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Papel, caneta e umas boas verdades frias.
Tudo que eu realmente precisava para minha próxima tarefa, que talvez fosse a mais importante da minha vida. Sem contar que era a última. Eu não sabia ao certo o que queria dizer, como poderia expressar tudo que estava sentindo naquele momento. Eu não estava confuso, muito pelo contrário, todas as idéias já estavam bem fixas em minha mente. Acho que isso tudo tornava tudo mais interessante, se não contarmos deploravelmente patético.
Certo de tudo e ao mesmo tempo tão errado.
Suspirei, enquanto me levantava da cadeira e ia buscar meus mais novos utensílios mortais. Por que, eu sinceramente, não sabia o efeito que minhas palavras iriam causar em quem as lesse.
Voltei com tudo pronto e me sentei novamente. Mexi nervosamente a caneta em meus dedos, meio com receio das garras que podiam sair de lá. Eu não estava assustado comigo, mas sim com minha mente. Como se houvesse alguma diferença nisso, principalmente quando vindo de mim. Era bom saber que depois daquele dia, minhas agonias seriam amenizadas por completo, como tirar um curativo de uma ferida recente. Entretanto a minha própria ferida seria para sempre.
Comecei a escrever então, deixando minha caligrafia fina preencher a página.

Well I was there on the day (Bem eu estava lá no dia)
They sold the cause for the queen, (Em que venderam a causa para a Rainha)
And when the lights all went out (E quando todas as luzes se apagaram)
We watched our lives on the screen. (Nós vimos nossas vidas na tela)
I hate the ending myself, (Eu odeio o meu fim)
But it started with an alright scene. (Mas começou com uma cena boa)

Você se lembra de quando a gente se conheceu? Lembra-se de como eu estava gelado, encolhido e, de algum modo você conseguiu acender uma chama, por menor que fosse, em meu coração? Lembra-se de minhas promessas, de meus atos, e de suas conseqüências? Lembra-se de como você mesma agia?
Olá , bem vinda ao meu mundo. Onde as lembranças se misturam em um grande caldeirão do passado e no qual só pessoas com certificado de maioridade podem se maravilhar com os pequenos conteúdos de minha vida.
Tem tantas coisas que você desconhece, contudo outras que você poderia narrar sem ter que consultar o livro de minha mente. Você fez parte de minha história, assim como espero ter feito da sua. Será possível alguém esquecer o toque de duas peles tão distintas, opostas, mas que se completam? Eu espero que você tenha uma memória decente.
Porque no fim, tudo se resume a uma ida ao cinema. Estranho, confuso e diabólico ao mesmo tempo. Quem gostaria de ficar em uma sala fechada comigo? Você se arriscou tantas vezes... Contudo eu sempre estive certo. Isso um dia iria acabar, e eu seria o destruidor de sonhos. Como em seus pesadelos, você escutaria o som, e os anjos desceriam gritando. Exatamente como eu planejei.
E nesta sala reunida de desconhecidos, apaga-se a luz, e tudo fica preto como breu. Uma névoa de ansiedade e preocupação me invade, fazendo de mim mais um fantoche do indeterminado. Ele adora pregar peças, essa é a razão de sua existência. Eu só não diria que o indeterminado é mais poderoso que a mentira, bela dama de nariz empinado que insiste em se meter em todas as possíveis verdades. A verdade, pobre coitada, tem então que se esconder bem escondida, para que nunca a encontremos. Porém eu sempre tive dom para esconde-esconde.
Tropeçando e caindo pelo escuro eu continuo, indo até meu lugar, o mais importante e melhor da sala inteira. Afinal, é nossa vida que está em cartaz.
Você acha justo que todos fiquem sabendo dela?
Eu realmente acho maravilhoso. Perversamente maravilhoso, se posso incluir. Eu não diria que criancinhas possam assisti-la, apesar de que seria ótimo ver alguém chorar.
O fim não é o que se possa chamar de ‘feliz’ mas pelo menos, eu o estou escrevendo agora. Essa parte só será mostrada quando eu finalmente alcançar o que desejo. Isso provavelmente se fará por sangue, verdades e perdões.
Pelo menos a primeira cena não me traz desgosto.

[FLASHBACK]
Mentiras, mentiras e mais mentiras.
Negras, vermelhas, brancas ou cinzas. De todas as cores e de todos os tamanhos, para qualquer ocasião e pessoa. Para todos os gostos, elas são vendidas como água, usadas como ar e desculpadas como espinhos. Nada que uma pétala em cima não possa resolver.
Eu estava andando sozinho como sempre, passeando meus olhos pela rua enquanto uma melodia se fazia ouvir em minha mente. Eu sabia que isso só era eco de meus pensamentos, mas era bom pelo menos poder, de algum modo, preencher o espaço de uma vida conturbada. É mais fácil quando se tem companhia, principalmente se essas são vozes próprias, fantasmas, que assombram e te puxam o pé na cama. Eu nunca gostei de dormir mesmo.
Não nevava como era de se esperar no mês de dezembro, porém o céu continuava branco, demonstrando uma falsa idéia de paz. Eu o preferia negro, com uma tempestade de lágrimas e urros a seguir. Sempre havia menos pessoas na rua quando o céu ia chorar.
Observei uma multidão envolta do lago, e me juntei para checar o ocorrido. Não que eu me importasse com o que estivesse acontecendo; nada me faria sair de meu piloto automático, mas como regra ensinada pela sociedade, sempre que há um bando de curiosos, você deve se juntar a eles. Fui abrindo espaço por entre as pessoas, altas, baixas, tristes e angustiadas, até que pude enxergar a margem.
A visão não poderia me chocar mais, ou me deixar mais esperançoso.

It was the roar of the crowd (Foi o rugir da multidão)
That gave me heartache to sing. (Que me deu desgosto para cantar)
It was a lie when they smiled (Foi uma mentira quando eles sorriram)
And said, "you won't feel a thing" (E disseram "você não sentirá nada")
And as we ran from the cops (E enquanto nós corremos dos tiras)
We laughed so hard it would sting (Nós rimos tão alto que poderia doer)

Eu poderia cantar de tão feliz que estava, porém a multidão me impedia. Por que eles tinham que rugir como leões só porque eu estava chegando perto de você? Não haviam percebido eles que eu só queria tomar um pouco de seu calor para mim? No entanto naquele momento você parecia tão gelada...
Tentei fazer com que eles se calassem, eu não podia deixar aqueles sons desagradáveis chegassem até seus ouvidos delicados. Eu queria tanto cantar para você.
And without you is how I disappear
And live my life alone
Forever now

Lembra-se dessa música? Eu escrevi para você em nosso aniversário de um ano. Consigo recordar como seu rosto ficou vermelho após eu tocá-la para todos nossos amigos. A vida parecia tão simples naquele tempo, não acha?
Puxei seu corpo molhado para mim, abraçando-a o mais forte que pude. Você estava molhada, contudo eu não me importei com isso na hora. Por que me importaria? Você estava ali, comigo.
E eu que pensei que nunca mais te veria.
Mais por instinto do que por conhecimento, juntei minha cabeça até seu peito para ouvir seus batimentos cardíacos. Que coisa magnífica é ouvir o sangue pulsando, mesmo que fracamente, por seu corpo. Em minha mísera opinião, não há nada mais bonito do que o vermelho intenso de uma gota de sangue. Já tomou desse líquido rubro? Deveria experimentar alguma vez.
Levantei você com meus braços e seu peso parecia insignificante perante a satisfação que estava me corroendo e preenchendo no momento.
Mais urros, mais gritos, mais loucura. Alguém tenta te tirar de mim, grito em reprovação. A multidão abre espaço para passarmos, e eu em silêncio agradeço aos anjos. Eles te manteriam viva, certo?
Uma fresta de seus olhos se abre e eu posso ver o medo que você está sentindo. Eles não estão mais com aquele brilho que eu me lembrava, a opacidade os domina. Penso que os duendes roubaram a beleza deles. Lembra-se quando ficávamos acordados até as cinco da manha contando histórias de duendes e potes de ouro? Parece tudo tão banal agora.
Tentam me parar e fazer você voltar ao chão, mas eu te abraço mais forte para manter-te junto de mim. Como ousam tocar em sua pele? Sento-me em um banco e com uma das mãos pego meu celular. Ligo para uma ambulância. Em poucos minutos nos estamos naquele veículo espalhafatoso.
Eles tinham mesmo que anunciar para o mundo todo que você estava desmaiada? Eu não acho nada justo.
E depois, o branco. Branco nas paredes, nos azulejos, no teto e nos uniformes. Nada melhor do que a cor da paz para representar o terror.
Colocam você em uma maca e te levam para a sala de emergência. Você agora está recobrando os sentidos.
Lembro-me perfeitamente do quanto você gritou meu nome, o quanto implorou para sair dali. Você só queria me ver não é? Porém mesmo assim os médicos continuaram a te levar, para o lado mais negro do branco. Que irônico.
Um deles chega perto de mim, puxando meu braço e fazendo-me olhar para ele. Dr. Mathew era seu nome. Ele sorria enquanto articulava as palavras. Eu o odiei assim que o vi.
‘Ela não vai sentir nada. ’
Não sei se posso responder por meus atos depois desse momento. Só o que consigo recordar é de uma briga, e você, já acordada correndo comigo do hospital. Você parecia tão viva. Como se nada houvesse acontecido.
Nunca se abala, não é mesmo?
Seu cabelo se esvoaçava com o vento, e seu sorriso não podia ser maior. Sua mão estava quente novamente na minha. Era bom ter o seu calor de volta em mim.
E quando ouvimos o som de sirenes de polícia atrás de nós, começamos a rir. Diria que rimos tão alto, que poderia chegar a doer. Isso se a felicidade conseguisse ser expulsa de nós, é claro.

[FLASHBACK OFF]

Yeah yeah, oh

If I'm so wrong (so wrong, so wrong)
(Se eu sou tão errado (tão errado, tão errado)
How can you listen all night long? (night long, night long) (Como você pode ouvir a noite toda? (a noite toda, a noite toda)
Now will it matter after I'm gone? (E irá importar depois que eu me for?)
Because you never learn a goddamned thing. (Porque você nunca aprende nenhuma maldita coisa)

E depois, você se mudou para minha casa. Eu não podia estar mais feliz. Era como ter meus medos esmagados, embolados e colocados em potes de biscoitos, daqueles que só o cheiro já nós faz sentir bem. Porém agora eu percebo, quem estava sendo guardado era eu. Eu que sentiria a agonia da prisão, do enclausuramento, da falta de ar e da necessidade de uma tempestade. Realmente o silêncio havia sido meu melhor amigo.
Nossos dias eram felizes, nós erámos um casal feliz. Amor, sexo e amizade, talvez eu poderia definir assim. Até que tudo começou.
Não posso dizer o ‘quando’ muito bem, pois disso pouco me recordo. Mas o ‘como’ eu posso detalhar em sete línguas diferentes. Você sempre gostou de ler o dicionário, certo?
Estava escuro, e lá estávamos nós. No parque, logo abaixo das estrelas, discordando um do outro, coisa que havia passado a ser nosso passatempo mais constante. Eu prefiria tanto as palavras cruzadas!
O tema nunca diferia muito, a mudança era como este era abordado. Casamento.
Você não queria, e eu supostamente deveria não querer também. Hoje vejo que você sempre teve razão. Para que um bando de testemunhas empalhaçadas apenas para assistir eu colocar um anel em seu dedo e sorrir amarelo para todos? Na época parecia bem convidativo.
E você batia o pé no chão por seu ponto, explicando, exclamando, e mostrando-me inúmeras razões.
Porém era eu que sempre ficava falando a noite toda.
Pergunto-me de vez em quando, se eu estou; e sempre estive, tão errado, por que você ainda se incomoda em me ouvir durante horas a fio?
Passam dos dedos das mãos os dias que não dormimos discutindo isso.
Sempre para no final sua vontade se perpetuar. Eu devo ser um idiota mesmo.
Mas, posso ser sincero? Nada disso importa no final. Pelo menos, não no meu final. Eu vou embora de qualquer jeito, você sabendo ou não. Irá importar?
Eu acho que certas coisas valem à pena, e outras, podem ser jogadas ao vento. Você aprendeu algo depois de tudo?
Pelo que me recordo você nunca aprendeu nenhuma maldita coisa.
Bravo !

You're just a sad song with nothing to say (Você é apenas uma música triste, sem nada para dizer)
About a life long wait for a hospital stay (Sobre uma vida inteira de espera no hospital)
And if you think that I'm wrong, (E se você pensa que eu estou errado)
This never meant nothing to ya (Isso nunca significou nada para você)

Porém eu tenho que te agradecer, você sempre esteve aqui para mim.
Em todos os momentos, por mais que a coisa estivesse horrível, eu sabia que podia contar com você. Principalmente naquele inverno.
Não faz tantos anos assim, e eu ainda me lembro de como seu cabelo caia explendidamente em seus ombros naquele dia. Foi tão ruim ter que te contar aquilo. Você, minha princesinha da neve, se esborrachando em medos e descobrindo que sonhos nem sempre são feitos do mais puro algodão. Afinal, como nuvens, basta a chuva para desmanchá-los em pedaços tristes, porém verdadeiros. Eu gostaria de poder te dar um futuro melhor.
Mas meu diagnótico nunca foi tão promissor assim. Câncer.
Foi horrível ver sua face se desmanchar, e você cair de joelhos à minha frente, chorando desesperada. Você que sempre foi tão forte.
Apesar de eu fingir que nada estava acontecendo, seu sorriso me fugia. Você estava calada, já não mais me olhava do mesmo modo. Esperando que eu desaparecesse do nada, talvez?
Eu nunca faria isso com você, meu amor. Pelo menos não naquela época.
Era sempre eu que tinha que buscar seus lábios, fazer com que eles tocassem minha pele, me esquentassem mais uma vez. Suas mãos não me acariciavam mais tão ternamente. Penso que fui sempre eu que estraguei tudo, a nossa vida toda.
E é por isso que vou fazer o que já decidi.
Antes porém gostaria que você ficasse sabendo de algumas de minhas conclusões singelas. Nada que você provavelmente não tenha idéia, apenas as verdades de uma forma pura, como a neve que cai do céu.
Sempre prefirimos o inverno não é?
E eu, como o bom homem que sou então, tenho que dizer. Você é apenas uma música triste. Sua história se esconde, em letras finas e encurvadas, em diversas prateleiras de uma mesma biblioteca, a biblioteca de sua vida. Notas, páginas, letras e anotações, tudo escondido, de modo que nada se tenha para dizer. Apenas quem procura bem achará algo. Contudo não basta dar uma olhada, tem que se observar com atenção. A atenção que só é dada a poucos, sortudos que conseguem escapar da dama de negro que eu vim a conhecer em meus dias de hospital.
Você estava lá comigo, sempre. O que pareceu ser uma vida inteira, talvez.
Valeu mesmo à pena? Agora que eu estou despedaçado, valeu você lutar por mim? Eu não sou nada.
Diga-me que estou errado, e vou saber o que tudo significa para você.
Eu continuo acreditando na canção triste.

I spent my high school career (Eu passei minha carreira do colegial)
Spit on and shoved to agree (Cuspindo e empurrando para aceitar)
So I could watch all my heroes (Então eu poderia ver todos os meus heróis)
Sell a car on tv (Venderem um carro na TV)
Bring out the old guillotine (Lance a velha guilhotina)
We'll show 'em what we all mean. (Nós mostraremos a eles o que todos nós significamos)

Pense um pouco , reflita. Você realmente aproveitou sua vida? Eu sinto como se eu estivesse deixando a minha escorrer por meus dedos, como água ou o ar talvez. Apesar de que viver agora não me parece tão elementar. Simples estado momentâneo, tempo utilizado pelos sábios e desperdiçado pela maioria. Basta um acontecimento, uma ponta de destino ou azar e tudo se desmorona; passando a ter versões diferentes do que antes parecia complicado.
A morte é pacífica, fácil.
A vida é mais difícil.
Por isso, nesse ponto em que estou agora, acho que considerar histórias e sonhos alucinantes não é algo tão imperdoável. Deixar algo memorável como lembrança nunca me pareceu tão tentador. Contudo, o que eu poderia fazer? O que eu poderia falar?
Nada do que eu fizer vai fazer diferença agora. Você pode pensar que sim, se conformar com o pouco e inevitável, desentender o imperdoável e colher do imprescindível. Porém você nunca conseguirá.
Tenho como exemplo minha própria vida patética.
Quantos anos você passa se dedicando a uma coisa só para depois perceber que os frutos desta nunca vão florescer? A primavera nem sempre chega para todos. O inverno congelante pode se apossar de todas as coisas antes.
Eu passei anos de minha adolescência - o colegial inteiro talvez - tentando mudar uma coisa que fosse. Tentativas fúteis, é claro, eu nunca fui forte o suficiente para ser importante. Não como eu gostaria de ser.
Alguém tinha consciência da minha existência?
Só para depois eu poder ver todos os meus heróis vendendo carros na TV. Se minha vida se resumisse a isso, eu estaria perdidamente desapontado.
Porém você me apareceu. Eu já disse o quanto me odeio? Deixei-me ser apaixonado, deixei-me amar alguém. Um erro, prazeroso, mas ainda assim um erro.
Junte todas suas armas e vamos à luta. Soldados nos aguardam !
Precisamos mostrar quem somos. E, o mais importante, o que nossa presença significa.
Morte é uma boa palavra para você?

Yeah yeah, oh

If I'm so wrong (so wrong, so wrong)
(Se eu sou tão errado (tão errado, tão errado)
How can you listen all night long? (night long, night long) (Como você pode ouvir a noite toda? (a noite toda, a noite toda)
Now will it matter after I'm gone? (E irá importar depois que eu me for?)
Because you never learn a goddamned thing. (Porque você nunca aprende nenhuma maldita coisa)

Continua lendo essa carta ? Eu ainda não te desapontei o suficiente?
Talvez você tenha ficado imune a dor, afinal.
Talvez minhas palavras sejam mais como morfina do que como lâminas.
Talvez o corte não esteja tão fundo.
Se estou errado, por que continua ouvindo o que eu tenho para dizer?

You're just a sad song with nothing to say (Você é apenas uma música triste, sem nada para dizer)
About a life long wait for a hospital stay (Sobre uma vida inteira de espera no hospital)
And if you think that I'm wrong, (E se você pensa que eu estou errado)
This never meant nothing to ya (Isso nunca significou nada para você)

Você ainda tem esperanças de que eu me cure? Você ainda acha que eu vou ficar bom? Que, de algum modo sombrio, você poderá me consertar?
Que meu coração irá voltar a bater alguma vez?
Que eu vou deixar de gostar do rubro?
Ainda acha que meu desejo vai mudar algo?
Desculpe-me, eu estou certo.
E você sabe.

So go, go away, just go, run away. (Então vá, fuja, apenas vá, corra)
But where did you run to? And where did you hide? (Mas para onde você correu? Onde você se escondeu?)
Go find another way (Vá encontrar uma outra maneira)
Price you pay (Preço que você paga)

Está com medo agora? Eu realmente espero que sim. Nunca fui bom para você.
Você deveria ter fugido de mim há muito tempo, gritando e pedindo auxílio. No entanto, você permaneceu aqui. Meu lado egoísta agradece. Meu lado altruísta grita ofensas contra mim. Vamos ser bonzinhos, certo?
Vá embora. Fuja, corra.
Esconda-se de mim, mesmo sabendo que eu te encontrarei. Eu sempre fui bom nisso, lembra-se? Você nunca conseguiu escapar. Afinal, você sempre voltava. Linha tênue entre o amor, ele me consome, e eu sou seu. Por este último suspiro, eu sou seu.
Aproveite , seu tempo está acabando. Eu não vou estar por perto por muito mais tempo.
O metal está próximo de mim, estou tocando seu bocal gelado.
Posso fazer um último pedido?
Reconstrua-se, por mim.
Procure outra maneira. Não é uma declaração de moda, é um pedido de morte. Um último pedido. Faria isso por mim?
Pague o preço por ter me conhecido.

Woah
Woah, Woah, Woah, Woah, Woah


You're just a sad song with nothing to say (Você é apenas uma música triste, sem nada para dizer)
About a life long wait for a hospital stay (Sobre uma vida inteira de espera no hospital)
And if you think that I'm wrong, (E se você pensa que eu estou errado)
This never meant nothing to ya (Isso nunca significou nada para você)
x 2

E com a minha música triste eu me despeço.
Adeus .
Eu te amo, sempre te amei.

At all, at all, at all, at all (Afinal, afinal, afinal, afinal)

Fiquei olhando para a folha durante alguns segundos, tentando entender o sentido de tudo aquilo. Eu precisava fazê-la sofrer daquele modo?
Não, não precisava.
Mas afinal, o que é a vida sem um pouco de sadismo?
Peguei meu novo acessório e medi seu peso entre meus dedos, deixando sua superfície lisa e gelada tocar minha pele quente. Nada podia ser melhor que aquilo.
Encostei seu cano à lateral de minha cabeça, e com minha mão direita, segurei firme.
Não apertei, queria apenas observar as reações de meu corpo.
Meu coração batia rápido em meu peito, e um grane alívio me consumou. Estava acabando. Finalmente estava acabando.
Deixei que meu dedo indicador fizesse um pouco de pressão no gatilho. Eu estava radiante.
Bum.
E enfim o rubro me consumiu, realizando meu desejo de muito tempo.

FIM

N/a: Tenho que confesar, se essa não foi a melhor coisa que eu já escrevi, eu não faço a menor idéia do que seria. Enfim, amei escrever, espero que você tenha gostado de ler :B
E essa fic é completamente dedica à minha beta Letícia, que eu posso dizer com certeza, é uma de minhas melhores amigas. Eu te amo leleca. Espero que tenha gostado da sua fic <3
bgs bgs galera :*
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