obrigado. � eu disse selando nossos l�bios. � Onde fica o banheiro?
Ela me indicou uma porta localizada na parede oposta. Eu n�o havia percebido que ela estava ali at� ela apontar.
Sai da cama, e entrei no banheiro. Ele era simples, assim como o quarto. Eu tinha certeza que Livellus tinha guardado o luxo para seus aposentos pessoais. Tirei minha roupa, entrei no box e liguei o chuveiro. Por mais que houvesse descansado, meus m�sculos n�o estavam completamente relaxados ainda. Deixei a �gua escorrer, relaxar-me e me preparar para o dia de hoje. Eu finalmente descobriria quem eu realmente era.
Terminei o banho e sai do box. Percebi que havia uma toalha e roupas limpas em cima de uma pe�a de madeira que havia em um canto da parede. Enxuguei-me e me troquei, imaginando em que momento havia entrado no banheiro. Eu definitivamente n�o havia ouvido nada.
Sai do banheiro e encontrei sentada na cama com um sorriso safado na cara. Senti o sangue subir at� minha cabe�a, me fazendo corar.
Estendi a m�o para ela, puxando-a e come�ando a andar. Seguimos pelo corredor at� a mesma sala da noite anterior e dentro dela j� estavam Gerard, Alice e para minha infelicidade Livellus. Este estava sendo muito pr�ximo de Alice no sof�, suas m�os entrela�adas.
�- Vejo que a princesinha acordou. � disse Livellus com um sorriso estampado.
�- N�o fale assim com ele, Livellus. � disse Alice o censurando. Fiquei feliz em saber que algu�m parecia exercer um pouco de poder nele. Ele tamb�m tinha suas fraquezas, ent�o.
Sentei-me no mesmo sof� da noite anterior, puxando para sentar em meu colo. Fiquei passando a m�o em seu cabelo enquanto esperava eles falarem alguma coisa. Gerard foi quem iniciou.
�- Caso voc�s me permitam, � disse ele em seu jeito calmo. � temos que contar logo ao o que descobrimos.
�- Obviamente. � disse Livellus. � Quem quer ser o sortudo?
fechou a cara para ele. Eu n�o podia estar mais feliz.
�- , - ela come�ou insegura. � na realidade, n�o h� um problema com voc�. O que houve na verdade, foi uma pequena confus�o.
�- Que tipo de confus�o? � perguntei. N�o sabia ao certo o que esperar, uma coisa boa ou ruim. Contudo s� de saber que teria uma explica��o j� me confortava.
�- , crian�a, voc� estava destinado a ser um anjo. � Livellus disse.
Eu estava destinado a o que? Imposs�vel, ele s� podia estar brincando. Esta era somente mais uma das brincadeiras idiotas de Livellus. N�o era verdade. N�o podia ser verdade.
�- Muito engra�ado Livellus. Ser� que algu�m pode me contar meu verdadeiro problema? � se antes eu estava curioso, agora morria de curiosidade. Minhas m�os estavam se mexendo descontroladamente, de t�o ansioso que eu estava. se mexeu desconfort�vel em meu colo pela situa��o.
�- Ele est� dizendo a verdade. � Gerard disse. Eu n�o podia acreditar que ele tamb�m havia entrado na brincadeira. Qual era o problema deles?
Ri ent�o, como sempre fazia quando brincavam comigo. Livellus j� estava bem acostumado com a minha risada.
�- , algum problema? � disse olhando para mim. N�o havia nenhum sorriso demonstrando que ela tamb�m havia percebido a brincadeira. Ou ent�o.. Congelei. N�o era brincadeira.
�- Co-como assim? � eu gaguejei. Parecia que n�o podia mais encontrar as palavras. Que tipo de aberra��o eu era? Um vampiro que era destinado a ser um anjo? Isso soava mais como um filme de terror mal feito para mim. Entretanto parecia que isso podia acontecer. E estava. Comigo.
�- , acalme-se pelo amor de Deus. N�s te explicaremos tudo, por�m fique calmo. N�o h� porque ficar nervoso. � era Alice dessa vez. Apesar de querer muito acreditar nas palavras dela, eu n�o podia. Estava al�m da minha capacidade ficar calmo naquele momento.
�- FICAR CALMO? COMO POSSO FICAR CALMO SE ACABEI DE DESCOBRIR QUE SOU UMA ABERRA��O? � eu gritei o mais alto que pude, levantando-me. saiu do meu colo sem dificuldade, antes que ela pudesse cair. Arrependi-me de t�-la deixado se afastar.
�- , n�o fale assim com a Alice. � Livellus disse nervoso. Eu nunca o havia visto usar um tom t�o imponente assim.
�- Okay, okay. Desculpem-me. Foi um reflexo. Continuem. � apesar de estar explodindo por dentro, eu sabia que tinha que me controlar. Caso contr�rio eles n�o me contariam mais nada. Isso n�o era uma op��o.
Sentei-me novamente, e SCRIPT veio se sentar em meu colo. Passei um de meus bra�os em sua cintura, enquanto uma de minhas m�os segurava a sua. Isso me ajudou a me acalmar um pouco. N�o muito, por�m o suficiente para que eles prosseguissem.
�- Acho melhor eu explicar. � Gerard disse. � Afinal, eu sou o �nico anjo aqui.
Ele parecia se orgulhar disso. Eu tamb�m me alegraria, considerando que anjos s�o criaturas que fazem o bem, que protegem pessoas. E n�o o monstro que o resto de n�s era. Ou pelo menos eu e Livellus, n�o considerava ou Alice como monstros. Elas eram puras e perfeitas demais para isso.
Minha namorada e minha j� melhor amiga vampiras. Quem diria n�o �?
Todos assentiram e Gerard come�ou. Eu me preparei para ouvir minha pr�pria hist�ria, contada por algu�m que eu conhecia a menos de 24 horas. Isso seria estranho.
�- Sabe, , n�s anjos n�o somos como voc�s. N�s n�o precisamos de outra pessoa para nos �transformar�.
�- Mas como..? � eu estava confuso curioso e nervoso ao mesmo tempo. apertou minha m�o mais forte, e recostou sua cabe�a em meu peito. Tirei meu bra�o de sua cintura para afagar seus cabelos.
�- Deixe-me terminar. � Gerard disse sem se afetar. � Cada anjo j� tem um destino desde que nasceu. Ele pode n�o saber, mas se tornara anjo independente do que acontecer. Ou pelo menos independente das coisas normais que podem acontecer.
�Ent�o quando voc� nasceu, todos n�s, anjos j� formados, sab�amos que voc� seria um de n�s. N�o sab�amos exatamente o porqu� dessa decis�o, n�o conseguimos enxergar as qualidades que voc� teria que te daria o direito de ser um anjo. Contudo se voc� estava destinado a isso, te acolher�amos de bra�os abertos, caso voc� nos procurasse. E sab�amos tamb�m quem voc� protegeria.� Ele fez uma pausa dram�tica. Minha garganta estava ardendo de curiosidade.
�- Seu irm�o, . � congelei. era meu protegido? Mas.. Eu n�o entendia. Isso n�o fazia o menor sentido. Desde quando > precisava de prote��o? N�o podia ser. Eu havia ouvido errado. �, era isso.
�- Quem? � perguntei na v� tentativa de ouvir uma resposta diferente. Por�m no fundo, eu sabia que esta n�o mudaria.
�- Voc� escutou certo, pequeno. � Livellus disse, com o que parecia ser sua melhor express�o de seriedade. Ele estava tentando, pelo menos. Isso n�o ajudou em nada.
�- Mas por qu�? � n�o resisti em perguntar. Agora que t�nhamos deixado as evasivas de lado, n�o podia perder a oportunidade de uma explica��o.
�- Nunca sabemos o porqu� do nosso protegido at� que aconte�a alguma coisa, . Veja bem, eu sou o anjo de .
Eu n�o podia estar mais surpreso.
�- O QUE? � eu estava me alterando de novo. virou meu rosto para que eu pudesse encar�-la.
�- Acalme-se . Gerard estava destinado a ser meu anjo muito antes de eu nascer. Eu n�o deveria nem saber da exist�ncia dele, por�m um imprevisto fez com isso fosse poss�vel.
Olhei-a, curioso.
�- Sabe, , Livellus tem uma verdadeira queda em transformar protegidos ou futuros anjos. Ele acha que vampiros s�o mais dignos de aprecia��o. � disse Alice, claramente envergonhada por ter que confessar isso. Ela n�o aceitava totalmente a maneira de Livellus ent�o. Isso me aliviou um pouco.
�- N�o � minha culpa, essa � a mais pura verdade. � Livellus deu de ombros. Ele realmente n�o se importava em acabar com a vida dos outros.
�- Eu ainda n�o entendi uma coisa. � disse calmamente. Eu estava tentando organizar meus pensamentos. � Eu estava destinado a ser um anjo, at� ai tudo bem. Contudo, Livellus fez o lindo favor de me transformar em vampiro. � lancei um olhar um tanto n�o amig�vel na dire��o dele. � Eu n�o deveria assumir s� as caracter�sticas de vampiros j� que n�o cheguei a me transformar em anjo?
�- Ai � que est�. � Gerard disse, agora ficando mais aflito. Parecia que ele queria acabar logo com isso. � Apesar de n�o estar completamente transformado em anjo, voc� j� estava no processo. Ent�o algumas caracter�sticas nossas ficaram em voc�.
�- Como dormir e corar. � completei. Agora eu entendia o porqu� de ser t�o diferente de todos. Eu n�o era s� um vampiro. Eu era um anjo tamb�m.
�- Vejo que entendeu agora, . � disse sorrindo para mim. Abracei-a mais forte. �- Por�m j� saberia que precisava perto de se tivesse lido minha carta inteira.
�- Como? � era incr�vel a rapidez da mudan�a entre compreens�o total e confus�o total. Eu deveria estar acostumado com isso.
�- A carta que eu deixei para voc� na recep��o do hotel. Voc� n�o leu inteira. � n�o era uma pergunta. Estremeci, tentando me lembrar aonde a havia deixado. Estava no �ltimo quarto a poucos metros de dist�ncia. saiu rapidamente de meu caminho enquanto eu corria para busc�-la. Abri antes mesmo de entrar na sala.
[n/a: preste aten��o na mudan�a de letra, por favor -2]
[...]Espero que apesar de tudo, termine de ler essa carta. � muito importante o que eu vou te dizer agora, . Preste muita aten��o. [...]
Senti-me idiota, in�til. Como podia n�o ter visto isso? Agora eu me arrependia profundamente por n�o ter lido a carta at� o final. Suspirei enquanto prosseguia.
[...]Fique perto de sua fam�lia, , principalmente de . N�o posso te explicar exatamente o porqu� disso, sendo que nem eu sei. Contudo, um de meus amigos me alertou sobre isso e agora alerto voc�. � extremamente necess�rio que voc� n�o venha atr�s de mim. Sua fam�lia precisa mais de mim do que eu preciso. Pense nisso. [...]
Agora eu entendi os conselhos havia na carta. Por�m parecia ser tarde demais para isso. Eu n�o tinha como saber.
Olhei o resto do papel, que continha sua assinatura e um voto por felicidade. Estremeci, pensando em como seria se tivesse feito o que ela pedia.
�- Oh. � fui o que eu consegui dizer. Depois, congelei no meu lugar. Minha fam�lia.
�- Caso n�o se importem, ele tem que voltar rapidamente. � disse Gerard. � Precisamos s� terminar de explicar alguns detalhes e ele precisa partir.
Naquele momento um peso enorme se formou no meu est�mago e minha garganta ficou seca. Eu sabia que isso era o sinal da culpa.
Eu n�o havia avisado eles que n�o passaria a noite l�, eu n�o havia avisado absolutamente nada. Como meus pais estariam nesse momento? Com certeza j� haviam chamado a pol�cia. Faziam quase 24 horas que eles n�o me viam. O que estariam pensando? Seq�estro, assassinato, suic�dio?
Eu podia praticamente ouvir o choro de minha m�e agora, desesperado com meu paradeiro, meu pai inquieto andando de um lado para outro e meus irm�os se entreolhando preocupados. O que eu havia feito?
�- Eu preciso voltar agora. Talvez eu ainda consiga inventar algo plaus�vel para meu sumi�o. Talvez eles n�o me matem se eu chegar l� agora. Talvez..
�- , acalme-se. � disse Alice. Eu perdi o controle.
�- COMO POSSO ME ACALMAR ALICE, SABENDO O QUE FIZ COM A MINHA FAM�LIA? EIN, ME DIGA! N�O � VOC� QUE PREOCUPOU SEUS PAIS E IRM�OS, E QUE COM CERTEZA VAI TER QUE.. � n�o consegui terminar. Meus berros foram interrompidos pelos de outra pessoa. Era Livellus que havia se levantado e vinha em minha dire��o.
�- N�O FALE DESSE JEITO COM ALICE! � ele parecia muito mais nervoso do que antes. Recuei inconscientemente. � SE VOC� FALAR NOVAMENTE DESSA MANEIRA COM ELA EU JURO QUE...
�- Livellus, espere. � disse Alice. Ela estava com os olhos focados em algum lugar distante, sem piscar. Livellus correu para seu lado.
�- O que voc� v� Alice? � e ent�o eu entendi. Ela estava tendo uma vis�o. Parecia n�o ser muito agrad�vel, do jeito que ela olhou para mim.
Estremeci de nervosismo.
�- precisa ir embora. Imediatamente. � ela disse.
Tudo que aconteceu depois foi muito r�pido. Eu n�o tinha certeza se tinha entendido corretamente.
�- O que aconteceu? � Alice continuou olhando para mim, sem me responder. Eu j� estava mais do que impaciente. � Alice, o que voc� viu?
�- , - sua voz tremeu. � seu irm�o vai se matar.
O QUE? N�o, n�o podia ser. Imposs�vel. Ela estava errada. Ele nunca faria isso. Mas ent�o lembrei de meu sonho. [n/a: sonho do cap. IX, vou copiar aqui, okaay? Ta em it�lico]
[...] estava no alto de um pr�dio, andando sozinho ao lado da grade. Eu estava metros abaixo o olhando do ch�o, e gritando coisas incompreens�veis at� para mim. Ele n�o parecia me escutar, ou estava fingindo muito bem. Ent�o ele se jogou. Tudo ficou claro para mim naquele momento, o que ele estava fazendo. E com um baque surdo ele caiu, para sempre.[...]
Teria isso sido algum tipo de.. premoni��o? �N�o � disse sacudindo a cabe�a. Isso n�o estava acontecendo. Isso n�o podia acontecer. Eu estava tremenda e tragicamente errado.
�- Alice � foi quem falou primeiro. � Aonde?
�- No pr�dio do hotel. Voc�s precisam ir r�pido, ele tem menos de dez horas.
�- Hum, obrigada Alice. � respondeu. Eu ainda n�o conseguia achar minha voz. � Vamos . � ela disse me puxando. Segui na dire��o em que ela me levava, sem me dar conta disso.
Quando est�vamos na frente da mans�o, parei, fazendo-a se virar para mim.
�- O que vai acontecer ? Meu irm�o vai realmente.. morrer? � eu queria ser forte, e manter meu orgulho, por�m n�o consegui. Deixei algumas l�grimas rolarem soltas pela minha bochecha, sem realmente me importar em sec�-las.
chegou mais perto de mim, afagando meu rosto com as costas da m�o. Fechei os olhos, tentando aproveitar esse �ltimo filete de felicidade.
Tudo tinha mudado t�o r�pido.
E ent�o ela me beijou, aproximando-se mais ainda. Coloquei minhas m�os firmes em sua cintura, enquanto ela passava seus bra�os por minha nuca. E antes que desejasse, ela se afastou novamente.
�- Temos que ir, , seu irm�o corre perigo.
Assenti e come�amos a correr.
[...]
Aproximei-me ainda correndo, apesar de ter que desacelerar para a corrida de uma pessoa normal. Isso me frustrava, saber que a vida do meu irm�o poderia estar perdida porque eu n�o podia correr o quanto queria. Eu realmente queria que todos se ferrassem para que eu pudesse salvar meu irm�o.
Eu j� estava perto, muito perto agora.
Eu podia ver no alto do pr�dio, andando sozinho ao lado da grade. Ele n�o parecia ter medo ou receio de se jogar. Percebi, naquele instante que se eu n�o impedisse, ele iria mesmo se matar. Acelerei o m�ximo que podia. Eu estava mais perto a cada segundo, a cada vez que meus p�s encostavam-se ao ch�o. Eu conseguiria.
Comecei a gritar coisas incompreens�veis at� para mim, logo que virei � esquina. Ele pareceu n�o ouvir, ou ent�o n�o se importar. Qualquer que tenha sido o motivo disso, n�o importava mais. Eu estava mais preocupado, nervoso e aflito com a conseq��ncia. Ele havia se jogado.
E eu me senti in�til, preso daquele modo � rua. Eu n�o me movi, havia simplesmente congelado. Assistindo meu irm�o se matar.
A queda era alta, n�o teria como ele sobreviver uma vez que chegasse ao ch�o. Eu realmente queria conseguir salv�-lo, por�m sabia que n�o conseguiria mais. Meus esfor�os eram in�teis, s� me restava assistir ao seu triste e tr�gico destino.
E com um baque surdo ele caiu, para sempre.

Ep�logo � Tears and Rain

L�grimas
Defini��o do dicion�rio: gotas de l�quido salgado, secretado por duas gl�ndulas situadas sobre as p�lpebras.
Minha defini��o: modo de expressar a dor, de se libertar de sua tristeza anterior. De se lamentar pelo acontecido, de se rebelar pelo que n�o aconteceu. A forma mais nobre de expor seus sentimentos, mesmo que seja somente para si mesmo.
O meu esconderijo, a minha escapat�ria.
Chuva
Defini��o do dicion�rio: precipita��o da �gua atmosf�rica sob a forma de gotas.
Minha defini��o: o fen�meno natural mais impressionante de todos. O que pode te libertar, prender, te fazer triste ou feliz.
O que te lava de teus pecados e recome�a uma nova jornada. A limpeza de tudo, as sombras, as nuvens. O que te apresenta novos aromas, novas �rvores, novas flores.
O recome�o. Ou ent�o, apenas o meu recome�o.
Eu agora estava sentado no ch�o do cemit�rio, observando o t�mulo de meu irm�o. Uma de minhas m�os segurava firmemente a placa de m�rmore branco, enquanto a outra apertava a carta j� ent�o surrada. Uma l�grima escorreu por meu resto, at� ent�o seco.
Dois dias haviam se passado, e eu ainda n�o havia tido coragem de abri-la, a �nica coisa que meu irm�o havia me deixado.
Uma carta de despedida, talvez? De explica��o? Era o que eu esperava descobrir naquele instante.
Virei-me de costas para o t�mulo, encostando-me nele. Estremeci quando a pedra fria encostou em minha pele coberta por uma fina camada de tecido. Rasguei o envelope.
[n/a: prestem aten��o na mudan�a de letra -3 ]
,
Desculpe-me n�o ter me despedido pessoalmente. Contudo voc� tentaria me impedir, e eu realmente n�o queria isso. Espero que voc� compreenda, ou pelo menos fa�a um esfor�o para compreender meus motivos. Eu ainda sinto muito por isso. [...]
Percebi que havia uma pequena mancha no canto da p�gina. Seria esta uma l�grima agora j� seca?
O que quer que fosse, n�o me impediu de deixar cair as minhas pr�prias tristezas liqu�das.
[...] Sei que vai parecer confuso, nem eu mesmo entendo completamente o motivo de minhas escolhas.
Tenho me sentido muito sozinho ultimamente, principalmente depois que voc� se foi. Fico me perguntando se algum dia voc� voltara, ou ent�o se j� est� repousando no lugar para onde eu vou. Espero encontr�-lo algum dia, de qualquer modo.
N�o vai fazer sentido o que vou te falar agora, por�m, preciso tentar do mesmo jeito.
Eu sinto como se uma parte de mim n�o estivesse aqui, como se ela tivesse desaparecido. Como se alguma coisa faltasse na minha vida. [...]
Ele estava enganado, eu compreendia perfeitamente bem.
Ele sentia falta da minha prote��o. Ele sentia falta do papel que eu deveria ter cumprido sendo seu anjo.
Era tudo culpa minha.
N�o que eu n�o soubesse disso antes, mas ler isso escrito por ele, mesmo que inconscientemente, s� me fez piorar. Que �timo irm�o eu havia sido!
[...] Voc� n�o precisa compreender, s� espero que me perdoe. Sempre fomos muito ligados, , espero que voc� leve isso em considera��o quando pensar em mim.
N�o me julgue e, por favor, n�o sinta raiva. Eu quero que voc� se lembre de nossas brincadeiras, risadas e n�o de meu �ltimo momento. Tente n�o pensar nisso. [...]
Como ele podia pensar que eu sentia raiva dele se a culpa era totalmente minha?
Tentei controlar os solu�os que saiam de minha garganta, somente para perceber que esse era um esfor�o em v�o. Eu n�o queria parar de chorar. Eu queria poder sofrer. [n/a: isso se chama masoquismo, Joe, caso voc� n�o saiba \o]
E ent�o come�ou a chover.
[...] Eu sinto muito. Muito mesmo.
Adeus .
Jonas
Eu deixei a chuva me a�oitar, n�o me importando mais. Eu adorava a chuva, a �gua escorrendo por minha pele, lavando-me e me curando.
Guardei a carta em meu bolso e fechei os olhos, aproveitando aquela sensa��o.
Foi ent�o que senti uma m�o tocar meu ombro.
Abri os olhos e vi com um sorriso gentil e amig�vel cobrindo seu rosto. Estendi a m�o para ela e ela se sentou ao meu lado.
Ficamos abra�ados, sem trocar palavra alguma, apenas deixando a chuva nos molhar.
Eu n�o tinha mais no��o do tempo.

-x-

Paris, 25 de dezembro, 02h30min AM.

�- Vamos ? � eu perguntava enquanto sa�mos de casa. Da nossa casa.
Desde que havia morrido, eu sabia que n�o tinha mais como eu voltar para minha fam�lia. N�o depois do que havia acontecido por minha culpa.
Ent�o vim para Paris morar com , na antiga casa de seus pais. N�o era grande, por�m como s� �ramos eu e ela, estava muito mais do que agrad�vel no tamanho.
Aprendi nas primeiras semanas a ignorar todas as hist�rias sobre minha fam�lia, que diziam estar desestruturada. Eu os conhecia o suficiente para saber que era verdade. Minha m�e n�o podia perder dois filhos e n�o se abalar. O mesmo acontecia com o resto deles.
Tivemos tamb�m que diminuir nossas sa�das consideravelmente, depois do ocorrido. Eu devia estar morto, n�o tinha como aparecer por ai ao ar livre. Ent�o prefer�amos a noite. A madrugada para ser mais exato.
Eu n�o sentia mais sono, parecia que est� caracter�stica havia ido embora de mim. Contudo, ainda conseguia dormir, se quisesse. Eu nunca queria, gostava de passar o tempo acordado com . N�o preciso nem dizer que ela era uma �tima companheira.
Sa�mos ent�o para o ar frio da rua deserta, seguindo para nosso lugar. Assim como em New York, aqui tamb�m t�nhamos um lugar s� nosso.
Passei um de meus bra�os por sua cintura, e ela fez o mesmo. Seguimos abra�ados at� chegar ao parque. Uma vez l�, rumamos para nosso esconderijo. Eu j� havia deixado tudo preparado.
�- , isso � maravilhoso! � ela exclamou, enquanto se deitada na grande cama de casal que eu havia colocado ali. Ela estava coberta de p�talas de rosas vermelhas, deixando um aroma perfeito e incrivelmente natural no ar. Sentei-me com ela, fazendo vir deitar em meu peito. Ela se acomodou contente.
�- Voc� � perfeito . Eu n�o poderia ter um namorado melhor. � ela disse, e depois eu me inclinei para beij�-la. Mesmo depois de tudo, continu�vamos juntos. Isso era uma ben��o em minha vida, ela ao meu lado.
Terminei o beijo e me afastei dela, indo pegar o viol�o que estava encostado perto da cama. Ela se sentou, para me ouvir tocar.
�- Sabe, , na noite em que eu te conheci eu escrevi uma m�sica. [n/a: fim do cap�tulo sete, caso queiram checar \o] Ela � inspirada em voc� e no modo como as podem mudar de um segundo para outro. Eu espero que voc� goste. O nome dela � Take a Breath. [n/a: minha m�sica preferida dos jonas *-* imaginem em vers�o ac�stica.]

I walked across a crowded street (Eu andei por uma rua cheia de gente)
Sea of eyes they cut through me (Um mar de olhos me olhavam)
And I saw you in the middle (E eu vi voc� ali no meio)
Your upset face, you wear it well (Seu rosto perturbado, voc� usa ele bem para)
You camouflage the way you feel (Camuflar a forma como voc� se sente)
When everything's the matter (Quando tudo � um problema)
We've all been down that road before (N�s todos j� fomos por este caminho antes)
Searching for that something more (Procurando por algo mais)

Worlds are spinning round (Mundos est�o dando voltas)
There's no sign to slowing it down (N�o h� tempo para ir devagar)
So won't you take a breath (Ent�o n�o respire)
Just take a breath (Basta respirar fundo)
People change and promises are broken (Pessoas mudam e promessas s�o quebradas)
Clouds can move and skies will be wide open (Nuvens podem se mover e os c�us se abrir�o)
Don't forget to take a breath (Ent�o n�o esque�a de respirar fundo)

We blink our eyes, life's rearranged (N�s piscamos nossos olhos, a vida est� reorganizada)
And to our surprise, it's still okay (Para nossa surpresa, ainda est� bem)
It's the way things happen (� o jeito que as coisas acontecem)
Summer comes and then it goes (O ver�o vem e depois vai)
Hold on tight and brace for cold (Aguente firme e segure-se)
And it's only for a moment (� s� por um momento)
We've all been down that road before (N�s todos j� fomos por este caminho antes)
Searching for that something more (Procurando por algo mais)

Worlds are spinning round (Mundos est�o dando voltas)
There's no sign to slowing it down (N�o h� tempo para ir devagar)
So won't you take a breath (Ent�o n�o respire)
Just take a breath (Basta respirar fundo)
People change and promises are broken (Pessoas mudam e promessas s�o quebradas)
Clouds can move and skies will be wide open (Nuvens podem se mover e os c�us se abrir�o)
Don't forget to take a breath (Ent�o n�o esque�a de respirar fundo)

Life isn't suffocating (A vida n�o � sufocante)
Air isn't overrated (O ar n�o � disputado)

Worlds are spinning round (Mundos est�o dando voltas)
There's no sign to slowing it down (N�o h� tempo para ir devagar)
So won't you take a breath (Ent�o n�o respire)
Just take a breath (Basta respirar fundo)

Worlds are spinning round (Mundos est�o dando voltas)
There's no sign to slowing it down (N�o h� tempo para ir devagar)
So won't you take a breath (Ent�o n�o respire)
Just take a breath (Basta respirar fundo)
People change and promises are broken (Pessoas mudam e promessas s�o quebradas)
Clouds can move and skies will be wide open (Nuvens podem se mover e os c�us se abrir�o)
Don't forget to take a breath (Ent�o n�o esque�a de respirar fundo)

Worlds are spinning round (Mundos est�o dando voltas)
There's no sign to slowing it down (N�o h� tempo para ir devagar)
So won't you (Ent�o n�o)
Don't forget to take a breath (Ent�o n�o esque�a de respirar fundo)

Olhei para ela quando terminei de tocar, e percebi que ela estava chorando. Ou pelo menos, estava fazendo o que os vampiros normais fazem quando querem chorar.
Fiquei observando-a, enquanto colocava o viol�o de lado.
�- Feliz Natal. � eu disse, ainda emocionado.
se jogou em meus bra�os juntando nossos l�bios. Abracei-a forte, enquanto a beijava.
E aquele era apenas o come�o do nosso para sempre.

FIM



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Agradecimentos

E acabou. Minha primeira fic. Uau. Tanta gente que eu quero agradecer. Bom, vamos l� :D
Primeiramente aquelas que fizeram meu t�pico crescer, que foram minha companhia l� durante esses meses. A ordem dos fatores n�o altera o produto, elas s�o: Is�o (Isabela), Carolzona (Caroline), Sobrinha (Mandy), Maa (Marcela), b (Beatriz), principalmente. Obrigada por fazerem a fic crescer q E gente, eu amo voc�s, n�o esque�am.
Depois um agradecimento especial � 3 pessoas que mesmo n�o gostam de Jonas Brothers leram essa fic. Valey, Verry e D�bs. Um agradecimentos ainda mais especial para a D�bs, escolheu o nome Livellus e ainda deu ideias para a fic. Obrigada amores.
Outro agradecimento mais do que especial � Le. Dude, eu tenho certeza que se voc� n�o tivesse me incentivado tanto desde o primeiro t�pico, a tears n�o existiria. Foi em voc� que eu encontrei conselhos, motiva��o e apoio. Le, eu te amo. Mal posso esperar para a gente se conhecer. Obrigada mesmo. (:
E a Tha, �bvio. Nossas conversas brizantes no msn arrasam menina! Eu fico muito contente que voc� tenha lido a tears. *------* Obrigada por tudo, te amo tha.
E um agradecimento especial a voc�, seja quem for, que est� lendo isso aqui. Obrigada por ler, mesmo que seja sem comentar. o/
That�s it girls. Eu vou sentir falta dessa fic, do t�pico. Espero que tenham aproveitado tanto quanto eu. Agora � a hora que eu viro emo, preciso ir. HUSAHSUAHSUAHSUAHSH�
Bgs bgs zeeenty :*

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N�o menos importante eu gostaria de agredecer duas bandas que foram minha inspira��o nesses meses de fic. Jonas Brothers, � claro, por existir e por fazer esse trabalho maravilhoso. Joe, obrigada por ser t�o hot. Sua voz me possui, n�o estou mentindo. Nick, cara, continue sendo t�o fofo assim. Voc� conquista o cora��o de todas. Kevin, seu trabalho na banda n�o podia ser melhor. Voc� mantem todos unidos, al�m de arrasar demais na guitarra. Meninos, voc�s arrasam. Espero voc�s no Brasil (:
E My Chemical Romance, com certeza uma de minhas bandaas preferidas. Frank, obrigada por ser meu pseudo-eu. Voc� arrasa menino, continue assim, gay e afetadinho q. A banda sem voc� seria nada. Gerard, obrigada por sua voz. Ela foi minha constante companhia nos �ltimos tempos. Voc� � demais �fato. E um obrigada especial tamb�m para Mikey, Bob e Ray, My Chemical Romance � perfeito por voc�s. Obrigada.
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