SIGMUND
FREUD
1856
- 1939 d.C.
Breve Biografia
Freud abriu uma porta na mente humana, explorou o assombroso mundo do inconsciente atrás dessa porta, e refez a imagem que o homem tinha de si mesmo. Ele possuía muito do exterior agressivo que os expoentes têm às vezes. Reservado e tenaz, sabia que estava certo, e achava que todo mundo devia concordar com ele. Desentendia-se, não raro, com discípulos e colegas. Mas, na vida particular, era terno, em contraste com os impulsos irracionais que estudava. Seu ambiente de trabalho era extremamente simples. Toda a sua investigação foi feita com clientes particulares em seu consultório de Viena. Seu feliz casamento durou 53 anos; se viajava, escrevia todo dia à mulher. Como filho e pai, viveu sempre em grandes famílias patriarcais que faziam longos veraneios e habitavam casas fartamente mobiliadas. Freud modelou o pensamento do século XX, mas viveu serenamente até ao fim como um homem do século XIX.Freud uma vez escreveu: "O favorito incontestável da mãe conserva por toda a vida o sentimento de um vencedor." Sigmund, nascido com "cabelos pretos, sinal de sorte", era o primogênito dos oito filhos de Amália Freud, e ela profetizava para ele um futuro de grandeza. Mas, com os homens da família, as relações do menino eram mais complicadas. Criado em Viena, admirava muito o pai, Jakob, que tinha idade para ser seu avo. Mas Jakob tinha um filho, Philipp, de um casamento anterior, uns 20 anos mais velho que Sigmund, e a quem este olhava com ressentimento.
Anos depois, já casado, Freud iniciou uma penosa auto-análise. Revelou que acreditara ser filho de Philipp, e que os ciúmes da amizade deste com sua adorada mãe tinham causado sua hostilidade. Baseado nisso, descobriu em muitos pacientes que mesmo as crianças têm vida sexual.
Na década de 1880, o tratamento da doença mental no mundo civilizado beneficiara-se de um florescimento científico, e passara para especialistas médicos, psiquiatras e neurologistas. Mas, mesmo clínicos progressistas, intrigados por doenças sem aparente causa física, atribuíram-nas à "degeneração" do sistema nervoso.
Em 1885, preparando-se para clinicar como neurologista, Freud foi a Paris estudar com o eminente Dr. Jean-Martin Charcot Ali, viu as experiências extraordinárias de Charcot com a hipnose. Freud dedicou-se ao estudo da mente ao descobrirem ambos que os sintomas da doença mental podiam ser causados e aliviados pelo simples poder de "idéias". Escreveu à noiva, sobre Charcot: "Nenhum outro ser humano influiu tanto em mim".
Sabia que o médico vienense, Josef Breuer já usava a hipnose para trazer à tona pensamentos reprimidos, uma ''catarse" que, segundo Breuer constatara, aliviava seus doentes. De volta, começou a aplicar hipnose e catarse. Os dois juntos escreveram um livro, Estudos sobre a Histeria, publicado em 1895. Todavia, Freud concluiu de seus próprios casos que todos os pensamentos reprimidos eram de natureza sexual. Breuer não concordou e rompeu com Freud antes da publicação. Freud logo se afastou em outro ponto; substituiu a hipnose por sua técnica de "associação livre", em que o paciente fala ao acaso ininterruptamente. Assim, quando o livro apareceu, Freud ficou só para liderar a nova era da psicanálise.Os Freuds viveram mais de 40 anos num confortável apartamento de segundo andar que, durante quase todo esse tempo, incluiu seu gabinete. Sua maior renda vinha dos clientes (cobrava alto para o tempo — 8,10 dólares por hora), e seu consultório, a síntese do gosto civilizado, refletia seu teor de vida. A devotada esposa cuidava que tudo girasse em torno de "Der Papa". Ele se levantava diariamente às 7 e, às 8, estava pronto para o primeiro cliente. Cada sessão durava 55 minutos. Almoçava com Marta e os seis filhos, e, nas pausas de 5 minutos entre as consultas, saía pelo hall e entrava em casa. Jantava às 9, depois do último cliente, ia a seu escritório e escrevia até 1 hora da manhã ou mais.O consultório de Freud em Viena, forrado de tapetes e quadros, era um mOstruári0 da sua coleção de arte antiga. Depois que Freud adquiriu fama, princesas, poetas e filósofos vinham deitar-se em seu sofá coberto de pelúcia e contar os seus sonhos, fantasias e lembranças. Um cliente disse das sessões analíticas que Freud era "terrivelmente assustador" exclamando, gesticulando e puxando baforadas de seu charuto.
Fora as acalentadas férias de verão. Freud tinha poucos lazeres: visitas a mãe nos domingos, encontros com o grupinho de adeptos, conhecido em Viena como Sociedade Psicanalítica. As noites de sábado eram sagradas — era seu dia de tarok, velho jogo de cartas vienense.Planejava a longo prazo suas férias de verão no exterior. Em geral,
a família ia para urna estância alpina. de onde, as vezes, ele ia à Itália. Então, revirava cidades e lugares, corria museus e talvez comprasse alguma coisa antiga. Marta, que pouco viajava, raramente ia junto, mas Freud, em geral, levava um amigo. ou parente. e nos últimos anos, a filha Ana, pois o grande homem nunca aprendeu a ler uma tabela de horário de trens.Os primeiros trabalhos de Freud sobre o inconsciente foram denunciados pela Sociedade Médica de Viena. Após a publicação de A interpretação dos Sonhos, em 1 899, o clero tachou-o de anti-religioso, a imprensa popular chamou-o de bruxo mascate da pornografia, cujos livros só diziam que bebês inocentes tinham desejos sexuais pelos pais. Max Graf, um antigo aluno, disse desses tempos: "Achavam que ele era um louco que via sexo em tudo. As senhoras coravam quando ouviam seu nome." Depois da Primeira Guerra Mundial, o mundo parecia mais preparado para aceitar o sexo como um fato, e os cientistas para aceitar as provas crescentes que Freud e seus seguidores acumulavam para apoiar a psicanálise. Ao completar 75 anos. em 1 93 1, o mundo inteiro homenageou-o, inclusive a Sociedade Médica de Viena. O século XX já o reconhecia, então, como um dos maiores formadores do espírito moderno.
Em 1937, Freud escreveu à Albert Einstein: "A guerra é inevitável." Era também inevitável que, depois de os nazistas terem invadido a Áustria, a Gestapo atormentasse a vida do medico judeu. Embora rejeitasse a religião como uma ilusão que o homem criava para compensar suas imperfeições, sempre "reconheceu orgulhosamente seu judaísmo". Por isso, em 21 de maio de 1938, a polícia nazista invadiu-lhe o apartamento, onde estava convalescendo de uma das 33 operações que sofrera devido a um câncer na mandíbula. Quando os "camisas pardas" confiscaram os passaportes, apreenderam o dinheiro e remexeram papéis e pertences, "Freud manteve-se calmo, sossegando a família", de acordo com o The New York Times.
Foi necessária toda a diplomacia dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para persuadir os nazistas a deixarem o grande homem emigrar. Freud, por sua vez, teve de ser persuadido a tal pelo psicanalista inglês, Ernest Jones, que posteriormente escreveria a biografia definitiva dele. (A primeira resposta de Freud foi: "Meu lugar é aqui.") A Princesa Maria Bonaparte, uma ex-cliente, pagou o resgate pedido pelos nazistas. e em junho de 1938 Freud, Marta e Ana iam para Londres.
Reverenciaram-no no exílio. Passou tranqüilo seu último ano de vida vendo clientes, parentes e amigos. Morreu a 23 de setembro de 1939, tendo se transformado em "todo um clima de opinião", como escreveu W. H. Auden.
Continue
no site para saber muito mais sobre Freud