O clube
no coração
Joaquim
Manuel foi jogador do Benfica e Castelo Branco
durante mais de 20 anos e envergou em centenas de
jogos a braçadeira de capitão. Com a camisola
vermelha dos albicastrenses actuou em todas as
posições da defesa e do meio-campo. Como treinador,
resistiu à instabilidade e promoveu pela segunda vez
o clube à II Divisão B.
Joaquim Manuel tem a
chave do estádio. Entra para a entrevista e abre as
portas como se estivesse em casa e fosse da sala para
a cozinha ou vice-versa. Tem 48 anos, é natural de
Castelo Branco e já nem sabe bem quantos de trabalho
no mais popular dos clubes albicastrenses.
Voltou a conseguir a promoção à II
Divisão B, repetindo o feito de há três anos. Como
explica estes resultados?
O segredo está no trabalho, na forma de
lidar com os jogadores e no bom desempenho dos
directores. Temos um plantel limitado, metade são
jogadores que vieram dos juniores, mas este ano só
perdemos dois jogos. Somos uma equipa unida, bem
identificada e isso desemboca em resultados que nos
deixam orgulhosos. Não sou capaz de apontar um
segredo, não há nada que eu faça e que seja
importante ao ponto de merecer ser escondido para que
mais ninguém saiba.
Além das duas épocas em que treinou o
Proença-a-Nova, apenas foi técnico do Benfica e
Castelo Branco. Sente que precisa de mudar?
Não lhe quero chamar necessidade. Tenho
ambições de treinar pelo menos um clube da Liga de
Honra, tenho essa aspiração e penso que tenho valor
para tal. Aguardo uma oportunidade para mostrar
serviço a outro nível. Isto está longe de ser um
discurso de despedida, joguei mais de vinte anos em
Castelo Branco, sou da cidade, sou do clube, tenho-o
no coração e gostava de continuar, mas não sei o
que vai acontecer para o ano.
A instabilidade directiva complica-lhe o
futuro?
É evidente que deixa muitas questões em
aberto. Já não há Direcção, está em funções
uma comissão administrativa e para o próximo dia 20
está marcada outra assembleia, onde se espera que
apareça uma lista disposta a assumir a gestão do
clube, depois de o presidente Luís da Ponte já ter
demonstrado indisponibilidade para ficar. Estamos
numa grande incerteza, pois já houve outras
assembleias e não surgiram alternativas. É uma
pena.
Mas situação está controlada?
Sim. Não há ordenados em atraso e todas
as contas estão pagas. Acontece que as pessoas
perderam interesse desde que o clube se divorciou da
L i g a de Honra, durante a década de 80. Talvez a
cidade e o clube mereçam mais, mas as empresas têm
dificuldades e isso limita as metas de todos. A
população gosta de futebol e o clube poderia
crescer, mas sem ajuda é quase impossível chegar
mais longe.
A BOLA On-line (17-5-04)

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