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KIT PARA RECONHECIMENTO DE ARGUMENTOS
FALACIOSOS E FRAUDULENTOS (mentiras e bobagens)
”Se
ouço barulho de cascos, penso em cavalos, não em zebras”, Carl Sagan.
| Falácia:
oratória infundada, bobagem com cara de coisa séria. |
| Hipótese: suposição
admissível, mas não demonstrada. |
| Argumento: raciocínio
através do qual se tira uma conseqüência. |
Os
seguintes procedimentos são sugeridos para reconhecer os argumentos
falaciosos ou fraudulentos
| Sempre que possível, deve haver confirmação
independente dos fatos. |
| Incentive
debates substantivos sobre as evidências, entre notórios partidários
de todos os pontos de vista. |
| Argumentos vindos de “autoridades”
carregam pouco peso (em ciência não existem autoridades). |
| Explore mais de uma hipótese e promova,
entre as múltiplas hipóteses uma “seleção natural”
para ver qual sobrevive– Não se enamore simplesmente da primeira idéia
que cativou sua imaginação. |
| Tente não se apegar
demais a uma hipótese somente porque ela é sua. |
| Quantifique, sempre que
possível. (Ex: É uma verdade qualitativa, mas não quantitativa
[pois a mínima imperfeição num ralo pode influenciar no sentido de rotação
muito mais que a força de Coriolis] que a força de Coriolis faz a água
girar no sentido anti-horário no hemisfério sul. |
| Se existe uma cadeia de argumentos,
cada elo (inclusive a premissa) da cadeia deve funcionar, senão a cadeia
é falha. |
| Use a “Navalha de Occam”:
Se existem duas ou mais hipóteses que explicam igualmente bem um
determinado conjunto de dados, escolha a mais simples (C.Sagan: ”Se ouço
barulho de cascos penso em cavalos, não em zebras”). |
| Teste se a hipótese pode, ao menos em
princípio, ser falsificada (se ela pode se mostrar falsa por algum teste
não ambíguo e inequívoco). Em outras palavras, veja se a hipótese
é testável. (Francis Bacon: “A argumentação não é
suficiente para a descoberta de novos trabalhos, pois a sutileza da
natureza é muitas vezes maior do que a sutileza dos argumentos"). |
| Os experimentos quando duplicados por
outrem devem fornecer os mesmos resultados, todas as
vezes que forem executados da maneira apropriada. |
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Dicas
Adicionais:
| Conduza experimentos de controle
– especialmente experimentos duplamente-cegos, onde também a pessoa que
conduz o experimento não está ciente dos assuntos ou objetivos do
experimento. |
| Preste atenção nos fatores-de-confusão
– Separe a variáveis. |
| Teste-as independentemente umas das
outras, sempre que possível, variando o mínimo número delas enquanto
todas as outras permanecem constantes [***]. |
| Estabeleça relações,
comportamentos e correlações causais
entre os parâmetros (Durante um século pensou-se que famílias com pais
distantes e mães superprotetoras ‘geravam’ gays, porque havia de fato
uma forte correlação entre os fatos. A verdade, veio a se descobrir
recentemente, é que em famílias que têm um filho gay, o pai geralmente
se distancia e a mãe, pelo mecanismo compensatório, tende a
superproteger o filho. A correlação prova a influência de um fato no
outro, mas não o sentido desta).[***] |
Falácias comuns de Lógica ou Retórica
| Ad hominem – Ataca o argüidor
e não o argumento. (quem é o senhor pra dizer que...; Você não tem
moral pra dizer...; O nobre colega não paga suas dívidas e vem
falando...) |
| Argumento vindo de “Autoridade".
(A polícia militar disse que no lugar do acidente não havia chovido...) |
| Argumento de conseqüências
adversas (ex:O marido suspeito de assassinar a mulher deve ser
julgado culpado; do contrário isso será um incentivo para que outros
maridos matem suas mulheres; ou os discos voadores existem porque não é
possível que estejamos sozinhos no universo***). (Faz-se tender a uma
decisão apontando a conseqüência ruim de se tomar a outra.) |
| Alegação especial
(tipicamente se referindo ao desejo de Deus: ex: você não compreende a
doutrina sutil do livre arbítrio; ou... você não é capaz de entender
isso.) |
| Petição de princípio ou suposição
de resposta. (As ações da Petrobrás caíram ontem porque José
da Couves disse em depoimento na CPI não acreditar no sistema fiscal
brasileiro***). Aprende-se algo dessa explicação? |
| Apelo à ignorância (A
ausência de evidências não é evidência da ausência). |
| Responder com a pergunta
(Assumindo uma resposta no modo como a questão é formulada: Que
relação de parentesco tem o irmão da vítima com a vítima?). Aqui não
se encaixa a pergunta: qual a cor do cavalo Branco de Napoleão? Ele era
castanho. Branco era o nome. |
| Seleção das observações
(Considerando os dados favoráveis e esquecendo os desfavoráveis. Ex: O
governo FHC se gaba do índice de crianças que terminam o ensino básico,
mas não dá importância ao fato disso ter sido atingido através da
“abrigatoriedade” da não reprovação ou o fato de um egresso do
ensino básico dominar bem menos habilidades do que faziam os de 10 ou 20
anos atrás.). |
| Estatísticas dos números
pequenos (Tirar conclusões de uma amostragem de tamanho
inadequado). Comum na Medicina. Um estudo de caso de 8 pacientes de uma
patologia ordinária é considerado um estudo “sério”. Existem
algumas ferramentas estatísticas apropriadas para estes estudos. O que
não existe são processos para a verificação da validade e da qualidade
desses resultados [###]. |
| Compreensão errônea da natureza
da estatística (ex: O novo Ministro da educação se espantou ao
ler relatório que dizia que metade de todos os brasileiros tem inteligência
abaixo da média). |
| Incoerência ou inconsistência (e.g. A palavra de um agricultor simples e ignorante é
levada em consideração como evidência ufológica, mas o parecer de um
engenheiro eletricista que diz que os buracos supostamente deixados pelos
trens de pouso do disco voador são na verdade buracos de raios
atmosféricos, não.[também é uma seleção de informação]). |
| Non
sequitur
- "não se segue" – lógica falha. Ex: O Grêmio vai
ganhar porque Deus é gremista. |
| Post hoc, ergo propter hoc
- "Aconteceu após o fato, logo foi por ele causado" – confusão
entre causa e efeito ou entre fatos correlacionados e os sem relação
alguma (após o aparecimento do cometa noname1887, um terremoto abalou a
costa ocidental da Africa). |
| Questão sem sentido
(ex:"O que acontece quando uma força irresistível encontra uma
massa inamovível?). Uma força irresistível só existe se não
existir uma massa inamovível... |
| Exclusão do meio-termo ou dicotomia
falsa. (ex: Se você não faz parte da solução, então faz parte
do problema; O inimigo de meu inimigo é meu amigo). |
| Curto prazo versus longo prazo
(ex: Por que explorar o espaço e fazer pesquisa básica quando há tanta
gente passando fome.). |
| “Slippery
slope” Rampa escorregadia – (Se o governo permitir o aborto até
o terceiro mês, logo ele estará permitindo até o final da gravidez...) |
| Confusão
entre correlação e relação causal (ex: Um estudo aponta que
existe um maior número de homossexuais entre os que têm curso superior
do que entre os que não o têm [isto é uma correlação], portanto, o estudo
torna as pessoas homossexuais?). |
| Espantalho
ou estereotipação – estereotipar alguém para tornar
mais fácil o ataque. Ex: Aquela primatóloga se preocupa mais com
os macaquinhos do que com gente). |
| Evidência suprimida ou
meia-verdade (ex: “Foi uma covardia e absurdo utilizar a bomba atômica,
que matou mais de 100 mil civis, para acabar com a Segunda Grande Guerra”.
Um dia antes, um bombardeio convencional tinha matado 90 mil civis numa
grande cidade japonesa e isso não abalou o Japão nem um pouco. É um fato
científico que a Bomba A economizou muitas baixas para ambos
os lados. A verdade não deve ser descartada só porque é
horrível [***]. |
| Palavras dissimuladoras ou
equívocas: palavras criadas para despistarem a atenção do verdadeiro
significado (o integralismo brasileiro, cujo lema era Deus, a pátria e a
família, era de fato uma mistura fascista-nazista. Nunca funcionou como
Plínio Salgado, seu mentor, quis.) |
| Apelo ao Bom Senso:
O bom senso é relativo, assim como tudo que é "bom" ou
"mal" e não deveria ser utilizado como se fosse um conceito
absoluto. O que de fato existe é o Senso Comum, ou o senso
da maioria [***]. |
| Contexto temporal:
Não se levar em consideração o contexto temporal no julgamento de um
argumento. Num famoso conto do século IXX, um balão vai para a Lua
aquecendo ou esfriando o éter. Os argumentos utilizados naquela época
eram adequados [***]. |
(Adaptado por
BSJ, de “O mundo assombrado pelos demônios” de Carl Sagan e de Baloney Kit,
internet)
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